recomeça o futuro sem esquecer o passado

8 de abril de 2009

Pitangando uma carta não escrita

Sento-me por aqui, num ouvir o marulhar. As ondas batendo nas rochas, noite escura que não deixa vê-lo com olhos de ver, apenas ouvir com ouvidos de atenção.
Apetecia, sob este marulhar ritmado, escrever uma carta em tinta permanente, para ser permanente mesmo, dirigida a ninguém e a falar de nenhures. Uma carta só, que levasse lá dentro o perfume da saudade, o vazio da nostalgia e a lágrima do abraço que não foi dado.
Apetecia, mas não vou escrever, porque ia dar num circulo vicioso, tal como os anos que começam sempre a 1 de Janeiro. Teria que escrever e repetir as mesmas queixas, falar dos mesmos tabus, das mesmas pessoas e dos mesmos espaços ainda não arejados.
Por isso, fico-me aqui sentado, bebendo nos olhares vazios o perfume das memórias alegres da vida.
Por isso, recordando a pitangueira que parece me morreu de pé, vou estando aqui.



Sanzalando

7 de abril de 2009

Um dia pitangarei

Sentai a meu lado, avilos de todo o mundo, e vamos mesmo fazer uma beberação até cair para o lado. Tanto faz é esquerdo é direito que o que importa mesmo é só comemorar o nada deste dia.. Pois é, muitas loiras geladas, muitas fantas de morango, muitos cacaus e muitos gengibres. Vamos mesmo fazer uma festa por que estar vivo é festa.
Senta aí, avilos de todo o mundo, e vamos sentir o baloiçar deste mar que nos une quando parece que nos está a afastar e vamos fazer deste dia uma festa. Mas imaginai só, avilos, que é ele o único condutor ininterruptivel, desculpa mesmo o palavrão, que nos liga fisicamente. Me disseram na escola que ele além de peixe é feito de água e dum tal de sódio. Isso mesmo depois
que depois me disseram que era 70% do nosso corpo.
Vocês desse lado e nós desse lado que nem telefone do antigamente com caixa de fósforo e barbante.
Mas não tem esquecimento de pagar as loiras geladas que eu bebo.
Todos os avilos que tem aqui sentado merecem mesmo uma beberação. Vamos combinar mesmo. Estatisticamente falando quem faltar vai estar presente, pelo menos no pagamento das minhas loiras geladinhas.


Sanzalando

5 de abril de 2009

Porque hoje é Domingo virei Guru de Blog

Porque hoje é Domingo e há muita coisa por aqui e por ali que optei por não fazer nada. Maneira de dizer, é claro. Sentei-me e desatei a pensar. Coisa péssima para fazer num Domingo.

Contarei uma história, das de agora ou dum antanho feito memória? Não me apetece porque de momento não se me ocorre nada.

Falarei de política? Nem pensar que já há muito quem o faça, que até fico verde de tanto laranja mesclado em rosa e vice versa.

Verterei lágrimas de nostalgia? Já foram muitas que, hoje Domingo, não me apetece fazê-lo.

Vou pensar vagamente e dou comigo a perguntar-me porque será que os blogs pioram com o tempo. Não sou um auto proclamado guru, mas sei do que falo porque não é primeira nem a quinta vez que leio, sem os piiiis da censura “ o teu blog já não é o que era, está uma merda…”

E com este mote continuo a desvendar linhas de pensamento e verifico que muitos dos meus blogs favoritos, alguns dos meus posts também isso mostram, há medida que o tempo passa vão-se deteriorando, ao ponto de alguns terem-se tornado intragáveis, que nem pago eu já os conseguiria ler. Maneira de dizer é claro, pois pode, em alguns casos, tratar-se de mera impressão, pela repetição de similar leitura. Assim numa maneira de leitura repetitiva, de quase já saber o que vai ser escrito por conhecer ‘bem de mais’ o blogger, conhecer o seu estilo, maneira de pensar, and so on, para dar um colorido linguístico a estas palavras.

Há momentos num blog que gera tranquilidade, fazem-nos sentir em casa umas vezes e, outras, totalmente contrários, sem rumo, numa mescla de estilo pastilha elástica com pneu usado em vias de reciclagem. Lidar com isto é difícil e por muito bem que se escreva, ou se pensa que se escreve, haverá sempre gente que se encanta e outra que dirá cobras e lagartos.

O tempo é o inimigo do blogger, se não for um blog de noticias, porque com o passar do tempo se esgotam as estórias, as Histórias e as memórias dum saber de cor.

Quando o blog começa tem por trás um monte de anos de vivências a serem contados. Este é o motivo principal da criação dum blog.

Penso na nostalgia e lá vai um post, na pena de morte e lá está outro, no telemóvel que não toca, outro, no beijo que não dei, outro. Porém chega um momento em que a totalidade dos teus conhecimentos e ideias já estão expostos no blog e já só tens o dia a dia para te alimentar. E se não vives o dia a dia os teus post reflectem a queda da qualidade.

Afinal parece que sou um guru que esgotada a ideia resolve ‘limitar’ as ideias de outros.

Bom Domingo!


Sanzalando

4 de abril de 2009

lagrimas da Pitangueira

Tudo podia mudar e eu até podia dizer que estava isto e aquilo, porém eu até sinto-me vivo, mesmo sem a minha pequena Pitangueira que me ofereceu por uns dias as suas seis flores. Podia chorar todas as lágrimas em forma de palavras que mesmo assim ficariam lágrimas por dizer. Não pelas seis flores, não pela beleza nem pelo verde laranja da minha pequena Pitangueira, mas pelas recordações que só tenho de memória, e que a minha pequena Pitangueira era o palpável dos tempos de antanho.

Se calhar estou apenas a distorcer a realidade, borrar qualquer pintura imaginativa, trapezar num perigo qualquer sem rede, pelo gosto de ter recordações que não posso tocar, apenas e simplesmente recordar.

Se eu pudesse mudar, olhar e ver a minha pequena Pitangueira com as suas seis flores, se calhar eu teria que inventar outra forma de e para sofrer a falta de recordações palpáveis.

Enfim, é a pedra no sapato do amor eterno, enquanto existe.

Sanzalando

3 de abril de 2009

Escultura da minha Pitangueira

No meu pequeno jardim já não tenho a minha pequena Pitangueira. Tenho agora uma escultura de madeira que me mostra o esqueleto duma pequena pitangueira. É a memória eterna da minha Pitangueira, enquanto durar, é claro.

Já compreendi que é inútil fechar os olhos bem fechados porque quando os abro não vejo a minha Pitangueira cheia de folhas e as suas seis flores a me dizer que ia ter esperança de um dia eu comer Pitangas da minha pequena Pitangueira.

Já vi que não vale eu me esconder no outro lado da casa, criando distância para esquecer a minha pequena Pitangueira.

Ela está lá, na memória e agora numa escultura feita de madeira, esqueleto perpétuo na minha memória da minha pequena Pitangueira.


Sanzalando

31 de março de 2009

chuva de botões


Olhei para a minha pequena e pobre Pitangueira sem flores, sem folhas. Vi uma triste pitangueira que nem parecia a minha Pitangueira. Nua e descolorida.
E foi neste olhar que tive um sonho. Um estranho sonho. Estava a chover botões. Nada mais que coloridos botões de camisa, de calças, casacos e sei lá de quê mais. Eram de todos os tamanhos e todas as cores. Eram de quatro e dois buracos. Era um dilúvio de botões que faziam autênticos charcos de botões de muitas cores. Tal como tinha começado assim parou a chuva de botões e ficou no ar um cheiro a frescura, um aroma de sabor a música.
E foi aqui que vi que a minha pequena e pobre Pitangueira continua de aspecto pobre e com recordações de memória.



Sanzalando

30 de março de 2009

pequena e pobre Pitangueira

A minha pequena Pitangueira parece pouco mais que um esqueleto de uma árvore em miniatura. O vento lhe levou as flores e não lhe poupou nem uma folha. A minha pequena Pitangueira está nua. Simplesmente nua, pelo que eu não sei se tenho uma pequena Pitangueira ou se um fantasma de pitangueira. Olhando através do vidro da minha janela vejo as espirais de silêncio que seus frágeis ramos desenham numa abstracta tela. O pouco sol que lhe bate já não tem onde reflectir, porque ela perdeu as suas pequenas mas brilhantes folhas, a minha pequena e agora pobre Pitangueira despida.
Nua de nuances ignoradas, vestida de desamor, a minha pequena e pobre Pitangueira, deve estar como eu, sem recordações materiais, apenas saudade de memória.
Se ela fosse grande eu a transformaria num estandarte de alma… pequena… deixo-a estar enquanto vou ver o mar.



Sanzalando

29 de março de 2009

o vento lhas levou

O vento forte que sopra faz dias não deixou nem uma flor para eu admirar na minha pequena Pitangueira. Se despiu. Ficou uma pitangueira pequenina sem flores e quase sem folhas a minha pobre Pitangueira. E foi mesmo assim a pensar nela que eu fui ver o mar. Eu lhe veria se pudesse abrir os olhos. Mas a areia fina que o vento rouba na praia não me deixa nem ver se é dia ou noite, quanto mais ver o mar. Encho o peito de ar e sopro com tanta força contra o lado donde vem o vento, a tentar lhe mandar lá para trás, mas parece eu o enfureci ainda mais, que até parece ele sopra com mais força que nem o meu ar sai da boca.
Vento forte que roubaste as minhas flores de pitangueira e me roubas o olhar do mar.
Assim, de olhos fechados, de pensamento encerrado na tristeza de não ter mais flores na minha Pitangueira, sinto uma forte loucura em pensar-te, em desejar-te o calor e sentir o meu suor abafado na tua humidade.
Assim, encerrado em mim, palmeando os teus caminhos e as tuas saudades, que já não tenho recordações físicas senão memórias.



Sanzalando

28 de março de 2009

Cinco das seis

Antes de vir ver o mar eu estive a olhar para a minha pequena Pitangueira. Já lá só encontrei cinco das seis flores que ela tinha. Foi a trovoada que amputou a minha pequena Pitangueira de uma das suas flores. E eu o que sinto? É como que me tivesse olhado ao espelho e visto uma mudança forte.
Como estava bonita a minha pitangueira e as suas seis flores. Pela sua altura, pelo seu porte, as seis flores assentavam-lhe bem. Agora, olhá-la é como estivesse a olhar para uns tronquitos de madeira, sem forma, sem destaque e sem ritmo.
As seis flores marcavam-me a diferença, era um gosto que se perdeu, uma mudança desequilibrada.
A trovoada foi-me como Judas, traiu a minha Pitangueira numa das suas seis flores.

Sanzalando

27 de março de 2009

Dialogo com a minha Pitangueira

Como tas tu, Pitanga das seis flores?
Sim, sim, aceito o teu café como aceito continuar a conversar contigo.
Sabes, tu tens apenas seis flores, és uma criança, eu confiaria em ti, mesmo que tu não fosses a minha Pitangueira.
Sabes, não sabes?
Pode parecer inverosímil mas a nossa capacidade de dialogar é impressionante. Estamos frente a frente qualquer que seja o lado que eu esteja. Ajudada pela brisa danças enquanto me ouves e me falas nos teus galhos delicados.
Me ouves?
Tou em querer que sim. Bailamos diálogos, recordamos memórias. Te agradeço.
De nada!



Sanzalando

26 de março de 2009

um dia vou comer Pitangas

De memória vejo a minha Pitangueira. A minha pequena Pitangueira que espero ainda tenha as suas seis flores. Hoje não lhe vi com olhos de ver verdadeiros, mas só com os olhos da recordação. Afinal de contas eu até sei que tenho estes como bons olhos. Mas será que há ainda quem tenha bons olhos para ter a paciência de me ouvir, de me ler ou de saber que é que este amontoado de letras quer dizer? Revendo cada galho da minha pequena Pitangueira dou comigo a pensar que se calhar eu cumpri todos os passos da decadência sem ter perdido o gosto de estar aqui a dizer coisas. Eu ainda tenho uma ideia. Eu ainda tenho um sonho. Mas o tempo, os compromissos não me deixam ter a ideia de como terminará a ideia e de como finalizará o sonho. Afinal de contas se calhar eu tenho a ideia que foi nunca ter começado e o sonho que nunca termine.
Se alguém me ouve eu agradeço.
A minha Pitangueira um dia vai deixar de ser pequenina e vai dar sombra para eu me sentar sob a Pitangueira e recordar-me do sabor duma Pitanga

Sanzalando

25 de março de 2009

e assim a minha Pitangueira

Olhei para a minha Pitangueira, para a minha pequena Pitangueira. Não me dá sombra ainda, mas dá-me conforto porque me leva até ao meu planalto sentimental. Ainda tem as mesmas seis flores a minha pequena Pitangueira e isso fez sentir-me em paz apesar das emoções divergentes que carrego na minha alma que serve de bateria e não se deixa ver pelos olhos reais. E assim sigo em paz, confiando na não necessidade de controlar a liberdade que me abraçam os sentimentos sensíveis dos teus aromas que tenho na memória e que um dia vou ter por entre os meus dedos. E assim vou criando espaços na minha vida onde sobram realidades a troco de carícias. E assim, delicadamente, avanço suave e ternurentamente para o futuro.
Voltei a olhar para a minha pequena Pitangueira e às suas seis flores e se me abriu um sorriso na cara como me dissesse que amanhã eu vou ter uma Pitangueira Grande que me dará todas as Pitangas que eu quero.

Sanzalando

23 de março de 2009

o vento na minha pitangueira


Hoje fui contar quantas flores tem a minha pequena pitangueira. Apesar do vento que sopra ainda lhe contei as mesmas seis. Com as seis flores de pitangueira na cabeça fui ver o mar. Tal como o vento está, assim o mar também está.
Que será que deu neles, para estarem assim tão revoltados? É fúria passageira na certa. Só pode. O mar estava de cor do topázio e me disseram que o topázio é uma pedra simpática e delicada e que dirige a sua energia para onde é preciso.
Já sei porque faz vento e o mar está assim revoltadamente agitado. Deve ser que o vento é provocado pelas asas dum anjo assim para revoltar o mar e lhe libertar de toda a energia negativa, lhe purificar.
Não é? Foi isso que sopraste no meu ouvido?
Ò vento, tu me despenteias em ondas revoltosas tal como esse mar está, e não é para isso? Vê lá se me explicas.
Mas por favor, não arranques as minhas flores da Pitangueira, que ela ainda é pequenina.

foto dum slideshow
Sanzalando

22 de março de 2009

Pela pitangueira


Se não fosse a minha pequena pitangueira eu não sabia que tinha começado a primavera. É, aqui do lado de cima do trópico me disseram que havia quatro estações do ano e eu ainda acrescento uns apeadeiros para me aumentar a confusão. Mas a minha pitangueira, porque ainda é pequenina não me ia enganar, com umas seis flores me anunciou a primavera.
Fiquei então a olhar para a minha pequena pitangueira e reparei que tinha poucas recordações entre mãos. Tudo só estava na poeira da memória.
E foi então, que olhando para a minha pequena pitangueira que com as suas seis flores me anuncia a primavera, que eu me prometi ter mais recordações sem serem as de memória. Como é que vou fazer isso eu ainda não sei. Mas não vou deixar ficar mal as minhas flores da pitangueira.


Sanzalando

21 de março de 2009

me sento por aqui até me deitar

Me sento junto deste mar que um dia lhe baptizei de zulmarinho. É ele, aliás, que faz a ligação entre mim e o outro lado deste eu que deixei para lá da linha recta que é curva.
Cada vez que aqui me sento, cada vez que aqui te falo, minha pronuncia se modifica num cantar bem diferente que até me perguntam donde é que eu sou. Despercebo o quê deste porquê.
A grande verdade mesmo é que eu aqui me sento com vontade de crescer. Impulso natural que eu acredito que é o principio universal da gente: crescer para ser mais completo. A actividade humana está baseada neste desejo de crescer. Procura mais comida, mais roupa, mais luxo, mais beleza, mais saber, mais prazer. Enfim: mais vida.
Aqui sentado eu medito nestas coisas para me conhecer mais num avançar contínuo e interminável. A verdade é que quando o crescimento pára, vem a inevitável morte.
Por isso continuo sentado aqui a meditar até ao dia que um dia eu vou me deitar, já sem forças para saber mais.

Sanzalando

20 de março de 2009

afinal

Aqui me sento e parece fico na mesma altura que a linha do horizonte. Até lá imagino ladeiras convexas de estradas ignoradas em latitudes disformes. Lhe olho e imagino que ali vai nascer o sol e que noutro lado se vai deitar. Na mesma linha do horizonte.
Ouço o mar, sinto a maresia e me precipito em banhos de inocência, abismos de chamas, prazeres de água exaltada.
Afinal de contas este mar tem destas coisas, faz-me de naufrago apátrida dos teus lábios carnosos, dos teus perfumes carregados, do teu andar jingão.
Afinal de contas este mar me faz mal à saúde. Ou não!

Sanzalando

19 de março de 2009

uma carícia

Olho o mar. Não me parece o mesmo mar de ontem. Está azul carregado de azul. Ondas alisadas pela calmaria. Mas é o mesmo mar porque o sítio é o mesmo e eu não acredito que tenham mudado o cenário assim num dia para outro.
Me sento em contemplação misturado de imaginação, argamassa dum sonho que um dia vai ser realidade.
O que poderia a esta hora estar a fazer no outro sítio, a ver o mar de lá para cá?
Ideia em ideia consegui ver algo de muito belo, num sem limites da mente, uma explosão de amor, uma alegria sem aparente fonte. Enfim, senti uma carícia.



Sanzalando

18 de março de 2009

Mar revolto em banho de espuma

Mar revolto que me trás a calma. Hoje pareces-me verdazul aqui e ali debruado a branco. Revoltado de todo. Eu aqui sereno admiro-te na tua imensa força e grandeza. Num ápice passa-me pela cabeça dar um mergulho. Literalmente de cabeça. Parei a tempo de pensar que há várias formas de me molhar. Metafórica e fisicamente. Gota a gota infinitamente contando cada uma. Assim como havia pensado, num ápice. Prefiro aqui sentado estar a pensar nas múltiplas formas teóricas de me molhar.
Arrefeço porque o vento norte corta-me os raios de sol tímidos de inverno. Imaginar-te desde o aqui sentado torna-se-me um dia duro.
Transfiro o pensamento para a imaginação dum banho de espuma. Esqueço o mundo. Toda a minha tensão se dissolve no quente da água da banheira. Paulatina e deliciosamente, assim numa câmara lenta, me deixo entrar no mundo dos sonhos. Caminho lento por imagens fabricadas na memória. Me deixo envolver num silêncio absoluto.
Afinal de contas fui molhado por apenas uma gota de mar que eu sei veio desde o outro lado para me beijar.

Sanzalando

17 de março de 2009

sentir

Sento-me por aqui. Leio vezes sem conta a mensagem que tenho no telefone. Estou bem, sim. Quer dizer, faz tanto tempo que eu não falo com os amigos que nem eu sei se poderei dizer que estou bem ou não.
Eu sei que a culpa é minha. Disposições mentais. Não falo mas lhes penso. Muito!
Mas hoje a tua mensagem fez com que a minha alma sentisse um arrepio e eu necessite dum abraço para sair desta hipotermia. Hoje fiquei necessitado de sentir a tua beleza no sentido mais básico, mais simples. Hoje precisava mesmo só de sentir o teu abraço carregado de calor.
Sabes, olho o meu anel feito de arco-íris, olho o mar de azul marinho e sinto que preciso sentir-te para me sentir livre.
Abraças-me?

Sanzalando

16 de março de 2009

olhos de mar

Cá estou eu de olhos no mar. Quem me vê deve pensar que eu caminho adormecido nas ilusões dum sonho pincelado de maresia, desenhado em riscos ausentes, apagado de cores, de formas e estruturas. Mas eu tenho os olhos no mar para poder ver as luzes das minhas sombras, contemplar os dias de um ontem projectado num amanhã.
Tenho os olhos no mar para poder dormir sobre o abismo da ausência material na minha alma da harmonia do teu corpo desenhado mulher dos meus sonhos.
Olho no mar porque não tenho olhos cor de mar. Olho no mar porque tenho as minhas lágrimas com sabor de mar.
Um dia, longe ou perto, já não me preocupa, eu vou estar com os olhos de mar, no teu mar e te direi baixinho que vou te amar.
Até lá, com os olhos no mar, eu vou te ver sempre que fechar os meus olhos, sempre que soprar uma brisa de sabor a mar.
Acho mesmo que eu sou os olhos do mar.

Sanzalando

15 de março de 2009

um beijo

Me sento neste mar sem lhe tocar. É, não quero ficar congelado. Fico apenas maravilhado com o seu azul. Azul de mar. Simplesmente assim e assim vou tomando consciência da inconsciência com que tento beijar os lábios do princípio do vazio. Pouco a pouco este mar te vai dando consciência da minha existência, te vai dizendo a suavidade da minha pele, o aveludado da minha ternura e a doçura do meu carinho.
Na verdade, com este mar azul fresco, eu vou sentindo a força para te esperar no automatismo em que a minha consciência toma conta da inconsciência deste amor.
Hoje, não sei se é pela cor se é pela calma deste mar, mas o que me apetece é mesmo compartilhar um beijo contigo, sem importar a distância que nos separa.
Afinal de contas os teus beijos sempre se fundiram em mim.



Sanzalando

14 de março de 2009

Sábado, bicicleta e fotos

Me disseram que hoje era sábado e que eu não tinha que pensar. Foi mesmo assim que me falaram e como eu estou no norte do equador e não muito perto do circulo polar artico, mesmo vendo um sol que até parece doutro lugar eu não me vou meter assim na praia feito festas do mar. Então que agarrei na minha bicicleta que nem carteiro dos antigos e fui fazer quilómetros nas pernas e pedaladas nos insultos aos cães que têm a mania que aquela coisa de duas rodas e um gajo em cima é para trincar. Aí parti feito um campeão de qualquer camisola amarela. Estava a fazer mesmo os quatro quilómetros no conta voltinhas quando eu não queria acreditar que estava a ler o que estava mesmo lá escrito. Me aproximei e como era a subir custou um pouco mais do que os meus olhos queriam e verifiquei que era mesmo uma verdade verdadeira: apenas por motivos. Apenas isso, por motivos e mais nada. E para reforçar a ideia ele também vai estar close. Penso que deve ser pelo mesmo motivo. Agora eu queria ficar a saber tanto que nem eles… era o que mais faltava, estou certo que foi isso que pensou o autor deste quadro exolicativo.
Na minha ignorância lá fui eu rumo ao quilometro desconhecido, que isto de andar por estradas desconhecidas tem destas coisas da gente se perder e lá se foi o planeamento que nunca é grande coisa.
Mais ao menos no dez encontrei o homem laranja que me deu forças para continuar. A imaginação lhe deu para ali assim como uma receita caseira para as dores musculares que me poderiam acompanhar depois de me ter perdido tantas outras vezes que hoje não seria nova admiração. Seria mesmo só uma questão de habituação. Mas na rotunda da Marina lá estava ele, o homem Laranja e a sua simpatia. Lhe conheço faz para aí uns doze anos quando ele ainda parava, antes das obras, perto da fortaleza. Dois dedos de conversa e lá segui rumo à praia do paraíso ou lá onde é que eu fui.
Depois foi o voltar e aí, com uma imperial a servir de combustível. Tinha pedalado uns 45 quilómetros, uma centena de palavras impróprias a canadídeos e aos seus donos proferidas, umas tantas promessas que assim um gajo fica estoirado e coisas e tal. Cheguei e já com vontade de fazer uma outra volta um dia destes.


Sanzalando

12 de março de 2009

perfume

Sento-me aqui de olhos postos no mar e navego nos sonhos desta calma existência. Desde a linha do horizonte, colonizando ideias desconexas, entrecruzando estrelas de difusas latitudes sento-me aqui em busca de novos aromas para a minha colecção de perfumes da memória.
Já senti o perfume da inocência bem como o do calor do inferno, do corpo nu, esbelto ou disforme. Já senti o perfume dos lábios, da saudade, do desespero e da gargalhada. Falta ainda sentir o teu perfume para lhe guardar na arca da alma.
Eu sei que o teu perfume me vem com o mar. Eu é que ainda não aprendi a separá-lo dos pequenos odores que o contaminam.
Sento-me aqui de olhos no mar.



Sanzalando