3 de outubro de 2005

Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXIV

Como sabes, é sempre para ti que eu escrevo. É para ti e sobre ti que eu escrevo, declaradamente. Sem confundir quem um dia possa ler as minhas palavras. Sem códigos, metáforas, provavelmente alguma parábola porque o sentimento está vivo e intenso. Quero que saibas o quanto eu gosto de ti. E que é esse gostar que me leva adiante e me faz ser quem eu sou. Não te peço que perdoes os telefonemas que eu não fiz, as cartas que eu não te escrevi, modernamente, pelos e-mails que não te mandei, pela cumplicidade que eu interrompi. É preciso que seja assim agora, hoje ou no amanhã. Isso foram contas de outro rosário, de um rosário que estou a forçar para que chegue ao fim. Tenha eu forças para um novo ciclo, consiga eu ultrapassar todas as barreiras, físicas e mentais para entrar num novo ciclo. Até que tu me vejas, como eu te vejo todos os dias, reflectida na luz da lua, no brilho do sol que me ilumina nas corridas pela areia em busca de um sinal, de uma resposta à minha anterior mensagem enviada numa garrafa cor de âmbar. Até que o olhar encontre as nossas necessidades e cumplicidades. Queira o Céu que tudo seja um carro de rolamentos a deslizar num declive sem imperfeições que possam atrasar esse início de ciclo.
Sem dramatizar, eu deixei doer o que consegui aguentar. Chegou o momento em que a procura do necessário é o ponto sem retorno da nossa vida, porque a dor tornou-se insuportável, a força da capacidade de negar esse amor vai faltando, as lágrimas caiem imitando as gotas do zulmarinho que me protege e me liga a ti na força insaciável das suas ondas. Nunca de menos ou do que vai além. Por estar em busca do necessário, é que estamos no meio do caminho. Um decidiu, seguindo para um lugar diferente do outro, numa opção claramente definitiva mas fragilmente sustentada. E afinal não é definitiva. Nem sei se durou muito ou pouco. Durou simplesmente. Foi o que teve que ser. O tempo de um precisar. O tempo certo para descobrir tudo, tanta coisa que afinal não passou de nada.
Neste momento ouço um canário engaiolado, de um vizinho, cantar uma canção de liberdade.

Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

2 comentários:

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  2. Assim, desmergulhei e sacudi a cabeça. Música???? Estarei dentro da garrafa que chegou aos nossos dias? Só pode ser...

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recomeça o futuro sem esquecer o passado