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12 de outubro de 2022
ouvir silêncios e outros sons
Me deixa ir só por aí a escutar os sons da natureza. A solidão tem um som específico. A tristeza tem o seu próprio som. O pássaro, o mar e até o vento leste o têm. Cada um tem o seu próprio modo de se fazer ouvir. O vazio tem também. Os meus passos são audíveis pelos ouvidos apurados do silêncio assim como o é o meu pensamento. Me deixa só ir ouvir a natureza. Me deixa ir encontrar o som. Aquele som que procuro e que perdi no momento em que começou o meu falecimento, no momento em que nasci. Como eu queria ouvir o som do útero materno. Como eu queria ter apenasmente o abraço materno e o seu silencioso som.
Me deixa só ir ouvir o que tiver que ser.
11 de outubro de 2022
eu e o livro
Hoje me apeteceu ir na tipografia do Zé Côco que também foi do meu pai e falar sério com o mais velho parece o Eça de Queirós. É assim de mais ou menos que estou a pensar escrever um livro de estórias, faz tempo lhes guardo na memória. Zé Côco tem o caricoco na boca. Eu acho ele dorme com um. É só um achar que eu não sou de inventar. Ele me pergunta se é poesia. Lhe digo não, que isso ele faz é bem muito melhor que eu tentei. Mas a gente aqui não faz assim livro sem ser de facturas e de remessa. Zé Côco acho não me entendeu. Vou falar com o filho Beto. Ele me vai entender. Pára de montar as letras ao contrário e me dispara:
- Diz lá Chuinga, que é que queres?
Lhe explico tudo direitinho como eu pensei. Enquanto isso vou atrás dele até ao anexo onde está a guilhotina e se faz a encadernação. Ele não pára. Não sei se me entende ou faz de que sim só para me ouvir mais.
Voltámos para trás. Figueiras está na máquina que parece é robot mas ainda não tinham inventado essa palavra em português, tira papel branco sai papel com letras e linhas e diz se chama facturas. E lá estou eu a lhe repetir que quero fazer um livro de muitas letras para os adultos lerem depois do pôr-do-sol na varada como faz o meu avô.
- Não Chuinga. Primeiro tens de crescer e aprender a escrever, fazer os trabalhos de casa, ler muito e depois inventar para escrever.
Lhe olhei debaixo porque sou mais baixo que ele que é adulto e tem Vespa, descompreendi de ter de inventar se tudo já estava inventado, era só escrever e ele fazer o livro nas máquinas que usam tinta parece é tinta de choco.
-Te digo, Chuinga, vai prá escola e fica com muita atenção. Vais ver que o que escreveste não é literatura para sair em livro.
E ainda cá ando eu a ver se aprendo.
Sanzalando
10 de outubro de 2022
despreocupadamente não me entendo
Faz conta eu estou a escrever uma carta a quem me gosta muito, que sou eu mesmo, porque às vezes parece não nos entendermos. Era bom que eu próprio entendesse os meus sinais, ouvisse e interpretasse os meus silêncios, compreendesse os meus afastamentos e recebesse os meus abraços. Mas desconsigo deixar transparecer-me, silenciar-me ou me afastar sorrateiramente. Como é que eu posso me abraçar se o abraçador sou eu? Me ouvir já é coisa difícil porque me distraio na melodia da minha voz, nos brilhos que me rodeiam.
Faz conta eu não me entendo, nem por escrito.
9 de outubro de 2022
8 de outubro de 2022
não o sei tudo
Sou a certeza absoluta que tenho perguntas cujas respostas nem imagino. Mas despreocupado passo por isso, arranjando solução menos amarga, menos áspera ou ácida. As respostas aparecerão não tarda. Agora, não esperarei de braços cruzados, abraçando o medo de errar. Sinto-me livre para procurar e resolver.
Sou a certeza que tenho dúvidas por esclarecer e resolver. Sapiência máxima da minha ignorância é ter a certeza que não sei tudo.
7 de outubro de 2022
outras luas dentes até camapunha
Caminhando por aí dou comigo a me esquecer quem fui. Um dia, muitas luas antes, era eu uma criança, numa mudança de voz ainda, jogava a bola na rua, num jogo de acaba aos dez mas muda aos cinco, e a falta de jeito era notória, me rasteiraram e de tromba no chão lá se foi meio dente para a vida dele que nem lhe procurei. Chorei choro de trovoada que acho a cidade toda teve conhecimento. Só não teve quem estava distraído. Ano após ano essa metade que ficou se tornou uma marca de mim. Ali cabia o cigarro, a bic ou a sua tampa. Eu um dia fui assim e já me esqueci.
O francês, falava falava e não lhe percebia nada, tentou lhe compor mas cada vez que punha ali um cimento ele caía parecia faltava alicerces. E pouco a pouco a metade se tornou a falta total. Como se diz falta em francês? Pois foi assim que a estória começou. De consulta em francês até ter que mudar para outro foi um arrancar de peças que qualquer camapunha era elogio. Mas a criança na mudança de voz não era vaidosa e não teve complexo. Camapunhou-se que foi uma beleza.
6 de outubro de 2022
outonou-se sem outono
Outonou no calendário, porem no dia a dia ainda não. Assim, eu vou aproveitando este calor vem do leste, como a minha avó dizia, quente que nem mosca consegue voar, para fazer os meus caminhos de pensamento, aproveitando a boleia da moleza corporal que ele me provoca. Eu sei que só posso amar desta maneira, à minha maneira. Só assim é o meu amor. Não lhe pedi emprestado, não lhe posso repartir em pedaços nem o posso fechar entre muros de ignorância. Vou dizer que amo até às lagrimas e às vezes lacrimejo só de pensar que tenho de me ausentar para ir dormir. É, para dormir ausento-me de mim e vou no véu negro da noite, porque durante o dia há mais coisas para fazer e às vezes nem tenho tempo para usar essa minha forma de amar. Eu amo cada passo que dou, cada respirar meu. Se calhar até o meu pestanejar é por mim amado. Vou pensar nisso numa destas minhas noites de insónia, aproveitando este outono que não se outonou.
5 de outubro de 2022
uma carta à minha infância
Minha querida infância hoje resolvi escrever-te uma carta, não para dizer-te como é que é o teu futuro, nem ao que chegaste. Quero só mesmo recordar-te os teus olhos castanhos nuns tons verde azeitona escura que brilhavam da cor do teu sorriso, que traduziam a felicidade da tua cara de criança feliz, rodeada de gente que tu gostavas.
Já não sei quando, mas te perguntaste se um dia ias estar longe deles, se os caminhos iam ser sempre paralelos e entrecruzados em figuras geométricas indefinidas e se nunca haveria um ponto vazio, um momento cego e solitário. Hoje ainda não te sei responder a essas questões, muito embora os teus olhos continuem a ser da mesma cor e o brilho continua permanente mesmo que tenha momentos ligeiramente baços. A gente que te gostava hoje pode-se dizer é outra, sem teres perdido os da tua infância. Outros tempo diria eu agora. outras gentes, tirando os que partiram para a tal parte incerta.
Sabes, querida infância, todos os dias foste aprendendo coisas, que te foram moldando, adaptando e até modificando, sem teres deixado de ser tu. De quando em vez tens uma noite de insónia, coisa que nunca sofreras. Se não dormias era porque a farra estava boa e animada.
É verdade que tiveste períodos em que o teu cérebro paralisava no teu corpo e os momentos imperfeitos sobressaíam e até parecia que era naquela altura que tu ias deixar de ser tu. Mas isso não teve efeito no teu futuro. Nem as mortes que morreste por amor. Nem as lágrimas de saudade de afogaram no caminho a este futuro.
Lembraste que tiveste momentos em que não sabias o caminho? Deste sempre com ele, mesmo tendo que andar por caminhos nunca dantes caminhados.
Infância minha, ainda estás no mundo de hoje, muito mais avançado que era no teu tempo, porém os Homens ainda se tratam como se não tivessem aprendido nada ao longo da sua evolução. Tu eras uma infância sofrida, marcada por desventuras, amarguras e outras alturas que se desvendaram ao longo da tua adolescência e idade adulta, e foste aprendendo a ser Homem. Eles, os Outros, continuam a invejar, destratar e guerrear como faziam os heróis que tu pensavas eram apenas figuras da História que te ensinavam na escola para te tornares diferente.
Hoje, de vez em quando, pergunto onde estará a minha infância alegre, bonita e feliz? No meu coração, respondo-me com medo de não ter tempo para mais tarde me escrever uma carta.
Sabes, infância, uma das minhas modificações foi ter construído pequenos muros à minha volta, dificuldades a possíveis invasões, físicas ou mentais, que destruíssem o meu coração, que penso ser igual ao que tu tinhas.
Obrigado infância, porque não fiquei na obscuridade dum medo, de luzes apagadas, de desconhecimento ou de encruzilhadas em que te podias ter metido. Eu sei que tinhas esperança de um dia poderes escrever-te uma carta com os olhos maduros, com o corpo marcado pelas tantas cicatrizes duma vida e sorrindo com a caneta em frases feitas canção de amar.
Obrigado infância, porque não foste uma criança triste, caótica e egoísta.
Te confesso, infância, te trago no meu coração.
Até sempre.
4 de outubro de 2022
sou o que fui
Sigo, passo firme porém sem destino. Caminho em direcção ao futuro sabendo que tenho mais futuro quanto maior for o meu passado. Paradoxo de evidência, clarividência paradoxal. O meu futuro será História das muitas estórias que caminhei, do motivo que fiquei dos tantos que tinha para partir, dos silêncios que não fiz e das amizades que cimentei.
Caminho num passo firme, pisando passos seguros nestes diários secretos que conto, nas vidas que vivo e nos momentos que descanso. Afundo-me na forma como cresci, moldando-me na forma como vivo e na certeza da História que contarão. Fui eu num sou eu constante.
3 de outubro de 2022
vagabundo de ideias
Me deixo por aí vagabundando palavras, tantas vezes sem as pensar, medir ou pesar, que ao deus dará chego a algum lugar, nenhuma das vezes soletro as curvas do teu corpo, os perigos do teu olhar ou o desdém do teu ego.
Eu sei, que cada palavra tem um peso específico, uma frase tem o valor exponencial e cada parágrafo a elevação à potência máxima.
Eu sei que tu me deixarias afogar no meu rio de ideias, no meu mar de sonhos ou no meu oceano de quereres.
Vangabundar-me-ei sempre até ao último suspiro, mesmo que seja de alívio.
2 de outubro de 2022
recados pelo caminho
Vou por aí caminhando. Uns dias caminho sobre a saudade, noutros sobre a memória, sobre a imaginação, por caminhos vazios cheios de nadas. Caminho com vontade e sem me calar. Cada passo é um mantra, cada mantra um passo dado ao meu conhecimento, Caminho umas vezes para ser mais forte, outras, não conseguindo, para ter capacidade de suportar. Caminho para esquecer a capacidade de esquecimento, para acordar o adormecido eu que possa estar recostado nalgum canto de mim. Caminho na busca de tantas coisas, incluindo motivação, saborear o pôr ou o nascer do sol, afastar a exaustão ou cansaço mental ou qualquer tentativa de importar a ansiedade para um dentro de mim. Caminho em passo dado com o bom que há em mim e com a certeza que o dia que virá vivê-lo-ei com intensidade.
1 de outubro de 2022
impossível de ontem é o normal de hoje
No silêncio das palavras pensadas me deixo embalar por memórias e ideias imaginadas nos anos em que eu não pensava outra coisa senão em ti. Cada dia passado sem ti era um inferno interminável, era uma tempestade de areia no meu cérebro condicionado à temperatura ambiente, era o suplício concessionado aos pensamentos negros da vida. Era criança, era adolescente e morria cada dia por amor. Sou, portanto, um falecido amante que amará até ao último suspiro. Era criança adolescente que sentia borboletas ao te olhar e estava na lua se tu me dirigias a palavra. Eram outros tempos que fazem de mim agora o gajo porreiro que desconheces.
Imagina que a gente se reencontrava numa ilha. Não podias fugir nem ignorar-me. Estou certo ias dizer que não conhecias. Verdade. Eu hoje sou tudo o que não podes ver. Já não o tímido introvertido que te dizia amém só de te ver. Personalizei-me num corpo, flexibilizei-me na mente e sei sorrir de verdade. É, sou o gajo que soube ser feliz, o gajo que já não sabes que existe. Já não sou o que corria a cidade para te ver qual rainha passeando no seu coche. Não ias reconhecer senão pequenos fragmentos de certos tormentos que vivemos juntos. Ias ver o mesmo olhar mas já não ias saber o que ele trás por trás. O medo ficou nas tantas vezes que morri de amor.
Eu sei que as portas se abrem e fecham, que o impossível de ontem é o normal de hoje, que a terra já girou mais de 60 avezes á volta do sol, mas a tua inflexibilidade manter-se-á para esconder o teu pavor pelas coisas mundanas duma juventude que te passou ao lado.
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