Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala: Fevereiro 2005
recomeça o futuro sem esquecer o passado

28 de fevereiro de 2005

Gajos da Cidade

Sendo tu um gajo da cidade, com múltiplas actividades nocturnas, com muitos afazeres culturais, com muitos colegas com quem discutir a dialética paralélica, não deves ter aprendido que os galfarrões do Namibe estavam sempre em Moçâmedes. Portando, os cajos da cidade alcatroada e sede de tudo, incluindo o bom e o péssimo, de vez em quando se perdem nas geometricas localizações geográficas, tal a cegueira de acender fogueiras, que não vêem as fagulhas dispersas no eter da noite etílica.Cumprimentos morcegueiros de quem se deita cedo, tem orgulho em ser do deserto matificado e adora os gajos da cidade, não só, por gosta de aves raras mas porque adora rir com a complexidade do pensamento citadino, imitando tráfego em hora de ponta, sem mola.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Mudanças que se mudam

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 16:25
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Conversas de Café
Mermão, te digo, agarrado nesta loira que gela as mão de estupidamente gelada que está, que tem dias que só apetece a mudança. Mesmo da cara, da maneira de ser e de estar. Às vezes, avilo, apetece bater com a porta mesmo que ela seja virtual. às vezes, mermão, olhas pela janela do carro que sobe a subida da vida e te parece que está mais parado que um stop pintado num alcatrão qualquer.Mas depois, mermão, vens aqui na dispersão do olhar para o longe, embebido no azul do zulmarinho, olhas a linha recta que é curva, sentes a marzia entrar-te na penca, os salpicos salitrizarem-te a cara e descobres que és feliz por seres como és, que tens um rumo que te leva em frente, ao início desse zulmarinho.Mermão, paga e desprotesta mesmo que te apeteça atirar com o corpo ao chão.Começas a te lembrar no cheiro da terra depois de sacudida por uma chuva torrencialmente tropical, a cor do capim a crescer no seu silêncio devastador, as areias do teu deserto alfinetarem-te as pernas desprotegidas e ficas como que assim meio tonto de felecidade e com força de não desistir.Paga outra que eu mereço.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Contemplação

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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26-02-2005 18:26
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Conversas de Café
Hoje, mermão, sentado com uma loira estupidamente gelada fico em plena contemplação. Ouço o zulmarinho nas suas carícias sobre a areia dourada desta praia que nem de perto nem de longe é igual à do início dele. Fico aui no meu silêncio, unicamente meu porque às vezes o silêncio é de oiro.Loira gelada, vista do zulmarinho, cheiro de marzia e salpicado com as lágrimas desse mar, fico admirando o infinito da coisa.Simples mas divinal.
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Carlos Carranca

25 de fevereiro de 2005


E NA CIDADE DAS ACÁCIAS Posted by Hello

Volto ao suicídio

"Fio": Temas diversos

carranca
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24-02-2005 18:16
Forum: Conversas de Café
Semanas atrás iniciei este tema. Outros valores se levantaram e e, hoje, não sei porquê, apeteceu-me voltar a ele.Há muitos estudos sobre factores de risco de suicídio. O factor mais importante é, sem dúvida, a doença psíquica. Quando não tratadas, as depressões mais graves são doenças que se acompanham de risco de suicídio, tanto em doentes bipolares, como em unipolares. Doenças como a esquizofrenia, perturbações ansiosas graves, a dependência do álcool e das drogas em geral, são também perturbações psiquiátricas que podem predispor ao suicídio, no caso de não serem tratadas e conduzirem a situações de desespero prolongado. Quando se junta à doença e, em parte por causa da doença, o isolamento da pessoa, o seu desenraizamento , a falta de apoios, a falta de tratamento, e complicações aparentemente insolúveis no viver, os riscos para um acto desesperado podem aumentar mais.Mas haverá sempre uma solução. A vida é feita de altos e baixos. Poderá haver ajuda, terá de ser encontrada. Se for indispensável, o doente será hospitalizado, para uma terapêutica mais intensiva e controlada.Um episódio de ideias de suicídio é sempre temporário. Os que sobrevivem a essa fase mais negra e arriscada olharão para trás, depois de recuperarem a saúde, sem perceber como lhes aconteceu esse pesadelo, essa doença que lhes retirara toda a esperança. O risco de suicídio é maior nas primeiras crises de depressão , pois a pessoa aprende com a experiência e verificar que as crises passam, aprende a reconhecer a doença como uma doença que se trata, melhora e pode prevenir.Os familiares e os amigos da pessoa que sofreu uma grave crise com ideias de suicídio devem reconhecer o mal pelo que é, uma doença, uma perturbação emocional, de que quem sofre não é culpado. O que a pessoa precisa é de ajuda, compreensão, comunicação, e, sempre e quando for necessário, do tratamento médico e psicológico.Vencer a depressãoAs ideias de suicídio, tal como outros sintomas da depressão, podem ser tratadas. Para que possa ser ajudado/a, o seu médico ou outros profissionais da saúde deverão saber o que se passa consigo, quais os seus pensamentos e sentimentos. Só se forem convenientemente informados, por si que sofre ou por alguém que melhor sabe do que se passa consigo, poderão tomar as medidas terapêuticas necessárias, ajustar a medicação ou modificar o tratamento.O controle adequado de uma crise depressiva, a prevenção e a atenuação dos sintomas, fazem com que volte a acreditar na vida e a viver.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

"Fio": Um café na Esplanada

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Loiras do meu espanto 25-02-2005 21:48
Forum: Conversas de Café
Mermão, manda vir umas quantas c'hoje é sexta-feira, dia de farra porque nos fica dois dias para a descansação do corpo. A alma que não precisa já que essa não tem mesmo problemas.Mermão, cada dia um degrau, umas loiras, uns cabelos brancos mas o início fica mais perto.Olhas no horizonte, vês a linha recta que é curva, e logo depois, mesmo ali à mão que semeia tens o início dele. Vês, mermão, tá fácil.Hoje é dia de ser solidário comigo mesmo, hoje é dia de ser meu, mermão. Por isso hoje te cravo umas quantas para não seres sempre tu a oferecer., pagas só porque eu tas pedi.Mermão, me conta como anda aí o cheiro da terra molhada, a banda a desbundar na areia das miragens, o sol a se pôr já com saudade de se ir. Conta, mermão, as aventuras da minha rua.Hoje pelos vistos tás que não te apetece nem falar. Como hoje tou solidário, aqui me fico no silêncio de ficar a ver as ondas ritmadas anarquicamente do zulmarinho nos seus movimentos de ir e vir até ao vir final.

Quaresma

Um texto que gostei e copiei para aqui. Espero que o seu autor não se importe, pois o seu texto está como tenho o hábito de dizer: 5 estrelas

Eis que após a quarta-feira de cinzas se iniciou o período da quaresma.Como simples contribuição e lembrança, coloco aqui o que determina a Igreja Católica sobre este período.
O QUE É A QUARESMA? Chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o batismo.
DESDE QUANDO SE VIVE A QUARESMA? Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-lo no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos em um princípio, nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.
POR QUE A QUARESMA NA IGREJA CATÓLICA? "A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao Mistério de Jesus no deserto" (n. 540).
QUAL É, POR TANTO, O ESPÍRITO DA QUARESMA? Deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.
O QUE É A PENITÊNCIA? A penitência, tradução latina da palavra grega que na Bíblia significa a conversão (literalmente a mudança do espírito) do pecador, designa todo um conjunto de atos interiores e exteriores dirigidos a reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador. Literalmente mudança de vida, se diz do ato do pecador que volta para Deus depois de haver estado longe Dele, ou do incrédulo que alcança a fé. QUÉ MANIFESTAÇÕES TEM A PENITÊNCIA? "A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobre tudo em três formas: o JEJUM , a oração, a missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e com relação aos demais.
SOMOS OBRIGADOS A FAZER PENITÊNCIA? "Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência ; , sobre tudo, observando o jejum e a abstinência." (Código de Direito Canônico, c. 1249).
QUAIS SÃO OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS? "Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma." (Código de Direito Canônico, c. 1250). QUÁNDO É A QUARESMA? A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina no Domingo de Páscoa .
POR QUE SE DIZ QUE A QUARESMA É UM "TEMPO FORTE" E UM "TEMPO PENITENCIAL? "Os tempos e os dias de penitência ao largo do ano litúrgico (o tempo de QUARESMA, cada Sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, o jejum, a comunhão cristã de bens (obras caritativas e missionárias)." (Catecismo Igreja Católica, n. 143 QUE OBRIGAÇÕES TEM UM CATÓLICO EM QUARESMA? Tem que cumprir com o preceito do JEJUM e a ABSTINÊNCIA, assim como a CONFISSÃÓ e COMUNHÃO anual.
EM QUE CONSISTE O JEJUM? O JEJUM consiste em fazer uma única refeição ao dia, sendo que se pode comer algo menos que o de costume pela manhã e a noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo em caso de doença.
A QUEM SE OBRIGA O JEJUM? Se obriga a viver a lei do jejum, todos os maiores de idade. (cfr. CIC, c. 1252). O QUE É A ABSTINÊNCIA? Se chama abstinência a proibição de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados).
A QUEM SE OBRIGA A ABSTINÊNCIA? A lei da abstinência se obriga aos que já tem catorze anos.(cfr. CIC, c. 1252).
PODE SER MUDADA A PRÁTICA DA ABSTINÊNCIA? Pode. Todavia, até mesmo o Concílio vaticano II, manteve os preceitos da quaresma, principalmente os relativos à oração, ao jejum e abstinência
Talvez eu seja um pouco cético quanto à verdadeira coerência da maioria dos católicos que aqui na Sanzala vivem permanentemente nos lembrando dos preceitos da Igreja. Sinceramente, estou convicto que a grande maioria, pura e simplesmente não gosta de aceitar este lado de sua religiosidade. É que impões sacrifício, tal qual Jejus teria feito ao jejuar 40 dias no deserto após o seu baptismo.Almoçar opíperamente ( sic ) não é, propriamente o que se pode chamar de jejum.Claro que para tudo há remédio. É só ao final nos arrependermos e confessar ao padre os pecados e depois comungar tomando a óstia. Fica tudo zerado. Depois pode-se pecar novamente e assim sucessivamente. Fernando Quelhas
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

24 de fevereiro de 2005

Mais um texto com pés para andar----

Não eram os egipcios que escreviam em vampiros???
Tenho andado no mínimo desmotivado, apesar de ter ficado contente com a derrota do Lopes (Já vem os de sempre dizer que não tenho nada que me meter com a política portuguesa, mas a realidade é que já tive de o aturar como autarca quatro anos, e de facto a unica coisa que temos em comum eram os boxers cor de rosa da Throthleman e a presença assídua num bar na Figueira, donde curiosamente o tipo saía invariávelmente depois de mim). Mas qto ao resto ando meio for(ni)cado, pois estou farto de neve e chuva gelada.Escrevo, porque invariávelmente me vão pedindo, estando neste momento a disputar com o Zecara o título de "Pena de ouro" da sanzala. Por falar em sanzala, tenho que dizer umas coisas...No outro dia falava com um amigo meu de Angola, que eu tentava convencer a penetrar por aqui dentro, e ele disse-me: Porra, pá, como é que te consegues ver num site de retornados???"...Eu lá lhe expliquei, que "as coisas são diferentes, trinta anos é muito tempo, até cá há mais gente fixe que o contrário", enfim os argumentos inerentes à defesa deste espaço, que apesar de tudo tem sido um espaço de liberdade...Mas a verdade é que ainda o desvi por cá!!!Mas os temas estão muito chochos...Por exemplo falar da irmã translucida, um verdadeiro Conde Monte Cristo da Igreja Católica...Lixaram a vida toda à mulher...Encerraram-na num convento aos 14 anos (que faziamos nós aos 14 anos???) e nunca a deixaram falar com ng, para alem de inventarem erros históricos grosseiros para fabricarem um espaço de negócio algures num buraco na "Area Protegida das Serras de Aires e Candeeiros". Esta situação da Irmã Lucida, obrigou-me a reflectir e quase que nem olho para as árvores para que nunca me apareça virgem ou senhora nenhuma, pois isso daria cabo da minha vida..Iria parar a um convento, frio, haviam de escrever umas tretas e diziam que tinha sido eu, tinha de apanhar com algum papa incontinente no meio de cardeais a cheirarem a insenso e tabaco e a disfarçarem o mau hálito com pastilhas Valda palmadas nalguma farmácia, onde a dona nem se importaria pois era só uma caixinha de metal que um dia lhe podia abrir as portas do purgatório, tipo atrium de um hotel, enquanto se espera se o Visa ou o Masterceu seja validao para se viver com anjos toda a vida. Deixava de poder vestir Lacoste, não me autorizavam a andar com um hábito azul e branco a dizer Revigrés à frente e PT nas costas; Deixava de poder usar sapatos Sebago, e andava com umas sandálias que me acentuariam o meu pequeno joanete de estimação. Passaria a ter de ser sexualmente autónomo, poderia até dizer que era um habitante antigo de Santarem (que se chamava Punhete), e passava a olhar com olhos gulosos os rabos rosados dos outros frades, aguardando sempre que algum deles apanhasse o sabonete. Como normalmente enviam a malta que tem visões assim para as ordens piores e com menos recursos à disposição, iria receber um fato castanho ou branco com um capuz e uma corda a substituir o cinto, corda essa que tinha de levar um nó por cada pecado..Acho que comigo o que aconteceria era fazer nós no meu e no que puxa o balde do poço, pq estes tipos com a mania dos sacrifícios nem água quente tem...Da comida e da bebida talvez não me queixasse, pq sei que os conventos (e marés..era a palavra de ordem do Lopes) saõ locais onde reina a boa comida e boa bebida, embora sejam frequentes os gazes e os arrotos nas orações, e como tem poucas casas de banho talvez me obrigassem a ir ao unico objecto que eu detesto...o penico. e Depois qd morresse tinha fortes probabilidades de ter lá o Pópo com seguranças, a orar, milhares de tipas feias a visitarem o meu belo corpo e ainda por cima com escuteiros a fazerem-me vigília..POrra....Eu juro, mesmo que veja alguem, por muito parecida que seja com a Cindy Crawford em cima de uma árvore, vestida ou despida , eu nunca direi que vi o que quer que seja, senão tramo-me como se tramou a srª Lucia de Jesus dos Santos durante 80 anos...Sei que vai haver quem não goste...Paciencia, coma peixe cozido com couves galegas!!!
Fernando Pereira
__________________http://casadobrigadeiro.com.sapo.pt/
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Carlos Carranca

23 de fevereiro de 2005


e mais uma outra Posted by Hello

Tá dificil

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 23:02
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Conversas de Café
Mermão, a tua loira estupidamente gelada além de perversa dá sede. Por isso manda uma para aqui que eu derramo na goela num abrir e fechar de olhos. É verdade, porque hei-de eu vertê-la num abrir e fechar de olhos se eu bebo mesmo é com a boca? Coisas.Avilo, na confusão do silêncio de estar à beira do zulmarinho à noite, só com a luz da Lua, reflexo da cidade grande que fica lá no início dele mesmo, ouço os meus pensamentos como se estivesse a ouvir um som na alta fidelidade de ser infiel ao ouvido mouco. Me escuto e fico baralhado com tantas setas e chavetas que é a vida que às vezes apetece mesmo vivê-la sem pensar.Assim, avilo, lê-se, fala-se mas se esqueçe de escutar a razão que deve estar rouca porque não se ouve a voz dela.Olha, manda lá outra que isto hoje vai de mal a pior.Se calhar até não vai. O grau de exigência é que vai subindo exponecialmente com os cabelos brancos apanhados em rabo de cavalo, mas que não é marinho apesar de estar perto do zul.Um degrau de cada vez até à escadaria final.
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Carlos Carranca

Uma birra na cidade

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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22-02-2005 22:54
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Conversas de Café
Mermão, tu ai no início do zumarinho e eu acabado de chegar à cidade no fim do zulmarinho que é mais castanho que a castanha. Aqui, mermão, não vou molhar o pé nem respirar o ar dele, assim como assim fico aqui num portátil a te escrever estas letras e ouvir o vrummmmmmmmmm intrminável de carros que parece que nascem no virar da esquina. Pois é, mermão, venho terminar o que não comecei na passada semana. Coisas...Bem, mermão, vou-me agarrar a uma loira que desta vez sou eu que pago, pensar em parceiros para a sueca e esperar que o tempo passe para eu ir lá no fim do zulmarinho mais azul, porque está mais perto do início.Um abraço, mermão
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Carlos Carranca

Como vai ser, mermão

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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21-02-2005 17:26
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Conversas de Café
Senta, aqui um bocado, mermão. Cheira o perfume do zulmarinho, arrefece a alma com as lágrimas que ele chora quando bate nas rochas.E aproveita para pagar uma tantas loiras geladas, para lubrificar a minha goela e para gelar algumas mentes que hoje devem estar a ferver de ódio.De que te falo, mermão?!Então não sabes, mermão, que ontem no final deste zulmarinho choveu rosas, girassois e estrelas. e não havia nenhuma Rainha Santa Isabel a dizer que foi milagre?Pois é, mermão, hoje deve haver muita gastrite e coisas assim como azia, que nem sei se as geladinhas vão chegar. Guarda umas para mim, para eu poder ter a goela lubrificada para sorrir com a vontade de sorrir mesmo.
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Carlos Carranca


1971 - Huambo Posted by Hello

20 de fevereiro de 2005

Torcicolo do 9º andar

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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torcicolo Hoje, 18:24
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Conversas de Café
Senta só por aqui um pouco, mermão, e manda vir umas quantas para a gente olear a goela enquanto ouve esse som que sai da viola lá do 9º andar.Pensas que estou numa de sonhar?Te enganas, mermão. Ouve só com atenção. Desliga-te do murmulhar desse zulmarinho que te acaricia os pés e ouve com toda a atenção que o teu cérebro te deixa.Poi é, mermão, lá em no alto desse prédio estão quatro avilos nossos a beber, botar faladura, rir a bom rir e a ouvir o conterra Zito a dedilhar as seis cordas de uma viola. Não estou a sonhar, nem a delirar com as loiras que tu pagas e eu bebo. Pergunta só na mermã Ilda se o que te falo não tens a verdade toda de tua acreditares.Noite quente, jantar bom, amigos à volta. Paraíso.Olha só com o verde mar desse zulmarinho até que brilha.Pois que é assim mesmo como te conto que o que te conto não tem imaginação minha. Sonhos reais é o que é mesmo.Olha só como a conterra MC está assim como furibunda porque tem gente que fala e fala só para contrariar, para magoar. Essa gente precisava mesmo de vir perto desse zulmarinho e escutar o som que vem lá de um 9º andar do início dele e ver como as coisas são na realidade de ser.Olha só a conterra Lena a cantar com sua voz doce no ritmo desse mar. É o ritmo do lado de cá mas com sabor do lado de lá.Mermão, paga aí mais umas quantas, chama essa gente para vir na nossa volta e ajudar a sonhar com a Magia que foi criada do outro lado do zulmarinho.Paga a todos, mermão, umas loiras tropicais estupidamente geladas para lubrificar as goelas e refrescar as mentes.
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Carlos Carranca

Sentado no zulmarinho

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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19-02-2005 18:12
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Conversas de Café
Uma birra geladinha e vamos sentar ali mais perto di zulmarinho. Mesmo com os pés a quase tocar nele. Assim, mermão, vamos estar ainda mais perto do início dele, quase que sentimos o perfume que vem de lá, quase que sentimos o calor do alcatrão, quase que vemos o pica-pica, o mapundeiro a saltar para as ondas lá no início dele.Paga aí uma quantas para podermos ver esse sentir mais intenso, mais verdade no nosso corpo e alma. Anda, mermão, para e eternidade do sonho sonhado acordado.Mostra-me o teu sorriso, a tua alegria de ser um sonhador do início deste zulmarinho.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

18 de fevereiro de 2005

Te peço desculpas, mermão

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Uma desculpa, mermão Hoje, 14:47
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Conversas de Café
Te começo mesmo por pedir desculpa. Num sabes porquê, mas eu te vou dizer, mermão. Como sabes, avilo, fui na cidade, fui ver um mar de carros, de gente que corre com pressa de ir a lado nenhum porque nunca se chega a horas a lado algum. Fui em vão. Não, mermão, fui de carro mas nada fazer, já que na próxima semana tenho de voltar para fazer a mesma coisa, tudo porque um camba se esqueceu. Mesmo não parece nada de coisas deste final do zulmarinho, mas aconteceu. Portanto, mermão, ontem vim para junto do zulmarinho, me sentei na beira dele e fiquei na contemplação, assim como divindade e não calcei as botas para vir ter contigo. Só por isso te peço as desculpas, mermão. Um homem não é de pau e às vezes precisa mesmo de ficar assim em contemplação com ele mesmo. Manda lá vir a loira de ontem que marcha com as de hoje e não ficamos em dívida.Mermão, fui dando os primeiros passos dentro do zulmarinho para ficar mais perto mesmo de ti. Parece que a viabilidade, palavra que deve vir num dicionário qualquer, vai ter que ser mesmo pertinho de ti e não lá no início do zulmarinho como eu magicamente estou a sonhar. Ou então perto das acácias, que sei que vão ficar em flôr quando me virem a recolher as suas sombras.Mermão, mas às vezes parece que cada passo dado em frente recuo dois ou três. Bebo outra, mermão para ver se perco este sentimento de distância que não é constância, mas antes pelo contrário.O que me vale mesmo, mermão, são as gotas lacrimejantes, o cheiro a marzia e o azul deste zulmarinho que me trás em cada onda um abraço teu.
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Carlos Carranca

Hoje te escrevo uma carta

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Uma carta 16-02-2005 23:35
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Conversas de Café
Mermão, hoje não tenho o previlégio de me sentar ao teu lado, sentir o perfume do zulmarinho, receber os salpicos salgados das lágrimas que brotam das ondas desse zulmarinho.Mermão, hoje tive que vir para a cidade, a capital construida em muitos lados por dinheiros recolhidos sei lá como aí nos inícios desse zulmarinho. Sabes, mermão, que hoje não te acompanho nas birras. Hoje me fico apenas no chá de capim quentinho que trouxe no bolso do fato. Sim, mermão, me leste bem, no fato. Sabes, mermão que há por aí uns loucos que me puzeram a fazer de juri no exame final da oficialização de navalhar outro ser sem se ser preso. Sabes que a minha aculturação tem destas coisas, mermão. Vão ser dois dias em que estarei a espremer os saberes de outros dois e depois ainda tenho de dicidir se lhes deixo usar a faquita. São coisas deste mundo, mermão.Mas te digo outra coisa espantosa que não vais acreditar, mas sei que acreditas porque sou eu que tas digo. Vindo de longe, fim de tarde, trânsito que parece mais inferno que cidade, semi perdido no mar de carros vejo duas chapas, uma que veio de Macau e outra daqui mesmo. Sabes como é. Houve logo gritaria de passeio para a estrada que é rua. 'Vais fazer exame à próstata?' foi a última cisa que ouvi. Mariquita sorriu e sinal verde, buzinas a tocar e se ficou a conversa por aqui.Bem mermão, vou acabar o chá antes que arrefeça.Fica bem e cuida do azul desse zulmarinho do meu magicamento.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Hoje apetece-me meditar

Hoje apetece-me meditar.
Vou meditar no que não gosto.
Não gosto que haja eletrecista que não saibam dar à luz.
Não gosto dos que prometem e não cumprem.
Não gosto dos que fazem esforço para serem uns gajos porreiros mas não conseguem deixar de ser o que realmente são; sacanas.
Hoje apetece-me meditar.
Medito no que não gosto dos que pensam que são reis porque só o seu pensar é real. Tudo o resto é imaginação, não existe.
Não gosto de me deitar com peso na consciência por isso medito sobre a ciência, sobre a verdade de ser o que realmente sou, sem rodeios, figas ou truques de subconsciência. Não recalco pecados.
Não gosto de estar aqui e por isso: fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

15 de fevereiro de 2005


Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada... Posted by Hello

Hoje me sentei aqui, originalmente aqui e por aqui vou ficar.
Me afastei ao ler um tal que tem nome de praia que até agora a praia ficou feia para mim. E depois vem outro lá da serra a grita viva e outra que quer ser mais papista que o papa, todos a darem no bolorento do sal com azar que até cego fica com raiva se volta a ver. É vê-los a todos de camisa verde escura e calçanitos castanhos e cinto de cabedal a parecer cordeirinhos a marchar. E sentem-se felizes.
Mas felizmente que os leios esporadicamente para vos poder escrever o que vos estou a escrever. Certo que nem mosca na sopa era estar doido se lhes lesse tudo.
Só é macho mesmo quem andou sozinho no mato, quem bebeu água da possilga, quem, quem. Mas é de doidos. Se se embrulhassem em papel higiénico ainda iam parecer que tinham acordado num pirâmide lá dos egiptos milenares.
Me afasto devagarmente com a tristeza estampada no rosto por ver um site que podia ser de futuro, invadido pelo passado retrogrado e mais, pelo desejo solene de querer que o futuro não exista, imaginando que depois deles terem passado o terreno por eles pisado deixou de existir.
Nem o Velho do Restelo.

Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Deixo aqui uma site que deve ser visitado:
http://www.culturalunda-tchokwe.com/

Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Nesse calor do lado de lá

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:26
Forum:
Conversas de Café
Me deixa sentar nesse calorzinho que tem aí desse lado da linha recta que é curva.Mermã, bebe chá de cachinde, de capim ou principe, que te acompanho mesmo com as minhas loiras a ferver de geladas.Senta tu aí também, mermão, que num és da Lua mas que tás sentado na terra dela, essa que faz parte da nossa namorada toda ela grande que tem gente que ainda não viu, que até pensa que ela mingou.Senta aí, mermã, com teus poemas e trás o nosso Mágico para ver a alegria estampada no rosto do futuro que se adivinha brilhante.Sentem-se mas paguem as loiras que eu beber ao lado desse nosso zulmarinho que trás os salpicos desde lá do início dele. Conterra, trás um pouco da areia do deserto para aquecer a esplanada, não esquecendo que essa areia a gente devolve porque ela só tem vida lá mesmo no sítio dela.Agora vos digo, avilos, que passo aqui, passo ali, devagarzinho que nem caracol, mas passo firme e seguro que nem elefante, o início do zulmarinho está a ficar mais perto, quase ao virar da esquina. Mas notem bem, mermãos, que não vou ficar com os cabelos da cor do sal sentado na espera.Um cheiro desse zulmarinho e já está quase que nem lá.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Tremoço

Num fio em que se fala da vantagem do tremoço quer na Diabetes, quer na Gota. Eu e a minha experiência dá nisto:

"Fio": Tremoços e coluna

carranca
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A minha experiência e o tremoço Hoje, 11:15
Forum: Conversas de Café
Um caso real, aquele que aqui conto. Toda a minha experiência 'científica' sobre o Tremoço, o marisco preferido de muitos, e por acaso também gosto apesar de me provocar obstipação, está neste pequeno relato:JSP, 75 anos de idade, diabético sem medicação - comia tremoços, melhor, engolia tremoços. Recorreu ao Serviço de Urgência por quadro de oclusão intestinal - paragem de emissão de gases e fezes. Ou seja, para resumir - um caso para operar. Causa? Depois de aberto logo se veria. E assim foi. Neoplasia do colon esquerdo - sigmoide. Operação: sigmoidectomia, com colostomia à pele devido à dilatação do colon. o que impedia de fazer a reconstrução. Aberta a colostomia que estava ali? Uma boa dose de tremoços completamente inteiros, situação que 'entupiu' o pequeno canal deixado pela neoplasia. Passados 5 anos ainda está vivo.Moral: foi salvo pelo Tremoço, pois a sua doença nunca lhe havia dado qualquer sinal e se não tivesse sido um entupimento tremoceiro...
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

uma birra na viagem

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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14-02-2005 19:38
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Mermão, me encharco delas, geladas, escorrendo pela goela num dia que inventaram ser dos namorados (e eu com tantas que nem sei por onde começar), por isso bebo para te dizer que Namorada só tenho mesmo uma, aquela que está lá no início deste zulamrinho que geladamente te salpica quando quer acariciar a areia fina que não é igual há de lá do início dele.Sabes, mermão, todo o dia passo a pensar nela e de noite só não penso nela porque sonho mesmo com ela. Mermão, se não fossem essas birras geladas que pagas para eu poder ter a goela lubrificada não sei mesmo como seria a minha vida. Estava decerto num ar cinzento, de costas curvadas com a responsabilidadede ser um outro que não eu. Mermão, hoje, como ontem e como será amanhã, é mesmo o dia dela, do início do zulmarinho do nosso magicamento.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

13 de fevereiro de 2005


Um grande abraço meu amigo, mermão. (foto retirada de http://spaces.msn.com/members/manecassr/PersonalSpace.aspx?_c01_photoalbum=showdefault&_c=photoalbum&_c02_owner=1) Posted by Hello


Lá linha recta que é curva... Posted by Hello

Uma loira qualquer

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:15
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Avilo, senta aqui comigo enquanto lá no início do zulmarinho estão os nossos amigos sentados à volta de uma 'fogueira' esperando a gente. Vamos verter dentro das goelas aquelas que a gente aguentar até os nervos ficarem soltos, mas sem perderem o norte que nos fica a sul.Senta aqui a sentir o perfume desse zulmarinho que trás o cheiro da calema do início dele, a cor castanha das águas que descem da serra e o chamamento de união para construir rumo de futuro,Senta, avilo, e bebamos sem parar de magiar nos sonhos de que o dia D está proximo para estarmos todos juntos na mesma fogueira, que se estende até ao planalto num mar de terra sem fim na vista.Senta, mermão, e vê com olhos de ver a linha recta que é curva a aproximar os sonhos e trazer a vontade de ter de novo o sorriso de ser gente da terra.Senta, mermão, enquanto faços os telefonemas todos, escrevo as mil cartas, envio os N mails, e me encho de vontade de apanhar a primeira canoa rumo ao início desse zulmarinho.Senta, mermão que os passos podem ser pequenos, demorados mas a luz se acende num tunel qualquer, nem que seja num tonel de malvas e zarpa-se qual Zarco em busca de terra firme e sem os acidentes do curso de um rio revolto na revolução dos sonhos.Senta, mermão e vamos beber até que a goela esteja assim como luzidia de limpa.Senta, mermão e vê o ondular desse zulmarinho que parece está a dizer: VEM.
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Carlos Carranca

Karipas

Uma carta escrita, ve-se logo que por um gajo da cidade. Esses manjos da cidade são mesmo levados do complexo. Penso eu, sei lá!
Vcs, a maioria, que são do mato...Podem explicar-me uma coisa... Pq é que as Welbitchas estão num parque natural que se chama Iona??? Eu não gostaria que me chamassem Wellbitcha em determinados locais...Esta sanzala agora entro definitivamente na era do sexo virtual... O Parque nacional de Iona é limitado por um rio que tem um nome complicado...Cunene...Como com 3 palavras apenas se faz um fio sobre sexo... E se aparecer aí o Nóbrega traz o Cuangar, o Cuanhama, o Cubango, o Cuando, o Cuango, enfim tudo que é regado...por água em Angola (ou quase tudo) começa inevitávelmente por um C..u... Queremos aplaudir as novas autoridades angolanas que num esforço de modernidade ...alteraram o c , pelo K e o u pelo W...No tempo colonial era Cuando, agora é Kwando...Agora welbitcha?? Possa...é uma planta com forte componente homófóbica...O sul de Angola sempre foi um lugar interessante...É o unico lugar de Angola onde invariávelmente todas as pessoas sabem o horário do avião para Luanda...Negligenciam um conjunto de coisas, mas procurarem saber a que horas há avião para Luanda, é que sabem sempre...Eu rio-me um pouco...De facto o destino é mau...Quem se lembra de colocar o Ermitrage em S. Petersburgo (Por acaso prefiro a designação de Leninegrado ) qd a Matala tinha melhores condições...São coisas...Tenho lido um pouco da sanzala...e tenho escrito por lá pouco...porque houve uns qtos que disseram que deixavam de escrever e dum momento para o outro são os que mais escrevem...Deve ser um problema de disléxia...Depois vão desenterrar textos...Qualquer dia estamos a discutir se na barba do Gama havia piolhos ou chatos, tendo em conta que a barba alta do Gama, comunicava com as barbas baixas do próximo...Mas sobre esse assunto, prefiro não penetrar senão a determinada altura ainda me vejo embaraçado pois de "parasitologia" percebo pouco ou nada, daí o meu silencio qd se quer prolongar a discussão entre piolhos e chatos...Recuso-me mesmo a continuar e o mais engraçado é que são alguns desses que teimam em abordar a crise do 69, ou mesmo chacis de automóveis, que já entraram para os clássicos pois são robustos e atacam qualquer picada com desenvoltura à mínima insuinização (não sei se está bem escrito) de quem pensa neles....Vou-me ficar por aqui não vá a caneta do porco-espinho enfiar-se no olho, que pelos vistos é o tema recorrente na sanzala...Quem leva, pq leva, vai mandar pq leva ou leva pq o mandam...Desentendo....Um abraçoFernando Pereira
__________________
http://casadobrigadeiro.com.sapo.pt/
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Carlos Carranca

12 de fevereiro de 2005


Esperando que o caminho assim seja mais curto e fácil Posted by Hello

Regressado

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 19:52
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Mermão, estou de volta. Reparei que não fiz falta porque estiveste sempre em boa companhia, estiveste mesmo com gente de bué de estrelas a te contar as estórias que fiquei por contar.Mas, camba, não estive neste esplanada mas estive noutra onde o tico e o teco estiveram a saborear o ar frio de sol brilhante, e te digo que lá mesmo as loiras não faltaram na minha volta. Diziam outras letras mas o sabor era o mesmo.Faz de conta, mermão, que estive mais perto do céu para poder ver mais longe essa linha recta que é curva e assim ver que o início do zulmarinho fica mesmo ali ao virar da esquina.Mas agora, mermão estou de volta, para estar sempre contigo, tu a pagares as birras loiras e eu a te enrolar nas estórias que não invento, mas não sei se aconteceram. Por enquanto, mermão, vou parecendo o zorro mas assim como que ao contrário, mas depois, mermão, com o sol daqui vou ficar que nem copo de leite de corpo inteiro.Bem, mermão, hoje foi só para te dizer que voltei, e para saborear uma loira em tua companhia
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Carlos Carranca


Sentado na esplanada perto do céu a ver se o início do zulmarinho fica ao virar da esquina. Me tiraram a loira da frente mas deixaram o nome dela nas cadeiras para eu não esquecer Posted by Hello

4 de fevereiro de 2005

Uma carta recebida

Uma carta que recebi, sem ser em papel, trazia o perfume da marzia do início do zulmarinho.
Amanhã é feriado do "inicio da luta armada", temos então um fim de semana prolongado... vou-te contar como a cidade se agita em compras para descerem no que chamam "a nossa praia" (sabes de quem estou a falar né?) e que fica na nossa zona!! Tás na rua tás ouvir «não vais descer amanhã pra Baía?» . estão nas lojas todas!! Compram galinha viva e amarram fita de côr na pata (levam as que só têm duas para não chocar o pessoal da nossa terra, porque aqui na banda deles também têm galinha de 3 patas) a côr identifica se a galinha é do X ou do Y para não haver discussão de praia . assim se a galinha de fita verde puser ovo não adianta só a mana da galinha de fita vermelha dizer que o ovo é dela. Muita birra para não ter mêdo daquela água toda junta.Tás lá mas desconsegues ouvir as ondas do zulmarinho! è panela de pressão que tem feijão ou cabrito que apita , é Roberta Miranda que toca num Rav4 e kizomba que toca noutro . è mãe que grita na criança "não vaias na água e sai do sol", é juventude que se entusiasma com tanta areia junta e faz rally.... são barcos que de longe não se vê bem de quem são, então trazem mesmo na costa para lhes olharmos ... xê conterra ir na tal praia que dizem é deles, é muita confusão e pouca praia mesmo.Vou mesmo na nossa cidade que lá eles vão só para o «reabastecimento»... vou estar no inicio do zulmarinho e vou falar-lhe de ti deixando esse teu amor por ele e a capacidade de repartires e sentires com todos. Ele vai te levar o agradecimento , a solidariedade e o consolo por o teres aí na volta que dá ...
Joka
assinado por quem me gosta muito e de quem eu gosto bué.
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Carlos Carranca


2ª fila, as 3 primeiras cadeiras sempre estiveram marcadas...mas nunca lá foi de biquini azul. Posted by Hello

Quem sou?

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:22
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citação:
Hoje vou propor-te uma pergunta bem simples.

Quem és tu, na realidade, amigo?

Já agarrei a loira birra gelada. Sento-me de frente ao zulmarinho como que a lhe olhar nos olhos, à procura de ver nele o reflexo de mim e te descrever. Desconheço se a pergunta é mesmo para este teu avilo, porém todavia, ou não via nada, te vou responder mesmo que sou. Nada! Um pequeno atomo de uma molécula - a menor porção de uma substância. Um grão de areia do deserto que fica lá no início deste zulmarinho que teima em refletir uma imagem ondulante, serena e por vezes fria. Sou um zulmarinauta que tenta navegar nesse mar até chegar mesmo lá para além da linha curva que parece recta e que chamam de horizonte, sobre a qual existe uma horizontalidade que é o chão que eu queria estar com o pé em cima.Bebendo outra, mais gelada que a primeira, debruçado sobre a marzia - perfume emanado desse zulmarinho que navega desde o início dele até às minhas sensíveis narinas, te digo que sou um artraunata que tenta viajar no espaço defenido do sonho acordado qual criança que quer ser bombeiro ou trapezista.Bebendo ainda outra, refrescando o cérebro e lubrificando a goela, te digo que sou ninguém, porem não romeiro, não cruzado, não aventureiro, simplesmente tento ser Eu, palavra sem consoantes, vogais apenas, o que me torna um vogal de um conselho de administração sem administrador.Aproveitando as ondas do zulmarinho, te re-digo que sou uma molécula de amor, o verdadeiro sentido das palavras... Amor - Palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas . Te digo, por ser mais fácil, que não sou Advogado - pessoa que te escreve um documento de 10.000 palavras e que designa de 'sumario', nem Psicólogo - pessoa que olha para todos os outros quando uma mulher atraente entra na sala ; nem tenho abuso de Confiança - salvo conduto que se dá a uma pessoa para que cometa uma série de parvoices . Assim, mermã, descobre nas linhas e nas entrelinhas quem sou. Mas tem cuidado não vai vir comboio, nem ao telefone elas se cruzem.VOU DE FÉRIAS - AGUENTEM-SE!
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Carlos Carranca

Falando de Suicídio

"Fio": Temas diversos

carranca
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Suicídio Hoje, 14:19
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A maioria das pessoas não gosta de falar ou mesmo ouvir falar sobre o suicídio. O apego à vida é natural em quase toda a gente. As pessoas desejam viver e ter saúde. Desejar a morte e agir pondo em causa a própria vida é estranho e pouco ou nada compreensível para a esmagadora maioria das pessoas. E, no entanto, é importante conhecer o problema do suicídio, de modo a ajudar a prevenir essa trágica situação.Desde logo é preciso tomar consciência de que na maioria dos casos as ideias de suicídio e o suicídio são uma manifestação de várias doenças psíquicas, e muito em especial da depressão. Quem tenha passado por uma crise depressiva sabe muito bem o sofrimento, as tormentas que atravessou, mesmo que outros não possam entender a doença do desespero, do desinteresse, da fraqueza, da angústia, da culpa, do desapego à existência, do desespero máximo, que pode culminar no suicídio.Alguém que sofre ou tenha sofrido uma depressão grave sabe bem que os sentimentos de desespero e as ideias de suicídio são os sintomas mais assustadores. Resiste-se que em comparação com uma grave doença física, é precisa mais coragem para enfrentar e vencer o sofrimento psíquico de uma grave depressão. Há necessidade de 'lutar' com uma força invisível, não palpável e portanto não 'removivel'.Nada de mais errado do que uma atitude fatalista, infelizmente tão vulgar na opinião pública: «aconteceu porque tinha de acontecer...» Muitos pensam que o suicídio é uma livre escolha da pessoa, uma manifestação da sua autonomia. Erradíssimo! O suicídio é , em geral, a expressão final de um estado psíquico de limitação da liberdade, produzido a maioria das vezes por uma doença que é possível tratar.(continuarei um dia se...)
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Carlos Carranca


Neste ecran vi filmes, imaginei cenas. Nas cadeiras deste Cinema tive boas companhias. Posted by Hello

3 de fevereiro de 2005

Recebi uma carta

"Fio": Um café na Esplanada
carranca
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Hoje, 18:51
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Mermã, conterra, avilo, mermão, camba, sentem só por aí na escuta das ondas desse zulmarinho, no balancé do seu vai que não vem, tímido e ao mesmo tempo temerário.Paga uma cada um e eu bebo e vos falo das coisas que me vão na alma que nem está asim nem calma, nem assada.Hoje recebi uma carta. Umacarta que não veio em papel, mas tinha o perfume do início desse zulmarinho, tinha o pica-pica, tinha a areia da praia nem grossa nem fina, só areia como deve que ser porque praia só tem mesmo uma que é essa e mais nenhuma. Não, cambas, quem me escreveu não estava lá, estava só mesmo a preparar as coisas para dar o salto de uns dias na Baía, na colónia balnear, mesmo. Me conta nela os preparativos, que vai desde a panela de pressão até que nem kizomba, onde os que vão na Baía vão mesmo só para a desinfecção anual nas águas do início deste zulmarinho. Me contou tanta coisa que se vos contar vocês vão ficar que nem de boca aberta à espera de navegar nesse mar até que só lá vão parar.Amanhã, que é feriado. Pois é, deslembraste? Vão descer a a grande Serra e vão ficar ali mesmo com os pés dentro da a´gua do zulmarinho, lá no início dele.Nessa carta, camba, eu vejo que foi escrita com amor para quem ama o cheiro da areia quente, o ai que ui de andar descalço na areia doirada do desert mais velho que nem o mundo.Nessa carta, que vos tenho estado a recitar, encontro o mapa do tesouro, que fez que nem meu coração bater mais rápido que o comboio quando sobe a Chela.Cambas, deixem-me beber as minhas loiras, que está a sair água desse zulmarinho pelo canto dos meus olhos, e não posso desidratar que ainda tenho uma vida para sonhar.Amanhã é feriado e tal como quem estou a pensar eu também vou dar de frosques por uns dias. Sim, cambas, a minha cabeça às vezes precisa arrefecer e vai estar uns diasitos, assim que vocês nem vão dãr por eles, a banhos. Não imaginem que não é verdade. Não vou estar no início desse zulmarinho, vou só para um sítio mais perto do céu para poder ver mais longe, para lá da linha curva que parece recta.
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Carlos Carranca


Uma paralela... Posted by Hello

2 de fevereiro de 2005


Um liceu que deu grandes frutos. EU! Posted by Hello

Comboio de palavras

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Avilos Hoje, 19:02
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De sorriso nos beiços vos convido a sentar e pagar as loiras geladas que eu beber.Avilo, olha a beleza dessa ondulação arritmada deste nosso zulmarinho, que no seu vai e vem nos enche de música que se espraia na alma, traduzindo limpidez de imagem cerebral. Sentados aqui, na berma do zulmarinho que deve estar mais gelado que as birras que me dão, sentimos o pulsar do mundo, a fluidez dos pensamentos a serem pensados à velocidade do mc ao quadrado, ao mesmo tempo que sentimos a paz do interior num batuque de sentimentos puros.Paguem que eu bebo e vos faço nevegar onde é preciso. Sonhos, risos e sorrisos, infantis, adultos. Sonhos que nos transportam ao início deste zulmarinho, ao cheiro da terra molhada, ao pó da picada rasgada na mata anárquica da natureza humana, ao deserto mais velho e cada dia mais belo, ao rio traiçoeiro, à lagoa primitiva. Sonho acordado sem acordo de ninguém. Bebo uma birra gelada, agarrado à garrafa num equilíbrio imperfeito do ficar fora derramando para dentro.Pois é, avilo, não enlouqueci. Apetece mesmo é sonhar, misturar o passado com o presente de modo a ver o futuro e trepar nele como se fosse liana. Sentem-se avilos, e naveguem comigo nesse sonho de orgia mental, parágrafo de imprecisões, exclamação de perfeições. Bebo porque espero o futuro.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

1 de fevereiro de 2005


O zulmarinho é capaz de tanta beleza que nos leva ao sonho Posted by Hello


A Esquina mais polémica de Luanda. Mas acho que foi antes de terem criado a 4 L. Sei lá, só sou eu a pensar. Os gajos da cidade deviam comprar mais livros para alugar aos do mato... Posted by Hello

Senta-te e escuta

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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senta e me escuta Hoje, 10:20
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Senta aí, mermão, manda vir umas quantas para mim, e me escuta com toda a atenção que tens. Se não tens inventa que eu hoje estou mesmo que precisado de falar contigo. Já sei que me vais dizer, mermão, que jé te bastam os teus problemas, etc e tal, e que não queres saber de mais. Pois é, mermão, mas hoje tens de ter a paciência para ouvir, calar e pagar as que eu derramar para afogar o corpo, a alma e tudo o mais que possa afogar.Ontem, mermão, não tive tempo de estar aqui o meu segundo contigo. Falhei e não tive mesmo um segundo para saborear o perfume que brota desse zulmarinho do meu contentamento.Mas, avilo, como sabes amigos a gente não escolher por escolher, acontece, a empatia e essas coisas todas que vem nos livros nos fazem gostar mais deuns que de outros. Assim nasce a amizade e tu ficaste meu sem nenhum dos dois saber ler nem escrever. Aconteceu. Mermão, a nossa amizade te trouxe até quase que na família, por isso tens mesmo que me ouvir.Camba, estive 24 horas a dar ali no físico e no intelecto e acabo esse tempo te posso dizer que foi dia não para mim. Só faltou mesmo o céu cair, esse zulmarinho afogar-me. 24 horas depois saio com a sensação que não foi feito nada. Custa mesmo, mermão ver 49 pessoas, dos 20 aos 92 anos, estendidos num corredor onde faltou só nevar, deitados na macas, sem privacidade, sem dignidade, sem ter tempo para mostar um sorriso, dar uma palavra amiga, senti-los. Mermão, ontem que acabou à pouco, foi para mim um fim do mundo. E nota, mermão que não era eu que estava deitado.Manda vir mais umas muitas porque preciso mesmo afogar-me.Pois é, mermão, custa mesmo muito ver um fim do mundo acontecer num corredor gelado, de temperatura e calor humano, porque um homem não é de pau. Tem dias mesmo que eu não devia ter acordado, e te digo, mermão, ontem foi esse dia. E sabes, mermão, não tive a capacidade de dar a volta na coisa, não consegui parar a desumanização, não consegui minorar um sofrimento porque logo outro era criado.Deixa-me aqui a afogar-me com a vista desse zulmarinho gelado que me faz deslizar o pensamento se já estás farto de me ouvir. Pronto, avilo, sei que amanhã recupero e podemos falar de sonhos e imaginações, mas hoje estou mesmo saido do inferno, queimado por mim e raivado em mim.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca


WebJCP | Abril 2007