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- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
9 de maio de 2020
aula de português
Deixei passar o dia mundial da língua portuguesa. Devia estar muito ocupado a construir o meu carro de rolamentos ou a treinar os patins para as corridas da descida da rua dos pescadores. Como foi que podia deixar de lembrar o Dr. Moura que sabia o raio dos Lusíadas de cor e mais os sonetos e os poemas de toda a gente. Eu falava um verso e ele continuava parecia era livro a me fazer eco.
Eu pensava que tinha descoberto um poeta escondido e desconhecido num livro que o meu pai tinha deixado lá por casa antes de morrer. Eu nunca tinha ouvido falar dele e pensei, nos meus anos de traquina eu pensava, vou-lhe dar baile e decorei:
Aí ele olha para mim e remata até parecia era futebol bem treinado:
Me engasguei, dessoletrei-me na integra, enfiei-me num buraco e ouvi uma lição de Sebastião da Gama, um poeta que viveu depressa e depressa me deixei de armar em culto.
Sanzalando
8 de maio de 2020
olha o sol
Olha o sol que nasceu brilhante até parece quer imitar o meu sol de criança.
Olha eu a ver o zulmarinho até parece renasci feito homem maduro. Mas nada mudou. Apenas há a esperança. Também o sonho, a ideia e a meditação. Há a escrita, aquela que ninguém lê, ninguém quer ler ou alguma vez será entendida na entrelinha inexistente.
Eu sou mesmo da escrita de esquina, do erro gramatical e letra esfarrapada dum texto sem rimas ou sem nexo aparente. Não sei onde junto o colibri com o ponto vírgula dum amor perfeito. Não sei onde o parágrafo não é o reflexo duma saudade interrompida dum coito de brincadeira de criança.
Eu sou um vagabundo de frases feitas, meias feitas e imperfeitas. Se eu fumasse escreveria na mortalha dum cigarro antes do fumar. jamais deixaria para a posteridade rascunhos nus e crus duma alma fabulosamente minha. Eu sou a imagem circunflexa dum poeta reticente.
Olha o sol que nasceu como quando eu era adolescente...
7 de maio de 2020
vagabundar meditações
E dou comigo a vagabundar o pensamentos e memórias pela vida fora, transformado em romeiro numa romaria estática, paralisado numa contingência social para bem de todos. Tem vantagens e desvantagens. Consigo me suportar, ouvir e ajuizar. E parece nada mudou. A esperança que algo ia mudar não ocorreu. Por acaso ou ocaso da esperança. Algo paralisou a minha ideia e ficou a subsistência, a gente cabisbaixa e ao que aparenta, desmoralizada. Pouco sobrou da minha esperança. Acho ficou só a esperança do milagre espero ainda aconteça.
Não desanimo nem me deixo adormecer na fraqueza incandescente do mal comum. Dou a volta ao pensamento, mastigo-me na raiva contida e medito na incoerência descabida do que podia ter sido e não fui.
Venha a noite e venha o dia, que por aqui ou por lá andarei, mais tarde saberei se valeu a pena ou não.
E dou comigo a vagabundar-me numa meditação sem limites.
6 de maio de 2020
eu, desconfinado
À terceira será de vez. Ou quem sabe precisarei de mais umas tantas outras.
Sanzalando
É claro que vou ter de pedir paciência. Vou respirar fundo e manter-me calmo. Ninguém vai perceber o meu estado de ansiedade. Eu não sou transparente. Sou coerente e jamais mostrarei a minha insegurança ou o meu medo. Eu sou forte o suficiente para me segurar em mim. para mim parece não existir o difícil. parece. As aparências iludem. As minhas palavras, os meu sonhos e minha estórias são a incandescência do meu ferver sem fervor. Nem o brilho da tirania medíocre e ignorante me deixam ao sabor da insónia.
Conheço o peso das palavras e a minha pele o calor dos sentimentos. Sei-me humano mesmo no engano duma palavra mal falada.
Desconfinadamente jamais serei um finado feliz, mas um refinado refilão feliz.
Nada mudou.
Num fim de tarde, vendo o pôr-do-sol, sei que mais nada sou que não seja o que sempre fui: Eu!
Sanzalando
5 de maio de 2020
abraços
vamos fazer de conta. Por causa das coisas tem de ser num faz de conta. Imagina eu sou apaixonado por um abraço. Eu ia me sentir privado dessa paixão eu ia ficar doente. Doente de saudade, doente de insegurança, doente de esperança. Um abraço é isso tudo. Um abraço substitui tantas palavras e traduz tantos silêncios.
Virtualmente abraço-vos
Sanzalando
4 de maio de 2020
ontem foi dia da mãe
Caminhei por ai, perdidamente falando. Vagabundei-me por campos e mares. Encontrei-me. Tantas e tantas vezes igual que pensei não podia ser eu. Despreocupei-me com o que outros pensam porque eu tenho a liberdade de ser o meu infinito.
Na verdade eu repetiria todos os meus passos, todas as dores e todos os equívocos. Só assim eu seria o que sou.
Tudo devo à minha mãe que me gerou.
Sanzalando
3 de maio de 2020
viver
Pouco a pouco vou soltando amarras. Já não sei qual o meu porto. Já percorri meio mundo e não sei se tenho tempo para percorrer o que me falta. Mas sempre tenho arranjado tempo para sair de mim e ver, pensar e falar as muitas palavras que já esgotei.
Aos pouco soltei a saudade e os pensamentos tristes, a génese da depressão, a auto destruição. Aos poucos amandei-me com um ponto final na luta mental que me levava ao desequilíbrio. Encontrei-me comigo, fiz penso em feridas, sorri e pensei se ainda amo e sinto é porque a vida me quer. Vivo-a
Sanzalando
2 de maio de 2020
quando vai passar
Olhei o sol de frente e lhe perguntei quando tudo isto passar. Eu sei que tudo tem um começo e um fim. Foi assim quando eu era criança, adolescente, jovem adulto e agora sénior adulto ia ser diferente? A saudade e a memória essas parece não passam. Não somem, ao menos as negativas, as que me enganei de ter. Essas aí deviam ser transferidas para um ponto esquecido do cérebro.
Olhe o sol de frente e lhe agradeci de me deixar ser assim. Com vontade de ser assim.
Um dia vai acabar e vai ficar uma memória algures numa outra qualquer saudade.
Sanzalando
1 de maio de 2020
prefácio do posfácio
Faz sol e ainda não vagabundo para fora de mim. Já não sei quando o voltarei a fazer como fazia, nem sei de alguma vez mais o vou fazer. Nada de especial, mudo-me para melhor. Muito melhor digo eu.
É que com esta coisa do confinamento social eu optei por fazer um processo meditativo para me conhecer melhor. Sou muitas coisas, fui muitas coisas, serei outras tantas e dependendo das circunstâncias não sou nenhuma delas. Posso dizer que sou um sonhador, um pensador que sonha mais do que pensa, que retira muito peso da consciência voluntariamente. Sou alguém que vagabundeia pelas ruas da cidade, seja ela a do passado ou outra qualquer. Sou alguém que de olhos vendados vê as feridas sofridas desde que nasceu, sente o medo que elas sangrem a qualquer momento.
Sou um pensador e sonhador que vive em constante vazio emotivo em relação à incógnita construída na base da ansiedade.
Sou um sonhador pensador que se convence que vence demónios por mais fortes que eles sejam.
Sou um ser vivente desta vida contente.
Sanzalando
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