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A Minha Sanzala: Afinal de contas
recomeça o futuro sem esquecer o passado

28 de março de 2007

Afinal de contas


Anda, me acompanha novamente neste caminhar à borda do zulmarinho, num vai e vem sem parar. Eu falo e tu ouves. Se não te apetecer ouvir-me ficas no teu silêncio interno e olhas a linha recta que é curva numa introspecção que só a ti diz respeito. Eu respeito-te como sei que respeitarás eu não me calar, mesmo que não te diga nada, mesmo que não ouças nada.

Tu sabes, se é que me estás a ouvir, que as batidas do coração indicam se estás ou não agitado, se te importuna alguma coisa real ou fictícia, a tua respiração se torna ofegante na exigência de ar que mais não serve para te fazer fluir oxigénio até ao cérebro. Respiras sem sentires que o fazes, mas sentes os efeitos através duma maior capacidade de colocares os neurónios mais activos, mais alerta.

Te apetece gritar mas o som é abafado pelo marulhar das ondas se espreguiçando na areia.

As tuas pernas parecem que não são tuas, os teus braços parecem carregam toneladas de coisa nenhuma. A tua visão se torna nublada, não consegues focar os horizontes.

Afinal de contas estamos à beira do zulmarinho e temos a capacidade de poder sonhar com as coisas reais e com as coisas que só passam pela nossa cabeça.

Afinal de contas a realidade e a ficção se podem misturar, os amores e ódios se podem pesar ou comparar.

Afinal de contas somos invenções dos nossos cérebros.

Afinal de contas os nossos sonhos são as nossas baterias, estímulos e placas orientadoras dos espaços siderais.

Ficaste aí siderada por alguma razão especial ou foi mesmo porque te lembraste de me ouvir quando me calei?




Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007