Vou só no caminho por aí, feito vagabundo de mim. Na minha cidade quadriculada, na minha cidade em altura de casas térreas, nos meus amigos da esquina, da esplanada do café ou do recreio do liceu, eu lhes recordo o meu sonho: poetizar o silêncio. Cada um de nós tem dentro um silêncio bem guardado, não é escondido, é mesmo só bem guardado. Esse silêncio pode ser poético porque ele é calma, é organização do caos, é esforço e transpiração. Desse silêncio, sem medo, é um bocado de nós e assim ele deve ser ritmado, melódico e rimado. O meu silêncio é poesia.
Rádio Portimão
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31 de agosto de 2022
30 de agosto de 2022
fim de tarde
É fim de tarde e como em todos os fins de tarde a minha alma se expande pelo meu corpo num preguiçar de sensibilidade, numa fragilidade de sentimentalismos, num recordar de saudades que não me levam ao choro porque o meu passado é a minha vida, são as minhas cicatrizes, os meu degraus, os meus amores por quem morri tantas vezes.
Todos os fins de tarde recordo que a noite me encobrirá até a um novo dia que me mostrará a importância de ser quem sou.
É com orgulho que ao fim da tarde olho para trás.
29 de agosto de 2022
o livro que sou
Hoje vou caminhar por mim adentro faz de conta eu sou um livro por escrever. No prefácio vou escrever o lugar onde fui concebido, onde minha mãe e pai se encontraram num amor cujo o fruto saiu este gajo que sonha acordado faz de conta caminha. Como não sei a verdade dos factos eu ia ter que inventar e esse não é o meu sonho de ser real. Deixo só esse prefácio em branco e sigo para o livro propriamente dito. Havia um jogo do Benfica contra o Sporting e quem ganhou foi o Benfica, foi o meu pai e perdi eu porque até acabar o relato ele não foi saber de mim. Por sorte eu não tenho nome de clube nem de jogador da bola. Páginas mais à frente eu cresci e passei a ser um caminhante de palavras inventadas e frases feitas, para além doutros defeitos que não me compete relatar ou constatar. Também não me ficava bem dourar um gajo de bonito.
28 de agosto de 2022
de lá aqui
Me deixo levar pelos passos descontados duma caminhada sem rumo definido ou calculado. Assim num modo vago acho já me dei duas ou três voltas ao mim, sem saber ao certo o que é que me define ou deforma. O que eu sei é que, olhando-me nesse olhar penetrante e concentrado, vejo que por trás deste meu amante coração existe um ou outro ponto fraco. Esse ponto fraco é a saudade. A intensa saudade desse amor incondicional ao momento em que nasci. Desse ponto ao até ao ponto hoje eu aprendi.
27 de agosto de 2022
26 de agosto de 2022
25 de agosto de 2022
nós no eu
Encostando-me por caminhos de sol e sal, pachorrentamente me deito na areia de muitas cores de uma praia deserta e navego por sonhos e ideias, memórias e raízes. Todos temos uma estória, uma qualquer coisa que nos marcou e nos fez únicos. Temos algo que nos fez especiais. Todos temos um eu dentro de nós.
24 de agosto de 2022
23 de agosto de 2022
num banco de jardim
Sentado num qualquer banco de jardim, dou por mim a pensar tanta coisa bela, ao ponto que a beleza por si deixou de ser subjectiva e passou a ser um concreto sentimento de olhar. Aquela flor é linda. Para quem gosta da cor, do formato e se calhar do perfume. E quem não gostar? Mas a flor é linda e não o deixa de ser se alguém não gostar. Eu sei que eu e o meu coração andamos sempre juntos e às vezes em desacordo. O coração ama e o cérebro diz não.
Sentado num qualquer banco de jardim me sento a pensar.
22 de agosto de 2022
trocas
Tem dias que parece que caminho em vão. Não no vão da escada, não no vão de um vazio mundo, mas no vão de todos para outra banda. O alinhamento das notícias está de tal modo colocado que de lágrima em lágrima acabamos numa lástima. Algo se esconde por trás de tanta mudança e alteração. Altera-se o estado de espírito, muda-se o modo de vida, altera-se o pensamento, muda-se a personalidade. Já dizia o poeta que o mundo era feito de mudança.
Mas eu mudo-me em vão. Vão ler para trás que para a frente não sei o que escreverei ou caminharei. O passado sei que fui.
21 de agosto de 2022
como
Vou caminhando por palavras, sempre num certo sentido, umas vezes indo e outras voltando. Como posso não dizer o que sinto, ignorar ou esconder quando estou cansado e me apetece sentar a um canto de mim e admirar, apenas olhar. Há erros que viraram consequências, há cicatrizes que se recordam e outras que se esquecem.
Tudo vem à memória e não me posso calar. Sentado no caminho ou caminhando um dia eu vou deixar de ser palavras soltas, cruzadas ou paralelas, seguidas ou salteadas e num meio duma multidão de frases se ouvirá o meu silencio repleto de sentimentos.
Afinal de contas eu sou humano
20 de agosto de 2022
arrastarei
O meu caminhar já não levanta o pó de outrora. Os meus passos são mais calmos, vagarosos e suaves. Um dia arrastarei os pés e para lá da poeira o trajecto será curto e confuso. A marca não serão pegadas mas sim um trilho paralelo de confusas indecisões, um desencontro mental e físico, um verso e reverso existencial, finitos temporais de acalmia mental. Mas até esse dia eu caminharei como caminho agora, lentificando-me a cada instante até ao instante que pararei de caminhar.
O tempo não para mesmo quando o zulmarinho continua no seu ondular pachorrento de calmaria de um dia de verão, os meus olhos se atiram em olhar para lá da linha horizontalmente curva e o meu pensamento vagueia por memórias percorridas.
Sanzalando
19 de agosto de 2022
retrato
Vou caminhar solitariamente por mim. Não há forma de conhecer-me sem me saber inteiro, complecto e quem sabe complementado. Deve haver uma forma de me kitar como aos fazem carros e motas. Assim eu ia parecer mais qualquer coisa fictícia, conforme os gostos. Me olha eu kitado. No cabelo feito implante ou peruca de tom avermelhado de cor que vem lá das Indias. Olha-me eu de músculos definidos parece é jogador da bola. Olha eu a andar parece flutuar em vez de arrastar os pés no peso da idade.
Brrrr
Não é a mesma coisa. Vou deskitar e ser eu na sua esplendorosa forma de ter vivido.
18 de agosto de 2022
de memória
Do alto da minha memória, seguindo as pegadas que deixei numa das vezes que por aqui passei, vou seguindo caminho, umas vezes contra e outras a favor do vento, que sopra indelicado, uma vezes vindo do deserto, outra do leste, sendo este quente e aziago para as pessoas segundo dizia a minha avó. Neste meu caminhar, sobrando tempo chegam as ideias, recupero memória, desalinho o pó que sempre fica nos bibelôs da recordação, construo os meus castelos e deposito neles as minhas princesas, rainhas e demais concubinas.
Pelo caminho sonho ao ponto de já não conseguir distinguir a realidade do sonhado, o sonho do pesadelo e da memória ténue dum tempo qualquer.
Ela tinha tranças? O meu caminho é tão entrançado que já não me lembro. Lembro-me sim que o seu olhar tinha sabor. Sabia-me a pouco
Sanzalando
17 de agosto de 2022
eternamente tua
Quantas vezes ouvi o eternamente tua?!
Na minha cidade, lugar de meia dúzia, dum hoje que já não existe mais, porque passaram muitos quotidianos desde o tempo em que a meia dúzia se conhecia e se cumprimentava, sendo que hoje estão espalhados por tantos aís, para além dos que foram mais além da vida, que o lugar pode existir geograficamente, mas não o lugar da minha memória. Mas eu dizia que na minha cidade, quadriculada para que ninguém se perdesse, plana, para que ninguém de cansasse, eu tive os meus primeiros amores. Os amores perfeitos e eternos. Hoje sinto que dói o passado não ser presente, o somatório dos quotidianos não ter futuro porque amanhã a gente não sabe se existe. Mas eu diziam como dói eu não ser mais o miúdo adolescente da minha cidadezinha. Terá sido uma benção amaldiçoada ou uma maldição abençoada? Como dói hoje o ardor da minha juventude, a inconsciência das minhas memórias afectivas, os beijos que não dei, as palavras que não proferi, o medo de ver o tempo sem ter tempo para o gastar.
Quantas vezes ouvi o eternamente tua?! Tantos eternamente que se subtraíram ao meu presente de então.
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