Ah, o clássico momento do intelectual de fachada ou o desafio de manter a compostura quando o livro é realmente engraçado! Ler na adolescência tinha todo um protocolo, especialmente quando a intenção era parecer descolado ou fugir da tristeza das aulas.
Tínha aquele que lia o livro, por dentro do livro escolar. Por fora era Trigonometria ou um qualquer outro tratado chato, por dentro era um livro de quadrinhos, uma revista ou um romance proibido que até podia ser a Corin Telado. O risco de ser apanhado era o que dava o tempero àquele risco. Ou então, sabes aquele banco estratégico onde o sol batia e eu abria um livro só para ver se a pessoa de quem gostava passava e me achava profundo? O humor estava em perceber que li a mesma página dez vezes porque estava ocupado demais a controlar o corredor. Ou então ler algo de humor em público e tentar segurar o riso para não parecer maluco, mas acabar a soltar aquele som de porquinho pelo nariz~, tentando segurar o riso. O que mudou de lá para cá?
"Antigamente, a gente lia para fugir do mundo. Hoje, a gente lê e o telemóvel vibra avisando que o mundo quer fugir connosco."
Naquele tempo, se o livro fosse bom, ele circulava pela sala inteira. Ele voltava com dedicatórias nas margens, migalhas nas páginas e, às vezes, com um número de telefone anotado na última página.
Me conta aí uma coisa: nesse meu reino, qual era o tipo de livro que dava status? Era o clássico denso que ninguém entendia, o de terror que dava medo de ir às escuras à casa de banho, ou as revistas de fofoca ou livros de cowboys que eram tratadas como Bíblia?
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