Sentei-me frente ao papel. Olhava-o e ele inerte e branco, vazio de letras e palavras. Que faço, pergunto-me sem articular qualquer palavra. Ouço-me em pensamento e respondo-me na volta com um 'estou em branco'. Com a caneta fiz um desenho. Eu a desenhar é lindo de esconder. Mas palavras, que eu queria, nem uma.
O desenho por mim feito parecia ter criado vida e até parecia me atirava a língua de fora a fazer pouco. Nem uma palavra fazia companhia ao desenho já quase desfeito por mim. A Rua das Hortas ou a Avenida da Praia do Bonfim vinham-me à cabeça mas palavras que é o que eu queria, nada. A D. Maria Guedes vinha à janela da minha imaginação, mas não dizia palavra nem fazia algo que me tirasse daquele bronco vazio de palavras. A esposa do Raul Gomes também veio à janela. Sorriu-me e palavras nem uma. E o desenho quase rasgado de raiva sorria-me atirando a língua para fora num faz pouco deste vazio imaginário. D. Lucia salvou-me quando me disse vai para casa que está cacimbo.
Eu fui e abriguei-me desta vergonha vazia de ideias e palavras.
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