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A Minha Sanzala: Setembro 2010
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de setembro de 2010

procuro

Procuro os prazeres dos meus sonhos quando penso que tudo está perdido, da mesma forma que acendo a luz quando a escuridão me invade e procuro que a noite termine. Procuro-me quando me olho e me pergunto onde está tudo. Procuro o caminho, por mais voltas que ele tenha, por mais sombras que o ensombrem, por mais precipícios existentes, até que o dia se me amanheça na alma.
A noite escura, que pode ser ao meio dia, como às cinco, às nove ou às 19, faz com que o meu corpo se definhe em medos, duvidas, incertezas absolutas e certezas incertas. A noite, essa noite especial que faz com se me calem as palavras e se brotem as lágrimas pela face como um rio a nascer, faz-me procurar-te  para que o sol nasça em cada instante e eu consiga ser o eu que gosto de ser.
Esta noite, não é a noite dos deuses.


Sanzalando

29 de setembro de 2010

e eu me deixo

Me embalo no som das palavras como se elas fossem o bater do meu coração. Elas parecem o teclar dum piano que eu não sei tocar, o som suave duma velha máquina de escrever que faz tempo eu me esqueci de como é que é. Elas são apenas palavras que digo e que o vento, às vezes brisa, outras tempestade, as leva para algum lugar. 
Ou será que as palavras são diluidas no ar?
Tem palavras que até parecem respiram sozinhas, até parecem foram ditas por elas próprias. Tem outras palavras que só elas sabem o que dizem e a quem o fazem. São palavras personalizadas, muitas vezes sofridas e poucas alegradas.
E eu me deixo embalar no som das palavras que penso que estou a dizer-te. Muda-se-me a voz, dizem até o sutaque. Não dou por nada porque vou embalado nas palavras que brilham na paixão que te tenho.
E eu me deixo embalar nas palavras que se começam dum nada, que não têm estória, nem enredo e se calhar nem memória. Fluem dissolvendo-se no ar, sem necessidade que haja quem as ouça, quem as goste, quem as absorva. Tu? Longe, nem deves ter tempo para me ouvir nem silêncio para saber que eu existo.
E eu me deixo embalar nas palavras do gesto com gosto de te gostar.
Sanzalando

28 de setembro de 2010

deve ser

Deixo o tempo escorrer por entre os dedos das mãos feitas concha. Não consigo ser hermético.Ele foge-me como se fugisse a sete pés. Nunca percebi porquê os tantos pés, que para mim dois chegam para dar berrida de mim quando de mim estou cansado. Mas dizia, que ele, o tempo, se me foge como se fosse eu o diabo a segurar a cruz e nunca percebi o porquê.
Deve ser porque eu seguro na memória o teu rosto sonhado e nunca esquecido, porque percorri os teus caminhos ainda não inventados desta peregrinação a lado nenhum, porque senti o bater do teu coração parado ao longe, para além da miragem, para além donde a minha vista alcança.
Deve ser porque deixo as lágrimas criarem rios de palavras nas montanhas de nostalgia.
Deve ser... tantos devem ser os seres que eu nem sei qual o ser que já sou.
Apenas deve ser porque sim!

Sanzalando

27 de setembro de 2010

é duro ser-se humano

Me sento no degrau da esperança como quem espera que do céu caia a boa nova que tarda aparecer. Trago os óculos escuros, mesmo não estando sol, apenas para esconder as lágrimas que me esqueci de chorar na hora certa e não me apeteceu vertê-las à posteriori. 
Olho-te, através da minha imaginação, e digo para mim que és um desperdício. Olho-me, com total independência pessoal, e digo-me que sacrifício. É o fruto deste amor que de todo parece impossível.
Apanhando o menor caminho que me leva a ti, a memória, mantenho-me que é vital manter este amor, sangrento, violento, doce amargo, ternurento e enraivecido, como a base da minha existência.
Não é mentira nem são palavras atiradas ao vento desta penumbrosa manhã de outono quando te começas a aquecer. Eu quero-me aquecer, na vida, em cada instante, em cada imagem. Eu quero ter-te e sei que vou ter-te. Nem que seja apenas na memória.
Já não sei se te lembras como é a minha voz, como é a minha gargalhada, como era o meu rosto antes de aparecerem as rugas. Eu lembro-me de ti em cada tempo teu.
Início todos os dias um novo caminho que me leve a ti e todos os dias eu me perco, eu me deixo tropeçar nas batidas aceleradas do coração, na desistência da distância.
É assim, todos os dias, sentado neste ou noutro lugar, eu me deixo levar pela janela da melancolia.
É duro ser-se humano e amar-te!

Sanzalando

26 de setembro de 2010

me deixo

Me deixo embalar no vazio, talvez porque as minhas ideias hoje estejam pintadas de preto transparente e eu não consiga ver a claridade de amanhã ou talvez seja pelas minhas inseguranças em relação ao rigido mundo que me rodeia.
Se calhar a minha fortaleza é um castelo de papel e a minha vulnerabilidade arde num acender de fósforo.
Me deixo enterrar na tristeza porque não tenho a tua mão a quem dar a minha, não tenho o teu perfume para me envolver nesse manto de odor ,nem tenho o teu respirar sereno e ritmado para me acalmar.
Apenasmente me deixo embalar neste Domingo de não sei quem.

Sanzalando

25 de setembro de 2010

instantaneos momentos

Sentado no descanso da vida, a olhar para mais lado nenhum que eu consiga ver, declaro solenemente que não acabarei de falar, mesmo que ainda não o tenha aprendido a fazer como deve ser, e mais ao menos a horas pouco certas aqui estarei para dizer o que a alma me ditar mesmo que ela esteja deitada a descansar.
Pensei mudar de nome, de cara, de físico fui mudando ao longo dos tempos, mas o raio desta vontade de continuar a querer falar perguiu-me sempre. Assim voltei a ter a mesma cara, o mesmo nome e cá estou para o que vier a dar.
Na verdade é que num instante nascemos e nem desse acto importantíssimo nos lembramos. Ai se eu tivesse memória desse primeiro choro, dessa primeira vez que os fluidos saíram num parece é fonte luminosa ainda sem luz... continuaria a falar mas a saber de mais coisas do que sei. Enquanto te falo me vou lembrando que o raio desta vista é um instante, fugitivo tempo que nos passa em frágeis e efémeros instantes e que em conjunto nos formam capítulos de vida.
Nestas falas, nestas estórias, nestes delírios e divagações que me tenho aqui perdido contigo, a pensar-te, viver-te e se calhar consumir-me em incompreensões, ódios e amores, rancores e outros enredos modifiquei o caminho da minha vida.
São capítulos. Instantâneos momentos.


Sanzalando

23 de setembro de 2010

independentemente

Um dia vou agarrar um ramo de malmequeres e petala sim petala não vou fazer a pergunta quem bem me quer. Independentemente da resposta vou comparar com a crua realidade e depois vou fazer uma lista com os nomes. Só a maior. Independentemente de qual delas for.
Depois farei o mesmo com os meus erros, aqueles que cometi, independentemente de ter ou não magoado alguém.
Muito depois vou fazer um texto só com as frases bonitas que escrevi, independetemente de para quem.
Se ainda tiver forças vou recordar aqueles rostos que me marcaram no coração, independentemente de quando.
Mas se sobrar tempo, independetemente de quanto, eu te vou ter para mim eternamente.


Sanzalando

22 de setembro de 2010

delírios do sul

Vou-me deixando embalar na sonolência duma tarde que nem é quente nem fria, antes pelo contrário. Carrego baterias nos meus sonhos quando penso que tudo está perdido. Procuro uma luz na imaginação quando a realidade está escurecida.
Banhando-me de sol, como que a lavar-me das consciências pesadas, deixo-me ir ao encontro do fim de tarde à espera do sossego da alma que chega com o anoitecer.
Um dia, quando eu acordar num acordar desperto, encontrar o cacimbo que se levanta e me cruzar com uma calema, eu sei que os sonhos vão virar outra vez apenas sonhos, que a escuridão vai ser só um dormir dos justos e o silêncio um reencontro de mim com a minha alma.

Sanzalando

21 de setembro de 2010

futuramente sul

Hoje me apetece sentar no muro da vida e olhar o caminho que vou percorrer.
Hoje vou esquecer o que já percorri, vou só mesmo olhar para a frente, fazer uma limpeza geral de modo que não tenha poeira me atrapalhando a vista, retirar todos os obstáculos que me parecem estar à frente e poder caminhar com o menor esforço possível. Sempre em direcção ao futuro.
Se for possível até retirarei peso ao ar para me ser mais fácil caminhar. Vou pôr de lado os silêncios, os gritos e enervamentos e vou alegremente caminhar para o futuro.
Hoje vou carregar no botão que diz resert e vou começar de novo. Nesse novo que é futuro.
Afinal de contas quantas vezes já estive para começar?


Sanzalando

20 de setembro de 2010

eu e a lua

Acho eu hoje gostava de ver o outro lado da lua. Esse mesmo que está no lado escuro que parece que nem eu num dia de não sei quê. Ao menos se eu pudesse ter a lua entre os meus dedos e dizer que tudo é alcançável... eu estaria a sorrir e já não tinha mais curiosidade de saber o que esconde o lado escondido da lua. Assim eu até punha todo o meu lado quente ao lado da lua nas noites frias deste cacimbo que me enevoa o cérebro.
Assim fico apenas com esta foto a segurar a lua, não lhe vou deixar fugir, mesmo que não lhe consiga agarrar.


Sanzalando

19 de setembro de 2010

tem horas?

Me sento com a pontualidade de quem não tem horas, mas vê que elas passam num voar de rapidez que qualquer dia vão até faltar. Mas se faltarem eu não vou poder dizer que não tentei chegar a horas. Tem vidas assim, em que o relógio não tem pontualidades, horários que não têm regularidades e momentos que não existem habitualmente. Azares.
Tem horas que não vejo a esquina que devo dobrar, a subida que devo subir e a descida que devo repousar. Mas lhes procuro com avidez e teimosamente no dia a dia. Tem horas que eu penso a vida tem ouvidos e se me escuta faz mesmo o contrário só para me arreliar. Me atrasa a vida num atraso de vida que me parece irremediável. Me enervo, me ansioliticamente desespero e transpiro de raiva contra o mundo que não é mais o que eu queria ter como meu mundo.
Tem horas que eu gostava de ser sapo e esperar a bela princesa, de ser rei e ter um império a meus pés. Mas essas horas são mais breves que muitos segundos que eu tenho permanentemente.
Tem horas que pego as fotografia a preto e branco e não me revejo no passado que intensamente lhe vivi.
Tem horas? Então me diga apenas que horas são! Estou a ficar com medo de não chegar a tempo!


Sanzalando

17 de setembro de 2010

mente-me mente

Alguém me enganou quando me disse que que a mente se alimenta de ordem. Me tentei ordenar e saiu nada, confusão de ideias em mistura de raivas e ódios. A minha mente não é uma máquina complexa. Qualquer desorganização e ela está quase perfeita. Pouco importa se consigo dormir. Pouco interessa se riu ou choro. Desvaloriza-se que projecte o amanhã. Interessa é que esteja numa amálgama de sobrepostas ideias.
Uma vez li que alguém tinha dito que não se deve fazer o que não se compreende. Nunca mais fiz nada. Tento ordenar-me e desconsigo fazer outra coisa... obsessivamente.
Não sou uma marionete de feira barata nem um papel esvoaçando ao vento como lixo perdido na utilidade.
A minha mente, desorganizadamente atípica, é a harmonia dos céus em dia de trovoada, de tempestades e de ventos ciclónicos.
O que vale é que o meu céu é a minha abstracta mente que me leva para lá do que os olhos vêem e para cá do que o coração sente.


Sanzalando

16 de setembro de 2010

posso voar

Eu sei que consigo voar mesmo que nunca tenha visto as minhas asas. Contemplo-me e me deixo seguir no espaço ilimitado da imaginação.
Na verdade, passamos metade da nossa vida a tentar ser diferente dos outros. Daqueles que criticamos por criticar, dos que rimos somente porque são melhores que nós e de todos os outros outros, pelo que às vezes esquecemos a nossa própria identidade.
Mas eu consigo voar e pouco me importa que os outros o consigam ou não. É deles o problema. O meu, se calhar, é que além de voar eu passo muito tempo a olhar para trás. Mas é lá para trás que encontro os motivos que me empurram para a frente.
Me interessa é que eu consigo voar. E às vezes voando eu dou um abraço colorido num amigo e lhe faço feliz. Voei.
Posso mudar a paisagem, posso pintar palavras e frases soltas e posso voar para lá da minha imaginação. Que quero eu mais se não do mesmo de sempre?


Sanzalando

15 de setembro de 2010

vagueando

Caminho pelos caminhos que normalmente me levam a lado nenhum. Apenas ando num vaguear para não estar parado. Olho com quem me cruzo e imagino cenas dum cinema virtual. Olho para cenários reais dum qualquer desenho animado que imagino. Assim vagueio num gastar de tempo. Hoje vagueava e me dei conta, num instante qualquer, que estava só. Apenasmente só! Literalmente também. Parecia que o mundo girava em câmara lenta e que todos os fardos me caiam nos ombros. A sobrecarga me atolava no em mim mesmo, como se esta fosse uma só palavra, emmimmesmo.
Continuei andando e o tempo enevoado e abafado me fazia transpirar como se eu fosse uma qualquer fonte. Já não sei é porque eu tremia ao ver-me sozinho, único no mundo, que não no mundo que queria. Limpei-me, sacudi a roupa como se tivesse caído num buraco qualquer. Olhei À volta e gritei um grito surdo de silêncio.
Não parei até chegar a porto seguro, o verdadeiro lado nenhum. Aquele onde estou.


Sanzalando

14 de setembro de 2010

caminho

Me meto ao caminho, direito a lado nenhum e vagueio por palavras que, como me disseram, as digo para poder respirar, amo para as poder escrever e escrêvo-as para poder continuar a amar.
Assim, perdido por ruas e vielas, becos e carreiros, sigo palavra a palavra em direcção ao lado de lá. Ainda chegarei a chegar lá? Não sei, mas um dia qualquer, que não hoje, ficarei a saber e não terei tempo para te dizer.
Na verdade o que mais me custa é não poder dizer-te em viva voz o que me vai na alma. Que cor têm os meus olhos hoje. Que sorriso mostro na minha cara. Enfim, não estar-te nem poder-me consolar em ti.
Às vezes, o que mais me doí, são estas lágrimas pretas que choro e que me parecem punhaladas na alma. Traduzido por palavras, é o teu silêncio que recebo na calada noite.
É o meu caminho, aquele que me encantou na adolescência, me sorriu tantas vezes quantas me fez feliz.
Bem vistas as coisas, o meu caminho são palavras e estas leva-as o vento.


Sanzalando

12 de setembro de 2010

vomitar o cérebro

Sentado na sombra do vento, ouvindo rãs em sinfonia calada, vagueio por ideias, memórias, invenções e outras imaginações, tentando vomitar o cérebro que não me deixa um minuto de sossego. Com a mão direita escarafuncho a narina esquerda tentando apanhar o lobo frontal e despersonalizar-me. Desconsigo e nauseado desisto.
Mas porque o faço? E porquê tantas perguntas?
Na verdade é porque o meu cérebro me causa muitos problemas, me faz pensar demais em coisas banais, em ideias que tive e que não consigo esquecer, em memórias carnais que mais não são que glórias imaginativas e dolorosos.
Não, não é por causa do meu primeiro amor que quero vomitar o meu cérebro.Não e ponto final. Talvez seja pelo somatório de tantos amores que acabando uns em horrores e outros em clamores me deixam perto da loucura na doçura duma manhã de domingo num calendário vagabundo. Ou se calhar nada disto. Só mesmo pela loucura de ter imaginação e ter acordado.
Amanhã é outro amanhã e talvez já não me apeteça vomitar o cérebro.

Sanzalando

11 de setembro de 2010

que faço

Que faço eu aqui te esperando como quem espera a eternidade? Que faço eu aqui a descontar e gastar horas?
Afinal de contas quem sou eu que já não me sinto de tantas contas fazer para não saber quanto me falta para te ter?
Que faço aqui com cara sem expressão, rosto seco desidratado enrugado e ferido?
Como estás tu agora, neste instante? à tua volta está cacimbo? ouves batuques de festas longínquas? há silêncios de sestas pós sextas?
Que eu faço aqui, senão suspirar?


Sanzalando

10 de setembro de 2010

imaginário mundo

Sento-me no vão da minha inercia, carrego pensamentos como quem transporta fardos e me deixo embalar por caminhos que já nem a memória se lembra.
Me disseram, e acreditei, que o mundo imaginário existe. É lá que os sonhos dormem, é lá que a liberdade imaginativa descansa. Deve de ser lá que é o paraíso.
Deve de ser desse paraíso que eu fui desterrado, desse mundo que eu fui expulso, nesse lugar onde me ficou o sorriso.
Um dia destes vou renovar o meu passaporte e ver se me deixam voltar nesse mundo, me deixam ser novamente criança e inocentemente recuperar o sorriso, o brilho dos olhos e a vivacidade que penso já tive.
Um dia, abandonada a inércia, livre de pesos e de consciência tranquila, eu vou voltar a ter os meus sonhos a tiracolo, usar as palavras silenciosas da escrita e cantar hinos de alegria.
Até lá, continuarei a esvoaçar as malandrices da memória.

Sanzalando

9 de setembro de 2010

Autocriticando

A velocidade cruzeiro se foi uniformemente desacelerando até à quase paragem total. Era o calor. Era a casa cheia de gente. A preguiça e o cansaço dum dia de trabalho em tempo de férias de outros. Era isto e era aquilo. O sol chegava mas a maresia não. O calor apertava mas o mar não me molhava. Eram as desculpas das desculpas e a culpas de não ter visto ninguém neste infernal mês de Agosto. Ausentei-me em parte certa, que acho que até de mim me escondi. Devagarinho recupero, as forças, o animo e talvez a estima.
Será que alguém ainda vem ver se há coisas novas por aqui? Acho que cumpri todas as regras dum blog em decadência. Mas não perdi o gosto de solilocar, mesmo que seja apenas no meu cérebro fundido dos sonhos que não se realizaram, ainda.
Como se pode terminar uma coisa destas em que a imaginação foi a rainha, as palavras o colorido e os temas a pintura?
Afinal de contas nem eu sei o que vai ser mais isto. Regresso num diário de nostalgia, sonho e desejo? Volto esporádicamente falando de coisas soltas? Desconheço o futuro, esse passado presente que ainda não aconteceu mas que cada vez é mais do mesmo.
Bem, hoje assobio para o ar, num ar descontraído e esqueço que afinal este ano eu não vi os meus amigos. Mas como eles são meus amigos eles me desculpam.

Sanzalando

8 de setembro de 2010

uma recordação dos anos 70



Sanzalando

5 de setembro de 2010

introspecção

Parei no tempo que não parou e me deixei ultrapassar pela vida que não deu descanso nem esperou eu ver que estava parado.
Olhei o mar e não vi o sal que ele tinha das minhas lágrimas nem as ondas que ele fazia na minha vista até lá para longe.
Me sentei na sombra da memória e escaldei as costas que ficaram viradas para o vento leste.
Adormeci na esperança que um dia um pássaro me viria comer à mão e acordei enrugado no tempo salgado esquecido de ver-me.
Mas um dia eu vou recuperar o tempo, ver o mar na sua transparência e ver as memórias como realidade.
Um dia, ainda irei a tempo!

Sanzalando

4 de setembro de 2010

Me escrevo uma carta aberta

Deixei passar o Agosto para te me escrever esta carta. Não lha vou fechar porque entre nós não existem segredos e os nossos medos afinal são conhecidos, pelo que assim não tem maka se alguém quiser usar estas palavras para outro fim que não o que eu imaginei para te me dizer como as coisas vão mal entre nós.
Tás armado em estrela ou quê? Paraste assim de escrever os teus colóquios introspectivos duma pessoa só. Nem uma satisfação, explicação ou letras de encher. Não te me apetece escrever, assume e escarrapacha aqui que é isso e pronto. Não tens assunto? Inventa que eu já te me vi fazer floreados de 50 palavras para dizer saudade. Tás ocupado e resolveste descansar? Ok, diz. Não custa nada. Estás triste e chateado porque as coisas afinal não são assim como imaginas na tua nossa realidade virtual? Quando é que a realidade é igual ao que vivemos? Te me aguenta, chora e usa as lágrimas para escrever. Não és artista para ter esse estatuto de desaparecer e voltar quando bem te me apetece. Tens de estar aqui todos os dias que nem relógio. Mesmo que não seja para dizer que não vens. Te me dói a alma? Ouve a canção que diz que encosta-te a mim e coisas e tal. Estás com saudades do zulmarinho que termina aqui e começa lá onde te enterraste na placenta? Te me solta e voa que nem pássaro e esquece estes momentos de choro e dor.
Só agora me lembrei que não me apetece terminar esta carta hoje, pelo que te me vou dizer até já e voltarei assim me apeteça.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007