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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
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- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
- Pertinências 15
- Pertinências 16 - As Abelhas
- Pertinências 17 - O Papel do Jornalismo em Tempos Sombrios"
- Pertinências 18 - James McSill
- Pertinências 19 - Alexandra do Carmo
- Pertinências 20 - Orquestra de Jazz do Algarve
- Pertinências 21 - O Grande Võrtice da Desinformação
- Pertinências 22 - Goncálo M. Tavares
17 de março de 2020
16 de março de 2020
Silencio activo
E por aqui se mantém o silêncio. Faz tanto tempo não saboreava o silêncio. Faz sol mas eu não estou com o jeito de lhe gastar. Há uma calma surda no ar. Há curiosidade, há ansiedade e ignorância no ar. Há leis, polícias e há também os ladrões. Aqui não roubam valores materiais, apenas roubam o conteúdo das normas e leis, e frascos de desinfectante!
Por aqui parece tudo vai bem. Amanhã há outro dia porque tenho esperança
Sanzalando
15 de março de 2020
meditando o passado
Ouço o silêncio que de quando em vez é interrompido por uma moto que passa numa corrida contra o tempo. Aproveito este tempo para meditar ou para me despir em palavras que podem viajar para além de mim, que me acariciem a alma e perdurem para lá da minha existência. Tem dias que me sinto arte, palavras perfeitas, ideias concretas, sentimentos vivos.
Hoje, mais uma vez, resguardando o mundo num retiro voluntário, percebi que tenho o sagrado sentido do amor e amizade, o carinho nos olhos do que se cruzam, o sorriso de esperança nas caras de quem passa.
Hoje, mais um dia que passo a ver tabelas, réguas e escritos presentes, passados e futuros, encontro uma paz de quem passou por surto de cólera, ataques severos de paludismo desde tenra idade até até adulto jovem, convulsões e revoluções com 'supositórios' de vários calibres, sons de tantos tons, tuberculose e tantas gripes, desde as que 'voam' e das que 'influenciam', não pode ser agora 'derrotado' pelo desânimo.
Hoje, preparando o amanhã, sorrio escrevendo memórias alegres que me fizeram o que hoje consigo ser.
Hoje recordei o jingle da 5ª sinfonia de Beethoven e a frase : A CÓLERA MATA!
Hoje recordei o sabor amargo do quinino, as convulsões e delírios.
Hoje recordei o estar deitado debaixo da cama e tremer de medo não fosse um obus cair-me no tecto.
Hoje recordei os tantos lenços usados, os aspros tomados, os chás ingeridos, as mistelas caseiras e farmacológicas obrigado a ingerir.
Hoje recordo os longos meses retirado em casa a fazer a medicação contra o tal de bacilo que me queria fazer vacilar.
Hoje tenho esperança. Muita.
Sanzalando
14 de março de 2020
hojemesmo
Eu vesti a bata branca. Mantenho o sorriso nos lábios. Eu estou ao lado dos da linha da frente. Eu e muitos, muitos mesmo. Damos a cara, o corpo e a sabedoria que temos. Usamos as melhores técnicas, usamos os mais modernos conhecimentos científicos, cruzamos conhecimentos e há tanta coisa ainda para aprender. Sorrimos cansados, transmitimos confiança, paz e serenidade. Médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, secretariado, não pode falhar nada, não pode haver improvisações. Estamos ali, para o que der e vier.
Agora, numa hora de pausa, sou eu que vou pedir a quem não precisa de nós que fique em casa, medite, sorria, brinque, salte e pule, mas não saia de casa a não ser por uma causa inadiável. Nós queremos ter vida para além de hoje e de amanhã. Não nos atraiçoe. Não nos façam perder este combate.
Há quem tenha ansiedade, quer saber como estão os amigos e familiares, quer ser fofoqueiro, usem as redes sociais, usem as novas tecnologias, brinquem com aplicações velhinhas como o Skype, façam desenhos no paint e mandem por mail. Mas não entupam os meios que precisamos para trabalhar.
Agora, numa hora de pausa, peço aproveitem para ler, para reler ou quem sabe escrever uma ou outra memória.
Não vale a pena estar ansiosos a espera de fazer uma análise, no público ou no privado. Não é isso que cura ou evita. Não têm sintomas, mantenham-se em casa. É melhor que muitas analises, muitos medos.
Nós, mais aqueles que são mesmo a primeira linha, exaustos, com uma ou outra palavra menos simpática, estamos a dar o máximo para que aconteça o mínimo. Vós, os que não estão por aqui têm de colaborar.
Vamos fazer a 'quarentena', mas ao contrário. Não saímos para não ficarmos doentes, vamos acabar com a transmissão, vamos interromper o ciclo da doença, vamos deixar o virus finar-se por falta de corrente.
Hoje, electricamente, porque decisões que têm que ser tomadas, me apeteceu parar para pensar e pedir que ajudem-se.
Sanzalando
13 de março de 2020
na morte do silêncio morrido
Ouve só este silêncio mergulhado na minha ausência. Faz sol, calor que não transborda porque suavezinho, vento ausente para não me tirar o cabelo do sério. Olha só a gente civilizada que não invade as ruas e os becos da cidade, que não espezinha as mil cores da minha praia e que infesta de sons o sossego deste fim de inverno.
Toma só atenção neste barulho calado duma terra adormecida pelo susto do silêncio.
É tarde? Nunca é tarde para retomar o rumo, nunca é tarde para crescer. Depois da morte do silêncio caiu-se num silencio de morte. Parecem silêncios iguais porem tão diferentes.
Deixem-me seguir o silencio dum despenteado vivo, controlando com os olhos e a atenção o silêncio duma morte por aí anunciada, que por aí no ar, em forma de mina de mar, por forma dum estúpido comportamento desajustado se espalha em formulas matemáticas indefinidas, em formas de morte morrida, em forma de dor sem sentido.
Deixem-me seguir o silencio dum despenteado vivo, controlando com os olhos e a atenção o silêncio duma morte por aí anunciada, que por aí no ar, em forma de mina de mar, por forma dum estúpido comportamento desajustado se espalha em formulas matemáticas indefinidas, em formas de morte morrida, em forma de dor sem sentido.
Sanzalando
12 de março de 2020
COVID19 Assim mesmo só. Ninguém sabe o que é mas todos temos opinião. 1º caso descrito em 31 de Dezembro de 2019 na China. Hoje, 12 de Março todos são peritos. E vem ao de cima o mais importante: DEVIA-SE! Todos têm opinião. E agora sem bola e outras distracções vamos ver os peritos desta tornarem-se relatores daquele. DEVIA-SE fazer isto e aquilo, desde que não me prejudique ou me limite, ou interfira com o meu jeito. ACHO QUE, outro parecer importantíssimo. Eu tornei-me virologista através do FACEBOOK e da imprensa on-line. Eu sei tudo sobre o COVID19 mesmo que todos os ensaios clínicos ainda não estejam aprovados ou verdadeiramente discutidos por falta de tempo. Eu ACHO QUE SE DEVIA... seguir o que diz a Direcção Geral de Saúde, os meus colegas verdadeiramente infecciologistas, recomendações da Organização Mundial de Saúde. Pouco me importa que o pessoal esteja na praia, no deserto ou no campo. Se não estão doentes porque estão presos? Ora aqui está uma coisa importante: dois metros pelo menos de distância, evitar contactos e outras emanações da DGS por mais que me custe utilizar esta sigla que devia ser mudada. Estou aqui e estou a ouvir na rádio e na TV o relato do COVID19 contra a Ministra, a Directora Geral ou os médicos da Saúde Pública. Vamos tentar: o virus atacou pela direita, o CHEGA deu um chega para lá e o Jerónimo recuou. A Ministra apitou e o alarme sou no outro lado do país. vamos até ao sul. Chega de brincadeira e levemos o assunto a sério porque o é! Sanzalando
COVID19
COVID19
Assim mesmo só.
Ninguém sabe o que é mas todos temos opinião.
Sanzalando
Assim mesmo só.
Ninguém sabe o que é mas todos temos opinião.
1º caso descrito em 31 de Dezembro de 2019 na China. Hoje, 12 de Março todos são peritos. E vem ao de cima o mais importante: DEVIA-SE! Todos têm opinião. E agora sem bola e outras distracções vamos ver os peritos desta tornarem-se relatores daquele. DEVIA-SE fazer isto e aquilo, desde que não me prejudique ou me limite, ou interfira com o meu jeito. ACHO QUE, outro parecer importantíssimo. Eu tornei-me virologista através do FACEBOOK e da imprensa on-line. Eu sei tudo sobre o COVID19 mesmo que todos os ensaios clínicos ainda não estejam aprovados ou verdadeiramente discutidos por falta de tempo. Eu ACHO QUE SE DEVIA... seguir o que diz a Direcção Geral de Saúde, os meus colegas verdadeiramente infecciologistas, recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Pouco me importa que o pessoal esteja na praia, no deserto ou no campo. Se não estão doentes porque estão presos? Ora aqui está uma coisa importante: dois metros pelo menos de distância, evitar contactos e outras emanações da DGS por mais que me custe utilizar esta sigla que devia ser mudada.
Estou aqui e estou a ouvir na rádio e na TV o relato do COVID19 contra a Ministra, a Directora Geral ou os médicos da Saúde Pública.
Vamos tentar: o virus atacou pela direita, o CHEGA deu um chega para lá e o Jerónimo recuou. A Ministra apitou e o alarme sou no outro lado do país. vamos até ao sul.
Chega de brincadeira e levemos o assunto a sério porque o é!
Sanzalando
11 de março de 2020
passeando
Olha só eu aqui sozinho feito louco caminhante pelos caminhos do pensamento. Acham eu ando triste por estar aqui num antagónico de estar com alguém em amena cavaqueira? Não estou isolado no nada nem mergulhado na vã preguiça. Estou só a vagabundar o pensamento em gulosa solidão. O pensamento é intimo, porque é vasto, não deixa cansaço nem rasto, é doce ou salgado, vagabundo ou marado. Me deixo caminhar nas nuvens duma terra firme, nos teus olhos reflexo de mim, poder acompanhar qualquer música mesmo no meu silêncio, flutuar, divagar, sonhar. Acontece a qualquer um e às vezes sabe tão bem esperar que chegues. Não é solidão nem saudade, loucura ou maldade. É um riso que me dou por momentos nas palavras que escrevo no éter da minha existência.
Hoje passeio-me, amanhã passeamo-nos.
Sanzalando
10 de março de 2020
amar-me
E voltou um sol parece que é de verão daqui. Mas ainda não lhe chegou o tempo. Aproveito o tempo adormecido de fazeres para me desfazer em pensamentos e sonhos acordados. Acho sempre fui assim. Mesmo quando parece eu procuro algo que me salve da selva cimentada em que me encontro, do cansaço, da carência, da falta de vergonha ou mesmo só das coisas que vejo sem querer. Acho não preciso procurar quem culpar, eu me culpo porque sou essa pessoa fria e pelo acaso me tornei insensível.
É fácil culpar o mundo, procurar saídas invisíveis do que me olhar no dentro e ter capacidade para sorrir aprendendo.
Às vezes parece sou dolorosamente egoísta, umbigo grande de espertice à flor da pele, mas desarmadamente sou assim num gostar-me por inteiro.
Vá lá, tive um pico de sanidade e pertence-me amar-me
Sanzalando
8 de março de 2020
me deixo
Me deixo levar por este sol fingido que brilha em modo inverno. O sol, minha energia vital, me eleva ao patamar do delírio mental, suprema meditação, máxima divagação. Neste sentido, neste patamar delirante, me encontro no expoente máximo do amor, nesse labirinto mágico, nesse não perder de vista mesmo que seja uma vista imaginativa, nesse enfrentar de medos e abismos com sorrisos e um brilho nos olhos que não se encontra em mais nenhum estádio da vida. Me deixo abraçar nas dores, tristezas e insucessos como se fosse um príncipe perfeito.
Frio em sol de inverno
Sanzalando
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