Sanzalando
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8 de abril de 2009
Pitangando uma carta não escrita
Sanzalando
7 de abril de 2009
Um dia pitangarei
Sanzalando
5 de abril de 2009
Porque hoje é Domingo virei Guru de Blog
Porque hoje é Domingo e há muita coisa por aqui e por ali que optei por não fazer nada. Maneira de dizer, é claro. Sentei-me e desatei a pensar. Coisa péssima para fazer num Domingo.
Contarei uma história, das de agora ou dum antanho feito memória? Não me apetece porque de momento não se me ocorre nada.
Falarei de política? Nem pensar que já há muito quem o faça, que até fico verde de tanto laranja mesclado em rosa e vice versa.
Verterei lágrimas de nostalgia? Já foram muitas que, hoje Domingo, não me apetece fazê-lo.

Vou pensar vagamente e dou comigo a perguntar-me porque será que os blogs pioram com o tempo. Não sou um auto proclamado guru, mas sei do que falo porque não é primeira nem a quinta vez que leio, sem os piiiis da censura “ o teu blog já não é o que era, está uma merda…”
E com este mote continuo a desvendar linhas de pensamento e verifico que muitos dos meus blogs favoritos, alguns dos meus posts também isso mostram, há medida que o tempo passa vão-se deteriorando, ao ponto de alguns terem-se tornado intragáveis, que nem pago eu já os conseguiria ler. Maneira de dizer é claro, pois pode, em alguns casos, tratar-se de mera impressão, pela repetição de similar leitura. Assim numa maneira de leitura repetitiva, de quase já saber o que vai ser escrito por conhecer ‘bem de mais’ o blogger, conhecer o seu estilo, maneira de pensar, and so on, para dar um colorido linguístico a estas palavras.
Há momentos num blog que gera tranquilidade, fazem-nos sentir em casa umas vezes e, outras, totalmente contrários, sem rumo, numa mescla de estilo pastilha elástica com pneu usado em vias de reciclagem. Lidar com isto é difícil e por muito bem que se escreva, ou se pensa que se escreve, haverá sempre gente que se encanta e outra que dirá cobras e lagartos.
O tempo é o inimigo do blogger, se não for um blog de noticias, porque com o passar do tempo se esgotam as estórias, as Histórias e as memórias dum saber de cor.
Quando o blog começa tem por trás um monte de anos de vivências a serem contados. Este é o motivo principal da criação dum blog.
Penso na nostalgia e lá vai um post, na pena de morte e lá está outro, no telemóvel que não toca, outro, no beijo que não dei, outro. Porém chega um momento em que a totalidade dos teus conhecimentos e ideias já estão expostos no blog e já só tens o dia a dia para te alimentar. E se não vives o dia a dia os teus post reflectem a queda da qualidade.
Afinal parece que sou um guru que esgotada a ideia resolve ‘limitar’ as ideias de outros.
Bom Domingo!
4 de abril de 2009
lagrimas da Pitangueira
Tudo podia mudar e eu até podia dizer que estava isto e aquilo, porém eu até sinto-me vivo, mesmo sem a minha pequena Pitangueira que me ofereceu por uns dias as suas seis flores. Podia chorar todas as lágrimas em forma de palavras que mesmo assim ficariam lágrimas por dizer. Não pelas seis flores, não pela beleza nem pelo verde laranja da minha pequena Pitangueira, mas pelas recordações que só tenho de memória, e que a minha pequena Pitangueira era o palpável dos tempos de antanho.
Se calhar estou apenas a distorcer a realidade, borrar qualquer pintura imaginativa, trapezar num perigo qualquer sem rede, pelo gosto de ter recordações que não posso tocar, apenas e simplesmente recordar.
Se eu pudesse mudar, olhar e ver a minha pequena Pitangueira com as suas seis flores, se calhar eu teria que inventar outra forma de e para sofrer a falta de recordações palpáveis.
3 de abril de 2009
Escultura da minha Pitangueira
No meu pequeno jardim já não tenho a minha pequena Pitangueira. Tenho agora uma escultura de madeira que me mostra o esqueleto duma pequena pitangueira. É a memória eterna da minha Pitangueira, enquanto durar, é claro.
Já compreendi que é inútil fechar os olhos bem fechados porque quando os abro não vejo a minha Pitangueira cheia de folhas e as suas seis flores a me dizer que ia ter esperança de um dia eu comer Pitangas da minha pequena Pitangueira.
Já vi que não vale eu me esconder no outro lado da casa, criando distância para esquecer a minha pequena Pitangueira.
Ela está lá, na memória e agora numa escultura feita de madeira, esqueleto perpétuo na minha memória da minha pequena Pitangueira.
1 de abril de 2009
31 de março de 2009
chuva de botões

Olhei para a minha pequena e pobre Pitangueira sem flores, sem folhas. Vi uma triste pitangueira que nem parecia a minha Pitangueira. Nua e descolorida.E foi neste olhar que tive um sonho. Um estranho sonho. Estava a chover botões. Nada mais que coloridos botões de camisa, de calças, casacos e sei lá de quê mais. Eram de todos os tamanhos e todas as cores. Eram de quatro e dois buracos. Era um dilúvio de botões que faziam autênticos charcos de botões de muitas cores. Tal como tinha começado assim parou a chuva de botões e ficou no ar um cheiro a frescura, um aroma de sabor a música.
E foi aqui que vi que a minha pequena e pobre Pitangueira continua de aspecto pobre e com recordações de memória.
Sanzalando
30 de março de 2009
pequena e pobre Pitangueira
A minha pequena Pitangueira parece pouco mais que um esqueleto de uma árvore em miniatura. O vento lhe levou as flores e não lhe poupou nem uma folha. A minha pequena Pitangueira está nua. Simplesmente nua, pelo que eu não sei se tenho uma pequena Pitangueira ou se um fantasma de pitangueira. Olhando através do vidro da minha janela vejo as espirais de silêncio que seus frágeis ramos desenham numa abstracta tela. O pouco sol que lhe bate já não tem onde reflectir, porque ela perdeu as suas pequenas mas brilhantes folhas, a minha pequena e agora pobre Pitangueira despida.Nua de nuances ignoradas, vestida de desamor, a minha pequena e pobre Pitangueira, deve estar como eu, sem recordações materiais, apenas saudade de memória.
Se ela fosse grande eu a transformaria num estandarte de alma… pequena… deixo-a estar enquanto vou ver o mar.
Sanzalando
29 de março de 2009
o vento lhas levou
Vento forte que roubaste as minhas flores de pitangueira e me roubas o olhar do mar.
Assim, de olhos fechados, de pensamento encerrado na tristeza de não ter mais flores na minha Pitangueira, sinto uma forte loucura em pensar-te, em desejar-te o calor e sentir o meu suor abafado na tua humidade.
Assim, encerrado em mim, palmeando os teus caminhos e as tuas saudades, que já não tenho recordações físicas senão memórias.
Sanzalando
28 de março de 2009
Cinco das seis
Como estava bonita a minha pitangueira e as suas seis flores. Pela sua altura, pelo seu porte, as seis flores assentavam-lhe bem. Agora, olhá-la é como estivesse a olhar para uns tronquitos de madeira, sem forma, sem destaque e sem ritmo.
As seis flores marcavam-me a diferença, era um gosto que se perdeu, uma mudança desequilibrada.
A trovoada foi-me como Judas, traiu a minha Pitangueira numa das suas seis flores.
27 de março de 2009
Dialogo com a minha Pitangueira
Como tas tu, Pitanga das seis flores?Sim, sim, aceito o teu café como aceito continuar a conversar contigo.
Sabes, tu tens apenas seis flores, és uma criança, eu confiaria em ti, mesmo que tu não fosses a minha Pitangueira.
Pode parecer inverosímil mas a nossa capacidade de dialogar é impressionante. Estamos frente a frente qualquer que seja o lado que eu esteja. Ajudada pela brisa danças enquanto me ouves e me falas nos teus galhos delicados.
Me ouves?
Tou em querer que sim. Bailamos diálogos, recordamos memórias. Te agradeço.
De nada!
Sanzalando
26 de março de 2009
um dia vou comer Pitangas
Se alguém me ouve eu agradeço.
A minha Pitangueira um dia vai deixar de ser pequenina e vai dar sombra para eu me sentar sob a Pitangueira e recordar-me do sabor duma Pitanga
Sanzalando
25 de março de 2009
e assim a minha Pitangueira
Voltei a olhar para a minha pequena Pitangueira e às suas seis flores e se me abriu um sorriso na cara como me dissesse que amanhã eu vou ter uma Pitangueira Grande que me dará todas as Pitangas que eu quero.
Sanzalando
24 de março de 2009
23 de março de 2009
o vento na minha pitangueira

Que será que deu neles, para estarem assim tão revoltados? É fúria passageira na certa. Só pode. O mar estava de cor do topázio e me disseram que o topázio é uma pedra simpática e delicada e que dirige a sua energia para onde é preciso.
Já sei porque faz vento e o mar está assim revoltadamente agitado. Deve ser que o vento é provocado pelas asas dum anjo assim para revoltar o mar e lhe libertar de toda a energia negativa, lhe purificar.
Não é? Foi isso que sopraste no meu ouvido?
Ò vento, tu me despenteias em ondas revoltosas tal como esse mar está, e não é para isso? Vê lá se me explicas.
Mas por favor, não arranques as minhas flores da Pitangueira, que ela ainda é pequenina.
foto dum slideshow
22 de março de 2009
Pela pitangueira

Fiquei então a olhar para a minha pequena pitangueira e reparei que tinha poucas recordações entre mãos. Tudo só estava na poeira da memória.
E foi então, que olhando para a minha pequena pitangueira que com as suas seis flores me anuncia a primavera, que eu me prometi ter mais recordações sem serem as de memória. Como é que vou fazer isso eu ainda não sei. Mas não vou deixar ficar mal as minhas flores da pitangueira.
21 de março de 2009
me sento por aqui até me deitar
Cada vez que aqui me sento, cada vez que aqui te falo, minha pronuncia se modifica num cantar bem diferente que até me perguntam donde é que eu sou. Despercebo o quê deste porquê.
A grande verdade mesmo é que eu aqui me sento com vontade de crescer. Impulso natural que eu acredito que é o principio universal da gente: crescer para ser mais completo. A actividade humana está baseada neste desejo de crescer. Procura mais comida, mais roupa, mais luxo, mais beleza, mais saber, mais prazer. Enfim: mais vida.
Aqui sentado eu medito nestas coisas para me conhecer mais num avançar contínuo e interminável. A verdade é que quando o crescimento pára, vem a inevitável morte.
Por isso continuo sentado aqui a meditar até ao dia que um dia eu vou me deitar, já sem forças para saber mais.
Sanzalando
20 de março de 2009
afinal
Ouço o mar, sinto a maresia e me precipito em banhos de inocência, abismos de chamas, prazeres de água exaltada.
Afinal de contas este mar tem destas coisas, faz-me de naufrago apátrida dos teus lábios carnosos, dos teus perfumes carregados, do teu andar jingão.
Afinal de contas este mar me faz mal à saúde. Ou não!
Sanzalando
19 de março de 2009
uma carícia
Olho o mar. Não me parece o mesmo mar de ontem. Está azul carregado de azul. Ondas alisadas pela calmaria. Mas é o mesmo mar porque o sítio é o mesmo e eu não acredito que tenham mudado o cenário assim num dia para outro.Me sento em contemplação misturado de imaginação, argamassa dum sonho que um dia vai ser realidade.
O que poderia a esta hora estar a fazer no outro sítio, a ver o mar de lá para cá?
Sanzalando
18 de março de 2009
Mar revolto em banho de espuma
Arrefeço porque o vento norte corta-me os raios de sol tímidos de inverno. Imaginar-te desde o aqui sentado torna-se-me um dia duro.
Transfiro o pensamento para a imaginação dum banho de espuma. Esqueço o mundo. Toda a minha tensão se dissolve no quente da água da banheira. Paulatina e deliciosamente, assim numa câmara lenta, me deixo entrar no mundo dos sonhos. Caminho lento por imagens fabricadas na memória. Me deixo envolver num silêncio absoluto.
Afinal de contas fui molhado por apenas uma gota de mar que eu sei veio desde o outro lado para me beijar.
Sanzalando
17 de março de 2009
sentir
Eu sei que a culpa é minha. Disposições mentais. Não falo mas lhes penso. Muito!
Mas hoje a tua mensagem fez com que a minha alma sentisse um arrepio e eu necessite dum abraço para sair desta hipotermia. Hoje fiquei necessitado de sentir a tua beleza no sentido mais básico, mais simples. Hoje precisava mesmo só de sentir o teu abraço carregado de calor.
Sabes, olho o meu anel feito de arco-íris, olho o mar de azul marinho e sinto que preciso sentir-te para me sentir livre.
Abraças-me?
Sanzalando
16 de março de 2009
olhos de mar
Tenho os olhos no mar para poder dormir sobre o abismo da ausência material na minha alma da harmonia do teu corpo desenhado mulher dos meus sonhos.
Olho no mar porque não tenho olhos cor de mar. Olho no mar porque tenho as minhas lágrimas com sabor de mar.
Um dia, longe ou perto, já não me preocupa, eu vou estar com os olhos de mar, no teu mar e te direi baixinho que vou te amar.
Até lá, com os olhos no mar, eu vou te ver sempre que fechar os meus olhos, sempre que soprar uma brisa de sabor a mar.
Acho mesmo que eu sou os olhos do mar.
Sanzalando
15 de março de 2009
um beijo
Na verdade, com este mar azul fresco, eu vou sentindo a força para te esperar no automatismo em que a minha consciência toma conta da inconsciência deste amor.
Hoje, não sei se é pela cor se é pela calma deste mar, mas o que me apetece é mesmo compartilhar um beijo contigo, sem importar a distância que nos separa.
Afinal de contas os teus beijos sempre se fundiram em mim.
Sanzalando
14 de março de 2009
Sábado, bicicleta e fotos
Então que agarrei na minha bicicleta que nem carteiro dos antigos e fui fazer quilómetros nas pernas e pedaladas nos insultos aos cães que têm a mania que aquela coisa de duas rodas e um gajo em cima é para trincar. Aí parti feito um campeão de qualquer camisola amarela.
Estava a fazer mesmo os quatro quilómetros no conta voltinhas quando eu não queria acreditar que estava a ler o que estava mesmo lá escrito. Me aproximei e como era a subir custou um pouco mais do que os meus olhos queriam e verifiquei que era mesmo uma verdade verdadeira: apenas por motivos. Apenas isso, por motivos e mais nada. E para reforçar a ideia ele também vai estar close. Penso que deve ser pelo mesmo motivo. Agora eu queria ficar a saber tanto que nem eles… era o que mais faltava, estou certo que foi isso que pensou o autor deste quadro exolicativo.Na minha ignorância lá fui eu rumo ao quilometro desconhecido, que isto de andar por estradas desconhecidas tem destas coisas da gente se perder e lá se foi o planeamento que nunca é grande coisa.
Mais ao menos no dez encontrei o homem laranja que me deu forças para continuar. A imaginação lhe deu para ali assim como uma receita caseira para as dores musculares que me
poderiam acompanhar depois de me ter perdido tantas outras vezes que hoje não seria nova
admiração. Seria mesmo só uma questão de habituação. Mas na rotunda da Marina lá estava ele, o homem Laranja e a sua simpatia. Lhe conheço faz para aí uns doze anos quando ele ainda parava, antes das obras, perto da fortaleza. Dois dedos de conversa e lá segui rumo à praia do paraíso ou lá onde é que eu fui.Depois foi o voltar e aí, com uma imperial a servir de combustível. Tinha pedalado uns 45 quilómetros, uma centena de palavras impróprias a canadídeos e aos seus donos proferidas, umas tantas promessas que assim um gajo fica estoirado e coisas e tal. Cheguei e já com vontade de fazer uma outra volta um dia destes.
12 de março de 2009
perfume
Sento-me aqui de olhos postos no mar e navego nos sonhos desta calma existência. Desde a linha do horizonte, colonizando ideias desconexas, entrecruzando estrelas de difusas latitudes sento-me aqui em busca de novos aromas para a minha colecção de perfumes da memória.Já senti o perfume da inocência bem como o do calor do inferno, do corpo nu, esbelto ou disforme. Já senti o perfume dos lábios, da saudade, do desespero e da gargalhada. Falta ainda sentir o teu perfume para lhe guardar na arca da alma.
Eu sei que o teu perfume me vem com o mar. Eu é que ainda não aprendi a separá-lo dos pequenos odores que o contaminam.
Sento-me aqui de olhos no mar.
Sanzalando
