Na minha cidade tinha uma paróquia, e nessa paróquia entre jovens e padre abriu-se uma discoteca, assim um lugar para ouvir música, conversar sério, viver seriamente a adolescência. Tinha banquinhos, mesinhas mas não tinha bebidas alcoólicas nem nada parecido. Era mesmo conviver na paróquia. Eu, além de pôr discos também tinha outros horizontes, mais de 20% dos que eram mostráveis, assim numas contas por baixo. Eu já lá tinha visto, vou só chamar de Clara, porque é claro que nunca iria dizer aqui o nome dela. Ela também era minha colega no liceu. Outro contexto, outras visões, a mesma pessoa. Tentei ali abordá-la com uma observação profunda sobre literatura moderna. Ela simplesmente ignorou. Recuei dois passos, voltei-me para ela e disparei que Kafka não era apreciado naqueles ambientes. Olhou-me, assim como quem estava prestes a estrangular o meu fino e bem desenhado pescoço.
Sanzalando




