23 de setembro de 2007

delírios dum domingo

Me sento algures por aqui. Faz tempo escondi o sorriso atrás duma máscara de dor, desalento, tristeza e outras coisas assim mais cinzentas. Não foi voluntário porque é coisa que a gente nem tem capacidade de escolher. Acontece e marcam na forma de cicatriz, tatuagem da alma em decomposição.
Eu sei que um dia ainda vou rir deste tempo, um dia ainda vamos rir de tudo o que eu te falei, esquecendo estes dias cinzentos baços.
Não penses que foi teres deixado de me interessar e estar a caminhar para o divórcio de ti. Não foi a tua indiferença, como mandam as regras, que me derrubou do meu pedestal, que me atirou para o lado cinzento da vida. Foi mesmo a natureza dos acontecimentos.
Não, não te estou a renunciar nem a anunciar uma rotura. Faz muito tempo que decidi dedicar-me em vida a ti e essa decisão não lhe retirei. Talvez até te possa ter adiado por uns tempos. Talvez eu queira esconder dos teus olhos este meu lado cinzento e te fale ainda com as palavras suaves que tu me retribuis com os teus silêncios.
Não, não te estou a anunciar a minha ruína nem a minha suavidade é ficção nem cheia de engano nem tentativa desesperada de tu me receberes.
Deixar de te falar foi coisa que pensei, mas não me cansei de repetir-te o meu amor por ti.
Não, um dia ainda nos vamos rir como já rimos tantas vezes.

Sanzalando

1 comentário:

  1. É bom demais, quando se consegue liberar certos sentimentos contidos.
    Sentimentos de tristeza, de dor ou de alguma coisa que ficou mal entendida lá no passado, incomodam quando ficam presos, é como um grito que não saiu e ficou trancado na garganta, só fazendo mal e muitas vezes nem percebemos.
    Quando se exterioriza alivia a mente beneficiando também o físico.
    Uma feliz semana.
    Chata de plantão.

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recomeça o futuro sem esquecer o passado