recomeça o futuro sem esquecer o passado

22 de maio de 2026

esplanada, eu, o sol e o vento

O sol e o vento decidiram, hoje, partilhar a mesma cadeira de esplanada. É um daqueles dias em que a meteorologia parece sofrer de uma bipolaridade deliciosa: o sol queima-nos a nuca com a promessa de um verão eterno, enquanto o vento nos sussurra ao ouvido, com um hálito fresco de maresia, que a primavera ainda é quem manda.

À minha frente, o mar ignora este braço de ferro. Está naquela pose de espelho azul, onde as ondas mal se atrevem a desmanchar o penteado da costa. O vento passa, encrespa a superfície como quem faz cócegas à água, e o sol, logo a seguir, trata de polir cada crista com um brilho de espuma salpicada.

Fico eu, no meio deste diálogo mudo, a fechar os olhos para sentir o calor e a abri-los logo depois porque o vento me desarruma as ideias. É um equilíbrio precário, mas perfeito. Olhar o mar é isto: perceber que o mundo continua a girar, ora aquecido pela luz, ora empurrado pela brisa, enquanto eu apenas tento não deixar que o que resta do cabelo levante voo.



Sanzalando

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