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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Pertinências 6 - Escritores algarvios
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- Pertinências 26 - A Música na Feira do Lovro em Portimão 2926
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18 de outubro de 2016
17 de outubro de 2016
16 de outubro de 2016
15 de outubro de 2016
14 de outubro de 2016
13 de outubro de 2016
12 de outubro de 2016
9 de outubro de 2016
7 de outubro de 2016
caminho à sombra
Hoje o caminho é pela sombra. São tantas as vezes que eu tento dar luz a caminhos sombrios que hoje, porque é de tarde, me apetece caminhar na sombra. Eu sei que podia partir, sei que podia simplesmente ficar, porém, caminho, umas vezes sonhando com o deserto outras mar e outras floresta. Caminho, mas nem sempre o mais fácil é fugir da dor, da saudade ou da alegria. Caminho pela paz de espírito, pelo silêncio de mim e alegria do outros. Meu pai me dizia que os caminhos são desconhecidos até os percorrermos. É o que eu faço. Caminho por caminhos que levam por aí. O caminho não me importa.
Sanzalando
6 de outubro de 2016
olhar
Não foi um abraço nem um beijo. Foi mesmo e só o teu olhar. Não foi o eu fechar os olhos e sonhar, foi mesmo a carícia do teu olhar. Foi mais ou menos assim num parar do tempo e só existíssemos nós os dois.
É mais como olhar-te e ver que os teus olhos continuam a dialogar comigo. O teu olhar sorri-me.
Os teus olhos fazem-me não ter medo porque sei que o teu olhar levam os meus e não é em vão
Sanzalando
5 de outubro de 2016
sorriso
Felizmente o meu sorriso tem o teu a acompanhar. Um sorriso vadio tem valor mas um acompanhado nem te conto. Um sorriso pode abraçar alguém sem que alguém sinta o toque do corpo e braços. Uma pessoa é feliz quando o corpo sorri.
Com e sem palavras sorrio mesmo que às vezes o meu sorriso transporte alguma tristeza. É mais fácil carregar esse peso com um sorriso.
Dá-me um sorriso. Obrigado!
Sanzalando
4 de outubro de 2016
reflexão
Olhando para mim e verifico que tento mudar por dentro para que o fora seja um reflexo. Eu tento que o que me vêem seja o reflexo de mim, fotografia simétrica da minha intimidade, sorriso estampado na alma, pureza clara de pensamento positivo. Enfim, que o meu silêncio exterior não seja sinal da minha inexistência ou alheamento, que a minha procura de correspondência seja sinal de complementaridade.
Afinal de contas trata-se apenas de uma simples conta de aritmética: quantos sonhos já me tirou a vida ou quanta vida já fora tirada pelos sonhos. Nem quero saber, pois tento viver a vida com os meus sonhos, com a riqueza de pensar e sonhar a vida tal qual ela me faça feliz.
Eu sou apenas o reflexo do meu ser.
Sanzalando
2 de outubro de 2016
Capuchinho Vermelho
Estando eu a ler a estória do Capuchinho Vermelho dou comigo a pensar que o Lobo Mau é sempre o mau da estória. Se a estória fosse contada pelo Lobo será que era assim na mesma? Caramba. Já não consigo responder às minhas perguntas.
Afinal de conta eu sou um amante de silêncios, de palavras caladas e sorrisos sinceros e não carrego ódios, aquela coisa que faz a boca ser mais rápida que o pensamento.
Vou continuar a ler a estória do Capuchinho Vermelho contada por ela mesmo e esperar que haja o contraditório.
Sanzalando
30 de setembro de 2016
palavras de vocação
Me sento à beira mar, ouço a música do mar e adentrando-me em mim, com voz de silêncio procuro um caminho a seguir.
Olhando as plantas, lembrando-me da clorofila imagino-me pelo caminho da agricultura e florestas, por laboratórios de bicos de buzen e pipetas, conta gotas e outros tubinhos e decido-me que por aí não vou.
Imagino-me a contar números, somar e subtraí-los, multiplicar e ainda encontrar uma raiz quadrada, um que seja primo e digo-me que matemática não vai ser o meu lugar.
Olhei para um texto de Satre, não a Náusea, mas um outro com apontamentos de Simone de Beauvoir, em que me diz que o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos, para dizer-me que pela retórica política não me apanham.
Então vou contar vísceras, descrevê-las e situá-las, saber que vinte e cinco por centro dos nossos ossos estão nos pés, e pensarei num futuro, que em Medicina não vou ver-me.
Enfim, sentado à beira mar procurei uma quantas mais profissões e decidi que ainda era cedo para decidir.
O tempo passou. Matemáticamente certo. Biológicamente polido e médicamente irrepreensível.
Vesti-me com os raios de sol que ainda teimam em sorrir-me e esperei sentado uma decisão superior.
À beira mar encontrei uma estrada de alegria e a vida seguiu Biológica, Matemática e Medicamente assistida, sabendo que o medo matou muitas vocações.
Sanzalando
29 de setembro de 2016
amor sem palavras
Se tudo fosse fácil todos o teríamos. O Amor não é fácil, a dor não é fácil, as palavras não são fáceis e as lágrimas custam tanto.
Falemos de Amor. O Amor de verdade, o que tem de tudo mas não é fácil. É maduro, sereno, não é um sobe e desce que provoca vómitos, uma ondulação de sentimentos, uma conturbação de comportamentos, uma perseguição de pensamentos. O Amor de verdade é uma chegada, um dia e noite constante, é um carinho, é uma devoção, um sentimento realizado ou a caminho da sua realização.
O Amor de verdade é vocação. Lindo e porém não fugaz como um pôr-de-sol de meia estação.
O Amor de verdade não tem palavras. Sente-se.
Sanzalando
28 de setembro de 2016
silêncio em palavras
Sabe-me a silêncio. Não ao que dói, não ao que ensurdece, não ao que provoca lágrimas. Portanto não ao teu silêncio. Mas ao silêncio da alma, ao silêncio da meditação, ao do conhecimento. Ao meu silêncio provocado e caladamente sentido, ao que encontro na paz de mim. Às vezes é preciso estar calado para proteger o tesouro, cofre aberto não é seguro. Sabe-me bem este silêncio mesmo que às vezes me pareça que ele fala muito comigo.
Às vezes faço tanto barulho que não consigo ouvir o meu silêncio. Hoje ouço-o bem e bem me sabe.
Sanzalando
27 de setembro de 2016
auto-biografado em meia dúzia de palavras
Trazia o peito carregado de febre. Os pulmões arfavam num sufoco de que jamais seriam suficientes para durarem uma vida, pensava eu. Tudo parecia não ia dar certo e tudo se modificava a cada olhar vazio. A certeza viscosa da dúvida impedia-me de raciocinar. Um prenuncio de sorte, de fé e quem sabe de esperança precisava que chovessem em mim. A metódica certeza duma dúvida continuada na monotonia do quotidiano preenchia-me o vazio da alma. E eu arfava numa falta de ar mental. Imaginei-me como um desenho desenhado numa qualquer escola primária. Desproporcionando. Sentia-me prisioneiro da ignorância com os olhos perdidos na distância. Se eu tivesse à mão de semear um conjunto de palavras eu diria que Grande Falta de Vontade. Mas estava assim, de olhos verdes, porque não amadurecidos, e pupilas contraídas porque todo eu era contracção, inerte como um dia parado, um relógio avariado, um pedaço de vidro abandonado, uma chama apagada dum fogo inexistente. Eu era a ausência de mim.
Depois, num cair de surpresa, num sorriso escondido num copo vazio de vinho tinto, numa dia que era noite dentro, a invisibilidade foi-se desfazendo, as palavras imodificáveis se foram construindo como se um palácio fossem, fui-me encadernado em ideias certas, em memórias recentes, vocações escondidas em medos antigos e o gosto violento se foi diluindo, a ausência tornou-se paradoxal, o corpo moldado num esculpir de ideias certas, a vontade fixada em ferro forjado, a dor descontrolada se sumindo em argolas de fumo e eu fui reaparecendo por entre sorrisos, dialéticas virtudes dum ser superior que se foi reconstruindo, vocação desimportante se erguendo qual mar manso dum poço de virtudes.
Eis-me auto-biografado em meia dúzia de palavras, saltado grades, muros e dunas entrando no zulmarinho da minha existência terrena, a real.
26 de setembro de 2016
aparando a relva
Já tentei escrever com os pontos e virgulas nos seus sítios. Não gostei. Eu não sou de ponto final e parágrafo.Eu é mais reticências e reticente. Eu é mais de compreensão lenta e apreensão rápida. Já tentei rabiscar ruas, rotundas e becos sem saída. Deu sentido proibido.
Afinal de contas a minha sinalética é mesmo a de trânsito que isto da gramática tem coisas do arco e da velha.
Se existisse gramática entre a sístole e a diástole eu estaria em assistolia.
Sendo assim vou ali pastar as cabrinhas que a relva precisa ser aparada
Sanzalando
25 de setembro de 2016
um dia
Sentado no silêncio do mundo, letra a letra fui lendo qie outros escreviam. Um dia eu vou ser capaz de ler sem parar, sem ter de olhar para onde estou e sem ter de soletrar a minha existência.
Um dia, vou ter vocação. Hoje fico-me a ler o livro, o mar e o céu.
Sanzalando
20 de setembro de 2016
reinício
Nem tudo na vida é claro. Nem nos livros. Nem nas simples palavras.
Sanzalando
Pouco a pouco fui-me definindo. Não uso palavras imprenunciáveis, apenas frases imperfeitas de ideias feitas.
Vou tentar aprender
Sanzalando
16 de setembro de 2016
vagabundando palavras - parte final
Agarro nos meus pensamentos e lhes ordeno silêncio. Não o silêncio barulhento duma arrufo, mas o silêncio meditativo dum momento a sós comigo.
Quero fazer das minhas palavras um argumento dos sentimentos experimentados ao longo da vida. Calmos e serenos, não sarrabulhados e assíncronos da minha realidade.
Quero palavras que mostrem que a solidão quando existe é uma opção, um afecto e não uma comichão de sentimentos vazios.
Com as minhas mãos transpiradas seguro os meus pensamentos, alinho-os numa carreirinho e seguro-os com amor de quem os viveu.
Hora de terminar um vagabundear de palavras e reiniciar um presente novo de palavras com e sem rima.
Sanzalando
14 de setembro de 2016
constatação
Advirto que estar longe de ti me dá saudades. As palavras que utilizo, simples e inequívocas, mostram que apesar de vagabundo, me sinto seguro do que significam, solto de liberdade, leve de pureza e certo de certeza.
Se tiver que chorar choro, gargalhar gargalho, abraçar abraço. Sou um vagabundo de palavras que vive livre nas palavras que usa, nos gestos que faz.
Não me escondo por trás de segundos sentidos, de palavras ocas ou de gestos sem sentido.
Constato que é tão bom não estar longe de ti.
Sanzalando
12 de setembro de 2016
Foi um é giro
Eu sei que preciso de tempo. Sei que precisas de espaço.
Deste-me um relógio, devolvi-te um quadrado de mim.
Ruborizei com o embaraço de não te ter dado o meu jardim porque a flor mais bonita dele eras tu.
Foi então que desisti e tu de mim desististe. Insistimos porque ambos valíamos o esforço.
Deste-me espaço e devolvi-te tempo e no final acabámos juntinhos feitos um.
Tropeçámos ideias, descalçamos factos e desatamos nós da vida.
Foi um é giro. Apenasmente isso.
Sanzalando
Deste-me um relógio, devolvi-te um quadrado de mim.
Ruborizei com o embaraço de não te ter dado o meu jardim porque a flor mais bonita dele eras tu.
Foi então que desisti e tu de mim desististe. Insistimos porque ambos valíamos o esforço.
Deste-me espaço e devolvi-te tempo e no final acabámos juntinhos feitos um.
Tropeçámos ideias, descalçamos factos e desatamos nós da vida.
Foi um é giro. Apenasmente isso.
Sanzalando
7 de setembro de 2016
não vou procurar palavras
Hoje não me apetece procurar palavras.
Sanzalando
Acho vou recitar um mantra enquanto dou passos atrás de passos em direcção a lado nenhum. Acho vou procurar pensamentos noutros ventos, noutras águas que ainda não passaram sobre a minha ponte, noutros lugares vazios de mim.
Acho vou admirar o sol poente num silêncio meditativo, contar com quantas cores de fogo se descreve esse momento e com quantos minutos se escreve anoiteceu.
Hoje não vou procurar palavras de mãos dadas, vírgulas e exclamações. Hoje vou só ficar no meu canto passeando ventos e pastando memórias.
Sanzalando
6 de setembro de 2016
Zulmarinho perfume
Faz conta eu uso perfume. Antes de eu chegar já tu sabes eu estou a caminho. Eu uso zulmarinho de perfume. Tu sabes eu estou a chegar de cabelo curto, barba feita, sorriso nos lábios.
É, o mundo não acabou e por isso eu sorrio.
Pensei ligar-te a dizer que ia chegar tarde.
O perfume de mar me denunciou. Eu estava perdido sem ti.
Demos um beijo e de mãos dadas fomos dar um mergulho no mar.
O mar lava tudo, incluindo a alma e as saudades de outro mar e outras marés que estão para lá da linha recta que é curva e lhe chamam de horizonte.
Sanzalando
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