recomeça o futuro sem esquecer o passado

16 de abril de 2019

hoje acordou sol

E hoje acordou sol. É, ele nasce todos os dias desde os tempos de que alguém lhe inventou. Faz chuva ou faz sol ele nasce. Tem boletim anual a dizer a que horas ele nasce, todos os dias da vida dele. E ele hoje acordou sem nuvens a lhe esconder. Ele hoje me deu a luz para eu ver sem ter que esforçar o olho nem usar casaco para me pesar nos ombros. É assim eu gostava ele nascesse todos os dias, como nasço quando eu acordo todos os dias. 
Bem, eu não gosto de falar de mim, nem directa nem indirectamente porque eu estou em tudo o que eu vejo. Por isso vejo. Hoje vejo sol e sinto-o. Deixei bem claro que claro está o dia e por isso espalho a todos os cantos do mundo. O sol não precisa da minha companhia, mas a companhia dele alegra ainda mais o meu dia. Eu acho fui feito a energia solar. Modo artesanal de ver o meu nascimento. Com ele eu não confundo os meus sentimentos, vejo-os claríssimos que até parece é dia de sol de verão.


Sanzalando

15 de abril de 2019

azul de mar

Virei sandes de tempo. Agora está sol como a seguir está a chover, diria o poeta. Faz frio e calor. Angústia e ansiedade, alegria e felicidade. Onde é que é que me dorme o coração? Estes acordados sonhos que gastam os minutos serão repatriados quando chegar a hora? Onde será que ando? Onde será que danço a minha música ao ritmo de esperança?
Com este tempo tipo sandes onde será que o meu coração vai, se diverte e se distrai?
Ó Zulmarinho sereno vê lá se me deixas descansar desta ansiedade no teu azul de mar. Deixa só eu chegar à linha recta que é curva e espreitar para as bandas de lá.


Sanzalando

12 de abril de 2019

#comida


Nem eu nem a primavera.

E num ápice se fez sol. Chove, venta e num ápice se acorda banhado de sol a toda a volta. Até que parece foi milagre dos deuses e seus afilhados. É que estava a ficar difícil tirar um sorriso aos meus lábios de tanto vento banhados. A primavera não era assim que os livros me ensinaram. Tinha dias ruis e outros também não. Agora todos estava a fartar... mas o que me faz valer é que eu sorrio sempre nem que seja em cara de foto panorâmica.
Eu me desculpo mas não lamento. É, eu sou humano mesmo que ás vezes tem gente que não concorde, assim como tem tempo que o tempo não é o que era.
O tempo é egoísta e faz coisas dele só para me irritar ou fazer que o meu sorriso não tenha sempre o mesmo brilho. Coisas do tempo. Não vou estar para aqui a lamentar o tempo da minha vida quando eu era uma criança, que não tinha essa coisa das quatro estações e tinha apenas uma estação e alguns apeadeiros pelo caminho que podia tudo ser no mesmo dia que eu não me importava.
Na verdade eu não me lamento nem lamento existir. Nem eu nem a primavera. Ambos temos os nossos dias.


Sanzalando

#comida


9 de abril de 2019

#flores


#comida


primaverilmente desiludido

Me envolvo no vento e rodopio como fazia nos remoinhos do meu mar lá para os lados do sul. Na primavera eu volto a ser criança, mesmo com as articulações e reflexos a não terem o fulgor daqueles tempos carregados de impossiveis.
Assim, tunicado de vento eu armado em ermita do alto da minha falésia, subida na inspiração e mantida com a transpiração dos pensamentos, me deixo levar em ondas curtas, médias ou de frequências inconstantes.
Para mim as surpresas da vida são a melhor parte dela. As pessoas incríveis que conheci, as que me desiludiram, as que me sorrindo me xingaram, as que sonsamente se divertiram com punhais de alma e contratempos de contragostos, são as que mais satisfação me dão. As outras são as pessoas normais da vida, as que fazem parte da minha vida e ela não seria assim, alegre e feliz. Aquelas não, são bestiais até à faca mortal, sorriem até ao choro, são jovens até se lhes ver as rugas de alma panada em farinha de ignorância e pão amassado pelo desespero de serem grandes na sua pequenês.
Me envolvo no vento como uma túnica vestida, mero detalhe da minha nudez de vida, transparência de consistência, verdade de realmente, e caminho por entre riscos e rabiscos, reconhecendo limites, imperfeições e incoerências próprias da minha mortalidade imortal, porque humano sou.
Mero detalhe de idade com anseios focados na perfeição, na linha recta da do esforço. Eu sonhador perfeito, me deleito nas impurezas humanas, nas fraquezas humanas e vivo assim satisfeito, admirando as pessoas incríveis que não sabem onde vivem e por que o fazem.





Sanzalando

4 de abril de 2019

#comida


#caminhos


manequim à solta

Sopra vento que nem no meu deserto de lembranças passadas. Abrigado, junto no zulmarinho medito como fosse um ermita sem religião, credo ou nação. Medito apenasmente para me encontrar, uma vez que se eu estiver onde sei que estou o resto é mais fácil ver, sentir e viver. Não preciso investir-me em montra de virtude, beleza ou qualidades, não preciso de ver-me manequim porque isso tem montes no por aí à solta que se agride na alma, que cai que nem gotas dum conta-gostas e quando abre a boca parece foi terramoto cultural que se afundou.
Sopra vento de areia fina por este lugar ermo onde medito em mim. Não me importo que o dia seja pesado, grande ou difícil, desde que a minha alegria esteja em mim. Às vezes posso ficar triste, mesmo sem saber porquê, mas eu sorrio e dou a volta na volta da alegria e felicidade. E o meu sorriso não é automático nem paisagem. É real, como real é a minha vida feita por mim fantasia.
Sopra vento que nem no meu deserto de lembranças passadas e é primavera por cá.



Sanzalando

3 de abril de 2019

O que me chateia mesmo é que me despenteia

Brilha sol ao sabor do vento e eu sentado na areia me protejo fechando os olhos. Tem areia parece pica pica de encontro a mim. Tem tempo parece é raiva de eu existir só assim sentado a pensar. É o meu modo adverso de pensar o mundo, é a minha prosa de descrever o presente e futuro levando docemente o passado comigo, é não gostar de magoar dizendo o que penso, como eu quero e posso. Eu podia contar estórias de estória inventada, eu podia descrever o céu azul sendo ele cinzento, eu podia pintar o mar de tantas cores como a íris de uns olhos quaisquer. Eu podia fazer tanta coisa que só faço o que quero como eu gosto.
Brilha o sol contra o vento. Sopra vento e faz sol. O que me chateia mesmo é que me despenteia.


Sanzalando