5 de fevereiro de 2026

A guerra contra os Donos da Razão

Há pessoas que não têm opinião. Têm sentença. Não dizem “acho que…”. Dizem “é assim.” Ponto final. Se discordarmos, é porque ainda não percebemos. Se insistirmos, é porque somos teimosos. Se tivermos razão, foi sorte.

Estas pessoas são conhecidas como Donos da Razão. Andam por aí como se tivessem um certificado invisível pendurado ao pescoço: “Atenção: estou sempre certo desde 1999.”

Tentar discutir com um Dono da Razão é como jogar xadrez com um pombo. O pombo derruba as peças, faz cocó no tabuleiro e no fim sai a andar como se tivesse ganho.

Nós até começamos com boas intenções:
- Olha, acho que isso não é bem assim…
E o Dono da Razão responde:
- É sim. Eu sei.

Pronto. Acabou. Nem vale a pena ligar o cérebro. Aquilo já vem com resposta automática. É tipo assistente virtual, mas com menos atualizações e mais convicção.

O problema é que eles existem em todo o lado: no trabalho, na família, no grupo do WhatsApp e até na fila do pão. Há sempre alguém que explica ao padeiro como se faz pão. Ao padeiro! Um homem que faz pão desde antes de nós sabermos dizer “carcaça”, já ele chamava papo-seco de olhos fechados.

A nossa luta diária é tentar manter a sanidade. Usamos frases de sobrevivência como:
— Pois, tens razão… (mesmo quando não têm)
— Ah, interessante… (não é)
— Não sabia! (sabíamos, mas desistimos)

Com o tempo, aprendemos uma grande lição: não se vence um Dono da Razão. No máximo, empata-se. E o empate consiste em sorrir, mudar de assunto e pensar: “Pronto, hoje já alimentei o ego de alguém.”

Porque, no fundo, lutar contra quem tem sempre a mania que está certo é como discutir com o GPS quando já estamos perdidos. Ele recalcula, nós suspiramos, e a vida continua.

E talvez a verdadeira vitória seja esta: não ganhar a discussão… mas chegar ao fim do dia com paciência suficiente para não nos tornarmos também Donos da Razão.



Sanzalando

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