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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
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- Pertinências 16 - As Abelhas
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- Pertinências 23 - Jornalismo de Investigação
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- Pertinências 25 - Júlia Domingues e João Ventura
12 de outubro de 2020
11 de outubro de 2020
pagaria
Até parece é verão neste outono de sol. Acho que este canto se tropicalizou eternamente, num eterno que como tudo um dia acaba e vem o inverno que eu até vou achar cheguei no inferno. Mas até lá eu vou surfando nos raios deste sol outonal veraneante.
Mas com este sabor tropical me deixo embalar em meditações tentando saber do pouco que me assusta e dos erros que tento evitar. Se eu olhar para mim será que consigo ver para além das minhas cicatrizes, dos meus sorrisos e cansaços? Será que lhe descubro a alma? Será que encontrarei umas palavras nunca ditas? Umas explicações nunca dadas? Será que me tornei no que sempre desejei ser? Devo confessar que me saiu do corpo ser como sou, mas pagaria tudo novamente para ser mesmo assim.
10 de outubro de 2020
9 de outubro de 2020
afectos
Deixo entrar o outono na minha vida. Deixo descansar aquele sol brilhante que me anima, que me energiza e que me faz ver que a vida só tem coisas boas porque as outras são arranhões de animação. É como as saudades, a gente só a tem das coisas que nos alegraram, que nos marcaram positivamente, porque as outras coisas não são saudades são mesmo só e apenas memórias. Mas optei por deixar entrar o outono porque tenho o teu abraço que me reconstrói, que me aquece quando me aconchego no seu interior. Esse teu gesto simples, carregado de afectos faz-me sentir daquele jeito feito verão.
Se a minha cabeça ferve, se a minha angústia fervilha, se o o meu coração dispara, esse teu carinho me reconstrói numa calma que nem em palavras consigo descrever. Toda essa fervura se arrefece no momento do teu abraço e solidifica na forma dum silêncio profundo.
Como sabes, o teu abraço já faz parte das minhas necessidades fundamentais, já estou dependente desse afecto, desse delirante reconstructor de cicatrizes diárias.
7 de outubro de 2020
Eu
Sopra uma brisa um pouco maior que até parece é vento. Não incomoda mas faz-se sentir. Eu, aqui sentado na minha falésia a olhar o zulmarinho, com os olhos postos no meu longe que nem o vejo, apesar de sentir, medito, sabendo que eu sou o somatório das minhas metades, da que vive em insónia, da que se preocupa, da que se deprime e da outra que se diverte, que sorri e canta. Mas sei que sou um bocado mais que a soma dessas metades, mesmo que a matemática pareça impossível, mesmo que a física diga que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Eu sou melhor que isso e por isso me escolho como eu mesmo e sigo a minha vida como sendo eu de letra grande e grande consideração pessoal. Mesmo que eu possa dizer que não aguento mais e coisa e tal eu vou fazer mais como: ser EU.
6 de outubro de 2020
outono qualquer
O Outono foi de verão. As folhas das árvores se acastanham, muitas caiem, as andorinhas acho já partiram porque não as vejo e as osgas acho hibernaram. Mas ainda faz sol. Brilhante porém não quente. Mas faz sol, um sol de outono.
Assim como o tempo vai-se mudando, lenta e silenciosamente, eu vou aprendendo a cuidar da minha energia, dos meus lugares e das gentes que me rodeiam. As situações lentamente são controladas, as palavras calmamente são ditas mesmo que se mostrem como agulhas ou carícias. Foi no outono que eu senti que tinha crescido. Foi num outono, num Outubro que eu vi que me tinha mudado e num outro outubro que percebi que eu já nunca mais seria o meu passado. Há outonos que dizem muito e eu cresço nesses outonos para criançar no verão.
5 de outubro de 2020
solidão filosófica
Danço com a solidão pelo que agora já nem sei como é que é dançar acompanhado. Também não me faz diferença, porque cresci no caos solitário e sobrevivi na amalgama do deserto. Se às vezes grito é só para me lembrar da desordem que é a minha arrumação mental. Olhando para trás vejo ocupação, agitação e confusão. Olhando o presente revejo-me sereno, solitário e solidário. Presentemente consciente dum agora importante que é o momento em que amar é ser-se corajoso.
4 de outubro de 2020
3 de outubro de 2020
Força amiga
Tem dias que o silêncio preenche mais que mil palavras. Tem silêncios tão significativos, tão expressivos que até se ensurdece ao compreendê-los.
Hoje, amiga, tás aí deitada numa cama, longe daqui, transpirando para respirar, esforçando para dar vida ao teu corpo e esse vírus feito parvo a te querer atormentar. Ele não faz a mínima ideia com quem se meteu. Ele não tem a noção da força amiga que está aqui contigo. Esse vírus vai-se malaikar, nem que eu tenha que beber uma poncha que até me faça ficar verde. Mas ele vai ser baçulado num golpe de gente que te gosta.
Força amiga.
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