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A Minha Sanzala: a 30ª vez que me conto
recomeça o futuro sem esquecer o passado

22 de março de 2012

a 30ª vez que me conto

Hoje brinco equilibrado na fonte luminosa. As gazelas parece me olham de lado mas eu vou aqui no parapeito brincado faz de conta jogo à macaca. Se cair me posso molhar ou ficar vermelho da terra vermelha com que lhe fizeram de passeio. Se tem alguém na janela do tribunal a me mirar vai dizer ele endoidou de vez. Mas a verdade é que viver me consome, me esgota e me custa caro e por isso de vez em quando eu tenho que me brincar. 
Parece tudo me agride, as pessoas que esperam eu lhes fale best selleres, as dúvidas das estórias que eu sonhei e penso são de verdade, as faltas de rigor da geometrida da cidade nova que deixou de ser feita com régua e esquadro e se encheu de elipses que parece querem eclipsar gente anonimamente.
Eu pulo de lage em lage ao pé coxinho parece criança não pára de brincar. Mas eu sei que viver é complicado e exige muito de mim. Saber a que horas o carro vai passar com ela lá dentro no passeio de fim de tarde de todas as tardes, exige muita concentração, se calhar também determinação e por sorte um pouco de sorte também.
A D. Elsa já passeou na varanda mas acho não me olhou porque não disse simpático adeus de quem me conhece desde eu era bebé. Do Grémio ninguém saiu para ver se eu louquei numa loucura de amor em que me divirto na fonte luminosa que fica na curva contracurva do circuito de tantas memórias.
Afinal de contas, sozinho, jogo à macaca sobre as lages do parapeito da fonte luminosa, rugosas, ásperas e abrasivas de esfolar-me vivo se me escorrego num raspar de perna desnuda, me divertindo num não cansar de imagens que escondem crises, filosofias baratas de ideais ofendidos e desejos ardentes.
Aqui, olhando num não mais acabar de avenida lá em baixo, decido que viver dá um trabalho danado, que descrever a minha vida me parece fútil, explosão de egoísmo que nem panela de pressão e que chegado ao 30 da colecção me apetece fazer um ponto de exclamação paragrafo sem travessão e dizer que viver é difícil para caramba e que morrer seria tão poético, porém tão fácil que não daria piada nesta complicada vida de paradoxo nostálgicos duma cidade geométrica em que metade me é família e a outra metade poderia ser se me calhasse a sorte de me apaixonar por estas bandas.
Tudo seria mais simples eu hoje tivesse ido patinar no ringue do parque infantil onde chatearia o Sr Sousa que me conhece de tantas costelas me ter endireitado com ventosas.



Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007