27 de janeiro de 2026

estória de embalar

Sentado na borda da cama, eu, o pai, depois de ajeitar a manta do meu filho, comecei a inventar e sorrindo fui dizendo, que o meu campeão hoje não ia ter uma estória de dragões nem naves espaciais. Vou-te contar a história do Grão de Areia que Queria Ver o Mundo.

Era uma vez um grão de areia chamado a quem chamavam Grãozito. Ele vivia na minha praia que era enorme, cercado por milhões de outros grãos que pareciam exatamente com ele, com cores de muitos tons. Ele não sabia como tinha chegado à minha praia nem há quanto tempo ali estava porque ele não sabia o que era isso de tempo. Mas enquanto os outros grãos só queriam saber de tirar uma soneca ao sol e não ser levado por ondas de volta às profundezas do mar, Grãozito passava o dia a olhar para o horizonte, com medo de o perder.

Ele tinha uma curiosidade que era ao mesmo tempo um sonho: queria saber onde o mar terminava e gostava de lá ir.

Um dia, um dia de calema furiosa, uma onda bem gigante e espumante chegou à beira da areia e perguntou: 

- Ei, pequeno, queres dar um passeio pelo mundo?

Grãozito não pensou duas vezes. Ele agarrou a espuma e foi na onda.

Grãozito viajou dias que, segundo a memória dele, foi instantes. Ele viu coisas que nunca imaginou, desde peixes coloridos que pareciam lanternas acesas sob a água, tartarugas marinhas que contavam histórias de corais distantes, Baleias que cantavam músicas que faziam o corpo minúsculo de Grãozito vibrar, ele viu a esfera do pelourinho a rolar em fundos marinhos, viu restos de plástico que boiavam na bolina do vento ou ao sabor da corrente.

Ele percebeu que, embora fosse minúsculo, o mundo era gigantesco e cheio de mistérios. Mas, depois de um tempo, Grãozito começou a sentir saudades. Ele sentia falta do calor constante da sua praia e dos grãos de areia que se preguiçavam ao sol.

A mesma corrente que o levou, trouxe-o de volta. Quando ele finalmente se deitou na minha praia, na areia quente, os seus amigos perguntaram: 

- E aí, Grãozito? O mundo é perigoso? Tiveste medo?

Grãozito olhou para o céu e respondeu:

- O mundo é enorme e eu sou bem pequenino. Mas aprendi que, mesmo sendo pequeno, eu faço parte de algo gigante. E o melhor de viajar é ter uma casa quentinha para onde voltar e contar a história.

Eu, o pai dei um beijo na testa do meu filho e sussurrei: 

-  Assim como o Grãozito, tu és pequeno agora, mas o mundo está à tua espera. Mas, por hoje, a tua missão é apenas sonhar. Dorme filho!


Sanzalando

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