recomeça o futuro sem esquecer o passado

1 de junho de 2020

eu e o valor

Brilha o sol dentro de mim, como brilha em todos. Procura que ele está ali, mesmo por trás dessa nuvem que pensas que te persegue. Ele está lá. Assim como o teu valor. Todos temos valor. Ele está lá, mesmo nos dias em que parece a gente não lhe encontra.
Procura só bem. 


Sanzalando

31 de maio de 2020

eu e o sonho

Passeando pensamentos por aqui me vou distraindo da realidade que passa por ali. Não lhe fujo, finto-a para não andar de nome feito, isto é, com uma carranca de meter medo ao susto. Eu sei que a minha alma é antiga. Também não tanta assim. Um bocado pois eu nasci adulto e vou crescendo criança. Sempre estive um passo atrás. Não por medo, mas o herói estava a beira do abismo e deu um passo em frente. Eu compreendo a vida assim dum modo resumido. Essa miserável vida que alguns passam o dia a sonhar eu destilei do meu ser. Essa amarga vida que alguns fervem sem água, eu amarfanhei num buraco vazio do celeste azul da inexistência. Eu continuo com os meus sonhos juvenis até apagar a minha alma adulta.


Sanzalando

#comida


#comida sushi vegetais


#zulmarinho


30 de maio de 2020

eu e a saudade

Faz sol que nem lá. A pele da testa se descama parece é peixe depois de secar ao sol. Eu me sinto assim numa doença de saudade, numa raiva boa de saber que para lá do infinito está a minha alma apaixonada dançando ao sabor dum cacimbo quente. 
Como é que eu vou desconstruir frases para construir novas formas de dizer esta doença boa chamada saudade? Como é que eu vou dizer ao meu coração que o bater ritmado dele se parece com os pulsar da terra onde puseram a minha placenta? com que palavras eu vou suspirar o ar que deixei lá por respirar?


Sanzalando

29 de maio de 2020

#comida


#flores


eu e os vícios

Este sol deve andar a fazer-me mal. Se me emaranho na ideia de descobrir todos os vícios que corrompem este mundo acho que não tenho letras que cheguem no meu alfabeto para ultrapassar a ideia de Luís Veríssimo, que diz que todos os vícios começam pela letra C. Liamba incluída, uma vez que se chama cannabis sativa. Cigarro. Cerveja. Café. Cachaça. Computador. Chocolate. Sal que é cloreto de sódio. Açúcar que vem da Cana. Coito.
Até a cultura é viciante. Tudo começa por C. Perdi para Luís Veríssimo. Só preciso duma letra para falar de vícios e hoje não me apetece gastar os Cês.

Sanzalando

28 de maio de 2020

#flores


eu e o meu filme

Vai sol alto e meu corpo quente se desfaz numa pachorrenta forma de vagabundear pensamentos sem me deslocar. Hoje eu não estou no meu corpo. Ausentei-me para parte incerta de mim. Hoje optei por não viver. Hoje perdi o vi e fiquei-me a ver. Faz conta sou espectador do filme da minha vida. Hoje deixei a vida correr em piloto automático. Deixei a consciência de lado e deixei o meu corpo viver a vida dele. Faz conta não conheço ninguém neste filme. Desconheço até o enredo apesar de me enredar nesta poltrona da imaginação. Ups, quase deu vontade para puxar-me para dentro do meu corpo mas consegui me controlar e deixar correr um pouco mais de fita. Não era um momento de tortura, era só mesmo um teste de paciência. Isto é difícil. Não conhecendo o guião a vida não parece fácil. Mas acho aquele corpo está a desenrascar-se suave e docemente bem. Mas eu devia ter-me precavido e ido buscar um controlo remoto para poder voltar atrás se tivesse que ser. Eu não posso deixar o meu corpo machucar a minha consciência conscientemente. 
Acho melhor acabar este enredo e voltar para dentro de mim que o meu filme comigo tem mais emoção. Sentado aqui é perigoso...


Sanzalando

#comida


27 de maio de 2020

#desportivamente


#lugaresincriveis


eu e a adivinhação

Faz sol no entardecer. Amanhã estará um dia de felicidade. Bruxo? Não. Adivinho apenas porque basta o sol nascer para ser um dia de felicidade. Infelizes os que não vêem ou não querem sentir o sol. Até de noite sinto o sol.
A adivinhação vem-me das cicatrizes no tempo, esse ilusório período de vida gasto. Bem ou mal depende da cabeça de cada um. Aqui não me compete adivinhar a positividade ou negatividade nem ver se um sorriso é um esconderijo de lágrimas. Adivinho a vida e essa deixa-me feliz.
Só porque não vejo não quer dizer que não sinta ou não ame. Adivinho?!
Tudo o que imaginamos pode ser rotulado de exagero ou mágoa. A adivinhação faz-me crer na sorte e eu tenho sorte porque vejo ou sinto o sol, com exagero e sem mágoa. 


Sanzalando

26 de maio de 2020

#comida pitanga


eu e o olhar

Olha para mim a correr atrás dos pombos da praça. Olha para mim a correr atrás das gaivotas da praia. Olha para mim a correr atrás dos flamingos da ria. Olha só para mim. Achas eu desisto? Por mais gélida que seja a minha vida eu acho-a linda de viver. Já sei que sou o pior humano dos bons humanos que conheço. Na verdade eu sou um olhar transverso duma ilusão de vida. Olha bem para mim. Esta figurinha que transfigura o desespero em ânimo, que sorri quando parece devia chorar, que facilita o difícil, que vive o amanhã hoje.
Olha para mim, sobrevivente de mim.

Sanzalando

#zulmarinho


#flores


24 de maio de 2020

eu e a palavra

Vou por aí a falar sozinho, coisas da vida e da ausência dela. Eu preciso aprender a falar, mesmo das coisas que machucam, mesmo das coisas que dão tranquilidade. Vejo o zulmarinho tranquilo e preciso dessa tranquilidade para falar em palavras minhas o sentimento, a primeira palavra difícil de dizer. Amor. Não é engolir tudo, não é sufocar no peito a dor, sofrimento ou mágoa. Não é suportar o peso do mundo. Preciso palavras para entender o coração, o conforto e até a dor. 
Vou por aí a falar palavras sentidas numa hemorragia de conceitos abstractos, num colorido de lugares comuns com a capacidade de escutar a saudável leveza duma paixão.
Compro palavras simples, descomplexadas que traduzam o meu estado de alma.


Sanzalando

#zulmarinho


23 de maio de 2020

eu e a paz

Eu queria tanto ter paz.. Ter a tua paz. Ter a paz no sentido lato e geral do termo. Ter paz é poder dar e receber sem nada em troca. Pacificamente. É preciso ter paz, sem exigências, sem ir além de nem ficar aquém de. 
Eu preciso de ter esse estado de calma e tranquilidade, essa ausência de agitação ou perturbação.
Na verdade, em paz, consigo ver os que preocupa muita gente: a preocupação de mostrar a fachada porque o que têm dentro é um quase nada, é uma desimpressão marcada. 
Eu preciso de paz para poder dar os tantos primeiros passos que quero dar em qualquer sentido da vida.


Sanzalando

#lugaresincriveis desconfinados


#zulmarinho