recomeça o futuro sem esquecer o passado

26 de abril de 2005

Prisões 38 - As prisões dos outros (II)

"Fio": Prisões

carranca
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As prisões de outros (II) Hoje, 20:08
Forum: Conversas de Café
Continuando a tentativa de libertação de outros, ao mesmo tempo que me vou libertando, eis-me de volta a um tema que havia ficado pendente.
citação:

-3)= O Acto Médico e sua consequente prescrição, presumo que comprovam o estado de saúde do doente, como interpreta a relutância de certos Médicos em
comprovarem o seu "Acto", por via documental, que atribui valor legal á situação
reconhecida?
"Se um médico abriu um tumor, ou tratou com faca uma ferida grave, ou curou um olho doente, receberá dez siclos de prata se o paciente for um homem livre, cinco siclos se for um descendente de plebeus, dois siclos se for um escravo. Se um médico abriu um tumor, ou tratou com faca uma ferida grave, e isso causou a morte da pessoa; se o médico fez o paciente perder o olho, então suas mãos serão cortadas, se se tratar de um homem livre. Se se tratar do escravo de um plebeu, ele deverá fornecer outro escravo." (Código de Hamurabi, Mesopotâmia, 1700 a.C.)
Tudo o resto terá a ver com mentalidades, do médico, do paciente e com as Finanças.
No entanto se a pergunta se dirige ao 'Relatório' que todo o médico deveria fazer...as minhas desculpas de ter levado a pergunta para o outro comprovativo.
Toda a observação médica deve estar de forma reprodutível, não só para futuros relatórios e observações mas também para defesa do médico. Se alguém o não faz...
É importante para todo o doente estar ciente de seus direitos perante médicos, dentistas e hospitais.
O doente tem direito de obter do seu médico todas as informações relativas ao diagnóstico, aos riscos e objetivos do tratamento indicado, conforme dispõe o Código de Ética Médica. É comum, porém cada vez menos, o médico deixar de prestar esclarecimentos aos doentes, ou a seus familiares, sob o argumento de que não entendem de medicina, no entanto, essa alegação não se justifica na medida em que pode e deve passar as informações em linguagem que possa ser entendida por leigos, não havendo necessidade de entrar em detalhes específicos da ciência médica.
voltari se me aprover
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Atende e bebe

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Atende conterra Hoje, 16:39
Forum: Conversas de Café
Como sabes estou longe do fim do zulmarinho que começa aí, pelo que hoje bebo contigo uma geladinha depois de ter virado um jarro de tinto e aviado uma posta mirandesa, via as novas tecnologias. Tu nem vais me reconhecer depois quando eu voltar para o fim do zumarinho, vou estar assim que nem parecido com o Bud Spencer. Mas te digo, conterra, nem um segundo ficst fora dos meus pensamentos. Anda, conerra, vamos verter umas quantas em sinal das amizades que nõ têm interrupção mesmo quando falta uma energia qualquer num fuzivel de cada um de nós.Não me importam hoje as marcas, devem ser é loiras e geladinhas. Alinhas?
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Prisões 38 - parar para pensar

"Fio": Prisões

carranca
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Parar para pensar Hoje, 16:24
Forum: Conversas de Café
Mas como posso escrever e livrar-me de novas prisões se estou preso nesta rede de contactos? Como posso reflectir se nunca mais fiquei sozinho, voluntariamente isolado? Não tenho tempo nem para ler, quanto mais para pensar.
Quantas vezes por dia param e pensam? Não estou a falar de deixar o pensamento vaguear enquanto estão no wc. Estou a falar de pensar, pensar mesmo. Reflectir sobre alguma coisa específica. Tentar chegar a alguma conclusão sobre alguma coisa. Levantar questões.
Alguém ao menos sabe do que estou para aqui a falar?Pois é disso que sinto falta.Por isso aqui estou, para lembrar que um dia voltarei ao pendentes.
Eu não quero que ninguém pense o mesmo que eu, já fico satisfeiro se alguém pensar.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

25 de abril de 2005


Apresento-vos o Papa Gaio I Posted by Hello

Prisões 37 - Contra o Principe encantado

"Fio": Prisões

carranca
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Contra o Príncipe Encantado Hoje, 22:09
Forum: Conversas de Café
Na minha liberdade de escrever o que me vai na gana, fruto de revoluções pernanentes, procuras insistentes, dar e baralhar de novo, mudo de diapasão, não para fugir, mas para esvoaçar a um vento qualquer.
Uma das grandes diferenças entre homem e mulher (a muito grosso modo, obviamente) é que os homens, emocionalmente menos complicados, sabem bem o que querem em termos de mulher, encontram-na rápido, ficam felizes com a descoberta e acomodam-se.Já as mulheres nunca têm a certeza de que tipo de homem estão à procura.
A maior prova disso é que os homens, quando reclamam das suas mulheres, é porque elas mudaram.
As mulheres, por outro lado, dizem: mas este homem nunca muda!
assim, levemente vou de nenufar em nenufar levando água ao meu moinho.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

24 de abril de 2005

Prisões 36 - As prisões dos outros (I)

"Fio": Prisões

carranca
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As prisões de outros (I) Hoje, 18:30
Forum: Conversas de Café
Há prisões que partem de conceitos e preconceitos. Duns e de outros encontro-me livre. Assim, na tentativa de libertar prisioneiros, usando neurónios, dedos e livros procuro as soluções para oferecer. Assim, começando sempre por um início tento fazer uma definição perceptível à não intelectualidade morosa e complicada de palavras por vezes sem significado.
Para muitos o acto médico é um simples exercício profissional, uma actividade para a qual se põe em prática os conhecimentos do saber médico. Este olhar que o define como acto técnico não permite revelar o componente sócio-cultural em que se subscreve.
Assim sendo, é necessário identificar os seguintes componentes:
- a intencionalidade tanto do médico como do paciente, explicita e implícita, que de uma ou outra maneira têm a haver com os conceitos e expectativas de vida e morte, assim como as interpretações sobre o corpo, a saúde e a doença;
- as práticas codificadas no saber médico dinamizadas a partir das intencionalidades do médico e do paciente;
- a ordem preestabelecida sobre a experiência, demarcando o espaço interior próprio e temporalidade definidas.
Todos estes componentes se articulam simultaneamente, para transcender o simples acto, o que nos permite reconhecer, em consequência, como um acto complexo.
Apesar desta complexidade, o acto se repete invariavelmente como um ritual, no interior do qual os participantes têm definido a sua actuação segundo a ordem preestabelecida.
O ritual se inicia no momento em que o paciente entra no gabinete médico, no momento em que a pessoa se converte em paciente.
Através de uma verdadeira objectividade o médico tenta limpar-se do campo intermédio da subjectividade, como que actuasse a partir de analogias, com a finalidade de diagnosticar com precisão, chegando à 'inquestionavel' verdade que legitima o diagnóstico como garante primordial para a cura.
No gabinete, este delírio guia o acto médico, o ritual que mais não é que o encontro do médico com a doença, marcado pela ausência de uma verdadeira interacção entre dois sujeitos, sabendo que a doença desfaz o ser humano.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Hoje é vespera de amanhã

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje é véspera de amanhã Hoje, 17:03
Forum: Conversas de Café
Senta aqui, mermão, enquanto te conto uma estória de amanhã que pode não ter existido, porque hoje é só a véspera de amanhã.A um dia, outro se segue. Um corredor de dias assim em fila, parece a formiga no carreiro. Acaba um dia e se encosta a cabeça na almofada e fica mesmo só a brezzzzzzzz da cigarra, ensurdecendo os ouvidos que mais não fizeram que se ouvir a si mesmo. E assim como num repente chega outro dia. Vai sendo assim numa corrente sucessiva de presentes, de hojes ocos.Beberricando aqui e ali, preenchendo vazios solitários, monólogos monocórdicos e sonolentos.Manda vir mais outras para lubrificar a goela.Um livro que ficou mais um dia por abrir, um disco que não saiu da capa, um sorriso que ficou por dar, um abraço adiado. Um carreiro de presentes inertes com cheiro a bafio, esverdeados de bolor e sabor acre de azias digeridas.É assim um dia de Njau. Sabe que nasceu, foi criança mas não sabe onde e nem o que fez. Vadiou, disso se lembra. Escola? Aquela coisa que tem um patrício a botar falação sobre coisas que não viu? Vagamente parece ter uma ideia assim como penumbra nos pensamentos vagos. Sabe que sabe alguma coisa que não viu. Mas sabe de muito a que chamam vida vivida, aquela coisa mesmo sentida na carne, na pele. Já andou a ver um dia na vida de carpinteiro, quis fazer crescer a obra partindo do nada. Um dia a seguir ao outro, ripas, barrotes. Formas geométricas, perfeitas. Mas as suas mãos não foram feitas para isso. De tosco em tosco até ser convidado a dar à sola. Foi viver o dia na oficina dos carros, usando fato azul que preto mais preto já era. Mãos encardidas deixando marcas em todos os cantos e curvas como que a dizer que ali passou Njau. De marca em marca até sentir o céu como tecto e companheiro de todo o dia ou noite. Vagabundeou de bairro em bairro, de cidade em cidade, fez de tudo que o seu corpo podia. Viu seu corpo mudar, ganhar contornos de gente, pêlos crescendo, voz masculinizando. Aprendeu com mais velhos estórias da guerra, estórias da sobrevivência, lutou com o corpo em fugas, da polícia, da tropa de uns e de outros. Tirou mesmo o curso da sobrevivência na faculdade das milhentas ruas que calcorreou. Viveu cada dia como se fosse o último, medo de amanhã não ser dia de sorrir para a vida.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

23 de abril de 2005


da cor do zulmarinhoooooooooooooooooooo Posted by Hello

Bebo por todos porque estou no eílio sogral

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Bebo também por ti Hoje, 23:04
Forum: Conversas de Café
Hoje, mermão, vou ter que beber por ti. Por ti e por muitos avilos mais. Pois é, mrmão, hoje me meti no meu candongueiro e virei 800 km para longe do fim do zulmarinho. Hoje nem tem o cheiro da marzia, só se fosse engarafado, e esse ainda aí a passear por meio mundo antes de chegar a mim. Te aproveito para dizer, mermão, que hoe medi a minha popularidade. Verdade te digo, avilo do coração. Te conto como foi, não te escondendo mesmo nada.Então é assim, arranquei do fim do fim do zulmarinho e fui vendo que quanto mais me afastava dele mais carros eu via irem na direcção dele. Agora percebeste? Pois foi assim que medi. Agora aqui longe dele, sem loiras geladinhas, vou-me contentando com uns presuntos e postas de miranda e coisas do genero, mas desta vez acompanho com o Jonny Andante de 12 anos. Te saúdo, mermão.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Prisões 35 - Demografia parte-se em não sei quantos

"Fio": Prisões

carranca
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Demografia, parte não sei quantas Hoje, 22:48
Forum: Conversas de Café
Na minha liberdade de escolher por onde vou, por que rua sigo, para que norte ou sul avanço, retomo o tema da demografia. Um dia destes, se para tal estiver virado poderei caminhar para outras libertações, outros caminhos que ainda não asfaltados, escalfados ou estafados. Caminho para o umbigo de mim, livre que o 25 de há 31 anos me deu.

A situação actual é a seguinte: Nos países avançados alcançou-se um estado de maturação com a população. Nalguns países subdesenvolvidos não existe nenhum controlo de natalidade por razões políticas, ideológicas ou culturais pelo que a população vai crescendo de forma explosiva, duplicando em menos de 20 anos; nalguns países árabes inclusive se está a fomentar o crescimento da população. Na maioria dos países subdesenvolvidos, as campanhas a favor do controlo da natalidade estão a conseguir reduzir as taxas de fecundidade; apesar disso, como as gerações jovens que alcançam a idade fértil são muito mais numerosas que as que precederam, as taxas de crescimento da população continuarão muito altas durante mais umas dúzias de anos.
Existe um final? Haverá um limite ao crescimento, uma barreira impossível de ultrapassar? Alguns estudos científicos que consultei afirmam que estamos correndo na direcção de um precipício e que devemos interromper de imediato o esforço de crescimento.
Em 1970, o Clube de Roma, uma associação privada composta por empresários, cientistas e políticos, encarregou um grupo de investigadores do Massachusetts Institute of Technology da realização de um estudo sobre as tendências e os problemas económicos que ameaçam a sociedade global. Os resultados foram publicados em Março de 1972 com o título "Os Limites do Crescimento".
Será que esto no caminho certo?
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

22 de abril de 2005


no canto do olho Posted by Hello

Passeando de copo na mão

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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De copo na mão Hoje, 19:18
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Pois é, mermão, hoje me deu para passear de copo, de loira estupidamente gelada, na mão. Vagadundei por aí, sitios soltos assim como que está a ver a coisa pela primeira vez. Não é que foi mesmo a primeira vez? Sabes, mermão, nos mesmos lugares por onde já andaste tantas vezes vais encontrar sempre coisas novas, mesmo que seja só o sorriso duma kota que te viu passar e disse bom dia. Mermão, de vez enquando tinha de parar para encher o copo. Te vou só dizer que foi mesmo um passeia de vagabundagem que deu przer. E sabes, mermão, foi sempre assim que na borda do zulmarinho, sempre a ouvir o cantar dele a fazer a serenata na areia da praia. Mermão, faltaste-me tu para companhia, iriamos os dois como que a conversar sobre coisas do início deste zulmarinho que fica lá onde a vista não alcança mas o coração não esquece.
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Carlos Carranca

Prisões 34 - Beethoven

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carranca
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Mais uma que me prende Hoje, 19:10
Forum: Conversas de Café
Aproveitando a homenagem a Beethoven, aproveito para deixar este texto que me prende... a coincidência de nomes é mera dita cuja...
Podes dizer-me que não é fácil interpretar uma Sonata de Beethoven. É preciso sensibilidade, perícia e anos de muito de estudo.
Mas também poderás dizer que não é fácil "interpretar" O Grito, de Munch. É preciso sensibilidade, perícia e anos de muito de estudo.
Então, por que é que um falsário, que "repintou" O Grito exactamente como Munch o pintou, tendo sido necessário algum tempo para se verificar que era falsificação, não é considerado um tão grande artista quanto um maestro que executou exactamente a Sonata como Beethoven compôs?
Pior um é considerado um criminoso, o outro, virtuoso.
Aí tu argumentas: o maestro não se limita a reproduzir ou executar fielmente a obra de Beethoven. Ele interpreta. Ele impõe a sua própria visão.
Óptimo! Já posso até ver os cartazes: "Carlos Carranca interpreta Francisco Nóbrega, na Biblioteca Nacional".
Eu entro no palco, sozinho, luz directa sobre mim, e leio a minha versão modificada de Francisco Nóbrega. A minha visão. Tirei algumas vírgulas, para o texto ficar um pouco mais rápido, troquei algumas palavras, por estarem bolorentas, por outras que me são mais familiares, e até decidi que, afinal de contas, ele viu mal a estória e eu modifiquei mesmo o final.
O espectáculo dura somente umas duas horas e meia, sem direito a intervalo. Afinal, é um livro longo. E no final, sou aplaudido de pé.
"Carlos Carranca é o mais novo virtuoso da literatura, dizem as crónicas de arte dos jornais, ele trouxe Francisco Nóbrega ao século XXI com a mão firme de um mestre em sua arte".
Ah, quem me dera que se fosse assim tão fácil.
Para que eu, algum dia, seja considerado um bom artista, eu vou ter que de facto criar alguma coisa?
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

21 de abril de 2005

Muitas birras

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Muitas birras por favor Hoje, 19:45
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Hoje, mermão, fui mesmo na beirinha do fim do zulmarinho. Lhe estava com saudade de sentir o sal que vem desdo o início dele até a mim. Depois, mermão, sentei na esplanada, bebi, enquanto te esperava. Nesse momento deu para ficar a olhar a linha recta que é curva e meditar, ver a terra que se reflete na Lua, quando tem lua nova, e deu até para sentir os cheiros, ver as poças de água nas estradas que já eram, sentir o bafo quente da vida que parece não ter fim. Mermão, enquanto não chegaste, deu mesmo para sentir que o lugar é lá mesmo, com todas as coisas boas e más que te venham na cabeça. O lugar, mermão é lá mesmo.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Prisões 33 - Artisticamente arquitectos

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carranca
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Arquitectos e arte Hoje, 17:50
Forum: Conversas de Café
Na minha liberdade de dar, baralhar e tirar cartas da manga, ou mangas da cesta, apetece-me sair da demografia e continuar numa outra fotografia. Talvez babado com as palavras que me têm sido dirigidas ou digeridas, volto ao tema da polémica que de polémica não tem nada.
Uma vez, conversando com uma das muitas minhas amigas, que por acaso não é loira, tocou-se no tema arquitectos. Ela, que nunca tinha parado para pensar no assunto, não sabia que existia essa classe profissional. Na sua cabeça, eram os homens que via nas obras que levantavam o prédio por conta própria.
Não é uma inocência tão absurda esta. Há obras, comparativamente mais complexas do que qualquer construção humana, que são feitas por animais muito mais insignificantes.
Mas, com o meu ar professoral, fiz questão de ensiná-la o que era um arquitecto e qual a relação entre um arquitecto e os operários. Essa amiga é uma das pessoas mais inteligentes que já conheci. Ela ouviu tudo, entendeu mas não recebeu o que lhe disse. Para ela, o prédio, se era de alguém, era dos operários, que estavam lá, com a mão literalmente na massa, e não do arquitecto, que fez um desenhinho lá longe no escritório dele e pronto.
Naturalmente, nós, cultos, adultos e refinados, sabemos que a minha amiga está errada. O artista é o arquitecto. O prédio é criação sua. Os operários apenas executaram sua visão artística.
Ou será que estou a entender tudo errado?
Quero dizer que esta minha amiga tem apenas 5 anos, e se ela deixar voltarei com outras ideias dela, um dia destes ou daqueles
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

20 de abril de 2005

Prisões 32 - Demograficamente em parte dois

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carranca
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Demograficamente em parte dois Hoje, 20:17
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Enquanto há gente presa ainda em discussões artísticas eu vou libertando-me nesta prisão mais vasta que é o planeta que me acolhe. Graças a deus que não sou marciano, pois detestaria ser um homem de verde.

As sociedades agrícolas tradicionais necessitavam de altas taxas de fecundidade para compensar as altas taxas de mortalidade; a urbanização, a educação e mudanças económicas e sociais concomitantes causaram uma diminuição das taxas de mortalidade de menores de um ano pelo que as taxas de fecundidade começaram a declinar à medida que os filhos passaram a ser mais caros e menos valiosos em termos económicos.
Isto porém não é repetido em todos os países de uma igual forma. A velocidade das mudanças difere de um país para outro provocando assim grandes disparidades com importantes repercussões na distribuição das rendas. Nos países europeus, os avanços da medicina se têm estado a fazer ver, paulatinamente, nos últimos duzentos e cinquenta anos. As mudanças culturais e a mentalidade evoluíram de forma paralela, permitindo uma descida também da taxa de natalidade. Em consequência, ainda que a taxa de crescimento da população seja alta na Europa durante muito tempo, nunca se alcançará as características explosivas típicas dos actuais países subdesenvolvidos.
Nestes países as taxas de fecundidade e mortalidade são muito altas porém a diferença entre elas é muito estreita, pelo que a população se manterá estável por muitos anos. Esta foi a situação de todo o mundo até há trezentos anos, mantendo-se ainda em muitos países subdesenvolvidos estes parâmetros demográficos. Nos países subdesenvolvidos a taxa de mortalidade desce muito mais rapidamente que as taxas de natalidade e fecundidade e os avanços da medicina ocidental se estendem e aplicam com facilidade, porém as mudanças de mentalidade requerem muito mais tempo. Como consequência dessa disparidade a taxa de crescimento da população aumenta de forma explosiva. Nos países desenvolvidos, as mudanças culturais e os avanços técnicos de controlo da natalidade permitem uma descida das taxas de fecundidade e de crescimento. Finalmente, as sociedades maduras caracterizam-se por taxas demográficas muito baixas e população estável. Esta é a situação actual nos países mais desenvolvidos.
continuarei se a arte do engenho não se finar numa prisão sem grades
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Vamos fazer uma beberação

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:07
Forum: Conversas de Café
Senta aí a meu lado, avilos, de todo o mundo e vamos mesmo fazer uma beberação. Pois é, muitas loiras geladas, muitas fantas de morango, muitos cacaus e muitos gengibres. Vamos mesmo fazer uma festa por que estar vivo é festa.Senta aí, avilos de todo o mundo, e vamos sentir o baloiçar deste mar que nos une quando parece que nos está a afastar. Mas imagina só, avilo, que é ele o unico condutor ininterruptivel, desculpa mesmo o palavrão, que nos liga fisicamente. Vpcês desse lado e nós desse lado que nem telefone do antigamente com caixa de fósforo e barbante.Mas não tem esquecimento de pagar as loiras geladas que eu bebo.Todos os avilos que tem aqui sentado merecem mesmo uma beberação. Vamos combinar mesmo. Estatísticamente falando quem faltar vai estar presente, pelo mesnos no pagamento das minhas loiras geladinhas.
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Carlos Carranca

19 de abril de 2005

Pito dourado

Enganei-me, pensei que era o fio Pito Dourado...Quem teve o prazer de me ver na SportTv na manhã de Domingo passado, 17, terá assistido a um capítulo da Celebre Novela Apito Dourado. Mas curiosamente, com o processo em curso, continua a ver-se tudo e mais alguma coisa no futebol português. Queira o Sporting, o Benfica, o Leiria e outros tantos que a Disciplina e a Arbitragem saiam do seio dos clubes, ou seja da sua LIGA e outros galos cantariam. Sentem-se os dirigentes, os HONESTOS, com o Secretário dos Desportos e falem abertamente, que vivemos numa sociedade de Direito, de tudo o que sabem e aceitem que os mandatos dos dirigentes não sejam repetitivos e outros galos cantariamPenso eu de que...
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Carlos Carranca

saudadessssssssssssssssssssssss Posted by Hello

Prisões 31 - Pensar o mundo de amanhã

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Pensar o mundo de amanhã Hoje, 19:46
Forum: Conversas de Café
Os ecologistas estimam que a Terra pode proporcionar alimento suficiente para um máximo de trinta milhões de indivíduos. Nos quatro milhões de anos que passaram desde a evolução do "homo erectus" ao homem actual, não se superou este valor. Possivelmente a população total do Paleolítico oscilaria entre os seis e os dez milhões de seres humanos. A revolução neolítica, há cerca de dez mil anos, mediante a aplicação de técnicas agrícolas e de produção pecuária permitiu a primeira grande expansão da espécie humana; calcula-se que a partir de então a população começou a crescer a um ritmo que se duplica a cada mil e setecentos anos. No início da nossa era calcula-se que viviam umas cento e cinquenta milhões de pessoas: uma terça parte no Império Romano, outra terceira parte no Império Chinês e a restante disseminada pelo planeta.
A Crise do Império Romano esteve associada às primeiras grandes epidemias que provocaram uma diminuição da população. No ano 1348 estende-se pela Europa a Peste Negra que se estima tenha reduzido a população europeia a um terço. Apesar disso, no ano 1600 a Terra tinha alcançado os quinhentos milhões de habitantes. A partir desse momento verifica-se a explosão demográfica e a população começa a duplicar-se a cada duzentos anos. Em 1800, alcançou-se os novecentos milhões de habitantes. Com o ritmo que se segue em 1900 se alcançaram os mil e seiscentos milhões; em 1960 havia cerca três mil milhões. Em meados de 1999 superaram-se os seis mil milhões de habitantes.
Felizmente a taxa de fertilidade está a diminuir em todo o mundo. As tendências actuais permitem predizer que a população mundial alcançará a estabilidade no ano 2110, quando existirem 10.529 milhões de habitantes na Terra. Porém até então a situação de desequilíbrio demográfico mundial continuará inevitavelmente a sua deterioração.
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Carlos Carranca

Conta teus sonhos

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carranca
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Conta os sonhos Hoje, 19:32
Forum: Conversas de Café
Senta só aqui ao meu lado e segreda no meu ouvido as estórias que te estalam dentro do corpo. Mas não te esqueças de pagar as que eu beber. Conta as tuas vidas todas, segredos e fantasias, sonhos e medos, e viajemos unidos na Magia, ondulantemente ao sabor das ondas, embriagados no perfume que este zulmarinho trás de desde o início dele.Senta, camba, e começa a faladura que tenho os ouvidos em pulgas para ouvir o som melodioso da tua voz a confidenciar-me. Conta tudo mesmo a realidade que não aconteceu, só por mero acaso. Te ouço, camba, mesmo que às vezes eu te pareça que estou a nevegar sosinho na frescura desta birra gelada. Te ouço com a maior atenção deste e doutros mundos, porque te quero ouvir, porque a tua voz me sabe que nem música.Vês, camba, como esse zulmarinho ficou mais azul que parece transborda felicidade, só porque tu te sentaste aqui ao meu lado e me falas.Manda vir só mais outra, por agora, que eu te escuto.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

18 de abril de 2005

Deserto cervejeiro

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Deserto cervejeiro Hoje, 18:02
Forum: Conversas de Café
Aqui sentado, olhando o fim da terra, silêncio interropido pelo arritmo das ondas do zulmarinho, navego em sonhos das estórias que já falei, das vidas que vivi, dos amanhãs que estão aí não tardam nada.Bebo na companhia de mim, umas atrás de outras, afogando a solidão de viver num mundo que nem este mas que não tem outro, mesmo.Bebo hoje, não para refrescar a goela, mas simplesmente pelo prazer de beber umas e outras, estupidamente geladas, loiras. Sinto o cheiro da marzia, ouço as ondas e navego nos meus sonhos de fantasia real.Hoje bebo por mim!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Prisões 30 - Afinal a arte divide-se em três

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carranca
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Afinal a arte parte-se em três Hoje, 17:56
Forum: Conversas de Café
Mas como me apetece continuar na arte, ou ARTE, eis-me aqui.
Sempre que posso vou aos concertos, ver bailados, óperas e teatro. Adoro, não percebendo nada do que se passa, mas ali fico no meu silêncio. O meu ouvido musical é mais duro que granito, a leveza dos corpos transcende a minha capacidade de ver para além do belo, as árias são imperceptíveis e os movimentos cénicos só se comparáveis com a realidade.
Deleito os sentidos. Gosto ou desgosto. Sem meio termo. Sem qualquer explicação plausível. Sem qualquer discurso dialéctico. Fico impressionado com a coragem que deve exigir subir a um palco.
A minha arte, graças a deus, não é executada ao vivo, perante público.
Eu nunca tenho esse electrizante contacto com a plateia ao vivo, que imagino seja um dos melhores momentos na vida de qualquer artista.
Mas será que esses artistas são realmente artistas?
se vier trovoada é porque assisto a um festival ao ar livre...
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Prisões 29 - E se todos fizessem como eu?

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carranca
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Sou Mais Eu do Que o Mundo 17-04-2005 22:30
Forum: Conversas de Café
Egoísmo? Talvez sim, talvez não. Frase sem sugeito, verbo ou complementos. Frases que se juntam e se textualizam.
Há pessoas que combatem a alienação. São uns criminosos contra a humanidade. Sem a nossa alienação, o que seria de nós?
Para compreender a eleição papal, as pessoas e suas ideologias, tive que pesquisar bastante, em jornais e na Internet, já que não percebia mesmo nada do tema. Fiquei muito actualizado (ou seja, nada alienado) sobre o assunto: eleições num conclave.
Poucos assuntos poderão ser mais relevantes nesta altura. A vitória de um ou de outro terá um impacto direito em nossas vidas, uma vez que parece que o mundo vive a moralidade ditada por um dos 115.
Mas essa não alienação vai me ajudar no quê? Sou uma pessoa melhor por estar mais informado sobre a eleição ou escolha? Isso tornou-me mais maduro, mais sábio, mais coerente com o mundo? Em que é que isso vai ajudar-me na minha vida? Vou poder influenciar o curso dos acontecimentos?
Noutro dia, a minha mulher quis fazer-me um teste surpresa e pediu-me para dizer três coisas que ela não gostava comer. Eu não soube dizer nenhuma.
Saber que coisas a minha mulher não gosta de comer é um conhecimento infinitamente (repito, infinitamente) mais importante do que saber qualquer coisa sobre as eleições papais, inclusive o simples facto de que elas vão acontecer.
Quanto mais actualizado fico com o mundo, mais me distancio de mim. Sou mais eu do que o mundo a qualquer hora. Quem perde com esse processo de distanciamento sou eu, não o mundo. Está na hora de revertê-lo.
Eu quero explorar os meus mistérios e segredos.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

17 de abril de 2005

Prisões 28 - Se o mundo fizesse como eu?

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carranca
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E Se Todo Mundo Fizesse Como Eu? Hoje, 18:14
Forum: Conversas de Café
IMPORTANTE:
citação:
Alguns têm aqui vindo ler, outros escrevem e outros ainda questionam. Não
me compete dar respostas, não só porque não as quero dar como também não estou
para pensar, para 'entrar' em outros corpos e 'viver' as vidas desses mesmos
corpos.
Directa e indirectamente têm surgido também sugestões de temas. Como tais
temas têm que ser pensados, estruturados, elaborados, pode ser que um dia, se
para aí estiver virado, saiam da 'prisão' do meu pensamento e aparecem por
aqui.

Invariavelmente surge esta pergunta. É uma das objecções mais fracas que se pode fazer contra qualquer argumento ou ideia.
Imaginem um engenheiro/arquitecto a projectar um prédio, calcular todas as variáveis possíveis, forças do vento, erosão do solo, um sem número de premissas, e um intrometido aparece e pergunta: e se cair um meteorito no prédio?
Irritado diria o engenheiro: a probabilidade disso acontecer é tão pequena que não precisa ser calculada e nem mesmo levada em conta.
Eu digo mais: a possibilidade de um meteorito cair num prédio é infinitamente maior do que a de todas as pessoas adoptarem o meu estilo de vida, a minha maneira de pensar e viver. Até que porque a primeira é improvável e a segunda é impossível.
Não estou escrever para os outros. Não prego no deserto para modificar o comportamento dos homens.
Escrevo para mim mesmo. Exponho como cuido, como gostaria de cuidar, ou como penso a minha vida.
Tu, por favor, cuida da tua como achares melhor.
se algum dia me apetecer poderá acontecer voltar, ou não!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca