13 de março de 2026

O Ritual do silencio da saída da missa

O protagonista dessa estória é um eu que nem sei se sou eu ou outro que vi. O que eu sei é que era uma pessoa de fé inabalável, um joelho que previa a chuva e um estômago que funcionava como um relógio suíço. Quando o joelho doía era porque ela estava na Igreja e quando o estômago gorgulhava era hora de comer na casa da vizinha. Para ele que já não sei se era eu, a Missa de Domingo era dividida em três actos: a Contrição, a Comunhão e a sagrada saída da missa

Diferente dos devotos de primeira fila, ele, que posso ser eu, era um mestre da logística. Escolhia sempre o último banco, colado no corredor lateral. E quando alguém perguntava porquê, era por causa da circulação de ar, respondia. Na verdade, era o equivalente a deixar o carro ligado e apontado para a rua em um assalto a banco cinematográfico visto nos filmes do Eurico. 

A missa não terminava na bênção final. Ela terminava no exato milissegundo em que o Padre dizia: "Podem ir em paz...". Nem esperava o "...e que o Senhor vos acompanhe", já estava com os pés no outro lado da estrada a olhar a porta.

O maior inimigo de era a música final, uma cantoria que parecia não tinha fim. Ou quando o padre resolvia dar recados finais que eram bem maiores que a homilia. Elas nunca mais saiam da missa das nove...


Sanzalando

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