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A Minha Sanzala: Dezembro 2014
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de dezembro de 2014

sol de inverno

Aproveito o sol de inverno e ponho os pensamentos em dia. 
É que um dia destes eu dou comigo a chorar todos os choros que não chorei, a sorrir todos os sorrisos que não sorri, a falar todas as palavras que não proferi e a abraçar todos os abraços que não dei.
Aproveito o sol de inverno e ponho a escrita em dia, os armários arrumados, os passeios polidos e as estradas calcorreadas em passos devagar.
Aproveito o sol de inverno e aproveitando o silencio vou à procura da minha existência e ver se estou dentro de mim, é que eu detesto estar fora de mim.

Sanzalando

30 de dezembro de 2014

querias balanço

Chegados agora a estés últimos dias do ano e lá nos pedem um balanço. Diria foi bom. Seco directo e direito. Mas não pode ser assim. Quem quer saber assim?
Então opto por me sentar na cadeira de baloiço,  feita de aduelas de barris de vinho tinto, de modo que o baloiçar seja suave e não um mar bravo, lembro-me que tudo começou à volta dum copo de vinho e duas dúzias de palavras bonitas trocadas como quem troca um olhar, me embalo nas imagens que vão passando na minha carola como se fosse um filme acabado de filmar. 
As aduelas estão dispostas de tal forma que até é cómodo estar aqui sentado à baloiçar pensamentos e memórias e reviver este ano em que sorri como faz tempo não me lembro como é que era.
Um copo para mim e outro para ti. Mais um e mais palavras trocadas.
(Este gajo inventa cada coisa mas não diz nada)
Mas há balanço ou não? 
Estou feliz e que me interessa o balanço se o baloiço é bom?

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24 de dezembro de 2014

CHRISTMAS RETRAT' ART

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23 de dezembro de 2014

Só por causa disso é Boas Festas

Estamos em época festiva. Assim diz mais ou menos o calendário sem olhar para os meus olhos, ou para os teus olhos, ou para os olhos de qualquer outra alma. è festa e se deseja Boas Festas. Ponto final parágrafo e se calhar travessão.
Só por causa disso eu desejo chova. Muito e por esse mundo fora, todo sem falhas. Assim essa chuva ia lavar esse mundo acho imundo.
Só por causa disso eu queria fazer alguma coisa diferente nesta época festiva. Presépio mas não sei onde ia pôr o burro, a vaca e os cordeirinhos, além da neve que não sei cai na banda dum qualquer casaco geograficamente colocado ao livre arbítrio. Árvore de natal também não porque as árvores não têm culpa nem precisam de tantos efeitos para serem bonitas. Basta elas serem árvores só num assim. Colocar um velho barbudo e vestido de vermelho parece estar a fugir de casa, se calhar com coisas roubadas num saco que leva às costas acho de mau gosto porque velho não consegue fazer aquelas piruetas e roubar é coisa que não se faz, quanto mais queimar-se numa qualquer chaminé mal limpa.
Só por causa disso não vou SMS'ar só porque é tradição das novas tecnologias, usar o face sem book ou o book sem rosto porque tem postais e postalecos que já ninguém lembra quando foi ele usado correntemente em letra de caligrafia num posto de venda de selos com saliva.
Só por causa disso não vou às compras gastar rios de sapatilha para ver as montras estudadas ao pormenor de um gasto maior.
Só por causa disso eu este ano vou ser diferente. Vou usar asas e voar ao sabor da imaginação.


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20 de dezembro de 2014

esculpir palavras

Hoje eu gostava de ser um escultor de palavras. Assim palavras gigantes desenhadas sob granito, resistentes ao tempo, unidade de medida ou universidade atmosférica. Assim dessas palavras que durassem para além de mim uns séculos de paixão ou milénios de amor.
Imagina assim palavras de amor que não sofridas, porque amar não é sofrer e não amar evita sofrimento, tamanho gigante perpetuadas no campo de visão que vai além da imaginação.
Imagina assim palavras de granito, esculpidas por mim num dizer que para se ser feliz é necessário amar. Se não amar evitamos sofrer. Confusão de escultor me sai. 
Também quem me mandou esculpir em granito? Umas coisitas de barro eu eu teria a desculpa da fragilidade deste.
Mas eu como gostaria de ser escultor de palavras eu vou esculpir o teu nome numa das paredes do meu coração


Sanzalando

19 de dezembro de 2014

São tuas, de alma e coração

Se eu fosse poeta fazia as palavras saltarem do coração para o papel. Não o sendo, tenho de as procurar nos meu cantos redondos, quadrados ou triangulares, as letras soltas duma frase sentida, o soletrar adequado à entoação referida e despejá-los numa folha de papel de linhas paralelas..
Como eu gostava que as palavras voassem... assim de ouvido em ouvido, sorridentes e felizes.
Eu não quero as palavras para mim.
Como é que se diz que o amor não tem preço?
São tuas, de alma e coração, todas as palavras que penso!

Sanzalando

18 de dezembro de 2014

afinal porquê

Saí por aí a calcorrear mundo como se procurasse o que não está dentro de mim. Sem letras gordas nem palavras pesadas, sem trocadilhos ou pronuncias disfarçadas, andei por aí a procurar como se não estivesse em mim.
Afinal de contas, somadas todas as parcelas conclui que não fiz mal a ninguém senão a mim mesmo e que as noites que não dormi foram apenas insónia e não algo que estava fora de mim.
Afinal de contas se eu mudei, não foi por ninguém, foi por mim mesmo.
Saí por aí a calcorrear o mundo afinal porquê se estava tudo aqui tão perto?


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17 de dezembro de 2014

African art

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13 de dezembro de 2014

RETRAT ART 7

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12 de dezembro de 2014

RETRAT ART 6

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11 de dezembro de 2014

RETRAT ART 5

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10 de dezembro de 2014

RETRAT ART 4

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9 de dezembro de 2014

RETRAT ART 3

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8 de dezembro de 2014

RETRAT ART 2

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7 de dezembro de 2014

vivo de empréstimo

Sanzalando

De vez enquando apareço no centro desta sanzala. Vou fazer mais como? Vivo aqui de empréstimo há muito tempo, do tipo, entra sai quando me dá vontade e sem fazer barulho. Não pago renda, ninguém me xinga, leio o que eu quero, é assim como viver em Paris, mas sem a filosofia tradicional – Torre Eiffel é mesmo o embondeiro no meio da terra vermelha, e o Sena é o regato filho caçula do kuanza, que corre quando chove. Pus minha cubata onde eu quis, sem plano de urbanização e sem preocupação com vizinho. Ué Esta sanzala tem cubata, sim! E tem música todo o dia. Música de kissanje, de maracas, de batuque e marimba que nos leva lá na linha recta que se faz à curva do mapa abaixo do equador. Aqui tem um soba, que é tipo presidente da junta mas para melhor- sem saco azul, sem contas na cabeça, sem agenda para agendar, sem gravata e sem chofer na porta de casa. Tem por aqui muitas árvores. Não dão papaia, manga, cajú, árvores que tem letras como fruta. Letras que se juntam como a vontade, quer e desquer. A política do nosso soba é cuidar das letras, dar-lhe mimos e partilhá-las quando lhe dá vontade. Só tem bicicleta, que utiliza para espalhar as palavras pelo vento. Eu me habituei por aqui, porque sou feliz, nesta vida mansa de ler as palavras criadas por ele, quando eu quero e de vez enquando mando uns bitaites, recolho algumas palavras para mim e imito o soba daqui, enquanto ele vai no pólo norte ou no pólo sul, acertar contas nas famílias do zulmarinho e do pai natal, confiando que eu não bagunçarei muito por aqui. Utilizo por empréstimo autorizado a sua máquina de fazer palavras, e tento brincar com elas ao vento, como se fosse um lego de madeira de jacarandá, ou uma pipa de papel colorido, lhes dou forma de chuinga ou de machimbombo, soltando a imaginação por ai nesta sanzala sem plano director. Nessas palavras eu desenho sorrisos, olhares ternos e perfumes de figo da índia e misturo tudo numa tela de conversa vadia. Estou por aqui de empréstimo sem data, não pago imposto disto e daquilo, e a tal da burocracia, depositei no fundo de um grande buraco, do fundo do meu quintal, cobri com o tal do stress, e respinguei feitiço de todos os lados, para tudo lá ficar adormecido até ao infinito. Aqui o sol nasce e pôe-se sem obrigação de fazer rotação na terra. Bumbas não tem, kumbu também não. Vivo de empréstimo no paraíso. Árthemis

6 de dezembro de 2014

RETRAT'ART 1


                                         Sanzalando

5 de dezembro de 2014

As coisas que o amor faz

Pulando canções de amor lá vou vivendo a minha nossa vida. Umas vezes aproveito para dançar outras acho nem um passo sei dar. Umas vezes não danço porque sim, outras porque as minhas pernas me desequilibram numa esquizofrenia de condução ao cérebro que até parece eu sou tonto de vinho derramado directamente nas veias. Umas vezes caminho sorrindo outras sorrindo sem jeito rastejo por carreiros que nem formiga passa.
Lá vou eu soletrando palavras soltas numa prosa versátil como se eu só soubesse dançar contigo, falar contigo, sorrir contigo. Mesmo quando tu não estás.
Pulando canções de amor lá vou em de barrete chamado gorro passear o cachecol pelo polo quase norte.
As coisas que o amor faz.

Sanzalando

4 de dezembro de 2014

Os gajos, como eu

Data de inverno porém tempo de sol. 
Os gajos põem-se a escutar silêncios à espera de respostas, ancorados em recifes de memórias como se tivessem sido condenados a prisão perpétua, pensando que são gente de letra grande num universo vazio de estrelas.
Afinal de contas eu posso contar os dias ou os anos que ainda tenho?
Nesta indecisão a gente de letra pequena se perde no tempo, se derruba no ruído e se consome na nebulosa nuvem do egoísmo.
Data de inverno mas com tempo de sol e os gajos como eu vivem sorrindo num bom dia dado com alegria sentida no instante.
Os gajos, como eu, gracejam, saltam, empurram barrigas ou arrastam peitos felizes porque reconhecem que se não chegarem a lugar nenhum pelo menos aqui chegaram


Sanzalando

2 de dezembro de 2014

coisas da música ou nada a haver

Eu pego num batuque e finjo sei tocar no ritmo que nasci. Faz conta é merengue, faz conta é samba, é ritmo puro. Claro que eu estou a falar do meu ouvido duro que às vezes nem campainha de porta ele ouve.
Mas nesse ritmo do eu africano eu canto:
- Faz conta fiz um verso
carregado de melancolia, 
mas saiu uma prosa
de assunto tão diverso
que nem a cor do dia
eu diria, 
nem a lua
eu acharia.

Inventei um refrão que repeti cem vezes

é o espinho da rosa, 
é o luar sem lua
é o rumo da prosa
da alegria mais pura

e depois continuava a cantar

versos que vão...

assim num repente me calei e olhei a minha voz rouca, desafinada e preferi calá-la. Não dou mesmo para esta coisa da música.


Sanzalando

1 de dezembro de 2014

de vez em quando

De vez em quando encontro uma letra e passados outros tantos de vez em quando lá sai uma prosa que me leva ao cansaço. 
Hoje te falo porque me apeteceu recordar que um teu abraço, uma palavra amiga que me deste, um sorriso que me atiraste me fizeram feliz até este instante e quem sabe mais até quando..
O tempo passa, a fila dos minutos se gastam porque o tempo não pára. 
Mas quando o amor permanece o que mais posso fazer se não to dizer?
De vez em quando consigo dizer letras seguidas que tu entendes.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007