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A Minha Sanzala: chorarei a céu aberto.
recomeça o futuro sem esquecer o passado

5 de outubro de 2010

chorarei a céu aberto.

Me perco de mim em passagens por imagens imaginadas. Arranco-me do passado em direcção a um futuro que idealizo e levo essas imagens como se elas fossem cópias da realidade. Vivo-as reinventando a nossa vida a dois como se nunca nada  nos tivesse separado. Com os meus dentes e as minhas mãos inquietas percorro o teu virtual corpo, saboreio-te o perfume e me aqueço no teu calor. Faço da minha impaciência carnal um ritual que pode parecer uma dança ou uma histeria, mas a imagem imaginada me é real. Vivo-a e perco-me nessa vivência e mais uma vez me afogo nas palavras que ficaram por te dizer. A tua voz, sempre silenciosa, me transmite a incerteza de um dia tudo voltar-me a ser como dantes.
E eu, como sempre, me perco na cadeia de realidades que me inventei contigo. Sons, luzes e cores, odores e perfumes carregados, música alta abafando sofrimentos e eu, como sempre, perdido em imagens que te inventei. Sempre sem passado e com incerto futuro caminho vagabundeando pela imaginação colorida da insónia.
Talvez me diga que se saltar fronteiras eu me encontre e uma nova vida seja para mim reinventada. Talvez assim os meus olhos deixem de chorar e eu deixe de procurar na desarrumação da memória as imagens que te guardei.
Me perco sempre por aqui, sem norte e sem sul, com a alma nua e lágrima salgada correndo para o mar da desilusão.
Um dia, vou acordar e vão-me dizer que é tarde.
Aí tomarei conta da dança, reinvento-a e me dirão que fui copiar à realidade a minha vida. Chorarei, mas desta vez a céu aberto.


Sanzalando

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