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A Minha Sanzala: Caminhos (6) - descaminho-me hoje
recomeça o futuro sem esquecer o passado

2 de julho de 2007

Caminhos (6) - descaminho-me hoje

Me sento por aqui, saboreando o doce perfume salgado do zulmarinho que me vem bater aos pés como carícias.
Olho em frente e ponho-me ao caminho das palavras. Cansar-me-ei um dia, mas até esse dia eu dou os meus passos em frases feitas e faladas.
Como que palavra mesmo é que hoje vou começar?
Charmoso! É um começo sim senhor.
Elegante, inteligente, instruído, gentil, atractivo, prudente, fascinante, carinhoso, alegre, nostálgico, arrogante, simpático, amável, e outras tantas coisas que me vêem assim à cabeça. Não. Não me apetece começar por nenhuma dessas.
Vulgar, ignorante, irreflectido, inconsciente, triste, grosseiro, insignificante, repulsivo, desagradável, inaguentável, anónimo.
Desculpa-me, a sério, não ser um campeão e não começar por nenhuma destas palavras. Sinto muito. Sou humano e tenho limites.
Morte!
Mesmo sendo um fim é um começo. É pelo fim que hoje te começo a caminhar pelas palavras. Estamos sempre a ouvir que a morte é injusta e assumimos isso como uma verdade absoluta. Me desculpa que te diga que a morte é o único acto da vida em que a justiça existe. A Morte é a única que a todos trata por igual, sem importância do sexo, religião, raça, ou dinheiro. E falando em justiça me lembro que a morte é muito mais justa que a vida. A Vida não nos quer por igual.
Afinal de contas onde está a arbitrariedade, na vida que nos é infiel ou na morte que nos iguala?É mesmo melhor hoje descaminhar aqui sentado sem abrir a boca

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007