recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de abril de 2020

#monchique 1 de Maio


#monchique preparando o 1 de Maio


igual que nem


Cada dia que passa eu digo que até os meus olhos brilham quando falo de ti. É, cada dia eu sei que tinhas de ser tu.
Lá estás tu a dizer que eu fiz ou estou para fazer alguma coisa.
Tal e qual a D. Madalena me dizia.
Mas não. Não fiz nem penso em fazer nada. É só mesmo constatar uma realidade. 
Tem cada dia eu penso se é o mesmo que pensas tu. Dúvidas da incógnita. Porque é que tem isso aqui e até na matemática. Dúvida metódica, diria Descartes. Descarto essa. É só mesmo porque pensar faz bem. Medito-me na duvida certa. Eu tenho um coração bonito e por isso vou fazer mais como?
D. Madalena me desconta aí alguma coisa que fiz quando era criança. Não pensava ainda. Dá desconto agora neste futuro incerto. 
Mas os meus olhos brilham porque deves estar a pensar em mim. Eu sei. Eu sou sabedor dessas coisas. Acho eu. Convencido que sou. Vou fazer mais como?
Mantenho-me assim: igual.




Sanzalando

29 de abril de 2020

#flores


com este sol

Com este sol e este zulmarinho, falo de memória, pois acho começo a ter uma vaga memória dele, me fazem delirar pensamentos que eu acho nunca pensei. Pelo menos nunca menos de uma dúzia de vezes. É mais ou menos assim quando me lembro dos olhos dela, das curvas e do sabor dos beijos que sonhei. Se existisse um manual de pensamentos acho ia ter um meu em cada página. Se houvesse um manual de saudade ia ter uma minha também em cada página. 
Na verdade, no meio deste barulho todo ainda cabe o meu silêncio. Pelos menos enquanto houver céu azul para lá do horizonte.
Assim aqueço o meu coração. Com este sol.

Sanzalando

#comida


28 de abril de 2020

#flores


chegar ao fim

Soleia mas ainda não com o calor da minha terra nem com a vontade de me fazer sair de casa. Faz tempo eu tropeço nas minhas recordações, me divirto nos meus passados e gargalho-me nas minhas desilusões. Soleia tempo de meditação, faz conta a vida é um livro que ninguém folheia, como nos livros de verdade e os que folheiam não entendem nada. Faz conta eu faço uma linha da vida e ela me parece tão tortuosa que não sei como cheguei ao hoje direito.
Mas no livro da vida, na linha da vida, as palavras se trocam, as folhas se colam e na intimidade a gente é mesmo a gente, quer a gente vá para onde a gente for. A linha parece eterna até quase a gente sente chegar ao fim.



Sanzalando

#flores


27 de abril de 2020

às vezes

Faz sol que até parece reflecte na alma. É um momento bom para vagabundar os pensamentos aos deus dará, deixá-los ir por aí perdidamente. E isto é assim porque os maus pensamentos e as saudades não resolvidas são as sementes da autodestruição da espécie humana. É por isso que há necessidade destes momentos de meditação, de equilíbrio, para rasurar os pensamentos negativos, mesmo que eles sejam mais de cem.
Vamos lá ver se me explico. É uma luta diária, com feridas, cansaço e até choros. Mas sorrindo, diariamente limpo um bocado desses pensamentos maus e das saudades não resolvidas. 
Às vezes só preciso encontrar esses pensamentos soltos e conversar-me. às vezes só preciso duma insónia para matar essas saudades não resolvidas. Às vezes só preciso duma pequena luz para ver os grilos que ouço no subconsciente. 
Faz sol brilhante mas ainda não é verão.


Sanzalando 

26 de abril de 2020

me divirto.

Só me apetecia que estivesse chegado a hora de partir a loiça, farrar até de madrugada, ter os pés em ferida de dançar madrugada a dentro. Quero pegar fogo na alma e sair por aí a me divertir faz conta não há amanhã. Quero suar, rir e gargalhar divertidamente. Quero abraçar, acariciar, me enrolar na areia duma praia, quero perder o meu ar depressivo e por à flor da pele o meu humor arrogante. Eu quero tanta coisa mas não posso e por isso sorrindo me levo por aí a me conhecer cada vez mais e a me gostar mais ainda. Vou-me escrever uma carta anónima e dizer-me que amanhã de um dia vai chegar, não tarda e eu tenho de ter paciência.
Me divirto a me conhecer cada canto do meu pensamento.

Sanzalando

25 de abril de 2020

#comida


porque faz sol

Faz sol que eu sinto e eu choro. Como é que é possível? Sem motivo aparente, palpável ou calculável. Bem vistas as coisas a gente sempre tem um motivo. Há lá no fundo uma causa, uma coisa mal guardada, uma negação mental, uma descontinuação amorosa. Há qualquer coisa mesmo que esteja soterrada no esquecimento.
Mas eu hoje estou me apetece é chorar feito bobo da corte ou na corte, umas lágrimas lentas. Eu desconsigo chorar desesperadamente. É mesmo só lentamente porque não posso fazer uma festa. Eu queria fazer uma festa. Grande. Porque faz sol.

Sanzalando

#mangueira #cajueiro


#flores


24 de abril de 2020

deixem passar o tempo

Olho o zulmarinho de memória. Sinto o zulmarinho de saudade. Que as minhas palavras conjuguem verbos de futuro. Risonho de preferência. Que todo o meu amor acabe com este sentimento frustrante de inacabado. É! bem pensado. Vamos dar amor a este tempo e com o tempo que temos vamos acabar com o nada que incomoda tanto este tempo. No meu sonho eu sou vida, porque na vida não passo este sonho pesadélico? Já sei é saudade que me não me tira o sorriso e não me deixa cair em tentação.
Hoje até parece que tenho ganas de dizer um até para sempre. É, o melhor mesmo é sorrir e deixar passar o tempo que parece não tem tempo para passar.



Sanzalando

23 de abril de 2020

#mangueira


#lugaresincriveis


#flores


e se faz sol?

E se faz sol, não aquele sol dos meus tempos de criança, mas um sol que até dá vontade de me levar por uns caminhos de liberdade mental. E se eu me metesse ao caminho e fosse por aí feito livremente cantarolando músicas de inventar? Nestes tempo de hoje seria um crime. Vou só mesmo me libertar em palavras soltas, soletradas na minha cabeça. Começo por arrancar folhas do calendário, adiantar relógios e já estou num dia do futuro. Tomei o meu banho de espuma, me perfumei, te dei um beijo e fui por aí saboreando o gosto dos teus lábios, sorrindo feliz, levando na cara os raios deste sol que já parece o da minha adolescência.
E se faz sol e me apetece levar-te de mão dada passeando por ai neste presente que vai ser só no futuro?
E se faz sol e me apetece ler um livro? Me sento num banco ao sol e me perco no tempo atrás da história que leio.


Sanzalando

21 de abril de 2020

euzinho mesmo

Neste tempo dedicado a conhecer-me cada vez mais, a me ver cada vez mais por dentro neste somatório de anos, nesta encruzilhada de sonhos, desejos, ambições e frustrações, eu não perco a realidade de amar, nem que seja apenas na forma dum sorriso, duma piada ou de um olhar. Amar na simplicidade desta existência cada vez mais complicada. Seria irónico, depois de tanto tempo a amar-me eu perder-me em desamores, tornar-me num ácido, áspero, enraivecido. Toda a minha vida desejei, lutei e consegui ser tal e qual sou. 
É, escrevendo em silêncio, vou caminhando por mim adentro, realizando-me e melhorando-me. Defeitos.



Sanzalando