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A Minha Sanzala: 35 - Estórias no Sofá - após um fim do mundo (2 de 3)
recomeça o futuro sem esquecer o passado

18 de abril de 2008

35 - Estórias no Sofá - após um fim do mundo (2 de 3)

Mudou de direcção, como fazia sempre que chegava à Maianga. Coisa rara estava a acontecer. Quase não havia carros. Quer dizer, não estava nenhum carro a circular em direcção do Serpa Pinto ou indo para lá. A rua era mesmo só dele porque só ele vinha de lá. Podia fazer todos os ésses para não cair nas pequenas armadilhas sem ter que ter toda a atenção do mundo estampada no pára-brisas, retrovisores, sons, luzes e que mais houvesse. Já dava para acelerar outra vez. Era uma noite de sorte. Prego afundo, se esquecendo da promessa feita por causa do camião do lixo. Mais rápido chegou ao seu Catambor. Do Serpa Pinto até aqui nem vivalma a pé ou de carro. Isso lhe deixou perplexo, mesmo que seja uma palavra que ele não usava. Alguma coisa está a acontecer aqui. Nem uma criança, nem um kota. Hum!!! Aqui tem coisa. Procurou o rádio da viatura quando se lembrou que ele tinha sido gamado faz algum tempo e ele tinha prometido que nunca mais ia haver outro naquele buraco que até dava jeito para pôr alguma coisa. Algumas casas têm luz pelo que há gente por aqui. Mas que foi mesmo que aconteceu para este deserto? Quando chegar em casa logo vai tentar saber. Tudo isto passava na cabeça dele parecia uma máquina de fazer pensamentos.

Saindo da estrada de alcatrão rumo à rua principal do seu Catambor resolveu abrir o vidro e perguntar se estava ali alguém, com voz que alguém pudesse ouvir. No escuro da noite não recebeu resposta nem deu para ver se estava alguém que não lhe quisesse responder. Estava silêncio de até ouvir as cigarras a cantar.

Engoliu em seco ao mesmo tempo que devagarmente levou o carro até à sua casa. Parou mesmo em frente da porta, como fazia todas as noites de todos os dias do ano. Parou à frente da porta de casa. Faz mais de dez minutos que não vê um esboço de pessoa. Acho que foi neste pensamento que ele notou que estava nervoso faz algum tempo. Aqui, foi quando sentiu medo. Parecia a zona estava infectada com algum vírus ou coisa dum género ainda pior. Decidiu entrar em casa e atirar com toda a força a porta como se assim impedisse mais alguma coisa de entrar atrás dele.





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WebJCP | Abril 2007