Na minha pequena cidade cheia de ruas de perpendiculares que visto do céu até parecia um quadriculado perfeito debruado em semicirculo pela baía e casas coloridas, eu adorava brincar. Mas de todos os seus brinquedos, o favorito era um carrinho de lata azul-claro, um pouco amassado e com rodas que rangiam um pouquinho, mas que era o carro mais veloz e bonito do mundo, eu não tenho dúvidas.
Um dia ensolarado, decidi que o meu carrinho, a quem carinhosamente chamava de Pássaro Azul, ia fazer uma grande aventura.
"Preparar... apontar... já!" empurrei o carrinho que começou a descer a rua, lentamente no princípio e depois foi ganhando velocidade. Ziguezagueava entre os limites da estrada como se estivesse a contornar pedras, e eu com a boca fazia barulhos de motor: "Vruuumm! Vruuummm!"
De repente o pássaro azul encontrou um obstáculo: um buraco no alcatrão! "Oh não!", exclamei e mais não disse porque me esbardalhei ao comprido por entre rodas e latas mais amolgadas.
Mas a aventura não terminou ali. A melhor parte de descer aquela montanha que era a minha rua, ter-me esbardalhado, foi agarrar os cacos e levar para casa para remontar. Pássaro azul tinha muitas vidas. Aquela não podia ser a sua última.
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