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A Minha Sanzala: sonho que sonharei ainda
recomeça o futuro sem esquecer o passado

3 de novembro de 2009

sonho que sonharei ainda

Vou a passo lento até a um qualquer café ou bar, onde me possa sentar à sombra, saborear mentalmente um cigarro, que assim não me faz mal nem me polui o ar à volta, ler umas páginas dum jornal recente ou antigo que as notícias faz tempo são iguais, beber uma ou outra cerveja gelada, degustando-a como se fosse a última e esperar que a barba se me cresça num grisalho aspecto vagabundo.

Já sei que me sentarei de perna cruzada, dispararei os olhos para além do alcance visual até conseguir ver as coisas que desejo num desejo quase pesadílico.

Já sei que quem me olhar vai ver o mar da tranquilidade reflectido na minha cara como que esboçado sorriso dum estar tudo bem para além dos sonhos.

De vez em quando regressarei ao meu físico poiso, olharei à volta e verei o temperado tempo que passou desde a última vez que me interessou ver o que me rodeava. Encontrarei os nobres, fidalgos de outras eras, os novos e velhos ricos, os pobres que o continuam sendo, as mulheres que tiveram os seu tempo e os homens que se esqueceram de ter tempo, as crianças barulhentas deixaram de brincar na rua que passou a ser imperturbável caminho para lado nenhum, o passeio leva ao passado gravado nas fotos trabalhadas dos novos retratos, os apaixonados seguirão as lágrimas como se fossem papagaios de papel, presos numa guita já não visível pelos meus cansados olhos.

Retomarei a leitura enquanto me projecto para os sonhos que sonhei num passado que não sei quando foi e tento adivinhar para onde me dirijo enquanto o perfume do outono me seca a pele, me entope as veias, me quebra o cabelo e me leva, como se fosse ao colo, para os cacimbos que o perfume da terra molhada teima acordar todos os dias.

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007