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A Minha Sanzala: Novembro 2013
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de novembro de 2013

palavras cruzadas

Porque penso? Porque teimo em deixar palavras dispersas por aí? Porque insisto em buscar sentimentos, idolatrar nostalgias ou choramingar saudades? Porque me perto em letras, silabas e palavras?
Não há charme que resista à inconveniência das palavras simples, mal escritas, mal desenhadas, mal colocadas. Insisto na busca da perfeição, na frase filosofal da minha vida, na pedra charneira dum rumo desenhado ao acaso na anarquia dum destino. Tudo palavras! Às vezes imperceptíveis e outras tantas loucamente desvairadas.
Porque penso?
Sou um erro ortográfico duma cópia da primária. Uma redacção por escrever ou uma fórmula matemática por resolver.
Palavra puxa palavra e me perco no desejo de ter um gosto que goste e consiga dizer. 
Gosto de ti. Simples e directo. Gaguejo no pensamento e corei na alma. Simples e verdadeiro.
Palavras. Apenas palavras das paginas simples dum dicionário não ilustrado.
Porque penso? Insisto! Porque o amor é para sempre até ao momento em que deixa de o ser? 
Desenho palavras porque não sei desenhar desenhos de verdade. E palavras sei? Tento. Chorar sei? Choro. 
Palavra que só estou a tentar aprender a escrever uma alma penada, panada ou peneirada na rede fina da vida, como um destino fatal abraçado a um instinto final.


Sanzalando

29 de novembro de 2013

Palavra as palavras

Troco palavras como quem troca cromos. Tenho tantas frases repetidas, tantas ideias sonhadas, tantos sonhos apagados, tantas coisas que as palavras não sabem nem dizer. Devem ser palavras com letras mudas ou mesmo mortas. Se eu soubesse mais palavras que as palavras simples talvez eu não as trocasse, talvez eu as coleccionasse numa grande caixa de sapatos, bem catalogadas, com fitinhas a separar que podiam, ser virgulas ou uma ou outra interrogação.
Troco palavras como se fosse disléxico, de ideias e conceitos, formas e preconceitos. Eu podia arranjar palavras para dizer que já vi muito amor virtual mais verdadeiro que o real. E segurava as palavras mais como? Em base em quê? Na forma de quê?
Palavras que me confundem na fusão de frases, parágrafos e outras formas que tais. 
Eu olhei-a e tive um ataque no coração. Ela só pode ser coisas ruim pois coisa boa não faz nem metade disso. Faz só assim um corar e ter risinho de parvo. Junto palavras para tentar dizer coisas, para ver se consigo descrever sentires. Mas as palavras são tão poucas e ainda por cima as troco.


Sanzalando

28 de novembro de 2013

FLOAT down

Sanzalando

sentimento, palavra

Olhei para todas as palavras que um dia eu possa ter escrito. Contei uma a uma e desisti às tantas porque a palavra que mais devo ter escrito era a que se lê: sentimentos. Assim mesmo, sentimento! Foi aí nesse instante que eu dei comigo a dizer que o humano não pode ter saudade do que nunca teve. Olhei em frente e fiz a cara de maior espanto e deduzi que deve ser loucura sentir alguma coisa do que não se teve. Se não teve não perdeu, portanto esse tal de sentimento saudade e absurdo. Maior espanto ainda acabei por fazer depois ao pensar que eu tinha pensado tanto.
Voltei às palavras mas o pensamento ficou a esmurrar no dilema e a dizer que à noite ia ficar sem sono a tentar perceber essa minha descoberta. Como posso sentir alguma coisa que não sendo minha eu nunca posso saber quando a perdi porque não a perdi de facto? Compliquei-me, disse em voz alta já saturado de mim. É o mesmo que eu sentir falta do futuro. Como posso sentir falta dessa coisa que eu não sei se existe ainda?
Acho que nunca pensei tanto como penso agora por causa da palavra sentimento.
Eu não tenho sentimentos, eu quero dormir à noite.
Eu posso ter saudade do que nunca tive, porque essa coisa que nunca tive ao certo já me teve a mim.
Virei para o lado e adormeci.


Sanzalando

27 de novembro de 2013

As plavras da vida

Vou alinhando as palavras tentando descobrir o sentido da vida. Alinho-as por fases como se eu fosse a lua estando agora num talvez quarto crescente. Eu sei que elas não têm a cor do luar nem são enfeitadas por cintilantes estrelas. Mas são as minhas palavras, com as que quero um dia, depois de aprender, escrever a vida, sabendo que esta é feita por momentos, os que passamos a rir ou a chorar e que fazem parte de todo o nosso crescimento, amadurecimento e se calhar endurecimento.
Alinho as palavras simples, as que uso no dia a dia, sem canteiros de flor ou outros floreados, porque o que eu não quero 'e esquecer que nesta vida nada é por acaso. Absolutamente nada.
Eu sei que nem sempre ela segue o caminho que eu tinha vontade de seguir. Por isso ela não é perfeita ou eu ainda não encontrei as palavras certas para a escrever

Sanzalando

26 de novembro de 2013

tentar eu tento

Tento ler cada palavra que penso, num modo de não dar erros de imaginação ou ter interpretações rasuradas. Custa apagar a primeira impressão, mesmo que as tintas não sejam à base de chumbo ou coisa que lhes valha, quando gravadas na memória. É só mesmo necessário abrir os olhos e perceber que dentro de nós estão armazenadas também coisas boas, existem prateleiras cujos arquivos sentimentais não precisam de motivo nem os desejos de razão.
Tento ver onde pára a felicidade, se em palavras, se em acções ou qualquer outra estação onde o bilhete me possa levar lendo nas linhas que o descarrilamento seria mero acidente e coisa rara nos tempos de hoje.
Tento ver em cada palavra se não há rancor, dor ou outra coisa pior que não amor. Tento seguir em frente porque sou fraco, fraco o bastante para não conseguir ter ódio dentro de mim.
Tento ler as palavras que não escrevi com medo de chorar amores perfeitos que murcharam num jardim de primavera.
Tento ver as letras de cada palavra e ver se existe uma estação que se chame AMOR. 
Paixão, ódio, saudade, sexo, ajuntamento, casamento, desejo, ganância, são afinal comboios que param na mesma estação.
Tento ver se existe um apeadeiro que não tenha mapa, nem linha, nem erros de imaginação, nem leve a interpretações rasuradas ou mesmo apagadas por uma borracha de má qualidade.
Tento apagar da memória as palavras tatuadas por agulhas imperfeitas de mau feitio.



Sanzalando

25 de novembro de 2013

Reflexões facebookianas (29)

A saudade é tanta que ela não bate, espanca. JCCarranca reflectindo enquanto arruma a roupa de verão

Ansiar por amanhã é uma forma de nostalgia. JCCarranca reflectindo enquanto acende a lareira

Entre o pensamento e a responsabilidade escolhi ambos. JCCarranca reflectindo enquanto sonha com bruxas

Tenho alturas que me apetece fazer o tempo voltar para trás e apagar tanta tristeza, mas tenho medo de apagar também muita alegria. JCCarranca reflectindo enquanto olha para o mapa das constelações

Tudo acontece no tempo certo. JCCarranca reflectindo em que dia está

Sintro o trinar da guitarra enquanto lacrimejo saudade de amor. JCCarranca reflectindo enquanto revê o ar dos pneus da bicicleta

A leveza do pensamento deixa-me tranquilo. JCCarranca reflectindo enquanto saboreia um leitão assado no forno

Eu devia ter nascido do avesso. São tão bom no intímo. JCCarranca reflectindo enquanto faz o almoço

Sempre ouvi que devemos amar o próximo. JCCarranca refectindo porque o anterior não deu certo

  • Sanzalando

  •  

24 de novembro de 2013

Sanzalacine - the pig

Sanzalando

um dia, sozinho

Um dia, sozinho, fecharei os olhos e não conseguirei ver nada, nem passado nem futuro. Tentarei lembrar-me de números de telefone, mas as memórias electrónicas apagaram-me a memória física e eu não terei nenhum número para marcar. Usarei boca para chamar, mas os solidários, nem esses estarão por perto. Ficarei por ali sem um abraço, sem uma voz doce, sem uma carícia nos grisalhos cabelos, mesmo que o mundo me continue a girar.
Um dia, sozinho, tentarei lembrar-me do sorriso infantil, da minha capa exterior, do mau feitio que me saiu na rifa, na gargalhada que não dei apenas para não dar ideias e nessa fracção de segundo verei que desabou o chão por de baixo dos meus pés.
Um dia, sozinho, olharei e verei tudo embrulhado em saudade, ouvirei o som de telefone impedido, sentirei a fome chamada tristeza e ensoparei a mágoa nas lágrimas que me ardem ao escorrer na cara.
Um dia, sozinho, lembrar-me-ei do tempo em que falava.


Sanzalando

23 de novembro de 2013

Recado para ninguém que vale menos que um vintém

Eu não sei se me preocupava muito com o que queria ser quando fosse grande, quando crescesse. Não sei se queria ser importante. As coisas acontecem. As que eu não esperava aconteceram e muitas outras irão acontecer ou não. Não sei hoje, que sou crescido, se me importo com isso. Sei mesmo é que o que sempre me preocupou foi o eu ser eu mesmo. Mudei de feições, mudei de peso, vou mudando de altura e largura mas ainda assim continuo a ser euzinho, que espero para sempre.
Tem gente, mal formada de nascença mas sem culpa dos pais, que já não pode nem falar o mesmo. Tem gente pensa a vida é o esconde esconde e bate e foge. Mas a vida lhes marca e não lhes deixa dormir tranquilamente. Tem gente que apenasmente é feia, por dentro e por fora, se é que tem alguma coisa dentro. Deve ser do eixo da terra, inclinado, que lhes inclinou a inteligência para o vazio de lado nenhum.
Euzinho, frontal, continuo vertical sem andar de quatro nem com orelhas que não são de humano.
Deixei o recado, em papel pardo e sem cara de parvo apenas de espanto por ter demorado tanto.
Tem gente que nem merece um olhar quanto mais o tempo de perder tempo a olhar.
Para sempre, João Carlos Carranca, euzinho de corpo inteiro e alma tranquila.



Sanzalando

22 de novembro de 2013

soletramente

Soletro palavras que choro, porque as quero tanto e as não tenho. Quando me faltam as palavras eu morro e se as sinto faltar, sinto que morro a seguir. Como eu conseguiria viver tantos anos quantos os que quero ainda se não tiver palavras para soletrar?

Só as palavras me entendem, só as palavras sabem a saudade que eu transporto, só elas sabem o que é a nostalgia do tédio e a maratona sob sol escaldante dum desamor errante.
A palavra é a sombra que me refresca, a água que me mata a sede, o primeiro passo da manhã da vida.
Sem palavras sou uma estátua, bronze esculpido no desentendimento, partida asa dum anjo de luz apagada.
Soletro palavras com medo de as acabar e entrar nas valetas escuras da vida, na angúistia particular de não ser quem sou, de perder o estômago pelos olhos.
Soletro palavras com medo de deixar de ser quem sou.

Sanzalando

21 de novembro de 2013

soletrar palavras

Deixei arrefecer o café. Não acendi um cigarro porque faz tempo deixei de o fazer. Mas continuo aqui nesta incontrolável vontade de soletrar palavras até que um dia eu as consiga escrever na forma e no jeito que devem ser escritas. Saberão a saudade, nostalgia, dor ou alegria? Não sei, ainda aqui estou insuportavelmente a lembrar-me de fechar a sete chaves a minha memória e talvez assim deixar de soletrar as palavras que não me dão de comer mas muitas vezes de chorar.
Pego noutro café, bebo dum trago como se ele fosse a alegria que não quero deixar arrefecer outra vez. Me sinto em paz mesmo que sinta que que vou apagando aos poucos o brilho dos meus olhos. Não quero virar oposto nem ter o desgosto de te dar um gosto que goste. Não quero esbarrar na rua com memórias sombrias feitas possas de nadas, calcetadas de mentiras e pintadas de falsas alegrias.
Se eu tivesse um cigarro desfazia-o na ponta dos dedos como se ele fosse uma mentira de verão, uma máscara de ilusão ou um truque de magia.
Aqui estou eu a soletrar palavras num solilóquio de desgraça, num mar de lágrimas como se estivesse tentado a vender-me por troca duma compaixão.
Não, estou mesmo só a treinar palavras, frases, virgulas e reticências para me esquecer doutras incontinências verbais.
Esquecer não é de facto tarefa fácil. 


Sanzalando

20 de novembro de 2013

silêncio meu

Me gritam lá de longe: acordaaaaaaaaaaa!

É óbvio que quem o faz me gosta, de contrário me ia deixar para ali a dormir, não importa que horas são ou vão ser. Importante que essa voz me deu espaço. Gritou de longe, comecei eu. Já sei que essa voz me irrita, já sei que lhe faço zangar e por vezes chega mesmo  no chorar. Mas eu sei que essa voz vai estar sempre comigo. Umas vezes encostadinha no meu ouvido, outras nem lhe ouço se não de imaginação. Essa voz não é obsessiva, é mesmo só preocupação. 
Essa voz é minha. A minha voz me irrita mesmo quando me grito em silêncio, converso calado ou soletro palavras mudas.
Me gritam outra vez: acordaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Olho para todos os lados para ver se vejo quem me imita num escondido recanto da memória. Não. Estou só no raio da minha visão e não me sinto olhado nem de longe.
É a minha voz que me quer acordar deste silêncio, que me quer arrancar palavras e me ouvir dizer que amor de verdade não é solidão de caminhar mas pode ser de complementar.
Como me irrita a minha voz, a voz bonita de estar calado.


Sanzalando

19 de novembro de 2013

silêncio do paradoxo

Apetece-me ficar sentado em silêncio. Não no silêncio dos inocentes, apenas no meu interiorizado silêncio porque quero contemplar o que me rodeia.
Acho que a vida inteira andam a tentar-me ensinar isso e eu desaprendo como que a não dar importância  neste agora, terei tempo mais logo. Pensava eu que só os velhos o conseguem. Afinal de contas eu já consigo ficar nesse sentado, num sem dizer nada mesmo que sorria de contentamento.
Achei sempre que ser jovem seria ser irrequieto e impaciente e ter coragem de combater o silêncio.
Hoje acho-o sagrado. Aproxima-me das pessoas. Sorriem-me pessoas, gente de olhar alegre e voz doce.
Que paradoxo.
Eu e o silêncio. Eu e a idade. Eu e eu mesmo.


Sanzalando

18 de novembro de 2013

Rosa palavra simples

Um nome chamado Rosa.  A rosa nunca é só uma rosa, porque ela pode ser decoração, pode ser flor de jardim, delicadeza ou mesmo declaração de amor.  Rosa pode ser Mulher e como todas as mulheres pode ser chata, carinhosa, amorosa, espinhosa e tantas dores apenas porque é Rosa. Rosa se for linda poderia ser Rosalinda dos meus amores. Um nome que é Rosa a rainha das flores. Hoje me apeteceu brincar com a Rosa, amanhã quem sabe estarei num canto livremente a chorar porque não tenho uma Rosa. Mas hoje a Rosa que não me leve a mal.

Sanzalando

17 de novembro de 2013

afinal quem não sente saudade?

Afinal de contas quem não sente saudade? Deitado no sofá, lá fora está frio, aquele ar e luz de inverno que ainda não chegou, a memória ferve com memórias que vêm à cabeça. A infância, aproveitando aqueles dias raros de chuva quente, de calções brincando ao foge do pingo até que todo o corpo era um pingo autentico. Aquela água entrando até aos ossos, chapinhar nas esquinas que tinham autênticos lagos citadinos. Ou lembrar aquele vizinha ou os amigos que já foram. A adolescência, os profs, as brincadeiras de bom e mau gosto. Tanta coisa fervilhando. Depois nasceu o amor. Amores imperfeitos. O primeiro beijo. A primeira euforia que deu insónia. Depois a idade mais madura em que coisas são deixadas de lado para ocupar com outras coisas e aí começa a haver passado e sonhos de futuro.
Afinal quem não sente saudade?
Amanhã, num qualquer amanhã, vos direi se não sinto saudade do hoje que soletro estas letras sentido saudade de saber que o presente é apenas o elo entre o passado e o futuro


Sanzalando

Sanzalacine - FMX 2013

Sanzalando

Bordemareando ao domingo a 10 graus

Sanzalando










































16 de novembro de 2013

Recordar outros escritos (6)

faz tempo 03-11-2003 18:48 Forum: Liceu Américo Tomás

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Hoje é Sabado e estamos em Março. Passei mesmo o dia na praia. Também não foi o dia todo, porque de manhã tive que dormir o que não dormi de noite. Um homem não é de ferro.
Ontem á noite, depois do jantar fui beber uma bica na Oásis. Quem tava lá? Os mesmos de sempre. Na mesa da esquina estavam os cotas: Trintade da Alfândega, o pai do Mané, o Figueira das Amêijoas. Parece mesmo que só estavam esses. Na nossa mesa além de eu próprio, estava o Moreira, o Fisga, o Vitor, o Figueira da Farmácia, o Grilo e o Reis, filho do dono. Despude de estar ali. Às 21 tinha que ir trabalhar no RCM. Sai na hora da Cinderela e ainda fui na Feira. Tá mesmo calor...Mapundeiras de mini-saia tá bué. Passa para lá, passa para cá. Fui no Cardin ver a música. Tá assi de gente não dá para ver nada. Cabeças de Peixe e mapundeiros tem não como ver diferença. Num dá ficar aqui. Fui comer um cachorro-quente na barraca do Ferrão. Hummmmm que delícia.
Puto Gimba, onde vais? Vou pro Cardin, tá lá a malta toda. Esse tá no Tchivinguiro desconsegue ficar comigo. Tem outra tribo. Fico mesmo aqui sentado no palco do cinema da praia ver quem passa. Apareceu Amorim e Vitória Pereira. Vamos tocar música na areia. Vamos é forte, porque se abro a boca para cantar me dão porrada, e tocar na viola só mesmo para mudar de lugar. Eu diz que música eles tocam e cantam. Sai Francisco Fanhais que Vitória Pereira canta. Sai Adriano Correia de Oliveira para o Amorim. Boa música mesmo. Vou buscar cervejas. Ali ficamos na musica e cucando. Umas atrás das outras. Hoje não tou virado para as mapundeiras. Elas nunca olham para mim, mesmo. Pessoal não vou suplicar.
Isto foi ontem que era sexta-feira, porque hoje que é Sábado eu estou na frente do Clube Nautico. Tém baile. Já vi passar o Walter Frota, o Calinhas, o Pardal, Alexandre Miranda, sei lá mais. Sei que passaram bué de pré-kotas e muitos outros que são kotas e levam as filhas a tiracolo. Todos vestindo roupa de Domingo. Lá dentro está o Bonvalot tocando bateria, Nelson que tocava acordeão agora está moderno porque toca orgão, na viola-baixo desqueci o nome, e a cantar está o Ricardo Costa. Acho que são os Tropical. Com estas noitadas de Março a cabeça já vai dando fraqueza. Hoje não tocam os ferroviários com o Matos ao saxofene - é ele que com o instrumento diz quando começa a música e quando acaba - e o Minas a cantar - Deixa o meu cabelo em Paz, o Sousa Santos no baixo. Hoje são os velhotes. Entrou agora o Dr. Brandão e família, o Júlio Santos, mulher e filha. Eu também queria entrar. Me dizem que putos de calção não entram não e eu não tenho roupa de domingo para vestir no sábado à noite. Távam a pensar que este mundo é justo? Não é não. Meu coração bate que nem cabe no peito e estes gajos não vão deixar entrar? Espera aí que já vais ver como é...
Olha o Osório também vai na farra. Vem com a irmã. Olha a Aura e a Jusa. Todos estão a entrar e o filho da lavadeira fica aqui fora? o Tchifufa e o Cláudio Frota também tão a entar. Este mundo não está justo, não.
Tanta geração lá dentro que não me interessa se foi tudo no mesmo Sábado ou no mesmo Março. Me interssa sim, que aconteceu e eles se lembram, mesmo que eu não me lembre já se entrei ou desconsegui. Mas isso era outra estória num outro março da vida.


Sanzalando

15 de novembro de 2013

59 - Estórias no Sofá - filósofo de trazer por casa

Hoje me sentei na mesa do café com um amigo que é daqueles que desde que acorda até na hora de dormir que nem máquina de vapor, tem paleio para dar e vender. Lhe conheço desde os tempos dos calções do dia a dia, dos nonkacos e dos cigarros fumados às escondidas para parece é homem de barba que ainda não nasceu. Lhe comecei a ouvir.
Eu me sento na vida e desconsigo saber quando é que a minha estória vai passar de esquecível para inesquecível. Eu sei só que tem pedaços dela que são. Pelo menos para mim. Mais não importa. Não sou bonito e também não sou feio e acho estudos científicos já mostraram que isso é relativo, subjectivo e se eu fosse filósofo de verdade eu acho que até acrescentaria que era uma desnecessidade pensar nisso. Não sou rico no dinheiro contado, mas sou rico noutras áreas que não interessa aqui mandar a despacho. Simples sou e se perguntassem o que eu acho mais importante, mais valioso, mais fundamental etc e tal, eu diria assim num quase sem pensar que era a mulher dos meus sonhos, a mulher da minha vida. Mas na verdade acho eu não ia ser honesto a esse ponto e se calhar dizia outra coisa qualquer que nascesse num sem pensar mesmo.
Fosse eu filósofo e justificava a minha primeira afirmação, num perentóriamente errado porque, sendo triste, porém verdade, o amor tem dias que se perde a fé nele. Os humanos são ingénuos porque acreditam no amor que querem acreditar e isso num espaço temporal limitado até que é bonito, cheio de florinhas e luzes cintilantes. A gente mistura fantasia no amor e dá uma salada de filmes, livros e realidades, temperados com gargalhadas, sais de raiva e ervas de morte.
Eu, Joaquim Felício das Naves, filósofo de trazer por casa e até aos anexos, não acredito na estória daqueles que se encontram num deserto da vida, se olham e logo ali tem uma seta atirado pelo tal de esculpido e afirma é o amor da minha vida. Não estou a dizer que é impossível. Eu só estou a filosofar se eu fosse filósofo de verdade. Não sei em qual olhar é que acontece o tal de amor. Ao décimo oitavo? Sei lá. Eu acho que ele aparece quando se pensa que ele não vai aparecer. O amor é como aquele convidado da festa, aquele especial. Chega atrasado. Mas dizem que vem sempre. Outra verdade absoluta que eu desconsigo de aceitar assim numa primeira e também segunda impressão.
Aqui o Joaquim das Naves, Felício para os amigos, só sabe que ninguém é de ferro e tem conhecimentos para dizer que dói cair na ilusão e se levantar duma qualquer fantasia. Por isso sei, de saber lido, que solidão se escreve ao acordar sozinho na rotina. Mas também sei que amor não é bóia de salvação nem opção de sobrevivência. Eu posso dizer, agarrado nos conhecimentos adquiridos nos livros lidos nas estantes da imaginação, que quem pensa que o amor é eterno e depois chora lágrimas vai passar uns tempos em que a sua vida não é vivida mas apenas um passar tempo. Acho estou no cinema a ver a vida a passar e apetece gritar à garina ou ao galã que lhe faz falta alguém para brigar, alguém que pinte o cenário de cores diferentes em cada dia que passa.
Eu reafirmo que felicidade não é apenas uma palavra e amor não é só dor e decepção. Atenção que eu estou a falar-vos com conhecimentos adquiridos nas mais importantes bibliotecas do mundo e arredores. 
Eu, Joaquim Felício das Naves reafirmo com toda a propriedade que a solidão deve ser vivida pelo menos em duas partes iguais.
Cansado me levantei do café e tinha esquecido porque é que eu tinha nascido. Quim das Naves Espaciais, homem maduro agora era igual ao kandengue, falava que nem letras comia. Com o tempo se lhe gastou o cabelo que os que sobraram eram raros muito brancos que nem neve, as rugas marcadas pelo sol dos dias passados nos bancos vadios dos jardins publicos e reforçadas pelos desencontros de amor nascidos nos esquecimentos.



Sanzalando

14 de novembro de 2013

Reflexões facebookianas (28)

Tudo não é mais que um instante. JCCarranca reflectindo enquanto olha para um sinal de trânsito que diz stop

Todos os caminhos vão dar a lado nenhum se não te mexeres. JCCarranca reflectindo enquanto saboreia uma bica

Posso gostar mais ou menos, viver mais ou menos mas não quero ser um mais ou menos. JCCarranca reflectindo num banco de jardim numa noite mais ou menos

Nenhum projecto está acabado até que alguém o use. JCCarranca reflectindo enquanto programa a volta ao mundo dos sonhos

Sou um projecto inacabado. JCCarranca reflectindo enquanto espera boleia

Sinto necessidade absurda de ir para um lugar que eu nem imagino qual seja. JCCarranca reflectindo enquanto olha de lado para o sofá

Quando te conto um sonho te escondo milhares deles. JCCarranca reflectindo em silêncio


Sanzalando

12 de novembro de 2013

Recordar outros escritos (5)

Fui á caça 01-11-2003 01:20 Forum: Liceu Américo Tomás

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Hoje fui á caça. 
Quer dizer, me levaram no JEEP para o meio do mato. Também não era assim muito mato. 
Sabes, mermão, a minha mãe tem um Mini Morris 850, por isso não costuma me levar para além do aeroporto. Por motivos que não vos digo, nunca foi a Porto Alexandre no carro dela, nunca passou do estádio do Benfica. No outro lado só foi até à Kipola, em dia de peregrinação. Também não sei se algum dia foi além da Torre do Tombo. Acho a minha mãe não sabe que a Amélia tem uma praia mais lá para a frente, donde acaba o mundo dela. Resumindo, sou mesmo menino da cidade e hoje fui ao mato. 
Se vocês pudessem me ver, iam ver a minha chapala toda cheia de alegria. Fui à caça! Há uns dias vi o Beto Reis com um leão no seu Land Rover. Tava todo morto mas era lindo, imponente, magestoso. Eu só lhe tinha visto de fotografia e de ouvido. Eu ouvia as estórias na Oásis do Tó Kuribeca, do Sr. Miranda, do Turra e sei mais quem e ficava de boca aberta como que a pedir mosca. 
Mas eu hoje fui à caça. Fui com o Tó Kuribeca, o sr. Júlio Santos, a filha dele e o Ferrão. Fomos à caça. Me levantei ainda era noite e parecia eu ainda não tinha dormido tudo mas que não importava. Tava cacimbo mas eu também não me importei. Eu estava quente, eu não se via mas ardia que até pensei ia explodir de alegria, assim num rebentar parece sai fitas do carnaval. Passei na Kipola, passei o Giraul, eu já tava a andar bué, mas queria lá saber. Eu ia para a caça! Chegamos ao mato, não era a floresta do Maiombe, mas era mato cerrado para mim. Se me deixassem lá ainda hoje podiam andar à minha procura. Eu estava no mato. Comecei a ver Gazelas. Tão bonitas aos saltos. Não era Bolshoi, era melhor. Tantas e tão lindas. Eu adoro isto. Me deixem ficar aqui. Eu sento ai na pedra só a olhar nelas. Tem Zebras ali. Não, eu gosto mais das Gazelas. Uma Impala. Tito puxa duma arma e pum. Impala ao fundo, assim parece estou a jogar nas batalha campal, num campo parece não tem fim. 
Que arma tão pesada. Isto deve dar cabo dum tanque de guerra, disse eu atrás duns olhos de arregalado. 
Todos se riram. Que importa. Eu estava na caça. Eu estava feliz. Fomos seguindo umas pegadas. Era disto, não era daquilo. Quero lá saber, a mim parece é mesmo marca dum boi que passou ali e não tem palácio à frente. Me levem só. Cada vez tinha mais mato. Ué! ali tem deserto. Ficamos aqui a dormir. Saca da Impala. O Tó começou a descascar a Impala, a cortar a carne. Os putos foram apanhar lenha. Que grande assada. Me deixaram beber uma cerveja. Ué, tou grande! Tava a começar a ficar escuro e se fez um jogo. Só vale matar coelhos com 'supositório' - ele tem que estar a correr e dar tiro por trás. Me deram uma 22 qualquer coisa. Eu tremia com o peso, da responsabilidade, se entenda. O primeiro pum e coelho já tá, outro pum e coelho vira. Minha vez. cadê coelho? 
- Tá ali um, pá! toda a gente grita parece eu sou cego.
- Onde, Onde Onde? Já vi. Tá parado e parado não vale. Foge sacana. 
- Não digas isso e dispara. 
- Não senhor eu jogo limpo. Mal sabia eu que ia ser sempre assim.
Atiro pedra e ele fugiu. Parece que ainda tou a ouvir o riso dele na gozação comigo. Nunca vi coelho rir mas imagino desde esse dia cada vez que alguém fala em coelho.
- Ali tá outro. todo o mundo gritou a me orientar no mundo real-
Fechei um olho e pum. Quando abri os dois olhos eu vi uma coisa aos saltos. Me disseram para ir buscar. Eu fui! E ele saltava. Puxei o pé atrás e záz. Ainda hoje tenho a cicatriz no dedo grande do pé. Nunca mais vi o coelho, mas não esqueço as estrelas e os passarinhos que vi. Acertei com o dedão numa pedra. 
Mas, meu irmão, eu fui à caça. Fui com o Tó Kuribeca, o sr. Júlio Santos, a filha dele e o Ferrão.
Não era Março e também não chovia. Mas eu fui à caça, uma vez na minha vida.


Sanzalando

11 de novembro de 2013

Recordar outros escritos (4)

te lembras? 29-10-2003 20:53 Forum: Liceu Américo Tomás

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Tás a ver, meu irmão como chove. Março é assim: Tem corridas na marginal, tem mau tempo na véspera.
Porque é que é sempre assim?
Tão por aqui chicoronhas, todas vermelhas do escaldão que apanharam hoje. É Março e eles vêm lá de cima e pensam que o Sol vai acabar já hoje. A praia tem pica-pica sempre que chove. Elas estão na água na mesma. Devem pensar que a comichão é do sal. Mas a gente não pode tar a ver as mapundeiras. A gente tem que ir ajudar a limpar a marginal para o Novais bater nos gajos todos, sem espinhas. Logo á noite a gente as vê na Feira, não se nota tanto o encarnado da cara e das costas. A gente tem que ter tudo bom para amanhã. Eu vou ficar na curva-contra-curva do Tribunal. Os gajos do RCM me queriam pôr na subida da SOS. Ai num presta, não. Ou fico na Marginal ou vou mesmo para o Tribunal. Na Meta é para o Frota. Ele é que manda. Eu queria ficar mesmo era na Fortaleza, (é lá que ficam as do planalto... Tá quieto. Tu sabes que não te ligam. Todos os anos é a mesma coisa). O Veríssimo vai ficar perto do Palácio e o Edgar Teixeira no Cinema. Eu fico aqui e não se fala mais nisso, a Arlete Pereira precisa de apoio técnico.
Te lembras quem fica com elas? São os da esplanada do Hotel Turismo. Como é que a gente chamava mesmo a eles? Já me lembro, os Sanguitos. Os da Oásis só ficam mesmo com a menina dos olhos cansada e os do Avenida ficam mesmo sem nada.  
Mas é Março, meu irmão. É sempre assim. O Hotel Moçâmedes está cheio delas.
Porque é que sempre que chove vem a calema com ela? E o Rio Bero trás aqueles caniços todos para a praia? 
É Março sim. Não tem discussão. No café Avenida estão os que espreitam a entrada do cinema. Elas não vão ao cinema. Vão para a feira.
Vai mas é trabalhar, que hoje estás de Serviço na 'barraca' do Radio Clube na Feira. Hoje é lá o Tic-Tac.O Zé Manel Frota não te perdoa se não estás concentrado. Deixa de pensar nas garinas...
É Março. Te lembras como é sempre em Março?



Sanzalando

10 de novembro de 2013

Sanzalacine - For de birds

Sanzalando

9 de novembro de 2013

Recordar outros escritos (3)

te lembras? 28-10-2003 20:54 Forum: Liceu Américo Tomás

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Te lembras ainda da 1ª discoteca que frequentaste? Mermão, eu lembro mesmo bem caté parece estou a sair de lá num agorinha mesmo. Foi lá que comecei a fazer de..., como se diz agora? DJ. Te lembras da cave dos Fonsecas? Te lembras meu irmão do Henrique feliz por ter ali aos amigos todos. Que paciência da D. Lúcia é preciso ter com esta cambada miúdos irrequietos e compnhia. Esta foi a primeira Discoteca de muitos de nós. Te lembras. Quantos anitos tinhas. Eu sei que cabelos brancos eu nem pensava que um dia eles iam aparecer. E Sr. Fonseca sempre calado e grande... Mena era pequenina. Te lembras meu irmão?
Depois fizeram outra mesmo na Igreja de Sto. Adrião. Essa foi a 2ª. O puto continuava a pôr as músicas: BaBy Love dos Majoraty One, Deep, Rolling, muito Let be. Te lembras? Como chamava mesmo o negão que trabalhava lá na Igreja e desenhava para cachuxo? E o Mendes, Garoupa, Esteves, Lilá, Nelson, Grades e um and so on que num tem espaço nem memória. Ué, tanta gente que não tem net que aguente.
Te lembras meu irmão, às 18.00 horas o Formula POP?
Tempo passa...mas fica, porque faz parte da gente mesmo. Complicado?
Te lembras vai continuar um dia e depois noutro.
Toma atenção


Sanzalando

8 de novembro de 2013

Reflexões facebookianas (27)

O impossível é um pouco menos do que nunca. JCCarranca reflectindo enquanto desfaz uma mala de sonhos desfeitos

O dia está tão agitado que penso ainda vai necessitar de instalações novas. JCCarranca reflectindo enquanto não decide por onde começar.

Às vezes não chega virar a página, é preciso rasgá-la. JCCarranca reflectindo enquanto lê o jornal numa esquina

Não tenho medo de começar de novo. Receio é o mesmo resultado. JCCarranca reflectindo enquanto limpa a bicicleta

O mundo reduz os meus sonhos a pó. JCCarranca reflectindo enquanto faz um batido

Procuro a agulha mas não sei do palheiro. JCCarranca reflectindo-se ao espelho

Acho que quando se machuca alguém, ela nunca volta a ser como era antes. JCCarranca reflectindo enquanto repara na pintura do carro


Sanzalando

7 de novembro de 2013

Recordar outros escritos (2)

outra estóra 27-10-2003 20:54 Forum: Liceu Américo Tomás

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Á frente da Casa de Saúde estava a casa dos 'Martinzes'. Se lembram? 
Tinha 2 F
figueiras enormes que dávam figos verdes de pingo que só de me lembrar até parece babei outra vez. Quem nunca lá os foi gamar, da minha geração, das anteriores e das posteriores propriamente ditas? 
E as castanheiras que estavam na mesma rua? Quem foi que não atirou pedras nelas para comer os castanhas? 
Quem foi que levante o braço que eu daqui estou a ver? Desconsegui de ver um braço no ar. Mentira. Eu vi um braço no ar. Meu amigo Rui Miranda. Se lembram dele? Pois é. Esse nunca foi lá, não. E o Corado foi? Ué! Tá claro! Esse puto era terrível! Só mesmo paciência com ele e grande dose de amizade.
Tem coisas mesmo fantásticas na memória da gente. Te lembras de ver o negro velho da casa (Domingos, não é?) a pôr a gente na rua com pau e a xingar parecia as figueiras eram dele?
Tem razões que só a razão explica, porque é que a galinha bebe água e não mija e eu me ponho aqui a explicar coisas que não têm como explicar. Aconteceram ?


Sanzalando

6 de novembro de 2013

Recordar outras escritas

Para lembrar recordações publicadas em 26-10-2003 23:12
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Eu e mais alguns faltamos nas aulas. Não fomos na praia nem nada. Não fomos ver a miúdas do Lubango que vem sempre nas Festas do Mar. Não senhora fomos só mesmo para o Aero Club - Rua dos Pescadores- jogar bilhar. Perde paga e não tem discussão. O Reis joga para caramba, eu também, o Zé Pedro, o Victor, irmão do Fisga. Já disse nomes e não tem lista que podia parecer era edital. Depois fomos comer um pastel de nata à Oásis. Ué, alcatrão está quente e tem tampinhas soldadas parece é serpentina e queima nas sandálias gastas com buracos. Vamos mas é até ao Liceu que tem lá as nossas Garinas bonitas. Mas eu sei elas so ligam mesmos aos mais velhos... Cresce e aparece, miúdo. Filho da Lavadeira tem destas coisas, quer parecer mais do que é. Que aconteceu mesmo? Chumbou! E tudo isto foi no liceu e aconteceu mesmo..


Sanzalando

5 de novembro de 2013

Reflexões facebookianas (26)

O abraço protege, ampara, vibra, renova, acalma e às vezes magôa. JCCarranca reflectindo enquanto repara que as sobrancelhas precisam ser aparadas

Quero conhecer gente porque estou cansado de me olhar feito parvo. JCCarranca reflectindo enquanto olha para o semáforo dos peões.

Já não quero ser uma pessoa perfeita, quero apenas ser uma pessoa. JCCarranca reflectindo enquanto vai ao supermercado

Saudade é o que resta do que foi embora. JCCarranca reflectindo enquanto olha para a sombra esparramada no chão

Sinceramente já me esqueci quem sou, mas cedo vou descobrir. JCCarranca reflectindo enquanto lava o carro

Acho melhor acreditar que o tal de cupido existe. É menos idiota do que saber que fui eu que escolhi as pessoas de que gostei. JCCarranca reflectindo enquanto sobe a Serra de Monchique

Eu não posso acabar com todos os seus problemas, dúvidas, medos ou sofrimentos, mas sou capaz de os ouvir se eles forem poucos. JCCarranca reflectindo nos seus problemas, dúvidas, medos ou sofrimentos

Às vezes é preciso dormir muito para descansar os sentimentos. JCCarranca reflectindo em querer ser pirata

Sem pressas, sem vírgulas e sem ponto final. JCCarranca reflectindo enquanto saboreia um refresco de manga

Quem sabe mentir é mais forte e eu um dia vou descobrir porquê. JCCarranca reflectindo enquanto vê o pôr do sol

A vida tem-me pregado cada uma que não precisavas atirar-me o martelo. JCCarranca reflectindo enquanto arruma a ferramenta da bricolage



Sanzalando

4 de novembro de 2013

58 - Estórias no Sofá - poeta erótico licenciado em lágrimas

Sentado num canto da sala do café, onde me sento sempre que me aperta o coração e desejo estar sozinho. Sempre que a confusão dos meus pensamentos toma total conta de mim e a atenção que tenho que me prestar é pouca, solitáriamente desapareço do corpo neste canto do café.
Peço sempre um café expresso. Normal. Isto é, nem a derramar nem só fundo da chávena. Lhe adoço levemente para contrabalançar com o amargo que me sinto. Nesse parece é muito tempo, em que peço e sou servido, dá para pensar em como não consigo dar-me com ninguém, em que tudo o que escolho é sempre o lado errado. Na verdade não é assim. Eu vejo o meu lado, aquele que me apetece ler porque me aperta o coração, aquele que faz chorar porque estou triste, aquele tipo diabólico porque correu mal. Amanhã, num qualquer dia de outro futuro, eu verei as mesmas coisas com outros brilhos e tudo não passou de boas sensações que um dia correram mal.
Já com o café entre mãos, procuro disfarçar o interesse que sinto pelas coisas que me interessam, esquecer que só procuro pessoas quando me interessa e mais não sou que um humano que teria tanto que pensar na atabalhoada vida que o café teria que não fechar durante dias.
Eu, Alberto Sebastião, interesseiro e trapaceiro de vida, diplomado nas lágrimas e outras cantorias que levam às ditas, sentindo um ligeiro aperto no coração, refugiado num café, seguro uma caneta e num pedaço de papel feito parvo rabisco um poema de rimas eróticas em que recordo que, por sermos tão parecidos, um dia, no recente passado, nos perdemos.
Afinal de contas acabo por me levantar e vou à procura de companhia. De boa companhia e já dentro do meu corpo.


Sanzalando

3 de novembro de 2013

Sanzalacine - La luna

Sanzalando

1 de novembro de 2013

57 - Estórias no Sofá - João, um adiado

Conheci João Justino num botequim daqueles escuros das esquinas mal frequentas. Meninas boas das famílias más com meninos maus das famílias boas trocando cacussos entre sorrisos, cervejas entre beijos e outras coisas que a hora da escrita não deixa nem pensar, quanto mais escrever. Mas ali estava João Justino a um canto. Solitário. Sempre aparentemente triste e mais ou menos com um olhar adiado. Me disseram que todos os dias ali era o lugar dele. Lhe perguntei quem era, já que eu era o aparente novato naquele lugar. Digo isto porque o meu à vontade nada tinha a haver com as deambulações que eu via à volta. O João passava também por novato, não fosse a deferência com que todos o tratavam ou cumprimentavam. Ele me respondeu secamente de João Justino com ponto de exclamação a vincar que eu não devia mais lhe falar. Mas insisti com a minha ideia que sou novo nestas andanças de coisas da anoitecer e lhe rematei: quem são todos estes barulhentos e sem vergonha.
Me olhou como que a tirar medidas. Cara fechada como que a meter medo e me disse num sopro, que mal tive tempo de escrever ou decorar:
- São pessoas tristes porque cavam buracos dentro de si e se esmagam em qualquer possibilidade de fuga. São tristes porque ficam enrolados na vida e deixam de lado a poesia, o abstracto, as inverdades soletradas nos silêncios cúmplices do amor.
Com isto a minha mudez esbarrou no silêncio da lua cheia e todas as membranas que me seguram à vida vacilaram e quase desmantelava a minha sortida nocturna num suicídio de tristeza malparada.
Mas João me reanimou num outro repentemente vomitado sem respirar:
- São tristes porque as palavras morreram de falar e só existem buracos de conversar virtualmente. Por isso estou aqui neste canto a segurar buracos de um dia poder voltar.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007