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23 de dezembro de 2015
21 de dezembro de 2015
Índia: a riqueza do coração

Eu andei por aqui com um maço destas. Eu fui às compras e fazia cambios mentais. Rupias. Curioso que todas as notas de todos os valores eram com a mesma foto de Ghandi. Acho nunca tive noutro sítio assim. Pormenor, mas nem tanto.
Na verdade eu vi quem muito tinha e vi quem nada tinha. Eu nalguns casos fiquei sem saber quem é que era o rico. Há quem não tenha nada e se considere auto-suficiente, satisfeito interiormente e sem necessidade de nada. Há quem nada tenha e que aparenta estar na mais completa escuridão de ignorância e afinal é um ser de paixão a Krishna e diariamente faz a sua doação, de coração. Há quem esteja em constante construção mental mesmo que aparente um desmoronamento físico.
Afinal de contas eu andei aqui, cresci e sonhei ao mesmo tempo. A verdadeira riqueza está mesmo é no nosso coração.
Sanzalando
19 de dezembro de 2015
Nutcracker dance
nutcracker danceThe Nutcracker dance you've NEVER seen before!
Publicado por Melody Mendez Fox 32 Chicago em Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2015
18 de dezembro de 2015
ver a cidade como local
Andei eu por Vridavan. Não é um lugar turístico, posso dizer com a certeza de não ofender ninguém, nem é um lugar bonito. É um lugar para meditar, para conhecer e aprender. Cidade simples. Plana. Tirando a ligeira subida para um viaduto, não me lembro de ver alguma outra.
Riquexó é o taxi ali ao virar de olhos. Milhentos. Gasolina uns, porém muitos eléctricos, o que me surpreendeu já que respirar é uma dificuldade devido ao pó e poluição. Eu, tal qual nativo, usava-os. Nunca andei com mais de seis companheiros de viagem. Vi um com pelo menos 16 pessoas, contando as que no tecto iam. O preço era negociado à entrada. Descia ao sabor da discussão e parava ao leve sinal de alguém querer desistir. Mas o facto é que parava ao menor sinal de alguém precisar dele. Sempre cabe mais um. Mas o preço anteriormente estabelecido não era de modo algum alterado.
As ruas são autênticos caos. Desorganizadamente organizados no ultimo instante. Trânsito à inglês no último segundo, porque nos anteriores eu não fazia a mínima ideia qual era a minha posição geográfica. Ia.
Não descobri quem era peregrino ou habitante. Eram milhares em fila indiana a caminhar 24 horas por dia nas ruas de Vridavan.
Agora, a milhares de quilómetros de distância posso dizer que foi das viagens mais emocionantes que fiz.
Levei 10 kg de bagagem e trouxe muito para pensar.
Sanzalando
16 de dezembro de 2015
Nidhivam, um jardim de Krishna
Era manhã, ou seria de tarde, que não marquei as horas, e fui visitar Nidhivan. Um jardim marcado e remarcado com KumKum nos troncos, no chão. Pó sagrado. Escusam de ir procurar porque vos digo que é um pó vermelho que misturado com água serve para fazer a parte interna da Tilaka, que segundo uns se deve usar sempre, outros que dizem que quando se fazem orações e outros que nada têm de relegioso usam apenas porque sim. Mas a verdade é que aqui me foi dito por um monge, pastor ou responsável do altar, que durante o dia faziam ali oferendas, ao fim do dia era tudo fechado mas na manhã seguinte tudo estava revirado, Krishna visita o seu quarto. Fazes uma oferenda e recebes para alem da graça divina um presente anteriormente oferecido e abençoado por Krishna.
Ouvida a estoria, repetida mentalmente, ombros encolhidos a dizer que sim e em passo rapido para outro ponto do jardim, que aqui peregrinos são muitos e nao quero ser atropelado.
Sentei-me à sombra duma arvorezita, posivelmente ja dera sombra a Krishna, e olho a fila indiana que segue interruptamente.
Passei assim por um sagrado lugar recebendo oferendas e colhendo sabedorias.
Ouvida a estoria, repetida mentalmente, ombros encolhidos a dizer que sim e em passo rapido para outro ponto do jardim, que aqui peregrinos são muitos e nao quero ser atropelado.
Sentei-me à sombra duma arvorezita, posivelmente ja dera sombra a Krishna, e olho a fila indiana que segue interruptamente.
Passei assim por um sagrado lugar recebendo oferendas e colhendo sabedorias.
Sanzalando
15 de dezembro de 2015
como indiano na Índia
Tudo no lugar, num jeito de ser, indiano na Índia. Não tive falhas no roteiro porque não tinha roteiro e se o tivesse era apenas para saber o que ia ser alterado. Porem sentia uma constante ressaca de conhecer mais e mais. Centenas de belos templos adornam a cidade e a região circundante. Uns ricos e ornamentados, outros mais pobres e simples, todos cheios de gente devido à ligação a Krishna.
Olhava à volta e via-me no filme errado e deixava-me ir sorrido e feliz. Afinal algo me diz que pertenço a este lugar e caminhava, descalço por vezes, como indiano na Índia.
A cidade é, segundo dizem, a cidade das viúvas. As mulheres que vestem de branco e ali buscam refúgio. Para ali se dirigem constantemente centenas delas, dizem-me que não as contei, diariamente, porque são desprezadas após o desencarnar dos maridos, nas outras regiões do país. Ali, cidade Santa, elas encontram razões de viver em troca de orações.
Foi bom ter conhecido Vridavan. Um sonho de conhecimento e de energia. Um pó de respirar.
Sanzalando
9 de dezembro de 2015
reflexo duma viagem
Era por volta das tantas duma qualquer manhã dum sonho de viagem. Olhei para a fotografia e reflexo em reflexo reflecti que foi bom ter aprendido tanta coisa que dou por mim a pensar se ainda alguma coisa funciona bem para de tantas estórias que me contaram,
Vasculhei a memória e acho que foi nesta água que as sagradas vacas que respondiam por nome se dessedentavam.
Afinal de contas as fotografias são pedaços fragmentados de memória.
Neste caso da minha e daqueles que passeiam comigo, ouvindo estórias, participando neste pedaço de tempo meu.
De reflexo em reflexo quase me reflectia na água porém um piscar de olhos me fez desviar um pouco da objectiva.
Sanzalando
6 de dezembro de 2015
Hakan Mengüç
Bu videoyu izlediğinizde ya daha çok dertleneceksiniz ya da dertlerinizi unutacaksınız :)Birazcık huzur isteyen bir taşın trajikomik hikayesi...
Publicado por Hakan Mengüç em Quarta-feira, 1 de Julho de 2015
4 de dezembro de 2015
Brevíssimo resumo dum sonho de viagem
Se é para ir que o seja: vamos e assumimos. Pois foi mais ou menos assim que me dei a ir ali à Índia. Sim, sim, aquele subcontinente que fica na Ásia, a umas horas largas desde aqui.
A modos de não saber porquê o meu telemóvel desfunciou-se após mandar mensagem à família a dizer cheguei. Assim foram 10 dias de isolamento do mundo, que não o meu.
Foi viagem de sonho?
Esta é a pergunta que mais ouço. Resposta pronta e não hesitante: não! Mas garanto que foi um sonho de viagem.
Mais de mil fotos. Paisagens? Tudo. Porem não encontro uma paisagem que possa dizer esta é bela. A verdade é que foi um sinto. Foi uma viagem de sentimento, de alma, de aprendizagem, de cultura, experiência de vida. Aqui apareço de tilaca que deve ter um significado que por mero acaso desconheço, mas umas eram assim, outras transversais, outras só um ponto. Mas noutras estou como que a viver a vida do lugar, a comer como se come a comida do lugar.
Puro exibicionismo? Não. Opção!
Ah! aprendi a vestir os 'cortinados' como diz e bem o meu amigo Karipas. Mas foi uma das coisas que por força da repetição aprendi como se faz: vestir um sari.
Comprei roupa indiana? comprei e usei por comodidade.
Vivi o dia a dia, desloquei-me, senti e respirei o ar de ser.
Satisfeito porque fiz um sonho de viagem mesmo que não tenha sido a minha viagem de sonho.
Sanzalando
12 de novembro de 2015
Estou a precisar de férias
Me encontrava eu a aqui a caminhar dum lugar para outro mais ou menos sem sentido nenhum, ouvindo o marulhar e saboreando o suave perfume da maresia, quando dou comigo a dizer o teorema de Bolsano: não se vai dum sitio a outro sem passar nos pontos intermédios. Ai me lembrei do Pitágoras e doutros tantos mais. Pifei, disse-me baixinho.
Pé ante pé saí de dentro de mim, olhei-me com olhos de ciência e à distancia mais ou menos segura disse La Palice que disse mais ou menos qualquer coisa que se ele não estivesse morto estaria vivo.
Voltei a olhar o mar que tinha ondas de surf, sorri e afastei-me.
Estou a precisar de férias. Vou fazer meditação transcendental. Coisas que se me virem por aí a levitar podem ter a certeza que não sou eu porque eu estarei a olhar de fora de mim para mim.
Sanzalando
Pé ante pé saí de dentro de mim, olhei-me com olhos de ciência e à distancia mais ou menos segura disse La Palice que disse mais ou menos qualquer coisa que se ele não estivesse morto estaria vivo.
Voltei a olhar o mar que tinha ondas de surf, sorri e afastei-me.
Estou a precisar de férias. Vou fazer meditação transcendental. Coisas que se me virem por aí a levitar podem ter a certeza que não sou eu porque eu estarei a olhar de fora de mim para mim.
11 de novembro de 2015
silabas de praia
Saltitando palavras como quem brinca na praia deserta vou meditando silabas como se fosse um linguista de silêncios.
Adeus. Palavra que eu não sabia nem o que era. Até ao dia em que partiu gente que nem teve tempo de me dizer.
Obrigado. Palavra sentida com alma e coração que sempre disse nunca por obrigação.
Gosto. Um gostar de força, de sentimento, de alegria, de festa.
Solto palavras ao sabor das ondas que um dia jurei apanhar mas elas me fogem por entre os dedos. Perfume de maresia que me entra no corpo nesta praia deserta que nunca pensei usar antes de agradecer ter gostado.
Sanzalando
10 de novembro de 2015
Uma estória de sofá que não escrevi
Me sentei no sofá e meditei.
Sanzalando
Assim num mais sem menos me lembrei que faz tempo te convidei para um cinema. Somos assim uns amigos que de vez em quando falamos coisas horríveis e tudo dá errado. Mas é só porque a gente se conhece faz de cor e salteado.
Na verdade cada vez que a gente tenta ser mais que isso de verdadeiros amigos sai confusão da grossa que até vira um campo de batalha de feridos e mortos e alguns a se salvarem.
Mas lá fomos ao cinema. Sem pipocas e outras modernices de ver cinema.
Respiramos tranquilos e com vontade de nos sentarmos num sofá a ouvir uma musica ou quem sabe saborear um sono relaxante depois de um copo de vinho e dois dedos de conversa.
Não demos as mãos nem falámos de passados. Não nos beijamos nem choramos saudades.
Fui tudo tão diferente que até parece evoluímos para um patamar que não tem posse nem amos e senhores, nem suores nem outros dissabores.
Não, deixamos de ter um amor tipo yo-yo e passamos a ser mesmo amigos.
Meu nome Albertino e teu Josefa nasceram para isso, para não ter nada de orgânico, para ser um silêncio de paixão, uma alegria de companhia, um livro de devorar lentamente na compreensão.
Me sentei no sofá e meditei que faz tempo não escrevia uma estória de sofá.
Sanzalando
4 de novembro de 2015
como parei aqui
E assim de repente perdi palavras e me perguntei: como vim parar aqui?
A resposta foi óbvia. Segui o coração! Taxativamente.
Sanzalando
A resposta foi óbvia. Segui o coração! Taxativamente.
Larguei a marginal, a Torre do Tombo, a Oásis, Avenida, Impala e segui o coração. Simplesmente fácil.
É a estória mais antiga do mundo. Segui o coração da adolescência. Mas na verdade é que não moro mais no meu passado. Esse foi um caminho de passagem para chegar aqui, ao hoje. Fui atrás do coração. Fui desejando, querendo, procurando. Ambição é boa quando integra. Sonhei
Fiz. Faço e não espero. Segui o coração. Sigo o coração. Sigo a mágica e com todo o coração eu acredito no amor.
Sanzalando
3 de novembro de 2015
golpe de vida
Recorrendo da memória, procurando na imaginação, sentido nos sentidos, me pergunto se a vida que tenho é a que sonhei.
Nem por sonhos, diria baixinho com medo que entre areia na engrenagem. Já dei tantas voltas às rotundas da vida, já tive tantos sonhos, tantas partidas e tantos regressos, tantos desejos e tantos medos que me apetece até dizer que não é preciso sofrer para saber o que é melhor para mim.
Mas olhando bem, vasculhando tudo, hoje digo à boca cheia que sim: sou feliz. Podia estar melhor? Podia. Mas se calhar não estava-o.
Recorrendo à memória sinto saudade. Mas feliz. Felizmente, acrescento.
Já percorri uns tantos mares, já chorei umas quantas lágrimas que agora sorrio de saudade. Felizmente.
Enfim, é um golpe de vida que vivo.
Sanzalando
30 de outubro de 2015
autoretrato
Deu assim uma de voltar antigamente no mais agora. Imagina só subir a SOS de burra, ainda não lhes tinham inventado mudanças e a força das pernas era a desmultiplicação dos pensamentos para aguentar e não sair da chica e lhe levar subida acima ao lado.
Assim num repentemente eu queria descobrir o que é que me fez ser assim tão bondoso que lembro até de quem me chingava porque as orelhas pareciam era avião a aterrar.
Assim num agoramente me recordo que o vento que ondula as searas é o mesmo que ondulava o capim do deserto uns dias depois de chuva miúda que tinha caído e inundava as ruas da cidade quadriculadamente desenhada e sem essas modernidades de saneamento.
Assim num instantaneamente sonhei acordado com os lábios que pela primeira vez se encostaram nos meus.
Assim, num ápice, voltei uns anos atrás e desenhei-me numa folha de papel.
Sanzalando
29 de outubro de 2015
Obrigado, simplesmente lindo
Que belo e grande texto eu poderia por aqui espraiar. Mas eu ainda não aprendi a escrever para escrever assim, pelo que, usando as poucas palavras que sei, aquelas que o professor Amaral teve a gentileza de começar a me ensinar e que outros bem mais tentaram e ainda hoje tentam, eu quero dizer que ontem eu tive saudade. Sim, esse sentimento tantas vezes doloroso porém também significa alegria. Pois se a gente sente a falta de algum pedaço da nossa estória e porque valeu a pena e a gente quer reviver esse momento assim num novamente.
Eu ontem senti saudade de ser criança, de fazer aquela festa no quintal e juntar gente à minha volta.
Mas ontem senti-me feliz com a prova de carinho enorme que as novas tecnologias me proporcionaram. Acho que não faltou forma nenhuma de me chegar carinho. Já sei que faltou uma, essa que já não se usa faz tempo: a carta perfumada vindo pelos correios.
A todos o meu muito obrigado e vos trago no coração.
Sanzalando
28 de outubro de 2015
26 de outubro de 2015
Memória sem ramo
Olho o mar que teima em parecer bravo. Espumoso, barulhento e espraiando-se como que violentamente na areia e atirando a maresia até mim. Não me trás nenhuma mensagem nem recorda nenhuma lembrança. Olho à volta e vários somos os que desde aqui de longe vamos olhando admiradamente. Devem ter eles mensagens ou lembranças e nada sobrou para mim. As folhas continuam nas árvores e os parques estão cheios de gente que brinca ao tempo no tempo que tem.
Está a fazer anos que eu pensava que a vida fora deste mar era mais bonita que a vida que eu iria viver nele. Talvez tanta coisa foi acontecendo que passados anos eu me lembro como se fosse hoje das caras, dos sorrisos e gargalhadas, das surpresas e abraços, das certezas e dos cansaços.
Olho o mar e vejo a conterra com um maboque a sorrir-me.
Vejo tanta gente bonita a gostar-me.
Mas as folhas continuam nas árvores e o mar não me trouxe nenhuma mensagem.
Sanzalando
22 de outubro de 2015
todos os caminhos
Todos os caminhos são curtos, mesmo que nos levem a lado nenhum, mesmo que nos obriguem a dar voltas sobre um eixo imaginário.
Todos os caminhos são fáceis mesmo que por escarpas ou nuvens tenhamos que passar.
Todos os caminhos que usarmos são os nossos caminhos, pelo que mais vale sorrí-los que lamentá-los.
Todos os caminhos são claros mesmo que os façamos nas noites sem lua ou de tempestade.
Todos os caminhos nos levam à memória. Mais cedo ou mais tarde!
Sanzalando
16 de outubro de 2015
altamente tecnico
Seguro o meu notebook, aprendi palavra estrangeira para dizer uma computador verdadeiramente portátil. Mais coisa menos coisa. Por aqui vou ficando a saber como está o mundo mas ao mesmo tempo o mundo não sabe como estou eu, o que pode parecer uma pena ou descano, conforme as diversas e possíveis opiniões.
Pois bem, no meu notebook eu procuro notícias da terrinha que fica para lá da linha curva que separa o que os meus olhos vêem e o coração sente. Coisas de alta tecnologia que um sábio vai aprendendo a usar com mestria de aprendiz.
Mas na verdade eu confio em mim, sei que vou aprender, inclusive a escrever. Tudo porque me disseram que confiança é como vidro. Se parte, não importa se tudo fica direito que nem puzzle da Majora, porque na verdade ele nunca mais vai ficar direito e as marcas da cola nunca desaparecerão.
Por isso eu tenho confiança que vou dizer as coisas certas nos certos momentos, porque as coisas certas são ditas com o o coração e é invisível aos olhos incrédulos.
Sanzalando
14 de outubro de 2015
Notificação de extinção
O telemóvel vibrou. Novas tecnologias em escrita inteligente mandou-me uma mensagem.
Desconsegui perceber o que me queriam dizer. Respondi um Como? e devolveram-me 'o que te apetecer'.
Conversa de surdos, pareciam-me, pelo que resolvi não replicar.
Foi então que me lembrei que devo ser um ser em vias de extinção. Estava qualquer coisa escrita como que: bons estão em vias de extinção. Pensei. Repensei. Eu sou um gajo literalmente bom. Estou extinto e não sabia.
É melhor ficar a olhar para a memória daquele aparelho que levantava e esperava um pouco até alguém me perguntar para onde queria ligar
Sanzalando
12 de outubro de 2015
wi-fi
Virado para as tecnologias, procurando sempre um wi-fi livre, dou comigo a tropeçar em amigos que circulam na vida, que deambulam nas ruas virtuais de solidões com estórias esquecidas ou escondidas em falsos sorrisos, e lá vou eu seguindo sem estórias para contar, porque as minhas são verdadeiras mesmo que ainda não tenham acontecido.
E não é que num wi-fi em encontrei-te sorrindo-me como que cativa. Somos cativos um do outro e sem termos de sair de férias.
Foi assim que aproveitando este wi-fi eu digo que resumo a nossa estória num verbo que conjugo em três tempos: amei, amo e amarei. Vai ser assim num motor de todos os tempos.
Por favor, não desliguem o wi-fi
9 de outubro de 2015
tecnológicamente
Assim num modo de altamente tecnológico eu seguro o teu corpo num abraço e no meu peito faço o teu leito de repouso. Suavemente passo os meus dedos no teu corpo, beijo o teu pescoço e quando abro os olhos vejo que sorris.
O meu coração bate devagar, relaxado, sereno como que seguro.
Afinal de contas eu estou aqui a sonhar com a realidade enquanto não chegas e eu tenho medo da escuridão fria da solidão.
Afinal de contas sou refém num motim inventado por mim enquanto não acendes a luz com a tua chegada e o brilho do teu sorriso.
Assim, tecnológicamente, o meu abraço te aguarda.
Segura meu corpo dentro do teu abraço. Faz da minha alma a tua moradia. Estrelaça nossos dedos, não solta a minha mão. Faz cafuné, carinho no meu rosto. Beija-me intensamente me levando até o céu. Deita minha cabeça no teu peito pra acalmar meu coração. Tenho medo do frio da escuridão. Sou tua refém e você é o motivo da minha alegria. Acende a luz do meu olhar antes que as estrelas leve o brilho do meu sorriso.
Sanzalando
7 de outubro de 2015
selfie
Queria tirar uma selfie. Essas fotos da gente mais no mesmo, braço esticado ou modernamente com stick. Uma vez e olhei, admirei e apaguei.
Estava a sorrir.
Mais uma vez. Outra e outras tantas mais que se fosse num antigamente de rolo a revelar eu não sei quando eu lhas ia ver.
Apaguei todas num todo. Eu estava ou de brilho nos olhos, ou de cara feliz ou só transparentizava raios de luz.
Não posso fazer uma selfie assim, pensei com a minha t-shirt que por mero acso não tinha botões para comigo pensar.
Foi assim que parei comigo a contar números impares quando a tendência é para se gostar de números pares.
Se eu não estou sozinho, não sou impar e nem sei se sou par e ando para aqui a tentar tirar selfies mesmo por causa de quê?
Sorri e fui transparentizar a minha felicidade por aí num lugar qualquer com o sorriso dela desenhado na t-shirt que por acaso não tem botões para pensarem comigo.
Sanzalando
6 de outubro de 2015
em resumo de vida
Bebi uma tonelada de café para acordar para a vida. Tremi, é verdade. Transpirei ansiedade por quanto era poro. Gaguejei palavras que nunca saíram porque embarguei a voz em nós de desespero.
Afinal de contas também usei um mapa de península ibérica para encontrar uma aldeia de 5 pessoas. Perdi-me vezes sem conta e de que valeu parecer-me com um durão se não conseguia seguir em frente sem olhar para trás?
Com tudo isto aprendi que amar é uma arte e eu nem sempre soube ser artista.
Saio do elevador que me transporta na verticalidade e ouço vozes vindas dum além que mais não é que um muito aquém da felicidade. Desisto? Nem que as sombras me pareçam trevas!
Agora nem por nada deste mundo ou qualquer outro eu te quero perder. Eu sei que seria duro te soltar deste meu amor porque imagino que qualquer outro seria melhor que eu. Eu sei que às vezes até o céu chora.
Tu de perto és um amor e de longe uma saudade que não tem medida.
Sanzalando
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