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Conversas à Mesa
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1 de março de 2019
me olha só
Me olha só nos olhos. Te esqueceste que a gente se conhece desde o tempo em que ainda eu nem sabia o que é que era chorar? Eu sei tu já ouviste falar de mim, dos filmes que eu vi nos teus dois cinemas, nas músicas que ouvi no RCM ou na discoteca da paróquia e mais tarde no Cardin. Eu sei que não tens tempo de pensar em mim, não tens tempo de saborear a minha existência e deves imaginar eu sou um desamor que te abandonou na flor da adolescência. Eu sei eu te frustrei porque faz tempo não caminhamos no tempo de mão dada.
Me olha só nos olhos, uma vez mais. A nossa hora um dia vai chegar. Eu sei só porque sim.
Me olha só nos olhos, uma vez mais. A nossa hora um dia vai chegar. Eu sei só porque sim.
Sanzalando
28 de fevereiro de 2019
sopra vento norte
Como sopra o vento vindo lá do norte em direcção ao meu sul.
Sanzalando
Respiro fundo. Me deixo levar pelo sopro. A minha vida não é esta, não é assim que me defino. As cicatrizes são isso mesmo, cicatrizes, feridas que sararam dos tombos que fui dando como todos os tombos fortuitos. Dei uma pausa, o tempo, medida, me fez parar e respirar. Usei o tempo a meu favor.
Há momentos em que a pausa, o puxar o ar para dentro, o respirar, faz soltar os pensamentos de lá de dentro, soltá-los entre dúvidas e inspirações e rebentar as bolhas da incerteza. Não deixo as feridas sangrarem mais do que o menos tempo possível, não levar as dores às costas nem carregar o mundo dentro de mim.
Com este vento que sopra do norte, que apaga as velas da escuridão, que despenteia os alinhados pensamentos, que consegue ultrapassar os problemas, cicatrizo as minhas feridas, ergo-me no meu pedestal e cabeça levantada entro nos melhores dias da minha vida.
Que me disse isto tudo assim caladinho foi o zulmarinho
Há momentos em que a pausa, o puxar o ar para dentro, o respirar, faz soltar os pensamentos de lá de dentro, soltá-los entre dúvidas e inspirações e rebentar as bolhas da incerteza. Não deixo as feridas sangrarem mais do que o menos tempo possível, não levar as dores às costas nem carregar o mundo dentro de mim.
Com este vento que sopra do norte, que apaga as velas da escuridão, que despenteia os alinhados pensamentos, que consegue ultrapassar os problemas, cicatrizo as minhas feridas, ergo-me no meu pedestal e cabeça levantada entro nos melhores dias da minha vida.
Que me disse isto tudo assim caladinho foi o zulmarinho
Sanzalando
27 de fevereiro de 2019
ganhar vida em cada sorriso
E o sol continua a nascer brilhante como o diamante da morena da minha adolescência. Eu, o zulmarinho e pedaços da minha memória, viajamos à velocidade da luz por tempos que não sei se tiveram existência ou foram apenas imaginação.
Algumas vezes, por acaso e salteando, leio as palavras que por aqui e por ali fui deixando, e vou sentindo saudades dos tempos em que as coisas eram fáceis.
O sol continua a brilhar e com o tempo a gente cresce e vai dando conta do que se vai perdendo. É certo e a certeza às vezes amachuca.
O sonho é um alivio da vida, a realidade é um exagero e eu não sei porque me deito sobre isto quando podia estar só ali no meu canto a sonhar.
Ah, vou devolver as milhentas agulhas que fui engolindo ao longo do tempo e mesmo que doa vou sorrir porque perdido está no passado e no futuro é só ganho, um ganhar de vida em cada sorriso.
Sanzalando
26 de fevereiro de 2019
coerência na existência
Deixo nascer o sol, prevendo que vai nascer um dia lindo. Os dias são sempre lindos desde que eu os possa apreciar.
O zulmarinho lá está no seu azul revolto, marulhando como um rugido de leão, espraiando-se como uma avalanche de espuma sobre a areia das mil cores que parece se gasta em praias curtas.
E eu medito. E eu deslizo pensamentos, uns sobre outros, num completo volteio da minha existência. Não me cobro assim tanto, não me encareço para desvalorizar. Já o universo está cheio de críticos, alguéns que gostam de julgar quando não passam de gente vestida sem roupas, nuas de cuecas e conhecimentos, vazias de sabedoria ou cultura. São as pessoas do inferno que infernizam as pessoas deste mundo. Eu, solidário da solidão voluntária, gordo de prazer e de vida, não olhando para audiência, apenas na vivência e consistência, sigo os pensamentos como forma de vida. Coerência na existência, mesmo nos dias maus de inverno.
Sanzalando
25 de fevereiro de 2019
o tempo de inverno em verão vice versa
Não me deixo embalar no balanço brilhante do sol que queima, porém sinto um universo dentro de mim e assisto a um céu nublar e desnublar com tamanha frequência que não consigo acompanhar. Perdi as contas, a quantidade de vezes que isso acontece ao dia. Já não sei a definição de tempo que é distinta aqui, cada planeta dentro de mim, e eu não consigo acompanhar as mudanças imprevisíveis desse tempo/clima, identificar em que momento deste tempo/medida eu estou em que planeta, só sinto as consequências deles que eu não prevejo, elas apenas me acometem e eu as aceito, as permito e as incentivo.
É tão tempestuoso por aqui, chove tanto algures numa parte de mim, chovo demais e noutros sou deserto.
É inverno e é verão. Venha santo ou diabo e eu sou ambos. Dependo-me dum querer que já não sei o que quero. Dependo dum tempo que não sei se tem tempo para o tempo que tenho.
Sanzalando
Sanzalando
24 de fevereiro de 2019
23 de fevereiro de 2019
22 de fevereiro de 2019
zulmarinar
Hoje vim zulmarinar. Assim mesmo. Zulmarinar-me. Olhar esse zulmarinho e esquecer eu existo. Esquecer palavras, frases, textos e contextos. Vou só zulmarinar. Sei que está frio e não posso me molhar. Sei que as ondas estão de mar bravo e não posso mergulhar. Sei que não é tempo de me esquecer de mim e do mundo. Por isso e apenas por isso me zulmarino na dobra que se desdobra numa manobra de sonho e meditação, num ajeitar da vida de encontros emotivos. Hoje zulmarinei-me, apenas.
Sanzalando
21 de fevereiro de 2019
Maduro e Sábio
Ai que o sol se faz sentir nos olhos e não no corpo. Sol de inverno parece é verão olhado de dentro da janela. Neste canto, protegido desse vento que ultrapassou a minha preferida brisa, me deito a meditar sobre tudo e quase sempre sobre nada. Muitas vezes ponho ko o meu ego, rasteiro o meu orgulho e dou um jeito diferente de ver as minhas falhas e os meus erros. Amadureço! Afinal de contas ainda estou a crescer, e tenho muito por onde o fazer.
Imagino-me maduro e sábio um dia.
O sol de inverno tem destas coisas.
Sanzalando
19 de fevereiro de 2019
olhei o sol de inverno
Olhei à minha volta e o sol brilhava que nem novo. Foi aí que, olhando no zulmarinho, me atirei às feras do pensamento e desatei numa luta de imaginações e outras constatações. Em algum lugar da minha cabeça eu acreditei em mim, no espaço que fui ocupando ao longo do tempo, em todas as coisas que me aproximei, em todas as conversas que me entretive, em todas as carícias que dei e recebi. O sol não brilharia assim se eu não estivesse aqui.
Na sombra, na penumbra ou na escuridão da vida eu também vi luz, mas não este brilho do sol que eu sinto junto deste zulmarinho. Se me perder eu me encontro, não me deixo soterrar por esses monstros pesadelos, essas disformes forças de dor e saudade.
Faz sol que não aquece mas brilha que até parece é dia de verão do lado de lá, do outro lado de mim.
Sanzalando
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