A minha cidade não era movimentada, nem se pode dizer que ela mexia com os nossos nervos. Era assim mais uma teste de paciência e de solidão intervalada por um carro ou outro que passava. Mas tinha uma menina, que vou chamar de chamada Sofia, que tinha um talento especial para transformar os encontros mais comuns em situações hilariantes. Ela era divertida, bonitinha, um pouco desastrada e até desconcertada da cabeça.
A sua última aventura começou com um encontro ao acaso com um desconhecido chamado Leopoldo. Uma amiga de Sofia tinha-lhe dito que ele era culto, inteligente e e até dava para fazer um filme de James Bond. Sofia imaginou um homem alto, moreno e misterioso, talvez um pouco como um intelectual e chato, e por isso não ocupou espaço na sua memória.
Uns dias depois, na esquina da pastelaria habitual, ela com a sua saia rodada, gasta de tanto usar, olhou e viu, sentado na esplanada um jovem de óculos, com um pulóver de malha, corte fino e um livro de poesia na mão. Ele olhou e pensou que aquela figura não era definitivamente o tal que podia ser o James Bond, mas tinha uma cara diria simpática.
Sentou-se na mesa ao lado. Pediu o seu café e olhando para ele:
- Leo qualquer coisa? ela perguntou.
Ele se levantou-se, estendeu-lhe a mão perguntou:
- Poldo, Leopoldo. E tu?
E sentaram-se e aquele, ao acaso encontro, começou razoavelmente bem. Conversaram sobre livros, viagens e até sobre a paixão de Leopoldo por puzzles.
O empregado trouxe o café de Sofia. Num momento de distração, enquanto gesticulava sobre sua aversão a já não sei o quê, Sofia derrubou acidentalmente o café, que voou por toda parte, cobrindo a mesa, o pulóver e partindo a chávena ao bater no chão .
- Ai, meu Deus! Desculpe-me, desculpe! - Sofia exclamou, pegando em guardanapos para tentar limpar a asneirada.
Leopoldo, em vez de ficar chateado, começou a rir.
- Não te preocupes - disse - Pelo menos agora cheiro a café.
Sofia não conseguiu evitar rir também.
- Se tivesse posto açúcar poderia dizer que pelo menos tinha adoçado o teu dia. - disse Sofia sorridente com um pequeno tremelique na voz.
Apesar do incidente cafeinado, o encontro continuou e tornou-se cada vez mais divertido. Eles descobriram que tinham um humor semelhante e, mesmo que Leopoldo não fosse o James Bond que ela tinha imaginado, ele era muito mais autêntico e engraçado.
Quando a noite chegou, Leopoldo acompanhou-a até a porta de casa.
- Apesar da chuva de café, eu realmente passei uma tarde agradável - disse ele sorrindo.
- Eu também - disse Sofia - prometo que se houver uma próxima vez, eu tento não transformar-te nem te baptizar
Leopoldo riu.
- Não te preocupes, eu gosto de ser vítima. Que tal um reencontro na próxima semana? Talvez num lugar onde não haja café nem açúcar para ser derramado.
Sofia sorriu.
- Eu adoraria e acaso ditará - disse Sofia sorridente
E assim, Sofia, com sua propensão para o caos adorável, encontrou alguém que não apenas tolerava seus pequenos desastres, mas achava-os engraçados. E Leopoldo, o James Bond intelectual, com um amor por puzzles, descobriu que Sofia era uma adolescente com tudo mas menos chata que as que normalmente o rodeavam.
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