recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de janeiro de 2008

Adeus anunciado (4 de 4) - FIM

Aqui estou acenando um adeus tantas vezes ensaiado.
Aqui estou como tantas vezes aqui estive.
Há dias em que te sussurro para que deixes o teu perfume sobre a minha almofada, outros há em que te grito o meu amor em silêncio.
Há dias em que te penso deixar-me em paz.
Há dias em que brindo à vida, ao amor, ao sorriso, outros em que nem um copo consigo erguer sem deixar fugir uma lágrima.
Há dias que sigo sonhando que daria o que quer que seja para conseguir fazer desaparecer o que nos separa e outros que gasto na memória dum reencontro tantas vezes adiado.
Há dias que vejo flores e canto canções, outros há que são salgadas as memórias.
Há dias para tudo e outros há para nada.
Arthémis, obrigado por partilhares connosco tantas imagens de rara beleza.
A todos aqueles que aqui passaram, uns deixando um sinal, outros nada, porem voltavam no seu silêncio a calcorrear os caminhos das palavras, os sonhos de fantasia, as magias da esperança, só lhes posso dizer obrigado e lhes pedir desculpa por parar aqui por uns tempos.
Há dias em que é preciso saber parar, respirar, descansar e arranjar forças para um dia poder voltar.

voltarei


Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO


Obrigada por aceitarem a partilha de imagens, que fiz convosco durante todos estes meses.
Até um dia!
ÁRTHEMIS

30 de janeiro de 2008

Adeus anunciado (3 de 4)

Aqui estou eu saltitando de ideia em sonho, de ilusão em realidade.
Aqui estou eu como tantas outras vezes aqui estive.
Há dias em que viajo sem sair do meu sofá, outros em que o avião da imaginação me espera. Há dias que recordo nomes e lugares, outros que estou na escuridão da solidão. Há dias que traço rumos e outros em que os modifico sem parar, acabando numa folha em branco. Há dias em que estou onde meus sonhos me levaram, outros que não consigo nem ver onde estou. Há dias em que a fábrica das coisas não pára e outros em que o vazio impera. Há dias em que novos odores, novas sensações, novas texturas há para descobrir, outros em que acordar não está nos planos.
Há dias em que eu penso que o maior tesouro é a liberdade.





Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO

29 de janeiro de 2008

Adeus anunciado (2 de 4)

Aqui estou eu dançando nas palavras que não têm vontade nem de sair.
Aqui estou eu como tantas outras vezes aqui estive.
Há dias em que apetece renegar tudo até a dignidade de ser humano, há dias sem circunstância. Há dias em que o esquecimento é rei e há dias em que acredito que a vida me tem tratado bem.
Há dias em que apetece lutar com unhas e dentes por ventos e sonhos. Há dias em que apetece esquecer que conheci o teu olhar e o teu perfume. Há dias que sinto saudades do teu olhar, outros em que parece que tenho uma revolução hormonal.
Há dias em que me apetece cantar-te canções de amor, outros há em que me apetece cantar-te gritos de silêncio.
Há dias em que apetece tudo, outros há em que aparenta ser a morte a mais colorida das saídas.



Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO



28 de janeiro de 2008

Adeus anunciado (1 de 4)

Aqui estou eu vestido de sorrisos, maquilhado de ilusões e penteado de sonhos. Aqui estou eu como tantas vezes aqui estive, transpirado de energia, afogado em suspiros e calçado em nostalgias.

Já fiz canções sem escrever versos, já esculpi imagens sem usar barro, já sorri com os olhos sem ter acordado.

Caminhei manhãs por palavras, chorei mares de saudade, gritei silêncios calados.
Aqui estou eu, como tantas outras vezes aqui estive.
Há dias em que nos custa acordar e caminhar em carreiros de sonho e ilusão. Há dias em que custa sonhar e outros que apetece oferecer os sonhos. Há dias em que a noite é infinita. Há dias em que apetece morrer por uns minutos. Há dias em que apetece gastá-los no riso dos amigos. Há dias que custa olhar o espelho e outros que apetece dançar à frente dele.
Há dias de melancolia, de nostalgia e de esperança.



Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO


27 de janeiro de 2008

Recorrendo a um ontem

Falado em 12-09-2004


Até que o Sol teima em continuar a dizer que inda não terminou a sua época. Como assim está, aproveito estas madrugadas de manhã alta para pôr o meu sol no lugar que ele deve ter. Arrumar ideias e pensar em pensamentos novos. Cada dia é um dia.

Olhando o zulmarinho que parece a calmaria a chamar os seus amantes para umas carícias molhadas: Corpos despidos de roupa e preconceitos massajados pela suavidade do seu sal; relaxados nos pressupostos de recalcamento de anos sangrantes e ideias bizarras; cabelos dispersos pela ondulação na anarquia lógica dum emaranhado de sonhos.

Vejo daqui de cima que este zulmarinho é o fim de um início que promete acabar com choros, com os complexos de fatalidade de anos escravizados de pesadelos, cobardias e desfaçatezas.

Bebo pelo zulmarinho da esperança esquecendo que antes do parto há as contracções dolorosas que por vezes leva a gritar que DESISTO.



Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO






25 de janeiro de 2008

de novo!

Aqui estou eu com vontades de me apaixonar perdidamente. De novo!
Aqui estou com vontade de ler um livro que me leve a sonhar. De novo!
Aqui estou à espera de te ver impressinar-me. De novo!
Tenho vontade de experimentar todas as sensações que já vivi. De novo!
Tenho vontade de te ter. De novo!
Na verdade estou cansado de encontrar-me na parte crítica, destrutiva e conformada. Estou cansado de sentir o sabor amargo e negativo. Estou com medo de fazer parte, por contágio, das pessoas criticas, destrutivas e conformadas. Estou com medo de ser contaminado pelo sabor amargo e negativo.
Não quero fazer parte desse grupo de inconsciência colectiva que se multiplica e se destrói no arrastamento de inocentes pensamentos e sonhos.
Aqui estou com vontade de renascer. De novo!
Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO

24 de janeiro de 2008

momentos

Pé ante pé, pensamento em pensamento, vou seguindo o meu caminho de palavras. Não te vou mentir e te dizer que não estou confundido. Quando um dia eu te poder dizer que tudo está sob controlo eu estarei no sítio certo da hora.
Acredito que nunca te disse que parece acabou o meu estado de luto e aos poucos vou conseguindo olhar para mais do que as minhas palavras e dos meus sonhos.
Mas não lhes conto esses meus sonhos, nem lhes esqueço… momentos meus.



Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO



23 de janeiro de 2008

do alto

Aqui estou eu, sereno, sentado sobre as nuvens, contemplando o que me rodeia, ao mesmo tempo que tenho os olhos nos violadores de ilusões e nos que se riem das suas vítimas.
Aqui sentado, observo de alto, a tristeza do desencanto, olhos inocentes que lacrimejam o esquecimento e os pontos de dúvida na interrogação dos dias.
Aqui sentado, me recomponho no espaço dos desejos.
Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO



22 de janeiro de 2008

34 - Estórias no Sofá - Luara

Álvaro era mesmo um adolescente confundido.
Seu ritmo de vida não dava tempo para lhe entender as mudanças no corpo e na cabeça. Seu destino era mesmo só desfrutar. De tudo e de todos.
Cresceu num meio de gente estabelecida, conhecida nos trapézios do dinheiro e cinturas de poder, era membro daquela sociedade que mesmo que não faz nada, manda.
Mas, como toda a gente, um dia havia de chegar o dia de Álvaro decidir mesmo o que queria ser, definir a sua vida. Ele que nunca lhe tinha passado pela cabeça ser mais alguma coisa que um irrequieto adolescente. Nunca tinha perdido tempo a se analisar num olhar de amanhã. Tem mesmo de ser? Parece ele ainda se perguntou e adiou muitas vezes. Nesta mesma altura começou a sentir a necessidade de lhe gostarem, fora aí da camada protectora.
As raparigas lhe produziam um desejo incrível, umas sensações parecia ia estava doente. Os seus corpos e suas curvas lhe causaram muitas dores no pescoço, porque ele não cerimoniava de lhes seguir com o olhar, não se reprimia mesmo se parecia estava louco.
Seus olhos se começaram a fixar em Luara, a rapariga mais bonita daquela escola, de todas as que ele um dia tivesse visto, que com os seus olhos cor de mel, lhe parece olhar também para além dos olhos. Luara lhe respondia de sorriso a um gesto e Álvaro contorcia-se de tremores para controlar o corpo que queria ir de foguetão lhe abraçar. Ele não estava doente nem louco, estava mesmo era profundamente adolescente na hora de mudar de vida.
Aos poucos, os encontros das aulas se foram completando com outras saídas, outros lugares. Luara lhe deixava louco na sua beleza natural. Um dia, como que o corpo lhe empurra a cabeça, ele lhe pergunta se quer noivar. Estavam na Praia. O calor, o marulhar e a maresia lhe davam a volta à cabeça. O tempo da resposta, demorava uma eternidade, ao mesmo tempo que gotas de suor se começaram a enfileirar para lhe escorrerem pela cara abaixo.
Luara divagava sobre a cor do mar. Álvaro já nem sabia ele era azul ou cinzento, branco ou castanho. Acho mesmo ele queria ter asas e voar dali. Seus olhos procuravam outros corpos onde repousar os olhos, mas estes nada viam pois esperavam na ansiedade de ouvir a resposta que viesse ali dos lábios de Luara.
Luara era linda e ela mesmo sabia disso. Lhe fazia sofrer num falar inacabável. Instantes eternos foram aqueles. Ele que estava habituado a desfrutar da vida a seu gosto estava agora amarrado a umas palavras que não eram da sua boca, que a família não tinha controlo nem poder. Luara, desde faz muito tempo era dona do seu nariz, lhe fazia agora ali sofrer até que num toque certeiro lhe rematou:
- Sabes Álvaro, quando a gente acabar a Universidade me perguntas outra vez?


Sanzalando

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21 de janeiro de 2008

espero

Espero. Espero o próximo milénio. Mais noite menos dia, qualquer coisa assim.
Espero até que um dia eu consiga dizer ao menos que desisto por agora.
Espero até que a pele se endureça de tantas noites a olhar as estrelas e ver qual delas me indica o caminho.
Espero até que o encarcilhar da pele de tanta água dos rios que passam a ponte da esperança me terem encharcado e já não me deixar mexer.
Escrevi mensagens, gritei, mostrei-me presente e o tempo não deu comigo.
E eu espero mesmo quando me dizes para intervalar, arrefecer-me, voar por céus mais tranquilos. Espero porque sei que um dia vou receber nem que seja um adeus feito de forma tímida.



Sanzalando

GLOBALIZAÇÃO

20 de janeiro de 2008

recorrendo a um ontem

falado em 11-09-2004



Bebo sim. Que mal tem beber se é para ter a garganta assim como que oleada. Te falo melhor e só te conto as verdades, mesmo que elas não tenham existido.

Conterra, senta aqui e me ouve com ouvidos de ouvir e olhos nos olhos para eu ver que estás a ouvir.

Mermã, o zulmarinho está a entrar no tom mais escuro de Outono. Eu sei que aí, onde ele começa, tá a ficar clarinho, verdadeiro zulmarinho que até parece continua com o céu. Mas aqui no fim dele está a ficar mais escuro, parece ele está a dizer é tarde. Fica assim mais sem graça.

Mas te dezia que eu bebo para ter a garganta lubrificada e me lembrar de outros cafés, outras saudades. Outros tempos em que a dor no cotovelo não doia nem nas palavras. Sim, mermã, a dor sai dos cotovelos, vai nas mãos e de ricochete ela volta até no cérebro. Com o zulmarinho sendo zulmarinho as pessoas não vestiam tanta roupa e eu lhes via a silhueta sem ficções e outras maquinações. O Zulmarinho era mesmo zulmarinho e sol brilhava mais doirado. Agora, mermã, bebo para ver se ele clareia e só tem cacimbo nele.

Conterra manda poesia linda que fala do nosso mar, do início deste mar.

Sanzalando

Porque hoje é um novo dia


19 de janeiro de 2008

Faz conta hoje é Sábado em Dezembro

A àgua é um bem precioso. Há que lhe guardar tão bem que é preciso até código.
Que falta inventar ainda?
Sanzalando