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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
- Pertinências 1 - Carlos Osório - Roblocks e os seus caminhos
- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
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- PERTINÊNCIAS 12
- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
- Pertinências 15
- Pertinências 16 - As Abelhas
- Pertinências 17 - O Papel do Jornalismo em Tempos Sombrios"
- Pertinências 18 - James McSill
- Pertinências 19 - Alexandra do Carmo
- Pertinências 20 - Orquestra de Jazz do Algarve
- Pertinências 21 - O Grande Võrtice da Desinformação
- Pertinências 22 - Goncálo M. Tavares
- Pertinências 23 - Jornalismo de Investigação
- Pertinências 24 - Teolinda Gersão
- Pertinências 25 - Júlia Domingues e João Ventura
- Pertinências 26 - A Música na Feira do Lovro em Portimão 2926
- Pertinèncias 27 - O que é o Fado? e Há Fado na Lota (1)
- Pertinências 28 - 2ª noite de Há Fado na Lota
- Pertinências 29 - 3º noite de Há fado na Lota
- Pertinências 30 - 4ª noite de há fado na lota
- Pertinências 31 - 5ª noite de Há Fado na Lota
26 de fevereiro de 2025
Programa 56 - K'arranca às Quartas
Programa de Rádio com palavras, livros e música - 26 de Fevereiro de 2025. tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar, aos cortes ou de seguida.
Quem não ouviu em directo ouça agora indirectamente como directo fosse. Podem comentar para poder melhorar
Hoje tivemos a Crónica, falámos de Clarisse Lispector, uma das autoras maiores da língua portuguesa, Ucraniana de Nascimento, brasileira por adopção, que elevou a língua portuguesa. Tivemos poesia na voz de Domingas Monteiro a dizer Ana Paula Tavares
Tivemos os Tesourinhos Musicais e falámos de Os Plutónicos
Tudo imperdível
eu na minha cidade
Me olho e me vejo. Quem sou? Já sei que sou o intermédio da matéria visível e o espírito que realmente penso. Nem apenas o físico que podem ver nem a mente que penso. O visível é dependente da percepção e capacidade visual de quem me olha. O que penso pode ser alterado pela intuição e interpretação de quem me imagina ver.
Na minha rua eu era o menino que estava sempre bem, a simplicidade fazia parte da minha essência. Nas outras ruas eu já podia ser outra coisa. Mas a minha cidade era pequena por isso eu não podia ser muitas coisas. Ao que sei tinha gente que nem imaginava eu existia., logo não tinham ideia de quem eu era ou podia ser. Mas eu era um habitante da minha cidade. Era um transparente porque inexistente nessa parte da cidade. Mas eu era eu. Disso eu tenho a certeza. Eles não podem ter a certeza porque estavam errados, mesmo não sabendo.
Era a minha cidade onde eu era conhecido e também desconhecido. Era eu e não era eu.
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25 de fevereiro de 2025
a minha cidade
Deixo o meu corpo caminhar sobre uma cidade que inventei.
Perdida no tempo e sem espaço, a minha cidade cresce até onde os meus olhos alcançam. Ela é linda, talvez porque seja feita sob a minha imaginação e eu não gosto de a desperdiçar. Ela é plana porque eu não gosto de caminhar aos altos e baixos, além de que gosto de ver longe, muito longe, sem barreiras.
A minha cidade tem ruas quadriculada e matemáticamente certas. Eu não gostaria de me perder na minha cidade. Gosto de saber por onde ando e por onde posso voltar.
A minha cidade é grande como grande é a imaginação de quem a visitar. Mas é linda, independentemente de quem lhe gostar
24 de fevereiro de 2025
esvaziei a imaginação
Sentei-me frente ao papel. Olhava-o e ele inerte e branco, vazio de letras e palavras. Que faço, pergunto-me sem articular qualquer palavra. Ouço-me em pensamento e respondo-me na volta com um 'estou em branco'. Com a caneta fiz um desenho. Eu a desenhar é lindo de esconder. Mas palavras, que eu queria, nem uma.
O desenho por mim feito parecia ter criado vida e até parecia me atirava a língua de fora a fazer pouco. Nem uma palavra fazia companhia ao desenho já quase desfeito por mim. A Rua das Hortas ou a Avenida da Praia do Bonfim vinham-me à cabeça mas palavras que é o que eu queria, nada. A D. Maria Guedes vinha à janela da minha imaginação, mas não dizia palavra nem fazia algo que me tirasse daquele bronco vazio de palavras. A esposa do Raul Gomes também veio à janela. Sorriu-me e palavras nem uma. E o desenho quase rasgado de raiva sorria-me atirando a língua para fora num faz pouco deste vazio imaginário. D. Lucia salvou-me quando me disse vai para casa que está cacimbo.
Eu fui e abriguei-me desta vergonha vazia de ideias e palavras.
19 de fevereiro de 2025
Programa 55 - K'arranca às Quartas
Programa de Rádio com palavras, livros e música - 19 de Fevereiro de 2025. tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar.
Quem não ouviu em directo ouça agora indirectamente como directo fosse
Hoje tivemos a Crónica, falámos de Teixeira de Pascoaes
Mas tivemos os Tesourinhos Musicais e hoje falámos e ouvimos Duo Ouro Negro que chegaram a ser três
Tudo imperdível
17 de fevereiro de 2025
eu mesmo assim
Me embalo na música e me deixo sonambular por sonhos e desejos. Quero ser um vagabundo de pensamento, um anárquico da regra, um desobediente da ordem. Quer ser eu no todo e no total de mim. Me deixem ser só livre de corpo e alma. Me deixem ser eu, mesmo assim um eu que nem eu sei quem sou.
15 de fevereiro de 2025
desenho-te com palavras
Quantas vezes te fiz o retrato usando as minhas palavras. Sei-te de cor cada desenho meu. Porém sei que estou completamente desatualizado. Recordo-te com 18 anos e faz meio século que te perdi no olhar. Como te desenharia hoje? Manteria o teu riso enigmático? Poria o teu olhar brilhante porém questionante? Ou será que te deveria descrever a bold e em maiúsculas onde o teu poder coubesse? Não faço a menor ideia. Os teus castanhos cabelos agora têm cor artificial ou branquearam como o salitre dos nossos dias de verão?
Raios me partam se eu sei como te poderia desenhar hoje com as minhas palavras?
14 de fevereiro de 2025
delirante
Cada vez que escrevo uma palavra eu enriqueço. Um som, uma frase, uma admiração, eu atenciosamente ouvindo, enriqueço. Sem grandes ou pequenas palavras eu vivo, desde que sejam palavras audíveis.
Se cada palavra representar uma pessoa, eu estou rodeado de multidão e, dessa gente, algumas eu levarei para um lugar grande de mim: a minha vida.
Cada palavra parece ser um código de barras de alguém. Eu em delírio.
12 de fevereiro de 2025
Programa 54 K'arranca às Quartas
Programa de Rádio com palavras, livros e música - 12 de Fevereiro de 2025. tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar.
Hoje tivemos a Crónica titulada A Rádio, falámos de um filme AINDA ESTOU AQUI e de Fernanda Montenegro
Mas tivemos os Tesourinhos Musicais que foram os Petrus Castrus
Tudo imperdível
Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar
Sanzalando
o que fomos
Enamorado de ideias, dançando ao sabor da música dos desejos, vagueio por pensamentos com vontade de atracar num porto seguro.
Os teus braços fechados encerram abraços que me podias dispensar, os teus lábios serrados escondem os beijos que não me destes. Desviei-me de desejos com medo de te acordar.
Somos luz e escuridão, dia e noite, aberto e fechado. Desentendemo-nos na sincronização da vida, perdemo-nos nos afectos e vontades.
Fomos um ponto e virgula que se desentendeu, ficaste no ponto e eu fui-me na vírgula.
10 de fevereiro de 2025
divagando
Vagueando o olhar por entre o cacimbo da manhã na praia encontro-me mesclado de saudade e esperança. Já tentei parar de olhar e recolher-me a casa, deixando esta não vista para outro dia em que eu a tenha, porém a maresia, o marulhar e a solidão agarram-me como se eu tivesse que estar ali. Se calhar há um qualquer verão que me chama. No âmago da minha existência, no centro do meu querer. Mas quem sou eu para estar aqui, ao cacimbo à espera de quê?
5 de fevereiro de 2025
Programa 53 K'arranca às Quartas
Programa de Rádio com palavras, livros e música - 05 de Fevereiro de 2025. tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar.
Hoje tivemos a Crónica titulada Higiene Oral, rela simbólica e metafórica, falámos de um escritor de livros, de música e de desenhos, isto é, falámos de Otílio de Figueiredo
Mas tivemos os Tesourinhos Musicais que foi o Conjunto Académico João Paulo que da Madeira veio brilhar para Lisboa
Tudo imperdível
Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar
Sanzalando
memória
Saltitando de pensamento em pensamento vou vagueando feito um tonto perdido sobre mim. É, acho que me perdi. Desencontrei-me de mim e fui por aí ao sabor da memória como se fosse um mar de maré vazia, sabor a sal e quente como tropical fosse. Deixo-me ir. Sou um jovem sem pátria, sem ponto de partida e nem sabe onde fica a chegada. Sigo-me de memória, rastejo ideias, umas rascas e outras aparentemente sérias e perfumadas. Mesmo estas são fachada porque desconsigo viver a memória. Tenho-a, mas isso mesmo, é só memória.
4 de fevereiro de 2025
navego
Navegando por pensamentos e sonhos dou comigo a rever amores. Uns perfeitos e outros impuramente desfeitos. Há amores que parecem belos porém tal como os seus frutos são amargos. Há outros que feios dão cor à vida e se perpetuam indefinidamente reluzentes. É isso. Amor não precisa de truques nem magias porque ele só por si é uma magia.
Vagueando por ideias e pensamentos dou comigo a falar sozinho, entre a minha dormência impaciente e a minha demência inocente.
Vagueio-me vagabundando por ruas de sonhos e desejos, memórias e palavras soltas.
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