Esta é uma história de coragem, astúcia e, acima de tudo, do poder da imaginação no mundo da medicina com crianças.
Eu era conhecido nos corredores do hospital não apenas pela minha habilidade cirúrgica, mas também pelo meu feitio tipo segurança de boate. Eu cirurgião, um paradoxo ambulante que combinava mãos delicadas com um visual facial e comportamental de não se metam comigo. Eu achava ser exigente, eles, todos os outros, pensavam em mau feitio. Opiniões.
Do outro lado, tínhamos Leonardo, um menino de sete anos, com olhos expressivos e uma imaginação que o transportava para outros mundos. Naquele dia, ele estava no hospital com uma ferida na perna esquerda, resultado de uma batalha heroica contra os dragões mutantes que vim a descobrir que eram mais conhecidos como a roseira do quintal.
Leonardo estava sentado na marquesa, a sua perna balançava nervosamente como se estivesse a convulsivar e o resto do corpo não.. A ferida estava coberta por trapo improvisado pela mãe, que tentava acalmá-lo, mas Leonardo estava cético pois só ouvia o barulho da ferida.
Entrei na sala e ele olhou-me como que a tirar medidas.
- Olá, campeão. - atirei para acalmar o ambiente. - Quem foi que te fez essa ferida?
- Não quero ser cosido. Foi um dragão do meu quintal. - e a perna não parava quieta.
- Esse dragão tinha alguma doença dançarina?
Leonardo arregalou os olhos. "
- Como sabes? - respondeu-me. Logo repreendido pela mãe
- Eu tenho minhas fontes, deixa-me dar uma olhadela no teu troféu de guerra.
Aproximei o foco de luz, examinei a ferida com o olhar e a precisão de um especialista em desarmamento de bombas.
- Ah, sim. Uma clássica ferida de espinho de dragão. Muito perigosa, se não for tratada corretamente.
Peguei na Iodopovidona e disse:
- Isto não é uma coisa qualquer é o líquido Elixir do Dragão que impede que essa ferida espinhosa infecte. Era bem pior que se essa ferida fosse feita por uma escama de dinossauro. Não tenho cá desinfectante para eles.
Leonardo observava-me fascínado.
- Olha, vou ter que dar aqui dois pontos, para curar mais depressa.
O barulho da ferida foi abafado pelo grito.
- Calma, pá! Depois eu faço um penso que te vai fazer saltar sobre o Dragão do teu quintal com segurança.
Aos gritos, porém a perna deixou de convulsivar, duas picadelas de anestesia que fizeram com que as cordas vocais quase batessem no tecto. Com a rapidez dada pela experiência dei três pontos.
- Deste três e disseste dois. Mentiroso. - disse-me após um súbito silêncio.
- Doeu-te? - perguntei
- Não. Mas disseste dois!
- Ups, desculpa, é que me pareceu ver ali um dente de dragão...
- Parvo, foi na roseira...não há dragões.
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