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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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14 de outubro de 2019
13 de outubro de 2019
12 de outubro de 2019
10 de outubro de 2019
sentir-me real
Estou, outonalmente, com a sensação que tudo é provisório. O sol não brilha como eu queria que brilhasse; o tempo não está quente como eu gostaria que estivesse e as pessoas não se comportam com o brilho que eu gostava tivessem. Tudo me parece repetitivo e artificial. Tudo me parece não passa dum breve instante.
Eu preciso sentir-me real, sentir a saliva e o calor dum beijo, o afago dum abraço. A vida está a passar. Eu não posso sentir-me fruto da minha imaginação. Quero sentir-me real, presente e com algum futuro pela frente.
Faz tanto tempo que eu deixei de ser uma estória contada através dos meus segredos, escondido dos meus medos e alicerçado nos pecados mortais.
Eu sou um ser real, com todas as estações do ano mesmo querendo ser apenas verão.
Sim eu sei, acinzeitei o céu porque deixei de estar a ouvir o zulmarinho no seu marulhar calmo e sereno de verão. Calemei-me* em marés de inverno num outono fora do vulgar.
Eu vou de férias.
* de calema, mar revolto
Sanzalando
7 de outubro de 2019
6 de outubro de 2019
5 de outubro de 2019
4 de outubro de 2019
amar em outono
Hoje o sol já não acordou com a força que eu me lembro. Arrepiei-me de frio. Coisa estranha, pensei. Era manhã de início de Outono não pode ter arrefecido assim. No tempo do cacimbo eu sentia frio mas não era igual a este sentir de hoje.
Pouco importa. É verão para dentro de mim mesmo que lá fora seja outono de dia frio e sol. Não deixa de ser minha condição pensar é verão, que minha utopia é conquistar o mundo através da minha maneira real de ser. Não estou só. As estatísticas e as minhas previsões mostram isso. Caminho para o futuro, outono, inverno e primavera, com a minha maneira de estar, de ser verão dentro de mim, com o olhar para lá do horizonte, com o perfume duma imaginária maresia que me acompanha desde ser criança, com os joelhos e alma por vezes ferida em tombos dados na forma de crescimento.
Afinal de contas eu vou amar enquanto amor tiver para dar.
Sanzalando
2 de outubro de 2019
outono veraneante
Quem foi que disse que outonou? É verão diferente. É só mesmo para eu divagar diferente, assim do tipo folha cai, se acomoda num canto e por ali permanece preguiçosamente empurrada pela brisa que pode soprar um bocado mais forte. Mas tem dias de verão que ninguém verá o meu cabelo penteado. Mas na verdade é outono, muitas cores tipo castanho na copa das árvores dando um colorido diferente. Como é que era na minha criancice que só tinha duas estações e raramente chovia como apeadeiro ou ponto de desacerto temporal? As árvores também tinham assim cores castanhoamareladas? Vais ver passou tanto tempo que nem tempo tinha para ver as árvores.
Nestas minhas meditações ninguém nem vai perceber este meu sorriso postiço a brincar com o tempo. Falta chuva para e lavar as ideias. Falta perfume do mato para respirar. Falta estado silêncio de trovoada no intervalo dos trovões.
Mas outonou?
Acho lhe vou procurar num sul do outro lado do meu.
Sanzalando
1 de outubro de 2019
eterno, dure o tempo que for
Não chegou o cinzacéu mesmo sendo outono dentro faz dias. O céu imita zulmarinho na cor e na limpeza de cordeirinhos. Nem um branco se vê em ambos. Fosse assim a minha cabeça e eu era o eterno jovem que penso que sou. Quanto tempo demora a eternidade? Às vezes um instante e outras vezes uma eternidade mesmo. Não, não estou deprimido, não estou chateado nem desiludido. Me imagina só se eu fosse assim um estilo vilão, bandido de filme de cowboys, mal parado de cérebro e músculos. Me imagina eu fosse um obeso obsoleto pedaço de gente sem imaginação para sorrir? Era eternamente longo suplicio eu mesmo me suportar. Assim como sou, o tempo passa rápido que a minha eternidade diminui num instante futuro.
Sou pessoa boa que deve ter falhado com tanto bandido à solta. Será que tenho tempo para melhorar?
Afinal chegamos ao outono e eu não me encontro em definição pois não me limito ao tempo que tive, ao que tenho e que poderei ter. Virei eterno, dure ele o tempo que ele tiver.
Sanzalando
30 de setembro de 2019
veraneio-me no outono
Outonomamente entra-se por um lugar menos brilhante do que há uma semana atrás, um toque cinzento no brilho do sol, um quanto baste de poeira celestial no ar. Eu sei que nós, os sonhadores, tornamos a vida mais leve e desviamos o peso de cada dia em prestações de luz armazenadas num passado para irradiarem-nos no futuro. Esses feixes de memória convertidos em luz são pontes de passado para o futuro, extensões de presentes constantes que apagam desagradáveis extinções de vida que gastámos em vivê-las.
Eu sei, estou paliativamente a entrar no outono, nas insatisfações de realidades virtuais.
Eu ainda veraneio-me outono a dentro.
Sanzalando
29 de setembro de 2019
28 de setembro de 2019
27 de setembro de 2019
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