Hoje é o último dia de férias.
Hoje é o primeiro de muitos outros dias que virão.
Amanhã retomo as actividades, incluindo o iniciar aqui o contar, não sei ainda nem a forma nem o conteúdo, de como foram as minhas férias, como fotos para mais tarde recordar. Prometo...
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Rádio Portimão
Programas K'arranca às Quartas no Blog
- Programa K'arranca às Quartas
- Programa 21
- Programa 22
- Programa 23
- Programa 24
- Programa 25
- Programa 26
- Programa 27
- Programa 28
- Programa 29
- Programa 30
- Programa 31
- Programa 32
- Programa 33
- Programa 34
- Programa 35
- Programa 36
- Programa 37
- Programa 39
- Programa 40
- Programa 41
- Programa 42
- Programa 43
- Programa 44
- Programa 45
- Programa 46
- Programa 47
- Programa 48
- Programa 49
- Programa 50
- Programa 51
- Programa 52 - ANIVERSÁRIO
- Programa 53
- Programa 54
- Programa 55
- Programa 56
- Programa 57
- Programa 58
- Programa 59
- Programa 60
- Programa 61
- Programa 62
- Programa 63
- Programa 64
- Programa 65
- Programa 66
- Programa 67
- Programa 69
- Programa 70
- Programa 71
- Programa 72
- Programa 73
- Programa 74
- Programa 75
- Programa 76
- Programa 77
- Programa 78
- Programa 79
- Programa 80
- Programa 81
- Programa 82
- Programa 83
- Programa 84
- Programa 86
- Programa 87
- Programa 88
- Programa 89
- Programa 90
- Programa 91
- Programa 92
- Programa 93
- Programa 94
- Programa 95
- Programa 96
- Programa 97
- Programa 98
- Programa 99
- Programa 100
- Programa 101
- Programa 102
- Programa 103
- Programa 104
- Programa 105
- Programa 106
- Programa 107
- Programa 108
- Programa 109
- Programa 110
- Programa 111
- Programa 112
- Programa 113
- Programa 114
- Programa 115
- Programa 116
- Programa 117
- Programa 118
- Programa 119
- Programa 120
- Programa 121
- Programa 122
- Programa 123
- Programa 124
- Programa 125
- Programa 126
- Programa 127
- Programa 128
- Programa 129
- Programa 130
- Programa 131
- Programa 132
- Programa 133
- Programa 134
- Programa 135
- Programa 136
- Programa 137
- Programa 138
- Programa 139
Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
- Pertinências 1 - Carlos Osório - Roblocks e os seus caminhos
- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
- PERTINÊNCIAS 11
- PERTINÊNCIAS 12
- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
- Pertinências 15
- Pertinências 16 - As Abelhas
- Pertinências 17 - O Papel do Jornalismo em Tempos Sombrios"
- Pertinências 18 - James McSill
- Pertinências 19 - Alexandra do Carmo
- Pertinências 20 - Orquestra de Jazz do Algarve
- Pertinências 21 - O Grande Võrtice da Desinformação
- Pertinências 22 - Goncálo M. Tavares
- Pertinências 23 - Jornalismo de Investigação
- Pertinências 24 - Teolinda Gersão
- Pertinências 25 - Júlia Domingues e João Ventura
- Pertinências 26 - A Música na Feira do Lovro em Portimão 2926
- Pertinèncias 27 - O que é o Fado? e Há Fado na Lota (1)
- Pertinências 28 - 2ª noite de Há Fado na Lota
- Pertinências 29 - 3º noite de Há fado na Lota
- Pertinências 30 - 4ª noite de há fado na lota
- Pertinências 31 - 5ª noite de Há Fado na Lota
13 de novembro de 2005
8 de novembro de 2005
11ª telegráfica
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1813
Visualizações:
44793
11ª telegráfica 07-11-2005 17:35
Forum: Conversas de Café
Mermão, tavas que pensar que eu tinha desaparecido? Te enganaste mesmo. Só me engasguei de emoção e fiquei assim como que paralelipipedo de arquitecto escultural de natureza morta cheio de vida. Passei dias de fantasia maravilhosa nos lados de Lubango, onde galinha em cima de televisão dá azar no clube da tuga, onde senhora directora tem sorriso que contagia alma que parecia estar petrificada. Depois de descer as miles curvas da serra fui mesmo lá no início do zulmarinho pôr o corpo de molho de modos a que cada célula deste corpo franzido se molhasse de vida, se revivesse de um nascimento adiado nos tempos de ontem.Me vou mantendo nas telegráficas, agora no regresso à capital onde conduzir se pode dizer é desporto radical tal a adrenalina que corre nas veias que até parece que vai sair das órbitas celestiais.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
carranca
Respostas:
1813
Visualizações:
44793
11ª telegráfica 07-11-2005 17:35
Forum: Conversas de Café
Mermão, tavas que pensar que eu tinha desaparecido? Te enganaste mesmo. Só me engasguei de emoção e fiquei assim como que paralelipipedo de arquitecto escultural de natureza morta cheio de vida. Passei dias de fantasia maravilhosa nos lados de Lubango, onde galinha em cima de televisão dá azar no clube da tuga, onde senhora directora tem sorriso que contagia alma que parecia estar petrificada. Depois de descer as miles curvas da serra fui mesmo lá no início do zulmarinho pôr o corpo de molho de modos a que cada célula deste corpo franzido se molhasse de vida, se revivesse de um nascimento adiado nos tempos de ontem.Me vou mantendo nas telegráficas, agora no regresso à capital onde conduzir se pode dizer é desporto radical tal a adrenalina que corre nas veias que até parece que vai sair das órbitas celestiais.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
10ª telegráfica
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas: 1813
Visualizações: 44793
10ª telegráfica 31-10-2005 14:36 Forum: Conversas de Café
--------------------------------------------------------------------------------
Ainda 'raptado' no planalto do Lubango, mermão, desconsigo ver se a Leba faz parte do morro Maluco ou se o maluco faz parte do morro. O facto de estar aqui trás um reforço na alegria de estar vivo que nem sei como te vou contar um dia as estórias que tenho de contar em prato de sobremesa, quando nem cabe em terrina de sopa.
Mermão, eu sempre que tiver ocasião te venho mini-contar o que sinto
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
carranca
Respostas: 1813
Visualizações: 44793
10ª telegráfica 31-10-2005 14:36 Forum: Conversas de Café
--------------------------------------------------------------------------------
Ainda 'raptado' no planalto do Lubango, mermão, desconsigo ver se a Leba faz parte do morro Maluco ou se o maluco faz parte do morro. O facto de estar aqui trás um reforço na alegria de estar vivo que nem sei como te vou contar um dia as estórias que tenho de contar em prato de sobremesa, quando nem cabe em terrina de sopa.
Mermão, eu sempre que tiver ocasião te venho mini-contar o que sinto
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
24 de outubro de 2005
7ª telegráfica
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1776
Visualizações:
43712
7ª telegráfica Hoje, 17:59
Forum: Conversas de Café
Mermão, hoje que andei bué outra vez. Mas tá a acabar pois tá quase que na hora de rumar para sul, lá para a areia dourada de perder a vista, lá para os lados onde me fizeram e onde aprendi a amar. Mas aqui, mermão tem aprendido mesmo muita coisa contigo e com teus amigos que afinal são mesmo amigos do peito. Sentei na marginal, te olhei nos olhos do zulmarinho que parece que é lago e pensei muito, nas coisas boas e más. No aqui e no lá. No dentro e fora de mim.
Me apeteceu parecer atleta e correr na calçada, levantar os braços como quem chegou à meta. Mermão, o zulmarinho é mesmo azul.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
22 de outubro de 2005
5ª telegráfica
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1769
Visualizações:
43498
5ª telegráfica Hoje, 19:36
Forum: Conversas de Café
Mermão, hoje que estou assim com um bocadinho de tristeza dentro do corpo. Nem umas e outras loiras fazem sentir a alegria que fervilha no corpo através de que estou aqui. Faz uma semana que cheguei e foi dia de despedida. Estive este tempo todo a dar trabalho e receber bué sorrisos mesmo na casa do Rui Amaro, conhecido Kapofy, e da Ilda.
Hoje é dia de mudar até no Cacuaco antes de seguir o Cruzeiro do sul. Ficou um aperto no coração na hora de dizer até já, na distancia de 14 km que nem sei imaginar como vai ser na hora de dizer mais miles de kilometros.
Aos amigos Rui e Ilda Amaro, e seus filhos todos mais na pessoa da Ana, só lhes posso dizer que são mais que muitas estrelas.
Beijo-vos
Sanzalando em AngolaCarlos Carranca
21 de outubro de 2005
4ª telegrafica
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1766
Visualizações:
43398
4ª^telegrafica Hoje, 15:38
Forum: Conversas de Café
Hoje deu para andar a pé para os lados do antigo bairro popular nº 2, nesta Luanda que se movimenta em cada segundo, onde fervilha vida em cada beco. Mermão, hoje tive que parar várias vezes para verter umas e outras loiras que o calor apertou e quem anda a pé tem destas coisas, não é só o músculo da perna que doi, é a garganta que seca e não tem como olea-la se não com uma loira. Hoje mesmo nem lhe olhei nas marcas. Caté bebi uma mesmo que chama EKA. Estava estupida e divinamente gelada que lhe fiquei fã outra vez.Agora tá mesmo na hora de ir para outros lados.
Te digo, mermão, que não vai passar nada que meu olho de lince não capte. Se lhe falhar está na sonny. Te abraço com o coração.
Sanzalando em AngolaCarlos Carranca
20 de outubro de 2005
3ª de Luanda
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1765
Visualizações:
43345
3ª telegráfica Hoje, 18:03
Forum: Conversas de Café
Informe-se.
Isso mesmo, se vais no gabinete de informação é para te informares, por isso mesmo ele do lado de lá diz: bom dia, informe-se.
Ele tem razão. Noutro lado diriam: bom dia, diga!
Ele tem razão.
Hoje foi um dia de pensamento e informação. Sabes, mermão, a noite de ontem foi comprida, mais comprida que o comprimento de noite normal, pelo que hoje até lesma anda mais depressa.
Mas mesmo assim deu para ver mulembas, carros e carros, e assim muito ao longe lhe vi a cor do zulmarinho que começa aqui.
Hoje deu para respirar e preparar para novas corridas, novas viagens.
Hoje deu para ficar a saber que outra Magia aportará neste portos. Muita pena que os horários dos sonhos não tenham coincidido. Mas deixa lá, mermão, que a gente ao passar a lomba do equador a gente deixa cair uma lágrima de carinho e sabes bem que ela vai direitinha no destino que a gente quer.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
19 de outubro de 2005
2º mensagem de Luanda
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1757
Visualizações:
43123
2ª Mensagem telegráfica Hoje, 11:50
Forum: Conversas de Café
Início do zulmarinho ali deitado e calmo acariciado pelas luzes que se espraiam desde Luanda. Eu no Club Nautico saboreio este estar de aqui estar. Te conto depois tudo, agora te quero contar apenas que,sem filtração dos boicotes neurónicos, aquilo que vai na alma. Em cada esquina, em cada rua se vê uma cruz cintilante a indicar uma farmácia. Entro com a curiosidade do defeito de profissão. Lhes falta nada. Saio com sorriso mais sorrido que tenho. Entro na Lello e lhes peço um livro, que está ali na mão de semear. Páro numa Esplanada para molhar a goela que a garganta seca não dá para ver as coisas com um sentir de verdade, não tem troco, mas não faz mal 'paga amanhã' como se me tivesse visto miles de vezes. Hoje fui lá pagar e só ouvir que não tinha precisão.Como eu não hei-de estar maravilhado.Mas depois eu conto tudo, mermão, na forma de que eu te contar desta vez vai ser mesmo como estória verdadeira que aconteceu na realidade real e não parida na imaginação do contador de estórias.Maravilhadamente te digo caté já!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
18 de outubro de 2005
1ª da Banda - felicidade
Aqui estou eu na Capital daRepública de Angola. O Rui Amaro e Ilda têm sido 5 estrelas porque não dou nem mais uma . Já estive comDinah e Jorge, Teka e Marzé, Té e Zito, Quilha e Truka, bué gente que não tem linhas para escrever os nomes todos. Simpatia não tem falta aqui.
Simplesmente feliz é como me encontro.
Um dia destes começo o relato desta viagem de sonho tornada realidade.
Vão só esperando.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Simplesmente feliz é como me encontro.
Um dia destes começo o relato desta viagem de sonho tornada realidade.
Vão só esperando.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
14 de outubro de 2005
Umas férias
Este blog vai estar um tanto ou quanto desactualizado por assim devido a férias
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXXII
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1738
Visualizações:
42719
Hoje, 18:30
Forum: Conversas de Café
Hoje faz Lua Nova, pelo que a maré do coração ficou cheia, em ressaca de uma mente calma, límpida como a luz dela e como tu és, encantadora e inspiradora. Hoje passeei junto ao Zulmarinho, recebi na cara as gotas salgadas do seu choro calmo e sereno, vendo-lhe na superfície um misto de emoção e alegria contida. Durante uns tempos não estarei aqui para ver o fim do zulmarinho que começa lá onde estarei.
E tu que ficaste fora da minha opção, tu que também sofreste com a minha decisão na hora da opção, mandaste-me uma garrafa do mais puro cristal, duma transparência que eu nunca havia visto, com um pequeno papel dentro onde escreveste em letra miudinha, numa prova da tua ternura, as seguintes palavras que não me canso de repetir em vos alta para mim:
Mukandas de Angola que te adora
E tu que ficaste fora da minha opção, tu que também sofreste com a minha decisão na hora da opção, mandaste-me uma garrafa do mais puro cristal, duma transparência que eu nunca havia visto, com um pequeno papel dentro onde escreveste em letra miudinha, numa prova da tua ternura, as seguintes palavras que não me canso de repetir em vos alta para mim:
Mukandas de Angola que te adora
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
13 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXXI
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1732
Visualizações:
42619
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho XXXI (penúltimo) Hoje, 21:21
Forum: Conversas de Café
Os meus problemas existenciais são insuportáveis só por si e tu ainda os tornaste mais letais ao penetrares-me na alma, em te abcedares dentro de mim, corroendo-me e toldando-me as formas simples de pensar em que eu era rei e senhor.
Neste momento, exacto segundo em que escrevo no papel pardo ou num canto do meu cérebro o que me vai na alma, apetecia deixar-me repousar para sempre com os olhos postos para lá desse azul do Zulmarinho, na tórrida paisagem tropical, de beleza fatal, de imensurável solidão, porém sustentável pela capacidade de sonhar contigo, sentir o teu perfume e poder tocar-te.Nesta minha prisão pessoal recuso-me a olhar como eu te olhei, confiar como confiei, desapontar-me como me desapontei, desapontar-te como te desapontei e a chorar de novo. Recuso-me a mais uma vez ter que optar. Deito-me no leito do abismo profundo, adormeço nos braços eternos do silêncio mórbido e digo adeus aos fantasmas, aos homens maus, monstros e demais figuras assustadores que têm povoado o meu pensamento na vã tentativa de me fazerem um ser infeliz. A minha alma alcançará agora a lua, que apesar de sozinha, é a rainha absoluta da noite, iluminando o caminho dos solitários, inspirando românticos e sonhadores, sendo testemunha de amores, confidente das horas boas e más, inabalável, austera, inalcançável.A lua leva-me na neblina da noite, faz-me andar, remete-me para longe sem hesitar e para sempre, como nos sonhos em que te sonhei amar. Leva-me, não por ser diferente ou especial, mas talvez seja pela minha tristeza apaixonante fora do normal. Quero que ela me leve para longe daqui, sem chapéu sobre a cabeça, sem roupa e descalço, apenas livre para te rodear, voando ao sabor do vento até conseguir chegar sem me cansar, sem pausas, até ao mais distante sonho, à mais improvável aspiração, deixando muito para trás toda e qualquer decepção. Apenas recomeço. Apenas um novo principio desta aventura de paixão ardente.A lua, com a sua luz, apaga a minha mente e mente-me, faz-me acreditar num mundo novo, limpo e agradável, sem pessoas verdes, fechadas, mortas em vida e venenosas, transportando-me até ti, reacendendo a esperança, fazendo-me sonhar os sonhos apagados, fazendo-me escrever no teu corpo as frases que não te disse, desenhar a minha alma como as fases em que enche a sua face.
Neste momento, exacto segundo em que escrevo no papel pardo ou num canto do meu cérebro o que me vai na alma, apetecia deixar-me repousar para sempre com os olhos postos para lá desse azul do Zulmarinho, na tórrida paisagem tropical, de beleza fatal, de imensurável solidão, porém sustentável pela capacidade de sonhar contigo, sentir o teu perfume e poder tocar-te.Nesta minha prisão pessoal recuso-me a olhar como eu te olhei, confiar como confiei, desapontar-me como me desapontei, desapontar-te como te desapontei e a chorar de novo. Recuso-me a mais uma vez ter que optar. Deito-me no leito do abismo profundo, adormeço nos braços eternos do silêncio mórbido e digo adeus aos fantasmas, aos homens maus, monstros e demais figuras assustadores que têm povoado o meu pensamento na vã tentativa de me fazerem um ser infeliz. A minha alma alcançará agora a lua, que apesar de sozinha, é a rainha absoluta da noite, iluminando o caminho dos solitários, inspirando românticos e sonhadores, sendo testemunha de amores, confidente das horas boas e más, inabalável, austera, inalcançável.A lua leva-me na neblina da noite, faz-me andar, remete-me para longe sem hesitar e para sempre, como nos sonhos em que te sonhei amar. Leva-me, não por ser diferente ou especial, mas talvez seja pela minha tristeza apaixonante fora do normal. Quero que ela me leve para longe daqui, sem chapéu sobre a cabeça, sem roupa e descalço, apenas livre para te rodear, voando ao sabor do vento até conseguir chegar sem me cansar, sem pausas, até ao mais distante sonho, à mais improvável aspiração, deixando muito para trás toda e qualquer decepção. Apenas recomeço. Apenas um novo principio desta aventura de paixão ardente.A lua, com a sua luz, apaga a minha mente e mente-me, faz-me acreditar num mundo novo, limpo e agradável, sem pessoas verdes, fechadas, mortas em vida e venenosas, transportando-me até ti, reacendendo a esperança, fazendo-me sonhar os sonhos apagados, fazendo-me escrever no teu corpo as frases que não te disse, desenhar a minha alma como as fases em que enche a sua face.
Carlos Carranca
12 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXX
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1727
Visualizações:
42505
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho XXX Hoje, 20:26
Forum: Conversas de Café
Fazendo crescer a resma de papel pardo, continuo-te a escrever, mesmo que seja só no cantinho do meu cérebro, com a ideia de um dia te poder dizer tudo o que vai na alma, no coração, em todo o lado. Escrever-te é exorcizar-me dos medos e fantasmas que me perseguem desde que fiz a opção e de nela não te ter incluído.
Há pessoas que têm medo de envelhecer, assim como outros têm medo da morte. Algumas pessoas sentem medo da solidão, outros da violência. Há aqueles que temem doenças, enquanto outros temem o fracasso. Eu não tenho medo da maioria dessas coisas, mas aterroriza-me ferozmente a ideia de me tornar numa pessoa incapaz de te amar, de te sentir como minha e eu totalmente teu.
Eu não quero olhar para ti e dizer que gosto de ti, beijar-te, possuir-te e depois continuar como se estivesse fora da tua vida. Eu não quero continuar a minha vida sem estares na minha opção. Eu não quero um recomeço aparentemente ideal, divertir-me como quem se diverte nas ondas no Zulmarinho e ao fim da tarde, madrugada dentro, sentir-me um homem moderno, sentimentalmente independente do século XXI, sem elos de ligação, sem marcas e sem carimbos dos carinhos trocados.
Assustou-me a frieza com que eu tinha encarando a situação criada na opção de não te incluir. O meu medo parecia estar a concretizar-se, o de nada amar e achar que nunca mais iria amar, o de me afastar eternamente do teu corpo, do teu perfume e da tua essência. O medo de me tornar num robotizado ser humano.
Sabes, houve alturas da minha vida em que senti um ódio de morte por ti. Perguntava-me porque não fizeste nada para me amarrares a ti, porque não foste capaz de me prender e forçares-me a ficar contigo, ou de não o teres querido fazer. Ao mesmo tempo sentia que tu querias ver apenas até onde eu era capaz de ir sem ti. E dizia-me baixinho: odeio-te mais do que o muito que te amo. Mas era tudo uma fachada, uma fuga de mim, uma ausência temporária, uma crise negativista de quem ama em solidão.
Mas como vês eu fui longe. Fui a meio de uma vida. Mas ao mesmo tempo fiquei perto, tão perto como a distância de uma garrafa cor de âmbar navegando ao sabor das ondas, vento e marés, e cujo a localização neste momento não sei qual é, sentindo apenas, num sentir de magia que está perto de ti. A uma meia distancia de quase nada.
Há pessoas que têm medo de envelhecer, assim como outros têm medo da morte. Algumas pessoas sentem medo da solidão, outros da violência. Há aqueles que temem doenças, enquanto outros temem o fracasso. Eu não tenho medo da maioria dessas coisas, mas aterroriza-me ferozmente a ideia de me tornar numa pessoa incapaz de te amar, de te sentir como minha e eu totalmente teu.
Eu não quero olhar para ti e dizer que gosto de ti, beijar-te, possuir-te e depois continuar como se estivesse fora da tua vida. Eu não quero continuar a minha vida sem estares na minha opção. Eu não quero um recomeço aparentemente ideal, divertir-me como quem se diverte nas ondas no Zulmarinho e ao fim da tarde, madrugada dentro, sentir-me um homem moderno, sentimentalmente independente do século XXI, sem elos de ligação, sem marcas e sem carimbos dos carinhos trocados.
Assustou-me a frieza com que eu tinha encarando a situação criada na opção de não te incluir. O meu medo parecia estar a concretizar-se, o de nada amar e achar que nunca mais iria amar, o de me afastar eternamente do teu corpo, do teu perfume e da tua essência. O medo de me tornar num robotizado ser humano.
Sabes, houve alturas da minha vida em que senti um ódio de morte por ti. Perguntava-me porque não fizeste nada para me amarrares a ti, porque não foste capaz de me prender e forçares-me a ficar contigo, ou de não o teres querido fazer. Ao mesmo tempo sentia que tu querias ver apenas até onde eu era capaz de ir sem ti. E dizia-me baixinho: odeio-te mais do que o muito que te amo. Mas era tudo uma fachada, uma fuga de mim, uma ausência temporária, uma crise negativista de quem ama em solidão.
Mas como vês eu fui longe. Fui a meio de uma vida. Mas ao mesmo tempo fiquei perto, tão perto como a distância de uma garrafa cor de âmbar navegando ao sabor das ondas, vento e marés, e cujo a localização neste momento não sei qual é, sentindo apenas, num sentir de magia que está perto de ti. A uma meia distancia de quase nada.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
10 de outubro de 2005
António Jacinto
POEMA DA ALIENAÇÃO
Antonio Jacinto
Não é este ainda o meu poema
o poema da minha alma e do meu sangue
não
Eu ainda não sei nem posso escrever o meu poema o grande poema que sinto já circular em mim
O meu poema anda por aí vadio
no mato ou na cidade
na voz do vento
no marulhar do mar
no Gesto e no Ser
O meu poema anda por aí fora
envolto em panos garridos
vendendo-se
vendendo
“ma limonje ma limonjééé”
O meu poema corre nas ruas
com um quibalo podre à cabeça
oferecendo-se
oferecendo
“carapau sardinha motona
jí ferrera ji ferrerééé”
O meu poema calcorreia ruas
“olha a probíncia” “diááário”
e nenhum jornal traz ainda
o meu poema
O meu poema entra nos cafés “
amanhã anda a roda amanhã anda a roda”
e a roda do meu poema
gira que gira v
olta que volta
nunca muda
“amanhã anda a roda amanhã anda a roda”
O meu poema vem do Musseque
ao Sábado traz a roupa
à Segunda leva a roupa
ao Sábado entrega a roupa e entrega-se
à Segunda entrega-se e leva a roupa
O meu poema está na aflição
da filha da lavadeira
esquiva
no quarto fechado
do patrão nuinho a passear
a fazer apetite a querer violar
O meu poema é quitata
no Musseque à porta caída duma cubata
“remexe remexe
paga dinheiro
vem dormir comigo”
O meu poema joga a bola despreocupado
no grupo onde todo o mundo é criado e grita
“obeçaite golo golo”
O meu poema é contratado
anda nos cafezais a trabalhar
o contrato é um fardo
que custa a carregar
“managambééé”
O meu poema anda descalço na rua
O meu poema carrega sacos no porto
enche porões esvazia porões
e arranja força cantando
“tué tué trr
arrimbuim puim puim”
O meu poema vai nas cordas
encontrou cipaio
tinha imposto, o patrão
esqueceu assinar o cartão
vai na estrada
cabelo cortado
“cabeça rapada
galinha assada
ó Zé”
picareta que pesa
chicote que canta
O meu poema anda na praça
trabalha na cozinha
vai à oficina
enche a taberna e a cadeia
é pobre roto e sujo
vive na noite da ignorância
O meu poema nada sabe de si
nem sabe pedir
O meu poema foi feito para se dar
para se entregar
sem nada exigir
Mas o meu poema não é fatalista
o meu poema é um poema que já quer
e já sabe
o meu poema sou eu-branco
montado em mim – preto
a cavalgar pela vida.
Obrigado amiga Armanda
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Antonio Jacinto
Não é este ainda o meu poema
o poema da minha alma e do meu sangue
não
Eu ainda não sei nem posso escrever o meu poema o grande poema que sinto já circular em mim
O meu poema anda por aí vadio
no mato ou na cidade
na voz do vento
no marulhar do mar
no Gesto e no Ser
O meu poema anda por aí fora
envolto em panos garridos
vendendo-se
vendendo
“ma limonje ma limonjééé”
O meu poema corre nas ruas
com um quibalo podre à cabeça
oferecendo-se
oferecendo
“carapau sardinha motona
jí ferrera ji ferrerééé”
O meu poema calcorreia ruas
“olha a probíncia” “diááário”
e nenhum jornal traz ainda
o meu poema
O meu poema entra nos cafés “
amanhã anda a roda amanhã anda a roda”
e a roda do meu poema
gira que gira v
olta que volta
nunca muda
“amanhã anda a roda amanhã anda a roda”
O meu poema vem do Musseque
ao Sábado traz a roupa
à Segunda leva a roupa
ao Sábado entrega a roupa e entrega-se
à Segunda entrega-se e leva a roupa
O meu poema está na aflição
da filha da lavadeira
esquiva
no quarto fechado
do patrão nuinho a passear
a fazer apetite a querer violar
O meu poema é quitata
no Musseque à porta caída duma cubata
“remexe remexe
paga dinheiro
vem dormir comigo”
O meu poema joga a bola despreocupado
no grupo onde todo o mundo é criado e grita
“obeçaite golo golo”
O meu poema é contratado
anda nos cafezais a trabalhar
o contrato é um fardo
que custa a carregar
“managambééé”
O meu poema anda descalço na rua
O meu poema carrega sacos no porto
enche porões esvazia porões
e arranja força cantando
“tué tué trr
arrimbuim puim puim”
O meu poema vai nas cordas
encontrou cipaio
tinha imposto, o patrão
esqueceu assinar o cartão
vai na estrada
cabelo cortado
“cabeça rapada
galinha assada
ó Zé”
picareta que pesa
chicote que canta
O meu poema anda na praça
trabalha na cozinha
vai à oficina
enche a taberna e a cadeia
é pobre roto e sujo
vive na noite da ignorância
O meu poema nada sabe de si
nem sabe pedir
O meu poema foi feito para se dar
para se entregar
sem nada exigir
Mas o meu poema não é fatalista
o meu poema é um poema que já quer
e já sabe
o meu poema sou eu-branco
montado em mim – preto
a cavalgar pela vida.
Obrigado amiga Armanda
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXIX
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1716
Visualizações:
42300
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho - XXIX Hoje, 17:04
Forum: Conversas de Café
Se eu voltasse ao normal agora, num momento rápido, sinto que poderia rebentar comigo. Sei que a qualquer instante isso vai acontecer. Mas não tem que ser rápido. Eu, aliás, nem tento, porque é bom estar assim e não há nada melhor do que a excitação frenética com que se mergulha na paixão. Eu quero apenas e só regalar-me em teu regaço, perder-me, emergir depois, ver o teu rosto, sentir o teu perfume, passar as minhas mãos em todo o teu corpo, olhar-te nos olhos, mas eu me perdi em dois terços da vida e os meus olhos estão vazios, ansiosos pelo final de alguma coisa. Para já não é possível tocar-te e também sentir-te. Não há vento nem ventanias que me tragam aqui o teu perfume, não há nada que consiga trazer-me de volta tal e qual eu te sonho.
Talvez devesse deitar-me no chão e voltar ao normal, rápido, porque parece não haver outro remédio. Mas a verdade é que eu não quero acordar desta imaginação que me transporta para ti, que me faz ver-te em todos os lados em que ponho o meu olhar.
Eu gostaria que tu soubesses, que através deste Zulmarinho eu estou, como sempre estive, em contacto indirecto contigo.
Se eu usasse o mesmo caminho para te mandar esta mensagem escrita em papel pardo, dentro de uma garrafa qualquer, estou certo que ela teria que ir a rebolar nas profundezas desse Zulmarinho, qual submarino ao fundo, de tanto peso que nela está. Assim sendo, opto por te levar em mão, sujeitando-me a todas as intempéries que se me depararem, todas as barreiras que me queiras levantar, todos os processos que querias mover. Só espero ter tempo nesta metade da vida que ainda falta.
Talvez devesse deitar-me no chão e voltar ao normal, rápido, porque parece não haver outro remédio. Mas a verdade é que eu não quero acordar desta imaginação que me transporta para ti, que me faz ver-te em todos os lados em que ponho o meu olhar.
Eu gostaria que tu soubesses, que através deste Zulmarinho eu estou, como sempre estive, em contacto indirecto contigo.
Se eu usasse o mesmo caminho para te mandar esta mensagem escrita em papel pardo, dentro de uma garrafa qualquer, estou certo que ela teria que ir a rebolar nas profundezas desse Zulmarinho, qual submarino ao fundo, de tanto peso que nela está. Assim sendo, opto por te levar em mão, sujeitando-me a todas as intempéries que se me depararem, todas as barreiras que me queiras levantar, todos os processos que querias mover. Só espero ter tempo nesta metade da vida que ainda falta.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
8 de outubro de 2005
Angola no Mundial de Futebol 2006
7 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXVIII
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1698
Visualizações:
41987
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho XXVIII Hoje, 18:44
Forum: Conversas de Café
Naqueles instantes de imaginação brincativa consegui provocar em mim a exacta sensação sentida nos outros tempos. Senti o cheiro da terra molhada depois de uma boa chuvada que apanhávamos de vez em quando, consegui ver as florzinhas produzidas depois dela, naquele mar de areia dourada onde eu ficava mais próximo de ti. Senti uma abertura na minha mente, um abrir de olhos para uma paisagem precariamente montada mas infinitamente mais atraente do que muitas cidades ou calçadas vazias, durante os rápidos segundos em que eu conseguia ver o filme de brincar com a idade adulta as brincadeiras de criança. Eu poderia ter desaparecido ali mesmo, com a alegria de ser feliz. Mas eu queria um pouco mais. O céu cinzento de um dia cinza estava a queimar a minha mente com sonhos sonhados em idos tempos fora, criando um misto de alucinação e delírio, ansiedade e medo. Não preciso voltar ao normal já. Quero ter tempo para te ver com os olhos de hoje, para te sentir com os sentimentos de hoje, para te compreender com os conhecimentos de hoje. Quero ter tempo para o tempo que te desdenhei na ignorância de não querer saber de ti. Quero ter tempo para te compreender dentro de mim. Queria ter tempo para recuar no tempo.
Sanzalando em AngolaCarlos Carranca
6 de outubro de 2005
Usando as Garrafas...fazendo um novo Zulmarinho - XXVII
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1692
Visualizações:
41874
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXVII Hoje, 18:58
Forum: Conversas de Café
Carlos Carranca
carranca
Respostas:
1692
Visualizações:
41874
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXVII Hoje, 18:58
Forum: Conversas de Café
Um dia cinza, na minha vida cinzenta. Afasto-me do quarto onde me enclausuro na vã esperança de me manter espiritualmente ligado a ti, caminho pelas franjas do Zulmarinho, sem camisa, para aproveitar melhor os pingos de água diminutos dos salpicos que me salgam a pele. Olho sem ver a lonjura desse mar que me liga e me afasta. Procuro um recado, um sinal, uma esperança a balouçar na crista de uma onde que sei, penso que sei, que vai chegar. Mais tarde ou mais cedo, num horário não estabelecido, desarrumando toda a minha linha de pensamentos.
Porque tive a ideia de dar uma de romântico e mandar-te uma mensagem caligrafada num papel amarelado dentro de uma garrafa cor de âmbar? Porque não acompanhei os tempos e não te mandei a mensagem como um ser normal o teria feito? Um gosto amargo de sofrer!
Ninguém na praia me vê. Ninguém nota a minha presença, já que estão todos absorvidos a ver os filmes de suas vidas a passar num ecran de éter.
Deu-me para sorrir. Toda graça está de volta ao lembrar-me uma vez mais nos tempos em que me empoleirava, ficava ziguezagueando pelos pátios, pés descalços, como criança, ver-te no sentir-te em toda a parte, ali sobre mim. Eu com o físico de hoje, com a idade de hoje a reviver todo aquele tempo. Deu até para me ver brincar, mesmo agora depois de ter crescido, as mesmas brincadeiras de outrora. Eu procurei coisas para brincar, qualquer brincadeira serviu para eu te reviver no íntimo.
Eu fiquei bastante tempo nesta brincadeira, sem tirar os olhos do azul ondulante deste Zulmarinho que tarda em cumprir com a missão quase impossível que lhe havia encomendado. Achas que não tem graça? Eu achei o máximo, eu destruí o mito de que tinha deixado de ser criança. Eu consegui transportar-me para junto de ti, ignorando que tinha sido eu que fizera a opção, mais uma vez não optimizada, de não te incluir nos meus sonhos futuros.
Sanzalando em AngolaPorque tive a ideia de dar uma de romântico e mandar-te uma mensagem caligrafada num papel amarelado dentro de uma garrafa cor de âmbar? Porque não acompanhei os tempos e não te mandei a mensagem como um ser normal o teria feito? Um gosto amargo de sofrer!
Ninguém na praia me vê. Ninguém nota a minha presença, já que estão todos absorvidos a ver os filmes de suas vidas a passar num ecran de éter.
Deu-me para sorrir. Toda graça está de volta ao lembrar-me uma vez mais nos tempos em que me empoleirava, ficava ziguezagueando pelos pátios, pés descalços, como criança, ver-te no sentir-te em toda a parte, ali sobre mim. Eu com o físico de hoje, com a idade de hoje a reviver todo aquele tempo. Deu até para me ver brincar, mesmo agora depois de ter crescido, as mesmas brincadeiras de outrora. Eu procurei coisas para brincar, qualquer brincadeira serviu para eu te reviver no íntimo.
Eu fiquei bastante tempo nesta brincadeira, sem tirar os olhos do azul ondulante deste Zulmarinho que tarda em cumprir com a missão quase impossível que lhe havia encomendado. Achas que não tem graça? Eu achei o máximo, eu destruí o mito de que tinha deixado de ser criança. Eu consegui transportar-me para junto de ti, ignorando que tinha sido eu que fizera a opção, mais uma vez não optimizada, de não te incluir nos meus sonhos futuros.
Carlos Carranca
5 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXVI
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1688
Visualizações:
41804
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho - XXVI Hoje, 19:22
Forum: Conversas de Café
Mas a verdade é que eu não estou a conseguir, há uma dificuldade infinita para manter a minha mente no lugar onde me encontro, ela se vai e eu acho que já não estou nem aqui, nem em lugar nenhum.
Sei que se alguém encontrar a garrafa cor de âmbar com a mensagem escrita em papel amarelado, num destino qualquer que não aquele que eu desejei que fosse, vai inicialmente pensar encontrar uma mensagem de humor, piadas infames, filosofia de álcool mil vezes bebido, brincadeira de crianças num mundo remoto. Depois lerá com atenção. Relerá quantas as vezes necessárias para decifrar o amor que ela contém, o arrependimento nela estampado e tantas vezes repetido.
Aliás, não sei se entenderão a verdade e o porquê da mensagem caligrafada num papel amarelado. O mundo cobra muita seriedade e não há maneira de suportar a pressão caótica da sociedade sem momentos de abstracção. Escrever-te é abstrair. Além do que, o amor é o sentimento mais lendário e abstracto que existe e foi apreciado por vários génios da humanidade, nas suas mais diversas formas de ser descrito. Comigo, no entanto, não é assim. Este amor, além de lendário tem sido uma coroa de espinhos tatuada dentro de mim. Ando cansado, angustiado, confuso, tenso. Motivos não me faltam, tanto que não cabe aqui, neste papel pardo, enumerá-los. Estou cansado da minha barba rigorosamente bem feita, do meu rosto limpo, dos meus dentes brilhantes, das minhas unhas cortadas, das minhas roupas passadas, dos meus curtos cabelos penteados, de mim. Tenho-me achado insuportavelmente pasteurizado, ridiculamente burguês, incrivelmente repugnante e, sobretudo, extremamente solitário! Eu queria viver plenamente a vida e gozar cada momento! Queira o Zulmarinho que isso seja possível.
Encontro-me como que rodeado do vazio da tua ausência. Falta-me sentir-te toda à minha volta como que sendo parte integrante de mim.
Sei que se alguém encontrar a garrafa cor de âmbar com a mensagem escrita em papel amarelado, num destino qualquer que não aquele que eu desejei que fosse, vai inicialmente pensar encontrar uma mensagem de humor, piadas infames, filosofia de álcool mil vezes bebido, brincadeira de crianças num mundo remoto. Depois lerá com atenção. Relerá quantas as vezes necessárias para decifrar o amor que ela contém, o arrependimento nela estampado e tantas vezes repetido.
Aliás, não sei se entenderão a verdade e o porquê da mensagem caligrafada num papel amarelado. O mundo cobra muita seriedade e não há maneira de suportar a pressão caótica da sociedade sem momentos de abstracção. Escrever-te é abstrair. Além do que, o amor é o sentimento mais lendário e abstracto que existe e foi apreciado por vários génios da humanidade, nas suas mais diversas formas de ser descrito. Comigo, no entanto, não é assim. Este amor, além de lendário tem sido uma coroa de espinhos tatuada dentro de mim. Ando cansado, angustiado, confuso, tenso. Motivos não me faltam, tanto que não cabe aqui, neste papel pardo, enumerá-los. Estou cansado da minha barba rigorosamente bem feita, do meu rosto limpo, dos meus dentes brilhantes, das minhas unhas cortadas, das minhas roupas passadas, dos meus curtos cabelos penteados, de mim. Tenho-me achado insuportavelmente pasteurizado, ridiculamente burguês, incrivelmente repugnante e, sobretudo, extremamente solitário! Eu queria viver plenamente a vida e gozar cada momento! Queira o Zulmarinho que isso seja possível.
Encontro-me como que rodeado do vazio da tua ausência. Falta-me sentir-te toda à minha volta como que sendo parte integrante de mim.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
4 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXV
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1682
Visualizações:
41644
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho - XXV Hoje, 18:49
Forum: Conversas de Café
Há algumas perguntas ainda que preciso de me refazer. Há algumas respostas em que não me sinto com capacidade de produzir pensamentos, não encontro solução nos livros do tempo. Simplesmente não sei responder. Eu sei que a nossa vida não se resume a perguntas e respostas objectivas e que não é possível apostar nos livros na vida real. Eu sei. Eu estou dentro das horas, eu estou lúcido da realidade. Tanto quanto outros que conheço. Mas fazer-nos perguntas, muitas vezes, gera um movimento e todo movimento indica uma direcção. Vou descobrir, em cada segundo, para onde devo caminhar. Para que possamos ter futuro. E também irei esperar um dia de chuva para poder chorar sem ser notado, sem que tu me vejas atolado nas toneladas pesadas de um arrependimento.
De tudo o que eu te disse, o que realmente é importante é que eu fiz uma opção. E ela não te incluiu. E o problema é que tu sabes. Como sabes também as condições condicionantes dessas opção, as certezas absolutas que nunca tive, o filme animado que sonhei ter filmado, a utopia de uma visão.
Se vim até aqui, tanto tempo depois, quase um nada afinal, não foi por insistência, mas sim, e apenas, por necessidade, por afirmação das dúvidas, pela incerteza de tantas certezas que estavam erradas.
Onde é que isto tudo vai parar? Esta questão, inclusive, é a que move a minha vida e minha razão de viver. A minha capacidade de não conseguir ler o futuro com as páginas lidas no passado. Além do mais, eu sei que manter uma vida de incertezas não é uma tarefa árdua, uma missão impossível assim, porque meia vida já a vivi assim.
Meia vida é muita coisa, se pensares bem. É o tempo suficiente para que uma outra vida seja formada, tempo para que se mude uma vida ou, no meu caso, tempo demais para uma vida que não muda.
É certo que fiz muita coisa. Formei-me, ganhei prémios, saltitei cidades, fiz amizades, fizeram-me inimizades, declarei-me um ateu-graças-a-deus, quiseram bater-me, bebi demais, fui chato, conheci fadas e duendes e até concertos de banda de rock assisti, dei broncas, escrevi de tudo e até poesia! Esta para exercitar minhas pretensões literárias para que, quando resolvesse escrever-te uma mensagem, eu tivesse pureza para o fazer. E ficou tudo registado aqui no cérebro que tu tens vindo a invadir qual doença incontrolável. Está lá tudo documentado que, de vez em quando, povoa os meus sonhos.
Sanzalando em AngolaDe tudo o que eu te disse, o que realmente é importante é que eu fiz uma opção. E ela não te incluiu. E o problema é que tu sabes. Como sabes também as condições condicionantes dessas opção, as certezas absolutas que nunca tive, o filme animado que sonhei ter filmado, a utopia de uma visão.
Se vim até aqui, tanto tempo depois, quase um nada afinal, não foi por insistência, mas sim, e apenas, por necessidade, por afirmação das dúvidas, pela incerteza de tantas certezas que estavam erradas.
Onde é que isto tudo vai parar? Esta questão, inclusive, é a que move a minha vida e minha razão de viver. A minha capacidade de não conseguir ler o futuro com as páginas lidas no passado. Além do mais, eu sei que manter uma vida de incertezas não é uma tarefa árdua, uma missão impossível assim, porque meia vida já a vivi assim.
Meia vida é muita coisa, se pensares bem. É o tempo suficiente para que uma outra vida seja formada, tempo para que se mude uma vida ou, no meu caso, tempo demais para uma vida que não muda.
É certo que fiz muita coisa. Formei-me, ganhei prémios, saltitei cidades, fiz amizades, fizeram-me inimizades, declarei-me um ateu-graças-a-deus, quiseram bater-me, bebi demais, fui chato, conheci fadas e duendes e até concertos de banda de rock assisti, dei broncas, escrevi de tudo e até poesia! Esta para exercitar minhas pretensões literárias para que, quando resolvesse escrever-te uma mensagem, eu tivesse pureza para o fazer. E ficou tudo registado aqui no cérebro que tu tens vindo a invadir qual doença incontrolável. Está lá tudo documentado que, de vez em quando, povoa os meus sonhos.
Carlos Carranca
3 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXIV
"Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1681
Visualizações:
41604
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho - XXIV Hoje, 17:04
Forum: Conversas de Café
Como sabes, é sempre para ti que eu escrevo. É para ti e sobre ti que eu escrevo, declaradamente. Sem confundir quem um dia possa ler as minhas palavras. Sem códigos, metáforas, provavelmente alguma parábola porque o sentimento está vivo e intenso. Quero que saibas o quanto eu gosto de ti. E que é esse gostar que me leva adiante e me faz ser quem eu sou. Não te peço que perdoes os telefonemas que eu não fiz, as cartas que eu não te escrevi, modernamente, pelos e-mails que não te mandei, pela cumplicidade que eu interrompi. É preciso que seja assim agora, hoje ou no amanhã. Isso foram contas de outro rosário, de um rosário que estou a forçar para que chegue ao fim. Tenha eu forças para um novo ciclo, consiga eu ultrapassar todas as barreiras, físicas e mentais para entrar num novo ciclo. Até que tu me vejas, como eu te vejo todos os dias, reflectida na luz da lua, no brilho do sol que me ilumina nas corridas pela areia em busca de um sinal, de uma resposta à minha anterior mensagem enviada numa garrafa cor de âmbar. Até que o olhar encontre as nossas necessidades e cumplicidades. Queira o Céu que tudo seja um carro de rolamentos a deslizar num declive sem imperfeições que possam atrasar esse início de ciclo.
Sem dramatizar, eu deixei doer o que consegui aguentar. Chegou o momento em que a procura do necessário é o ponto sem retorno da nossa vida, porque a dor tornou-se insuportável, a força da capacidade de negar esse amor vai faltando, as lágrimas caiem imitando as gotas do zulmarinho que me protege e me liga a ti na força insaciável das suas ondas. Nunca de menos ou do que vai além. Por estar em busca do necessário, é que estamos no meio do caminho. Um decidiu, seguindo para um lugar diferente do outro, numa opção claramente definitiva mas fragilmente sustentada. E afinal não é definitiva. Nem sei se durou muito ou pouco. Durou simplesmente. Foi o que teve que ser. O tempo de um precisar. O tempo certo para descobrir tudo, tanta coisa que afinal não passou de nada.
Neste momento ouço um canário engaiolado, de um vizinho, cantar uma canção de liberdade.
Sem dramatizar, eu deixei doer o que consegui aguentar. Chegou o momento em que a procura do necessário é o ponto sem retorno da nossa vida, porque a dor tornou-se insuportável, a força da capacidade de negar esse amor vai faltando, as lágrimas caiem imitando as gotas do zulmarinho que me protege e me liga a ti na força insaciável das suas ondas. Nunca de menos ou do que vai além. Por estar em busca do necessário, é que estamos no meio do caminho. Um decidiu, seguindo para um lugar diferente do outro, numa opção claramente definitiva mas fragilmente sustentada. E afinal não é definitiva. Nem sei se durou muito ou pouco. Durou simplesmente. Foi o que teve que ser. O tempo de um precisar. O tempo certo para descobrir tudo, tanta coisa que afinal não passou de nada.
Neste momento ouço um canário engaiolado, de um vizinho, cantar uma canção de liberdade.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
1 de outubro de 2005
Usando as garrafas...fazendo novo Zulmarinho - XXIII

Fio": Um café na Esplanada
carranca
Respostas:
1678
Visualizações:
41516
Usando as garrafas...fazendo novo o Zulmarinho - XXIII Hoje, 20:21
Forum: Conversas de Café
O dia passou sem que eu lhe desse conta, mas tu estiveste sempre presente, porque quer queira quer não, tu já fazes parte de mim, és um abcesso cerebral, um tumor não visível que me atormenta ou me faz feliz em cada segundo que passa.Chegada a noite, banho tomado e perfumado lá fui eu com cara de quem vai a um velório. Mas um convite para dançar, falar e beber uns copos com uma amiga dos tempos em que usava tranças e calças à boca-de-sino, LaFiness, por mais que me custe não poderia perder. Há dias e coisas que mesmo não querendo tem que ser, combater-se a inércia do repouso e dar largas ao corpo. Chegado lá a minha surpresa foi imensa, ela já não usava as tranças até meio das costas, mas tinha o mesmo ar dos tempos de outrora. Madura, muito mais madura porém no ponto sem vírgula. Dancei até a transpiração colar-me a camisa ao corpo. Senti a minha alma flutuando, levitei como noutras épocas. O ritmo da música e do meu coração eram um só compasso. Mesmo aquela juventude em redor, todos cheios de força, não me intimidaram e coloquei toda a minha energia naquele espaço de tempo. Se eu fosse de acreditar em sobrenatural e coisas desse filme eu teria a certeza que estava possuído por ti. Foi uma satisfação que só poderia comparar com duas coisas na vida, ter-te vivido ou um clímax sexual.Agora, no quente silêncio deste meu quarto volto aos pesadelos da opção. Opção tomada, responsabilidade arcada. Pago com juros toda essa dívida, escrevendo-te esta mensagem num papel pardo, mas com um sorriso nos lábios pela noite passada.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca
Subscrever:
Mensagens (Atom)





