O zulmarinho estava de um azul de capa de revista, mas o barco do Luís inspirava bem menos confiança que a própria física. O barco de madeira e lona, montado na própria praia e muita fé, rangia só de olhar para ele. Era de compra mas era único. Parecia uma construção de papel que se ia abrindo e ficava uma canoa de puxar estilo quando paraleleava a beira mar e elas me olhavam.
- Isto aguenta quanto peso? - perguntavam...
- Aguenta três pessoas! - respondi ajustando um boné cheio de salitre, enquanto pensava que só tinha lá andado com o Luís, mas a maior parte das vezes andava sozinho porque ele o tinha deixado à minha guarda, vantagem de não ser trabalhador das 8 às 17 e sim estudante em partime.
A viagem começou gloriosa. O motor, um monstro de dois tempos, uma remada para a direita, uma para a esquerda e um rastro de água revolta na retaguarda que chamam de ré e que por acaso fica nas minhas costas. Eu parecia um campeão olímpico.
A duzentos metros paralelo à costa e eu era sorriso e peito inchado. Eles, os que estavam na areia acho me invejavam. Bem, gente acabou na areia e dou a volta para regressar. O vento está do contra, Um tempo para a frente, um vento para trás. Acho já me faltava de ar no carburador, coração e pulmões, com autoridade remei mais forte mas o remo acho encolheu e ficou assim tipo colher de pau. Ao menos eu não saía do lugar pelo que optei por vir para terra. .
- Calma, que o centro de gravidade disto é dinâmico, pelo que deitei-me na areia como que a banhar-me de sol. Recuperei o folego. Fechei o barco como quem o põe dentro dum envelope e à beira mar fiz a circunavegação de regresso. Não sei se foi por acaso ou se foi de propósito, fiz esse regresso sempre a olhar para o horizonte.
E assim, com o barco do Luís fiz muitas viagens de beira-mar remado ou a pé
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