recomeça o futuro sem esquecer o passado

26 de outubro de 2024

abraço congelado

Fica fechado na minha cabeça, no armário da memória, na prateleira dos arrependidos aquele último abraço que não te dei. Não sabia que me estavas a dizer adeus. Não imaginava que estavas a mandar-me embora de coração destroçado mas ar altivo para um sempre que vai quase na metade de um século. Pensei era mais uma das tuas caras de até amanhã que hoje estou zangada. Estranhei-me que um dia, outro e outro se passaram marcados por silêncio.
Tentei falar-te mas o silêncio e a ausência eram sólidas evidências.
Fiquei comum aperto do peito, uma dor nos braços e umas lágrimas nos olhos.
O tempo foi passando. O silêncio manteve-se. A dor no peito foi-se aliviando até ao ponto de eu já não lembrar mais, os braços fizeram outros movimentos e deram outros abraços. O tempo lento ia andando como que novos caminhos fossem desenhados na minha cabeça. Uma ou outra madrugada, um ou outro momento de solidão, vinha-me à memória a vontade daquele abraço que não dei.
Congelado no tempo ainda encontro esse tal abraço, conservado e pronto para ser usado. Como é possível que o tempo de conservação seja tão longo quando o abraço foi desperdiçado no esquecimento de há quase um século?


Sanzalando

24 de outubro de 2024

Programa 40 K'arranca âs Quartas

Programa de Rádio com palavras, livros e música  - 23 de Outubro de 2024. 

  tal e qual como se fosse em directo
Hoje falamos de outonos, ouvimos música, a crónica ou coluna ou lá o que é que aquilo é, os tesourinhos Musicais que foram, Madalena Iglésias, do livro falámos de Veríssimas e Luís Fernando Veríssimo. 

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eu e o outono de agora

Sinto o outono entrar em casa. O jardim avermelhou-se e as flores desapareceram. O perfume a terra húmida sobressai. As pessoas circulam caladas num parece introspectivam. As plantas preparam-se para o inverno. As pessoas se aquecem de carinhos como que adivinhando a solidão dos meses frios. 
O outono renova-se a cada ano. Não sei, pois não tenho estudos para isso, mas parece está fraco, empalidecido em relação a outros outonos. Ou será só os meus olhos cansados que já não enxergam como Outrora?

Sanzalando

23 de outubro de 2024

És musa

Atraente não são as curvas bonitas do corpo,
mas sim as curvas bonitas da alma.
Lindo mesmo é o olhar.
A transparência do sentir,
a lucidez do ver,
a suavidade do paladar,
a volta do vir
sem ter que olhar

És a musa que inspira.

Quem me dera ser o colo que te recebe.
Quem me dera ser a carícia que te dou.
Quem me dera ser o amor que te tenho.

És a musa que inspira

Cabelos ao vento
cabelos apanhados
livre pensamento
os que tenho pensado.



Sanzalando

22 de outubro de 2024

tormentos de quietude

Se a alma está cansada vamos fazer mais como? Dormir descansa o físico mas os pesadelos continuam a exasperar a alma. Ver o mar só num assim de estar faz virar o mar chão em calema. Olhar o céu azul faz virar o céu branco de construções de nuvens que parece é um aglomerado de confusas formas. 
Ficar calado o cérebro pensa pensamentos em forma de palavras e sobressalta a alma.
Fica só assim num canto, numa sombra da noite e deixa a alma repousar. Ela vai repousar nem que seja depois do cansaço. 
Se a alma está assim pensa no que lhe fizeste. Nada?! Se calhar foi isso. Não fizeste nada e ela se atormentou de quietude.


Sanzalando

21 de outubro de 2024

intimidade

Nada é mais íntimo que estar o meu silêncio a olhar para lado nenhum e desenhar sonhos numa mente que rapidamente se esquece.


Sanzalando

18 de outubro de 2024

E eis-nos novamente em queda livre ou voo planado

Circulando aos Quadrados numa Recta que é curva
o fim de uma trilogia

Já te disse não sei quantas vezes, talvez nunca directamente, mas deixei nas entrelinhas, o quanto eu te queria e desejava. Acho que o fiz de todas as formas possíveis e imaginadas, realistas e até abstratas formas usei.

Quem diria que iam passar séculos de silêncio e com a forte possibilidade de, não havendo trovoadas ou outras calamidades, serem outros tantos de silêncio desértico? Sabes aquele silêncio que pica nas pernas e que arrasta o cabelo de forma irritante para cima dos olhos.

Não imaginas as vezes que te imaginei encostada no meu peito a receber um afago ou um abraço. Quanto tempo demora um abraço? Os meus, imaginários duram a eternidade do silêncio e são tão calorosos como a profundidade do desconhecido fundo marinho. Te posso dizer que me deves uma vida, porque eu apenas sou corpo de um sonho sonhado na imaginação fértil de um adolescente que se perdeu na lonjura do tempo que passou depois do adeus.

O teu lugar favorito nunca o conheceste, porque nunca estiveste entre os meus braços naquele abraço.

Faço agora mais uma tentativa de encerrar um ciclo. Acho chegou uma hora de fechar uma porta e abrir outra, para seguir um caminho ainda não desenhado, porém desejado, por mim querido e ainda não encontrado. Não é tarefa fácil sair dum estado acomodado, dum pousio confortável, duns momentos felizes e importantes e começar do zero um outro incógnito e escuro, porque não tem esquisso, porque não tem com o quê de comparado nem testado. É totalmente novo ou então seria mais do mesmo.

Não vou precisar mudar de casa, de amigos, de lugar, de ares. É só mesmo mudar de palavras, de sentimentos escritos, de temas, de cores garridas tropicais para cinzentos outonais ou outras cores menos usadas. Há que mudar porque o mundo é feito de mudança.

Queria fazer as pazes dos meus pensamentos bagunçados, mesclados, mestiçados e pensar sem ansiedades nem despedidas, sem lágrimas nem saudades. Queria ter as palavras despidas de mim, ditas por um alguém que usasse as minhas letras.

Está na hora de fechar essa porta e voltar a um presente que embora passado tenha futuro.



Sanzalando

15 de outubro de 2024

futurologia

Gostava de escrever uma carta como escritor de papel passado e certificado no bolso. Mas antes disso eu tenho de aprender a escrever. Não. Não é o mesmo que ler. Ler a gente ouve as palavras que o outro escreveu. Eu queria mesmo é que estivessem a ler as minhas palavras ditas num papel de livro. Assim como que um livro não é uma catrefada de palavras escritas numa molho de papel. O falar a gente diz e as palavras vão embora e se perdem no ar, No livro estão ali. Podem sempre ser buscadas sublinhadas ou riscadas. Cada palavras é um pedaço de mim ali tatuado de forma eterna. Risos, pensamentos ou tristezas e emoções ali gravadas.
Mas quem sou eu para escrever um livro que fale de mim e da resma de coisas que tenho dentro de mim? Quem sou eu para quebrar o silêncio da minha existência apagada ou deslustrada pelo tempo que passa?
Sim, eu sei que sou o melhor escritor que tenho dentro de mim, mas quem me faz escritor seria quem um dia me leu.
Nesse futuro incerto que teve um passado em que registei nas palavras que um dia gravei numa folha de papel já não com tinta de chumbo nem caracteres postos uma a um como no tempo em que os livros hoje tenham cheiro a pó, nem com os vocabulários da literatura erudita, sublinhados e grafitados por cima numa linguagem mais simples dirão que eu tinha o estilo característico de mim mesmo. As palavras são a cópia dele. Futurologia.


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7 de outubro de 2024

porque escrevo

e eu me pergunto: porque escrevo?
um dia, quando souber escrever, depois de muito treinar e muito deitar fora, eu vou escrever. É claro que vai estar o eu de mim nas palavras que eu escrever, mas eu vou só fazer de conta que nem sou eu que me estou a limpar de forma solitária.
abstraído do ruído do mundo encerro-me em cada palavra e, com sentido, vou me transparentizar numa forma de desenho que em vez de traços e pinceladas, leva letras e frases feitas a desfazerem-se em sentido. deixa só aprender a escrever direito, assim como que nem os clássicos, os modernos e vanguardistas, e vou levar-me livro dentro que nem fantasma encarna no corpo do leitor. Se não tiver leitor fica só encarnado na capa até que apareça um num futuro qualquer se ainda houver mundo. 
o livro que eu escrever é para ser lido lá mais para a tardinha, quando o mundo estiver sossegado, quase depois do pôr do sol e antes do cair da noite escura.
mas porque escrevo agora se é para ser lido só nessa tarde quase noite?
descomplica-me. Tem gente que gosta e tem gente que nem vai ver. Um dia num acaso alguém vai abrir e me vai desnudizar as palavras que eu agora escrevi. Vai dizer ele estava assim e assado e coisa mais que tal. Quem ler vai ter a liberdade de pensar que nem como eu, ou diferentemente. É livre de ler como entender, da mesma maneira que eu escrevi livre e transparente. Igualdade, fraternidade e liberdade, são as letras que formam as minhas palavras, que fazem as frases e depois os parágrafos e por aí fora que nem lembra ao diabo. Mas escrevi. Eu escrevi. Agora só falta tu, você, alguém, ler para dar continuidade ao texto. Sem leitor ele para aqui.


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2 de outubro de 2024

Microfone Livre 02 - K'arranca às Quartas


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Ruy Duarte de Carvalho - K'arranca às Quartas


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Crónica 26


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tesourinhos musicais 14 - Blusões Negros


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Programa 37 - K'arranca às Quartas

Programa de Rádio com palavras, livros e música  - 02 de Outubro de 2024. 

  tal e qual como se fosse em directo. Hoje falando de Ruy Duarte de Carvalho, da felicidade e do poder ser feliz, muita Música da lusofonia e outras tantas palavras mais

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30 de setembro de 2024

Vou de férias, mas volto

Troco-me as voltas nas voltas que faço e reformado vou de férias que isto de ver sempre as mesmas ruas, subir as mesmas colinas e ver sempre as mesmas árvores tem que nem posso

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