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A Minha Sanzala: Hoje sou memória
recomeça o futuro sem esquecer o passado

6 de julho de 2007

Hoje sou memória

Caminho sentado sobre palavras e pensamentos, numa salada de coisas boas que o tempo me foi deixando como reserva. Viajo na memória, de memória. Desnecessito cábula, sebenta amarelecida no tempo, ponto soprando em voz ciciada. É essa reserva mesmo que me ajuda a dar os passos que dou, a olhar o amanhã com um sorriso, a me sentir uma sombra embebido de sol.
Já houve tempo que eu pensei era uma cidade sem nome, uma rua deserta, uma porta perdida. Já houve tempos que eu suspeitava que era portador de passos cegos, mãos vazias de promessas secas. Já houve tempo que eu pensei era um coração perdido assim como uma flor sem jarra.
Hoje assim de memória sei que sou uma chave. Não me lembro mesmo é de qual é que é porta.
Mas eu sei, também de memória, que a porta está mais ou menos aqui, no labirinto da vida, num sinal luminoso que se calhar ainda não acendeu, na curva duma estrada que se calhar ainda não foi feita. Mas está que eu sei, de memória, que está.
Assim como eu sei, de memória, as estórias que eu contava-me ao pé das gazelas de bronze, das horas a que o boca de sapo dourado passava e eu me mostrava para que fosse visto, dos amigos que em troca de um café ficávamos horas a falar de coisas e tantas assim de coisas nenhumas.
Por isso eu sei, de memória, que o teu sorriso se abriu agora quando me ouviste falar as palavras que me saem da memória.
De memória eu sei que te vou voltar a encontrar, mais dia menos ano que o tempo não apaga a memória.



Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007