recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de agosto de 2011

voltando ao cacimbo

Me despeço da areia quente entrando no cacimbo de mansinho para não lhe acordar num susto de lhe arrepiar e ele me trafulhar o resto do tempo com tempo impróprio. 
Me despeço do mar, que  de azul carregado parece é cinza, me desconvida a lhe visitar cedo. Neste despedir custoso me lembro que posso ser assim que nem chuva, ser um passageiro molha tolos ou tempestade que entro no vidro das almas em feridas difíceis de sarar. 
Mas posso ser um livro para ler, antes de ser julgado pelo gosto da capa, ou ser conjunto de letras dispersas numa folha de papel sem sentido.
Afinal de contas sou livre e não me tentem aprisonar em capítulos.



Sanzalando

Tanto mar 17

Sanzalando

28 de agosto de 2011

maresiando tranquilidade

Olhei o mar. Calmo, maresiando tranquilidade. Sentei e vi que as ondas do mar estavam devia ser eram férias. Me deixei embalar e fui navegando de pensamento em pensamento como se eu estivesse também era de férias. Olhei tempos de longe, vi tempos de agora, olhei-me por dentro e por dentro vi o tempo passar. Sorri. Deixei o tempo passar e o tempo passou, tranquilo como as ondas deste mar. Me esqueci as tempestades, as calemas e outras intempéries.Ficou-me só esta imagem de tempo maresiado de tranqulidade.
Hoje quero esta maresia. Apenasmente esta. 



Sanzalando

23 de agosto de 2011

carta de amor sem destino

Para aqui sentado tentando recordar a primeira vez que escrevi uma carta de amor. Devia ser madrugada, pois, é na insónia que eu sofro mais da memória e me devo ter esmigalhado em triliões de pensamentos sobre ti. Agarrei num pedaço de memória, rabisquei umas tantas frases e como sempre num texto pequenino, poucas linhas, e lá debitei a alma, o tanto que eu te queria ter dito, as promessas que eu sempre te fiz, a vida eterna, os olhares fixos em ti. Essas coisas que a paixão dita e a memória grava numa qualquer página para mais tarde recordar.
Olha para mim agora. Consegues ver-me? Faz um esforço. Difícil não é?
Sentado no sofá duma casa imaginada, saboreando a ideia duma praia, refrescando as palavras de maresia, abrigado das intempéries, acobardado do esquecimento, sonhando contigo como sonhava da primeira vez que te escrevi uma carta de amor.
Como sempre, sou uma casca dura, que tanto tremeu para ter um final feliz e que um dia escreverá o contrário no romance da vida, chorando memórias, sonhos e ideias feitas pesadelos.
Afinal de contas quem é que é o culpado da nossa vida um dia se ter cruzado e não entrelaçado? O destino, como certo eu não me lembrar é eu não me lembrar a quem escrevi a primeira carta de amor.







Sanzalando

Tanto mar 14

Sanzalando

19 de agosto de 2011

sem sol

Me passeio na areia sentindo a falta de sol e até parece trago nos olhos os desencantos de outros tantos tempos passados. Desbrilhado o sol eu fico assim num entristecer fácil, num ficar longe do mais longe que eu queria estar, num desescolher do brilhozinho dos olhos feito de lágrimas caladas. 
Estar sem sol, sem o teu sol, é uma pressão que eu não sei nem aguentar nem esconder. 
Até que pode parecer fácil matar o tédio de um dia assim, mas a pressão me leva a dizer se a vida é assim eu vou fazer mais como se não só aceitar?







Sanzalando

Tanto mar 12

Sanzalando

obrigada





Sanzalando

16 de agosto de 2011

na areia

Rebolo na areia. 
Fazia tanto tempo eu não brincava parecia ainda era o puto tímido de outras eras, calção gasto de tanto sentar nos muros dos vizinhos em longas conversas de quase nada sobre tudo, calçado nos meus nonkakos feitos num pneu que deve ter calcorreado ruas sem fim.
Mas hoje eu rebolei na areia como nesses tempos em que tudo era tão forte, tão profundo, tão bonito que acho eu ainda não conhecia se quer a palavra feio. Eu brinco com os grãos de areia que se colaram no corpo como se cada grão fosses tu, o teu cheiro, o teu perfume, o teu odor.
Eu hoje rebolei na areia e acho não precisava doer assim tanto ter recordações.
Eu sei, é lindo ter memória, recordar vidas que me passaram. Mas dói uma dor cujo remédio só podes ser tu e por isso ainda não tenho cura. Mas um dia eu vou ter.



Sanzalando

Tanto mar 9

Sanzalando

15 de agosto de 2011

Percorro segundos, minutos ou horas por esta praia escaldante que me atormenta ao mesmo tempo que me brilha a alma e não consigo perder o medo de não conseguir manter as minhas ideias, os meus pontos de vista, as minhas escolhas, os meus sonhos e fantasias.
Procuro distrair-me com o bater das asas dum beija-flor, com as acrobacias duma ou outra andorinha e a minha cabeça é como um bola que não permite que eu estacione num ponto qualquer da felicidade.
Verdade. Se por mero acaso encontro um lugar seguro onde o sorriso se abre e os olhos brilham, logo a minha cabeça ou os meus medos me dizem para circular.
Hoje não circularei porque o quente da noite do dia do fim do cacimbo me atormenta calado numa pausa merecida.



Sanzalando