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A Minha Sanzala: Dando a Volta ao Mundo da Imaginação (IV)
recomeça o futuro sem esquecer o passado

27 de janeiro de 2009

Dando a Volta ao Mundo da Imaginação (IV)


Caminho sob a folha branca do papel como se ela tivesse um mapa desenhado. Olha a grande China. Em todos os aspectos grande. Já sei que os chineses são pequenos mas os Homens não se medem aos palmos. Foi assim que me ensinaram e é assim que eu lhe olhos e mais nada. Consigo ver a Grande Muralha e na minha bicla lhe percorro os kilometros como se estivesse na minha prova de resistência mental e física. Tiro a camisa ensopada de esforço e me sobressai o made in China. A própria bicla que eu comprei na outra ponta depois dos Urais e também tem o autocolante do Made in China. Visito Pequim que leio a Beijing e não sei porquê esta confusão, quando me tinham dito que os nomes não devem ser traduzidos. Tenho tosse do ar que respiro que não me deixa ver mais além que a neblina duma manhã de nevoeiro em pleno meio dia de verão.
Quando dou por mim já visitei as dinastias Ming e a Tang, que me fez logo lembrar um refresco de corantes e conservantes. Já entrei em Guerras, até do Ópio que eu pensava que era outra guerra ainda actual mas pelos vistos já vem desde muito além do dia em que eu aprendi estas coisas úteis que me servem hoje. Depois de passar o Rio das Pérolas me lembrei de Mao Tsé-tung que afinal é Mao Zédong e que ele tinha feito a grande Marcha que até já me doem os pés só de pensar. Ele já deve estar virado do avesso com essa de um país e dois sistemas. Deve ser o sistema do dia sim e dia não.
Continuo a pedalada que deve dar para dar a volta à secretária onde está o meu mapa em papel completamente em branco.
Na verdade de tanto pedalar já me doem os músculos incluindo os que eu nem sabia que tinha. Fui num médico que me espetou com alfinetes que eu nem senti, mas a verdade é que agora já não sinto nada e não sei bem porquê que é.
Me baralharam que deve ter a ver com o Ginsen, a sopa de Ninho de Andorinha ou com a barbatana dum tubarão que deve ter assustado algum pescador dum barco de junco qualquer ou dos rebentos dum bambu que afinal são folhas de alho francês.
Me dão um livro para ler enquanto eu tento pôr os nervos no seu pé de equilíbrio e tinha de ser logo o Confúcio que me confusa de vez. Recolho-me num tempo e serenamente entro em delírio que até penso que sou Buda, pela forma como me sento e começo a imaginar-me numa grande avenida a suavizar os meus gestos e a controlar as minhas pesadas palavras.
Encosto a bicicleta a um lancil do pensamento e medito na transcendência da minha existência para lá de mim. Amareleci antes de empalidecer.






Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007