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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
- Pertinências 1 - Carlos Osório - Roblocks e os seus caminhos
- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
- PERTINÊNCIAS 11
- PERTINÊNCIAS 12
- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
- Pertinências 15
- Pertinências 16 - As Abelhas
- Pertinências 17 - O Papel do Jornalismo em Tempos Sombrios"
- Pertinências 18 - James McSill
- Pertinências 19 - Alexandra do Carmo
- Pertinências 20 - Orquestra de Jazz do Algarve
- Pertinências 21 - O Grande Võrtice da Desinformação
- Pertinências 22 - Goncálo M. Tavares
- Pertinências 23 - Jornalismo de Investigação
- Pertinências 24 - Teolinda Gersão
- Pertinências 25 - Júlia Domingues e João Ventura
31 de maio de 2022
com o passar do tempo
Com o passar do tempo verifico que certos lugares já não nos regeneram e por vezes sentimos que já não queremos estar ali. É assim mais ou menos como não ter o controlo, é saber que nada mais vai sair como imaginamos. Naquele ponto somos apenas passado. É preferível raciocinar, rever, repensar e mudar de lugar. O mais importante antes de nos causar dano, mudar de lugar, renascer e recomeçar.
Com o passar do tempo crescemos e amadurecemos e merecemos muito mais.
30 de maio de 2022
pensamentos imaterializados
Sento-me a ver o mar. Palavras ondulantes em parágrafos de calema. Medito. Cada silaba tem o seu peso específico. Cada palavra tem a sua reacção. Cada frase um propósito.
Vendo o mar pergunto-me se alguma vez eu tive a sensação de ser uma das minhas personagens? Existo ou sou um mero acto de pensamento?
Será que eu podia ser espectador de mim?
Bolas, dá trabalho trabalhar com pensamentos imaterializados.
29 de maio de 2022
transparecer
Nestes caminhos por onde percorro as minhas palavras, minhas ideias e até o meu retrato mental, sinto necessidade de me transparecer. Pouco importa a roupa que visto, a maneira que ando ou as palavras que uso, umas mais carregadas e outras leves e tons pastel, porque as minhas palavras têm a cor do que penso, a forma como me dispo perante mim, a carga com as minhas razões e contradições. As minhas palavras não me fazem sentir mal nem pensar por outra cabeça que não a minha. Talvez seja resultado de ter-me trabalhado ao longo de tantos anos, ao ponto de um dia conseguir caminhar nos meus silêncios e sentir-me igualmente transparente.
28 de maio de 2022
vou tentar
Vou tentando superar-me para ver se aprendo a magia de vagabundar-me pelos caminhos da minha infância, com a inocência que tinha então. Viver a magia da inocência, sem filtros aprendidos ao longo do caminho feito depois.
Amei-me num processo que demorou pelo menos duas décadas, onde aprendi a chorar de amor, onde sarei feridas feitas por acasos mal definidos e que deixaram cicatrizes que o tempo não escondeu. Essas agora não doem como doeram nas noites de morrer de amor, mas eu agora as queria sentir e revigorar novos amanheceres, acordar com novas sensações, relembrando-me cada pormenor, cada rosto, cada sorriso, cada carícia, cada gesto. Eu não queria que o esquecimento me levasse a um patamar de passado sombrio.
Vou por aí aprender como que por magia a recordar-me de passados sem nostalgia nem melancolias
27 de maio de 2022
silêncios
Tem dias me apetece caminhar sobre a melancolia para dar descanso no caminhar de amor. Mas não me inspira, não me dá prazer e parece triste mesmo que não o sinta. Na tristeza vaga as palavras se afundam e só param na tristeza profunda. Assim, agarrando essas tristes palavras, pinto-as de cores garridas, enfeito-as com sorrisos e gargalhadas e parto em busca de caminhos solarengos, brilhos coloridos e a tristeza se dilui em cada silaba,
É difícil suportar a tristeza. É fácil alimentá-la. Há que contorná-la.
Palavras garridas, memórias floridas, sonhos coloridos e tons alegres nesse passado, transformando-o num sábado de festa, num domingo de praia, num pic-nic de verão.
Hoje vou só caminhar por aí, rua abaixo e acima, faz de conta desencontrei-me com as palavras e fiz-me silêncio.
26 de maio de 2022
fazer mais o quê
É curioso como é que eu para caminhar tenho que deixar qualquer coisa para trás. Deixo tempo e caminho. Tudo que é fundamental vai ficando para trás. Para a frente encurta-se o tempo que paulatinamente fica para trás. Não o choro nem o lamento. Apenas constato. Eu não sou um lugar. Esse também fica para trás. Eu posso ser uma recordação. Sou uma recordação do meu passado. Posso ser um sonho. Sou um sonho do meu futuro.
É a vida e vamos fazer mais o quê?
25 de maio de 2022
caminhando
Caminhando nesse caminho longo, que me é curto, penso que às vezes preciso reconstruir-me, reedificar-me, requalificar-me. Não é inconformismo, nem despudor, nem vaidade ou seja o que for. Quantas vezes dou comigo a dizer-me que não é possível ser assim tão fácil. Deve haver um erro mental, julgamento facilitado por falta de qualquer coisa. Os meus olhos veem, a minha mente sente e como poder ser fácil?
Olho para trás, muito lá para trás, e continuo a achar que o caminho tinha de ser este. Outro far-me-ia ser diferente e eu gosto de mim neste assim.
24 de maio de 2022
era mas ainda é
Quando eu era criança me diziam que quem morresse ia para o céu. Uma estrela era um desaparecido deste mundo. Eu acreditava e olhava no céu e tentava ver nas estrelas aqueles que eu sabia já cá não estavam. Hoje, ainda olho no céu, à noite, procuro ver nas estrelas aqueles que me lembro já cá não estão. Lhes falo baixinho contornando as palavras com doçura, polvilhando-as de carinho e saudade pois passei a acreditar que aqueles que partem deste mundo passam a morar no nosso coração, na nossa memória e por consequência na nossa vida.
23 de maio de 2022
vagabundo sim, mas
Vou só caminhar por aí faz de conta sou um caminhante de passagem, daqueles ninguém sabe quem é, nem para onde vai, nem quem foi e ninguém quer saber. Vamos me chamar o vagabundo desconhecido. Faz conta eu sou ele. Vamos esquecer eu tenho passado e estou vivo agora. Vamos esquecer a vida é um ciclo, que cada ciclo tem etapas, que cada etapa tem momentos. Vamos esquecer tudo, incluindo que eu sei que sou o vagabundo desconhecido.
Desconsigo deixar de ser eu, o que sou, porque cada instante me fez o que sou agora. Nada se repetirá nem tudo se dissolve no tempo.
Sou eu com tudo o que trago. Vagabundo sim, mas não desconhecido!
22 de maio de 2022
revivendo de memória
Á frente da Casa de Saúde estava a casa dos 'Martinzes'. Se lembram?
Tinha 2 figueiras enormes que davam figos verdes, de pingo que parecia mel, que só de me lembrar até parece me babei outra vez.
Quem nunca lá os foi gamar, da minha geração, das anteriores e das posteriores propriamente ditas?
E as castanheiras que estavam na mesma rua? Quem foi que não atirou pedras nelas para comer os castanhas?
Quem foi que levante o braço que eu daqui estou a ver? Desconsegui de ver um braço no ar. Mentira. Eu vi um braço no ar. Meu amigo Rui Miranda. Se lembram dele? Pois é. Esse nunca foi lá, não. E o Corado foi? Ué! Tá claro! Esse puto era terrível! Só mesmo paciência com ele e grande dose de amizade.
Tem coisas mesmo fantásticas na memória da gente. Te lembras de ver o negro velho da casa (Domingos, não é?) a pôr a gente na rua com pau e a xingar parecia as figueiras eram dele?
Tem razões que só a razão explica, porque é que a galinha bebe água e não mija e eu me ponho aqui a explicar coisas que não têm como explicar. Aconteceram? Umas a gente caté fez bem e outras que até ainda tem vergonha na cara só de recordar.
Na esquina oblíqua tinha a casa do sr. Sopapo. Te encostas no muro levas com a mangueira de regar o jardim que vais para casa parece andaste à chuva. E o Volkswagen azul claro que estava ali perto estacionado era do Sr. Dr. Brandão. Gente fina e educada. Começas a subir essa rua e te vais dar com cada malandro que até parece eu ia inventar uma estória só para te contar. Leopoldo, guarda redes do Sporting era o mais pacífico porém acho não era o menos malandro. Jacaré? Oscarito, Jorge. Só nomes que as pessoas já só sabem de memória e eu nem sei estória.
Sanzalando
21 de maio de 2022
20 de maio de 2022
18 de maio de 2022
tem dias
Tem dias que me apetece voltar ao passado e refazer caminhos, não por arrependimento mas apenas para os fazer como deve ser.
Tem dias que me lembro que no pico das hormonas adolescentes eu queria lá saber das belezas naturais de lugares ou momentos...
Tem dias que recordo que por causas minor não fui a locais que hoje, com os olhos amadurecidos, tenho penas de os ver apenas em fotos ou filmes, não sentir o cheiro nem o clima e insectos...
Tem dias que penso que não dei o amor todo que tinha com medo de me magoar e agora, no peso da sabedoria, vejo mais poderia ter dado que não gastava.
17 de maio de 2022
não é suficiente
Me dou por aí a caminhar palavras de amor. Tento usar sempre palavras lindas e puras. Mas não é suficiente. Eu quero escrever frases bonitas, quero contar coisas lindas da minha estória mesmo que não reais, mas não é suficiente. Tem dias que os meus caminhos são lindos, rodriguilhos que saem perfeitos, mas não é suficiente. Tento um, dois caminhos, mas não é suficiente. É doloroso concluir que o meu melhor não é suficiente porque este mundo não tem melhoras.
16 de maio de 2022
eu gosto é de escrever
Vou por aí, folha de papel, rabiscando ideias e imagens como quem caminha por uma vida. Gosto de desenhar a vida através das palavras. Às vezes tem frases, metáforas e conceitos que fazem pensar ou sorrir. Dia ganho. Gosto de me passear por palavras mesmo que a vida não seja uma boa estória, mesmo que haja à minha volta uma arruada confusa. Passeio por palavras mesmo que me sinta uma mescla de sentimentos ou orientado em sentido lato. Já risquei palavras, apaguei caminhos só porque a vida não era assim tão bonita quanto eu estava a pintar nas palavras. Mas eu não escrevo a minha vida, eu passeio pela vida das palavras, mesmo que a narrativa não seja igual à realidade. Eu só gosto é de escrever mesmo que um dia eu tenha que pôr um ponto final.
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