Tem dias que o mar é mais azul que outros dias em que me parece é verde. Os meus olhos me atraiçoam? Os cientistas explicam. Eles sabem tudo e quando não sabem vão no laboratório e investigam até concluírem que a conclusão não tem fim ou acabou ali. Mas eu estava a falar de mar e já me ia perdendo no laboratório com uma qualquer pipeta ou tubo de ensaio. Esse mar, esse que não tem rio que vai dizer é fronteira, que não tem muro e não te vai dizer aqui não passas. Ele é uma planície que às vezes se revolta e te arrasa, enquanto outras vezes é um chão que até parece é ringue de patinagem. E os peixes. Que opinião têm eles desse mar? Já alguém lhes perguntou? Tem mariquita, cachucho, peixe que é espada e tem outros miles que não sei que fazem a não ser nadar o dia inteiro. Peixe chora? Como pode ser a lágrima do peixe se a minha é salgada?
É o mar e os seus segredos. Um dia vou fazer um barco e vou entrar nele e navegar até não ver terra e sonhar que eu sou um peixe. Espera aí? Já tem gente que fez isso e eu não ia gostar de estar ali sem ver ninguém, só mar à volta. Não, deixa-me estar aqui sentado a lhe olhar. Zulmarinho. É esse mar. Zulmarinho. Porque mesmo quando é verde ele tem tons de azul. Se eu soubesse usar águarela eu ia pintar tudo de zulmarinho. Ele é tão grande mas não tem capacidade de dissolver os meus sonhos. O mar me dá sonhos.
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