recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de outubro de 2022

se fosse o que fui eu sou

Fosse eu um caminhante de levitação, uma nuvem sobre montanhas, ser o primeiro a ver o amanhecer todas as manhãs, sem cordas ou amarras, livre de receios e outros medos, podendo voltar a qualquer lugar e aí permanecer eternamente, momentaneamente ou fugazmente, sonhando sonhos imortais e intemporais, ver todas as tardes o por de sol, sem interferência ou intercorrência e era a criança que não cresceu. 
Sentado na falésia da fortaleza a olhar o mar, sempre me senti o filho da mãe, protegido, príncipe, seguro nas noites cacimbadas dos meses de Agosto, que não queria ser mais outro que não essa criança.
Deixada a falésia da fortaleza, cresci, tomei amarras a lugares imperdíveis, amarrei corações alguns impossíveis, vi luzes nas noites sem lua e bronzeei-me nos dias sem sol, fantasiei-me de cavaleiro, marinheiro e outros tantos heróis vistos na telas do Impala ou nas matinés do Eurico.
Perdido o cabelo solto de longas farripas sobre os olhos, acinzentado no todo restante dos tempos que passam, olhando para trás me revejo em cada momento da minha sincrónica onde de pensamento. Eu fui a criança que se sentou na falésia da fortaleza, que sonha ainda um dia ser grande.



Sanzalando

#lugaresincriveis


30 de outubro de 2022

Fiz anos, mas poucos ainda

Eu fiz anos faz dois dias. Escrever uma frase de agradecimento a cada um que me parabenizou seria moléstia a mais para um ser humano, não o fazer seria deseducação da minha parte eu não foi assim que a minha família me ensinou. Na dúvida do que havia de fazer sobrou escrever um textinho para todos, assim a modo de que me redimir de deseducação, de parecer culto e universal.
Na verdade completei mais uma volta ao sol desde que a minha mãe me pôs cá fora, me separou da placentária parte da minha existência. Uma imensidão de tempo e momentos vividos, de pessoas que se cruzaram na minha linha, que se misturaram na minha existência, que me derrotaram, que me glorificaram, que me fizeram lutar, combater ou simplesmente ser feliz. Uma vasta raiz de memórias, nuns bites de consciência livre, um caminho de experiência feito, com a ajuda desses todos e mais alguns que são sempre os ignorados da história, me fiz quem sou. Estou grato por me terem facilitado chegar aqui e sei que facilitarão chegar um pouco mais lá, mesmo que seja difícil para mim suportar-me porque sei onde estou e sei onde gostaria de chegar.
Esses todos, os que ajudaram a dar mais uma volta ao sol, só posso dizer OBRIGADO


Sanzalando

#memoria


#imbondeiro


#zulmarinho


15 de outubro de 2022

#viagem Deste vez será para outro lado


#bebidas


ela faz anos mas eu não lhe digo

E aos 15 de Outubro faz anos que nasceste. 
Eu sei que ao longo da vida foste plantando árvores. Algumas de agradecimento à natureza e outras para te distraíres deste dia de agradecimentos e retribuições. Choras a um canto, escondida, enquanto nós sorrimos e festejamos. As tuas árvores vão crescendo, algumas frutificando e outras nem sim nem não. Não são deste clima, não são deste dia. Mas a verdade é que fazes anos e por qualquer coisa que desconheço não consegues desligar da tristeza neste dia. Mas ali estão as árvores que plantaste a baloiçar ao sabor do vento feito brisa que vem desde a serra até aqui quase no mar. Umas mais crescidas que outras, mas todas vistosas em pé de vento dançando.
Não gostas deste dia. Pudesse eu saltava o calendário, mas tem gente ia ficar zangada comigo. Festejo os teus anos sem te dizer. Admiro as tuas árvores sorrindo, enquanto choras escondida a um canto.
Fazes anos e eu te dou os parabéns sem te lembrar que dia é hoje, faz conta ele não existiu.
Lembra só, a vida é importante.


Sanzalando

14 de outubro de 2022

#comida


até breve

Se o meu passado fosse presente era sinal que eu não tinha o futuro que já tive. Seja benção ou maldição essa é a verdade. As memórias não viraram cinza e o futuro não é uma certeza inexistente. Hoje é presente, ontem foi passado e amanhã logo se verá. Esta é a grande vantagem de caminhar sem congelações. congestões e outras vadiações. O meu presente é aberto e não escondido atrás dum passado em que poderia viver.
Por isso vou de férias. Até breve!


Sanzalando

13 de outubro de 2022

a minha estória

Em passos largos fui escrevendo a minha estórias como quem caminha pela vida, sorrindo e cantarolando como se fosse fácil viver a vida. Não é dificil e nem precisa manual de instruções, isso só ia complicar mais pois ninguém tem paciência para ler as linhas e entrelinhas., mas também não é fácil pois há muito para recordar de modo a não cometer o mesmo erro em diferentes ocasiões. Mas esta foi a forma de eu me ultrapassar, recordando os tempos e curando traumas de amor e de carne. 
É a estória em versão completa ou reduzida? Não faço ideia porque é a aminha estória e ela foi por mim vivida nesses termos e se esqueci alguma parte foi intencional ou não. Esquecimento é coisa que acontece e não é pecado nem crime. Não me lembro do acto em que nasci mas a verdade é que estou aqui..
Mas escrevi e agora tenho de dar tempo ao meu tempo de ir de férias, parte certa deste redondo mundo que percorro sorrindo enquanto caminho sobre a minha estória.

Sanzalando

12 de outubro de 2022

#imbondeiro


ouvir silêncios e outros sons

Me deixa ir só por aí a escutar os sons da natureza. A solidão tem um som específico. A tristeza tem o seu próprio som. O pássaro, o mar e até o vento leste o têm. Cada um tem o seu próprio modo de se fazer ouvir. O vazio tem também. Os meus passos são audíveis pelos ouvidos apurados do silêncio assim como o é o meu pensamento. Me deixa só ir ouvir a natureza. Me deixa ir encontrar o som. Aquele som que procuro e que perdi no momento em que começou o meu falecimento, no momento em que nasci. Como eu queria ouvir o som do útero materno. Como eu queria ter apenasmente o abraço materno e o seu silencioso som.
Me deixa só ir ouvir o que tiver que ser.


Sanzalando

11 de outubro de 2022

eu e o livro

Hoje me apeteceu ir na tipografia do Zé Côco que também foi do meu pai e falar sério com o mais velho parece o Eça de Queirós. É assim de mais ou menos que estou a pensar escrever um livro de estórias, faz tempo lhes guardo na memória. Zé Côco tem o caricoco na boca. Eu acho ele dorme com um. É só um achar que eu não sou de inventar. Ele me pergunta se é poesia. Lhe digo não, que isso ele faz é bem muito melhor que eu tentei. Mas a gente aqui não faz assim livro sem ser de facturas e de remessa. Zé Côco acho não me entendeu. Vou falar com o filho Beto. Ele me vai entender. Pára de montar as letras ao contrário e me dispara:
- Diz lá Chuinga, que é que queres?
Lhe explico tudo direitinho como eu pensei. Enquanto isso vou atrás dele até ao anexo onde está a guilhotina e se faz a encadernação. Ele não pára. Não sei se me entende ou faz de que sim só para me ouvir mais.
Voltámos para trás. Figueiras está na máquina que parece é robot mas ainda não tinham inventado essa palavra em português, tira papel branco sai papel com letras e linhas e diz se chama facturas. E lá estou eu a lhe repetir que quero fazer um livro de muitas letras para os adultos lerem depois do pôr-do-sol na varada como faz o meu avô.
- Não Chuinga. Primeiro tens de crescer e aprender a escrever, fazer os trabalhos de casa, ler muito e depois inventar para escrever.
Lhe olhei debaixo porque sou mais baixo que ele que é adulto e tem Vespa, descompreendi de ter de inventar se tudo já estava inventado, era só escrever e ele fazer o livro nas máquinas que usam tinta parece é tinta de choco.
-Te digo, Chuinga, vai prá escola e fica com muita atenção. Vais ver que o que escreveste não é literatura para sair em livro.
E ainda cá ando eu a ver se aprendo.


Sanzalando



10 de outubro de 2022

despreocupadamente não me entendo

Faz conta eu estou a escrever uma carta a quem me gosta muito, que sou eu mesmo, porque às vezes parece não nos entendermos. Era bom que eu próprio entendesse os meus sinais, ouvisse e interpretasse os meus silêncios, compreendesse os meus afastamentos e recebesse os meus abraços. Mas desconsigo deixar transparecer-me, silenciar-me ou me afastar sorrateiramente. Como é que eu posso me abraçar se o abraçador sou eu? Me ouvir já é coisa difícil porque me distraio na melodia da minha voz, nos brilhos que me rodeiam. 
Faz conta eu não me entendo, nem por escrito.



Sanzalando

#bebidas


8 de outubro de 2022

não o sei tudo

Sou a certeza absoluta que tenho perguntas cujas respostas nem imagino. Mas despreocupado passo por isso, arranjando solução menos amarga, menos áspera ou ácida. As respostas aparecerão não tarda. Agora, não esperarei de braços cruzados, abraçando o medo de errar. Sinto-me livre para procurar e resolver. 
Sou a certeza que tenho dúvidas por esclarecer e resolver. Sapiência máxima da minha ignorância é ter a certeza que não sei tudo.


Sanzalando

#lugaresincriveis #momentos