Lá pelas tantas, entra um interno com cara de quem não dorme desde 2024. Começa com as perguntas de praxe, mantendo rigor científico e uma estranha forma de entrar na intimidade:
- Como estamos hoje?
- Algum desconforto?
- Já funcionou o intestino?
Ela, tentando manter a classe apesar de estar deitada numa posição que lembra um frango assado prestes a ser temperado, responde com a maior naturalidade do mundo numa voz que talvez seja necessário um bom amplificador para a tornar audível.
Para fechar com chave de ouro, eu, querendo marcar pontos numa caderneta não existente porém real, resolvi levar um lanche clandestino porque ela reclama sempre da comida, quanto mais num hospital. No meio de um contrabando de pastel de nata, entra a enfermeira com aquela cara de quem manda mais que o diretor do hospital.
Tento esconder o pastel debaixo do travesseiro dela. O resultado? O médico chegou para fazer a palpação abdominal e ouviu um "CRUNCH" tipico do folhado a ser espalmado.
- Esta crocância não é normal. Foram as costelas?
- Não, doutor... foi um folhado que acabou de explodir.
No hospital, a gente perde a privacidade, perde a vergonha, mas se perder o bom humor, a alta demora o dobro!
Como ela está a se sentir hoje? Já recuperou o "status" de dona da própria camisola ou ainda está sob a ditadura da roupa hospitalar?
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