recomeça o futuro sem esquecer o passado

24 de dezembro de 2006

Hoje falo pouco dizendo muito

Távas admirada de não me ver chegar? Pois, hoje passo aqui assim com uma velocidade que tu só consegues ouvir-me dizer:


FELIZ NATAL
Não, não tou com pressa, só não quero que te percas comigo no dia que deve ser de estar com aqueles outros todos.
Amanhã será outro dia e estaremos a falar de tantas coisas que até vamos esquecer que o tempo tem tempo
Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


Sanzalando por Árthemis

23 de dezembro de 2006

Balanço anual 2


Me lembrei da casa, das conquistas passo a passo, dos valores que lhe dou. O meu refúgio aconchegante e embalador dos meus sonhos. Desejo-lhe deixar para trás. Adiado para brevemente. Outra casa se ergue nos meus sonhos, outro ar se respirará, outro perfume se sentirá, outra luz de dia, outras estrelas a iluminarão. Mas adiante.
Como num álbum vi passar na minha frente a família. Um a um. Eu me sinto que nem um privilegiado de ter uma família que nem a que eu tenho. Sempre me demonstrou, nos grandes ou pequenos gestos o quanto me gostam, o quanto me querem. Sei que esteja onde eu estiver, seja a que horas forem, eles estão comigo. Como sabem que eu estou com eles. Lhes trago sempre neste imparável pensamento de futuro.
De repente vi que tinha tudo o que queria. Nada me falta. Posso ser feliz! Quase. Falta só mesmo o quase.
Parece mesmo caiu uma estrela do céu a me dizer que falta só o quase. Falta completar o coração. Meu corpo estremeceu. Um arrepio que te transmiti. Até o zulmarinho mandou uma onda mais alta como que a querer me agarrar e dizer: quase.
Foi aqui que senti o que faltava mesmo. Faltava o início do zulmarinho. Sim, ainda afinal estou no final do zulmarinho.
Gargalhei e tu me olhas assim com ar de espanto, como que a pensar que ele quase podia ser feliz e ainda gargalha?
É! Tá na tua cara esse filme interrogatório. Mas não doidei ainda.
Basta-me acordar e dizer bom dia, no lado de lá. Vês que é simples?
O quase é um adiado breve. Acho parece mesmo fachada de cinema: brevemente.

Te olhei nos olhos e percebi que tu precisavas de receber um carinho. Te levo comigo nesse brevemente breve.


Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


Sanzalando por Árthemis

22 de dezembro de 2006

Balanço anual 1


Com o som desse zilmarinho a querer embalar os pensamentos, os ritmos arritmados dos meus passos, hoje devia começar a reflectir sobre o ano que está a acabar, em todas as coisas alcançadas, nos sonhos sonhados e desejados, nas alegrias e tristezas que caminham tantas vezes num paralelo que até se misturam, nas coisas ruins que se escondem. No percurso efectuado de sorriso na cara.
Comecei por projectar os meus planos em erros e acertos, aprendendo com cada um,
frente ao zulmarinho e tendo como tecto as estrelas e como envolvência a maresia. Fiquei no silêncio dos pensamentos que tu ouves na tua concentração e no marulhar desse mar a se espraiar nesta areia onde me sento e escuto os sons que me chegam do lado de lá da linha recta que é curva.
Começo nos Desejos. Fiz um enter e comecei a busca do meu querer e do meu gostar. O sorriso se estampou na cara que até te olhei no teu ar de admiração. Fui enrolando um por um como um papiro. Todos os desejos foram adiados. Para breve, disseste-me tu como a me querer animar nesta caminhada sobre a areia mole de um dia de Inverno do lado de cá do zulmarinho.
Saltei para os amigos. Me lembrei de todos os momentos. Risos intermináveis nos lugares indescrimináveis por serem muitos. Os diálogos foram todos reproduzidos. Vi que tinha amigos de verdade, amigos que me apoiaram em todos os momentos, em todas as decisões e decepções. Vi que tinha os melhores amigos do mundo.
Continuámos a caminhada. Tu parecias tilintar de frio, de medo não era de certeza. Podia ser que tivesses medo que eu me voltasse atrás e falasse nos desejos que foram adiados. Mas sabes que os meus sonhos são futuro. Não precisas ter medo. Não volto atrás.

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


Sanzalando por Árthemis

21 de dezembro de 2006

Sonhos

Vamos caminhando. Passo lento que o frio nos contrai e não conseguimos estar assim soltos como a gente gosta mesmo de estar. Te falo com a voz trémula, não por mais nada, apenas mesmo porque o frio gela a língua. Os sons que me chegam via esse zulmarinho não conseguem aquecer o corpo porque o frio está mesmo frio. Também quem me manda a mim vir para esta beira-mar com um tempo destes? Não tem a maresia engarrafada e eu sou um dependente total dela. E como mais eu ia vero ondular desse zulmarinho se marulhar espreguiçadamente nesta areia de mil cores?
E tu me segues na tua atenção total, ouvindo por vezes até o meu pensamento.
Sabes que todo o ser humano possui sonhos. Uns são sonhos grandes, outros mais pequenos. Os sonhos nascem a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Sem nos percebermos, um sonho nasce. São esses sonhos que nos motivam a viver, a continuarmos caminhando aqui, lá, onde mesmo que a gente queira caminhar. Vivemos, na verdade, em busca da realização dos nossos sonhos.
Mas tu também sabes que às vezes, pessoas que estão à nossa volta tentam matá-los com palavras de pessimismo, com destímulos. Acham que se não podem realizar os seus sonhos, as outras pessoas também não merecem realizar os seus.
Puro egoísmo.
Muitas vezes achamos que não conseguiremos realizá-los. Que eles estão muito distantes de nós. Ou achamos que não merecemos, porque não somos ninguém. É a nossa parte fraca a dar de si. Mas se não acreditarmos neles de verdade, sabemos que os vamos perder e por isso era melhor não os ter sonhado. Outras vezes temos que tirar da caixa do sótão os sonhos, caso contrário eles envelhecem. E assim não conseguiremos realizá-los nesta vida curta de cada um.
A realização vem pela luta, esforço e persistência. Caminhar ao lado de pessoas que nos motivem a sonhar. E persistir nos mesmos é muito importante. É um passo para a realização deles.
Me ouviste bem?
A ti, que me acompanhas a toda a hora, em todos os instantes da minha vida ainda não te disse que te desejo um bom Natal e a realização de todos os teus sonhos.

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


20 de dezembro de 2006

Hoje estou em Lisboa


Não sei se isto vai chegar ao destino. Mas o blogger diz que eu posso 'postar' por e-mail.
Como estou aqui em Lisboa a tratar de inadiáveis assuntos, calculam que não tenho cabeça para escrevinhar uma fala.
Só mesmo não quero que tenham saudades minhas. Há de haver tempo para elas.
Abraços!

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


19 de dezembro de 2006

Palavras

Caminho como se caminha num dia de ausência de mim. Alheio-me donde estou, para onde vou ou mesmo de quem sou.
Soletro palavras que sinto saírem do coração mas que sei são palavras ditadas pelo ondular zulmarinho que se espraia em mim. São palavras que voam livres sobre o azul do zulmarinho, sob o azul celeste do céu. Palavras que têm asas, não conhecem limites. Palavras vazias, palavras cheias. Em que ficamos? Não ficamos, simplesmente. São palavras que têm de ser ditas, porque se as não disser acabam mortas por não poderem ser livres e voarem nas suas asas. Nada quebra uma palavra que não o facto de a não dizer.
Olho à minha volta. Vejo-te como sempre a meu lado. Calada. Séria. Inexpressiva como são as sombras. Sabes que só lastimo não ter dito todas as palavras no momento certo. Matei-as ao calá-las.
As minhas palavras têm de voar alto porque são palavras com asas, expelidas do meu peito, sentidas com o meu coração. São palavras com desejo de serem livres, saborearem o sol, sentirem a maresia, acariciarem a brisa.
Ó dúvida!

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


18 de dezembro de 2006

24 - Estórias no Sofá - Era uma vez…

Era uma vez uma ilha habitada por tudo o que era sentimento. Não falhava nem um, ali naquela ilha rodeado por mar a toda a volta, como são todas as ilhas dos oceanos. A Alegria, a Tristeza, o Amor e todos os outros sentimentos ali moravam.
Um dia, como em todas as estórias há um dia, começou a circular num boca a boca, que a ilha estava prestes a ir ao fundo.
Um a um, os sentimentos se apressaram a sair da ilha. Meteram-se nos barcos os que tinham barcos, nos aviões os que aviões tinham. Certo certo é que cada um lá ia deixando a ilha cada vez mais pobre de sentimentos.
O Amor era o único que ali permanecia. Queria permanecer todo o tempo que lhe fosse possível com a sua amada ilha. Neste seu apego à ilha não reparou que a água subia e já cobria quase toda a ilha. O seu afogamento estava eminente. Começou a pedir ajuda, pois não tinha barco nem tinha avião, para ele só existia a ilha.
Avistou o barco da Luxúria e lhe gritou por ajuda. Esta lhe respondeu:
- Não posso ajudar-te. O meu barco está super carregado com ouro e jóias, não tenho lugar para ti.
Agarrado à sua amada ilha o Amor pediu ajuda à Vaidade.
- Não te posso ajudar, pois estás encharcado e ias-me estragar este belo helicóptero novo.
Já quase todo coberto de água, o Amor se dirigiu à Tristeza:
- Leva-me contigo, por favor.
Ao que a Tristeza respondeu:
- Infelizmente não posso. Estou tão triste que prefiro estar só.
Ali perto o Amor vê a barcaça da Alegria numa enorme festança:
O Amor gritava a todo o pulmão:
- Socorrooooooooooo
A Alegria nem para trás olhou, pois com toda aquela algazarra não lhe podia ouvir.
Desesperado, o Amor começou a chorar. As suas lágrimas mal saídas dos olhos se misturavam com as águas daquele mar. O fim do Amor estava próximo.
-. Vem, Amor, eu te levo.
O Amor olhou e viu um velho, muito velho mesmo. Nem lhe perguntou o nome. Subiu para o barco que lhe socorria e com lágrimas nos olhos se despediu da sua amada ilha.
Em terra firme, o Amor perguntou à Sabedoria quem teria sido o velho muito velho que lhe dera a mão quando já tinha perdido a esperança?
- Era o Tempo - respondeu-lhe a Sabedoria.
- Porque só o Tempo me ajudou, Sabedoria?
- Porque só o tempo é capaz de compreender e ajudar o Amor!

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


17 de dezembro de 2006

Me desculpem, hoje é Domingo


Hoje me desculpas mas não caminho. Hoje fico mesmo aqui sentado a aproveitar esse sol de Inverno que trás o calor de lá do verão.
Hoje me desculpas mas fico apenas a olhar o zulmarinho e lhe imaginar ele é a minha ponte para aquela margem.
Me desculpa só, hoje é domingo para mim também.


Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


16 de dezembro de 2006

Fálo-te no meu silêncio

Hoje caminho numa vagareza que até dá dó. É, ontem caminhei e falei-te demais que até hoje ainda me dói a voz. Mas ia fazer mais como se tinha tudo para te dizer? Hoje me sento, vejo que te sentas a meu lado e esperas que eu fale. Mas como te vou eu falar com esta voz rouca que até dói nos ouvidos? Agarro no telelé e resolvo dizer que ligo só mesmo para dar um beijo ou um abraço. Uma dúzia de vezes repeti a frase, sempre com o sorriso na cara.
E tu me olhas com ar de desconfiada. Mas que queres que eu faça mesmo?
Neste silêncio do zulmarinho se espreguiçar na areia me dá uma vontade de fazer mais que nem ele. Espreguiço-me na voz e te falo apenas com o olhar de ver o coração. Hoje é dia de dizer nada, dia de falar dos silêncios interiores, das dores de alma que transpiram dos olhos cansados de lacrimejar.
Hoje é dia de ver os meus interiores e tomar as decisões que acabam de ser tomadas mas que não te digo ainda na voz doce que tás habituada a ouvir porque hojew ela ainda está rouca das palavras tantas que ontem te disse.
Hoje te falo só dos meus silêncios. Hoje ponho mais um X no calendário e olho para a linha recta que é curva e parece ela hoje está mais perto. Olho-a e vejo para lá dela. Sinto-a.

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


15 de dezembro de 2006

Quem foi que disse que a vida é bela?

Caminho neste caminhar na beira do zulmarinho. Pouco importa é verão ou inverno, pólo norte ou pólo sul. Caminho por gosto de te falar das coisas que eu sei ou que me chegam no marulhar desse mar que nos perfuma da sua maresia e nos acompanha ao longo dos passos.
Tu que me segues, lado a lado, outras vezes à frente, outras atrás outras sei que estás mas não te vejo, já me ouviste falar de tudo, saudade, lágrimas, raivas, nostalgias, sentimentos sentidos e não escritos nas páginas de um jornal. De tudo. Vou falar-te mesmo mais de quê? Mas como sabes que eu gosto de falar, tu insistes em me acompanhar neste vagabundando de lá e para cá, deixando marcas na areia das mil cores.
A vida não é como este passeio. Ela não foi projectada para a gente ser feliz. Essa vida de felicidade só existe na publicidade. Não sabias? Então me ouve nesse teu silêncio cúmplice de quem parece sabe as coisas que eu irei dizer.
Mesmo antes da gente nascer a gente já está numa luta de corta, abafa e afoga. São as enzimas, macrófagos, proteínas e outras inas a marcarem o nosso destino. Depois que a gente põe a cabeça e o corpo de fora obrigam-nos logo a chorar. Ainda chamam a isso o choro da felicidade. Pode alguém ser feliz se chora? Depois é vacinas, injecções e mais não sei o quê para evitar estes e outros vírus, bactérias e outras espécies.
Já sei, estás a pensar que nos entretantos há momentos de felicidade.
Mamar deve ser um acto de felicidade. Mas naquela idade a gente nem está a pensar nisso. Depois não deixam. Só mesmo naquela idade. Isso é felicidade?
A gente para começar a andar dá cada bate cu que até que chora as lágrimas que escorrem na cara. Isso é ser feliz? Bem, depois a gente quer ser polícia, avestruz, bombeiro, artista de circo. E todos logo nos querem contrariar. Depois a gente quer explorar esse mundo e só se ouve gritos de não. Os dois buracos simpáticos na parede de casa, tão ali à nossa altura. Mas NÃO! Se se acatar esses nãos todos um gajo fica apático e sem nada para fazer.
Depois se entra na escola, logo alguém te põe alcunha, serás excluído por estes e por aqueles numa empatia empírica que acho nunca vais descobrir o porquê. Aquela colega que tu achas a mais linda de todas as lindas não te vai ligar nenhuma. Dá-se mal com uma ou outra disciplina e logo te vais achar um idiota, sem talento, sem saber se quer o que vai ser o plano inclinado da tua vida.
Na adolescência tem-se o pior pai e mãe do mundo. É mesmo azar ter estes pais que a gente tem. Todos te querem impor ideias e ninguém está aberto às tuas próprias ideias, mesmo que tu não tens a certeza absoluta delas. Nessa altura desejas todas as garotas do mundo sem saber que terás, se tiveres sorte, direito a uma.
Um dia descobre a vida adulta e os cartões, créditos, chaves, telefones, agendas, datas que são importantes e que tu nunca te lembras senão tarde de mais, que os dias são mais curtos do que eram afinal de contas e os meses mais longos do que a realidade.
Depois envelheces, aparecem as doenças que nem as injecções todas que levaste te salvam. Se aguentaste até aí ileso, tas feito porque te aparece tudo ao mesmo tempo que nem tens tempo de recuperar duma e já estás na outra, num destruir lento dos teus sonhos e pesadelos.
Me ouve só, que o que afinal conta mesmo são os intervalos, aqueles momentos em que a vida não está afim de te destruir nem enlouquecer. Era bom que a gente tenha aproveitado todas as janelas abertas, todos os amigos, os poemas escritos num esconderijo, o nome da garina escrita em todos os cadernos, o atirar pedras ao mar em momentos de descontracção e ver quantas vezes ela sobrevoa-o, as mesas dos bares na roda dos copos. Afinal a lista é grande e espero que me tenha aproveitado dessas janelas todas.
Como vês ainda há o que falar. Me acompanha enquanto eu tiver ainda forças.

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


14 de dezembro de 2006

Saudade

Devo ter feito algo de muito grave, para sentir tanta saudade assim...
Entalar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um chapada, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater com a cabeça na esquina da mesa, dói morder a língua, dói uma cólica, um dente e uma pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorosa é a saudade do que se ama.
Saudade.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Podes ficar o dia sem vê-la, sem ela te ver, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro não sobra mais que uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como parar as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber do que se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isto que eu estive a sentir enquanto escrevia e o que você provavelmente estará a sentir depois de acabar de ler.

Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


13 de dezembro de 2006

Falando de Amor


Há quem acredite na teoria da evolução, outros na espontaneidade da criação do Homem por um ser controlador que não dorme e coisas e tal.
Mas na verdade o que temos de seguro e certo é que há todo um conjunto de fenómenos quando nos sentimos atraídos por…
Tu sabes a que me refiro.
Aliás, sabes sempre tudo, pois me acompanhas desde que nasci. Estás sempre à minha volta, carregada no teu silêncio. Às vezes vejo-te, outras não. Mas tu sabes… que enquanto caminho na beira do zulmarinho estas coisas passam-me na cabeça como uma mensagem que me chega através dele, desde lá do início dele.
Tu conheces o latido o coração, os suores e o embebedar dos pensamentos quando sentimos essa atracão. Alguns dizem que é essa a única razão da sua existência. Outros escrevem estórias de encantar, de ir às lágrimas, de embalar, outros escrevem poemas e outros ainda teorias científicas.
Sim, tu sabes que falo de Amor.
Mas hoje falo de AMOR, cientificamente falado.
O que é o AMOR?
Sempre se procurou respostas lógicas a esta pergunta. Eruditos muitos se debruçaram nesta temática pouco matemática. A Bíblia tenta demonstrar que é o Amor um mistério.
Eu, sabes, limito-me a dizer-te que o amor é um conceito complexo e de muitas dimensões que é de todo impossível definir em termos universais. Sente-se.


Sanzalando

O PAI NATAL (uma blogónovela para todos)


12 de dezembro de 2006

Os dias


Caminho neste zulmarinho carregando o peso de agasalhos, tilintando de medos e frios Os dias passam lentos e eu me fundo nesse ritmo suave com as minhas confusões mentais, virtuais, existenciais e outras palavras tais.
Os dias são desgarrados uns dos outros, mas ao mesmo tempo consolidam-me.
Dias há que são só imagens e palavras que se perdem na intrincada rede da minha viagem intergalática, do meu mundo da lua. E num momento inesperado eis que os dias se repetem, exactamente iguais.
Nessa acumulação de dias, que formaram o meu passado e formam o meu presente, separados por ilusões, sonhos e fantasias, se unem para formar o meu futuro, esse tempo ainda inexistente.
Afinal de contas sou um templo de sonhos, ideias, esperanças, que se misturam, numa vida em movimento, inconstante, agitado.
Não imaginam o que é estar metido em guerra de mundos tão diferentes, como os mundos que eu sou.
Caminho com medo de estar parado.


Sanzalando