Houve um tempo em que o "Boas Festas" pesava. Pesava no papel encorpado do postal, no relevo dourado da escrita e no selo que precisávamos lamber antes de confiar ao marco do correio. Hoje, o desejo de felicidade viaja à velocidade da luz, desmaterializado em pixels, mas carregando o mesmo dilema humano de sempre: como fazer-se presente quando se está ausente?
Desejar boas festas remotamente tornou-se uma espécie de coreografia digital. Há quem prefira o "bombardeio" de GIFs cintilantes nos grupos, aqueles onde o brilho da árvore de Natal virtual parece competir com a bateria do telemóvel. Há quem opte pela elegância sóbria de uma mensagem direta, personalizada, que tenta furar a barreira da frieza do ecrã com um lembrei-me de ti.
Desejar um feliz Natal remotamente é uma prova de resistência que faria o Pai Natal trocar o trenó por uma reforma antecipada nas Bahamas.
Depois temos o WhatsApp. Desejar boas festas por mensagem tornou-se uma modalidade olímpica de Copy-Paste. Há a "Mensagem Encaminhada" com aquele selo de vergonha no topo, enviada por aquele primo que claramente mandou o mesmo texto para os 457 contactos da agenda, incluindo o senhor que lhe vendeu um sofá no OLX em 2019.
No fim do dia, seja por um e-mail formal, uma mensagem de WhatsApp cheia de emojis ou uma chamada de vídeo tremida, o "Boas Festas" remoto é o nosso jeito moderno de dizer: "Eu podia estar em qualquer lugar, mas escolhi usar este segundo para te encontrar no espaço digital."
E, talvez, o segredo da magia de Natal hoje em dia não seja a conexão Wi-Fi, mas a conexão que ela permite manter viva, mesmo quando o Wi-Fi falha.
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